domingo, 8 de fevereiro de 2009

HISTORIA DA IGREJA BATISTA DO CORDEIRO


Apresentação

A IGREJA BATISTA DO CORDEIRO E SUA HISTÓRIA

A possibilidade de se escrever a História da Igreja Batista do Cordeiro começou a ser objeto de nosso pensamento quando, há algum tempo atrás, passamos a ler, com olhos mais que curiosos, os textos escritos pelo Professor Isaque Aragão (como é carinhosamente chamado o irmão Manoel Alves Barbosa) nos boletins de cultos, abor-dando aspectos históricos da nossa comunidade de fé. Esse servo de Deus, de extrema dedicação ao Senhor e à sua Igreja, durante toda a sua vida, deixou em muitos o desejo de ver registrados os fatos históricos que marcaram a trajetória desta Igreja Batista, que foi a segunda organizada no município do Recife e a décima quarta no Estado.

Esperávamos que fosse ele a registrar, nos anais Batistas e do tempo, a história da sua querida Igreja do Coração. Embora tendo feito incursões em pesquisas na histo riografia de Pernambuco, reconhecíamos que caberia a ele a primazia na elaboração dos registros da nossa Igreja. Tampouco nos sentíamos à altura da tarefa. Surpresos e estimulados ficamos quando ele, declinando da honra, pediu que assumíssemos a ta- refa de escrever a memória da Igreja Batista do Cordeiro. Aceito o desafio com o respaldo do Pastor Flavio Germano de Sena Teixeira, começamos a nos preparar para
a nobre tarefa, buscando as fontes de registro.

A pesquisa para resgate dessa história demandou leitura de todas as Atas daIgreja Batista do Cordeiro, desde a mais antiga existente, a ata (8ª) da sessão do dia 8 de setembro de 1906, à pesquisa em fontes secundárias. Entre elas, citamos:

– o Jornal Batista, repositório da História do Povo Batista Brasileiro, em cuja edi- ção de 15 de dezembro de 1905 está registrada a fundação da Igreja Batista do Cor- deiro, além do registro de muitos outros fatos a ela relacionados e à história dos Batistas no Estado, inclusive os textos do missionário Entzminger, historiando os primórdios do trabalho Batista em Pernambuco;

– o livro autobiográfico "Um Judeu Errante no Brasil", escrito por aquele que foi a lenda Batista, Salomão Ginsburg, cujo nome real era Sholomo Ludwig Ginsburg, um verdadeiro apóstolo Paulo do final do Século XIX e início do Século XX.

– os livros "A História dos Batistas em Pernambuco" e "A História dos Batistas no Brasil", de Antonio Neves Mesquita, "A História dos Batistas no Brasil", de Asa Routh Crabtree, Panorama Batista em Pernambuco, de Zaqueu Moreira de Oliveira
e João Virgilio Ramos André e A Primeira Igreja Batista do Recife: Episódios de sua historia, de Leonice Ferreira da Silva;

– o livro Centelha em Restolho Seco, excepcional obra dessa figura simpática que é a Professora Betty Antunes de Oliveira.

Todos foram fontes onde buscamos registros dos fatos adiante narrados, resgatando a História da Igreja Batista do Cordeiro (ICOR), conhecida como a Igreja do Coração, no ano em que esta comunidade de fé completa o Centenário de Serviço a Deus e da sociedade.

O resgate da memória visual também trouxe grande dificuldade, em especial quanto aos primeiros pastores, a quem o tempo nublou a lembrança de descencendentes e con- temporâneos. Mas o trabalho persistente permitiu recompor as figuras dos pioneiros do trabalho Batista em Pernambuco e dos Pastores da Igreja Batista do Cordeiro, algu-mas restauradas a partir de fotografia desbotada ou de fotocópia de um livro raro e esgotado, a partir do trabalho do artista plástico alagoano, Olivar Fonseca. Estas gravuras serviram para recompor a Galeria de Pastores da Igreja Batista do Cordeiro, onde não haviam as figuras dos Pastores Antonio Marques da Silva, de Roberto Edward Pettigrew e de José Pedro da Silva. Aquela do Pastor Manuel Corinto Ferreira da Paz foi melhorada, fazendo-se uma imagem dele quando ainda em pleno vigor físico, em torno de trinta anos, bem como do fundador, Salomão Ginsburg.

Concluída, de modo incompleto e imperfeito, a tarefa de resgatar a História da Igreja Batista do Cordeiro – IBCOR – a Igreja do Coração, entregamos o seu resultado à Igreja e à Denominação Batista. Desejamos que a leitura estimule os membros da Igreja e os Batistas de Pernambuco a preservar a memória desta igreja de Cristo e do povo de Deus chamado Batista, resgatando a memória daqueles que perseveraram no Caminho do Senhor, servindo-O e pregando o Evangelho do Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, a quem seja dada toda Honra, Glória e Louvor, agora e para sempre. Amém!

Parte I
CEM ANOS DA HISTORIA DA IGREJA BATISTA DO CORDEIRO

INTRODUÇÃO

A IGREJA BATISTA DO CORDEIRO, a igreja do coração


A História da Igreja Batista do Cordeiro, desde que dela tivemos conhecimento em 1970, tem sido narrada para a comunidade de forma resumida, contando-se os períodos dos Pastorados conhecidos: de Manoel Corinto Ferreira da Paz (1906-1926); de Sebas-tião Tiago Correa de Araújo (1926-1951) e de David Mein (1951-1981). A partir do término do Pastorado do Dr David Mein, foram acrescidos os fatos ocorridos nos Pastorados de Amauri Munguba Cardoso, de Roberto Amorim de Menezes e, mais recente-mente, do Pastor Flávio Germano de Sena Teixeira. Essa simplificação ocultara do conhecimento da comunidade fatos relevantes da história da Igreja, entre os quais:

– o período que antecedeu a organização em igreja (1901-1905), quando Congregação da Primeira Igreja Batista do Recife, organizada e dirigida pelo missionário Salomão Ginsburg e seus auxiliares;

– os períodos em que foi dirigida por dois servos de Deus, ainda desconhecidos na historiografia da comunidade: o Seminarista (depois Pastor) José Pedro da Silva (período de 27 de janeiro de 1907 a 10 de maio de 1908) e o Pastor Robert Edward Pettigrew, missionário norte-americano da Junta de Richmond (período de 10 de
junho a 6 de outubro de 1908;

– os Pastorados interinos de Jezimiel Norberto da Silva (1951); Francisco de Assis Carvalho (1953); Livio Cavalcanti Lindoso (1960-1961); João Virgilio Ramos André (1964); Hermenegildo Nunes da Silva (1967); Nabor Nunes Filho (1970); Norton Riker Lages (1974); David Lee Miller (1976); e James Frederick Spann (1980). Isso sem falar dos muitos outros fatos relevantes. A Comunidade Batista do Cordeiro nasceu na localidade denominada Bomba Grande, na Vila do Cordeiro, defronte da estação da ferrovia Recife-Várzea, onde havia uma bomba d’água para abastecimento da caldeira de vapor do trem. A vila do Cordeiro, no início do século XX, era um aglomerado de casas de operários, emprega dos da várias industrias têxteis e de cerâmica existentes nos bairros do Cordeiro, da Torre e do Zumbi.

Inicialmente, o nosso projeto previa o registro cronológico com ligeiro retros- pecto da História do Povo de Deus chamado Batista, desde a origem dessa comunidade de cristãos, na Holanda e na Inglaterra no Século XVI, passando pelos Estados Unidos e a vinda dos primeiros Batistas para o Brasil, bem como o início da divulgação do Evan- gelho cristão pelos Batistas em Pernambuco, há cento e vinte e anos atrás. Todavia, quando já redigida a maior parte do texto, optamos por fazer uma inversão na apresentação.

Apresentamos primeiro os registros referentes à Igreja Batista do Cordeiro, desde a organização da Congregação, filha da Igreja Batista do Recife , sua formação como igreja autônoma e o seu desenvolvimento como Agência do Reino de Deus, regis-trando todos os Pastorados, ao longo do centenário de atividades que ora comemo-ramos a serviço do Reino de Deus e da proclamação do Evangelho de Cristo. Depois, em uma segunda parte, apresentamos os fatos que antecedem à existência da Igreja, desde o surgimento dos Batistas na Inglaterra e na Holanda, passando pelos Estados Unidos, em Rhode Island e Filadélfia. A seguir, no Brasil, a vinda do primeiro missionário norte-americano - Thomas Jefferson Bowen - e a organização das primeiras Igrejas Ba tistas em solo brasileiro, em Santa Bárbara (1871) e Estação (1879), ambas em Santa Bárbara (SP), onde foi consagrado o primeiro Pastor Batista brasileiro - Antonio Teixeira de Albuquerque -, vindo este depois com os pioneiros missionários norte americanos Anna Luther e Guilherme Bagby, Catarina e Zacarias Taylor para Salvador (BA), trazendo cartas demissórias das igrejas batistas de Santa Bárbara e fundaram a Primeira Igreja Batista da Bahia, em 15 de outubro de 1882.

Depois, a chegada do Evangelho do Reino ao Nordeste,quando os pioneiros da Bahia vieram a Maceió e fundaram a Igreja Batista de Maceió (mais tarde Primeira Igreja Batista de Maceió – PIB Maceió). Desta ultima saiu Mello Lins, que fora batizado em Pernambuco pelo missionário Zacarias Taylor, que deu início a Congregação Batista. Mais tarde, com a chegada dos missionários Lena Kirk e Charles David Daniel, organi-zaram a Igreja de Christo no Recife, denominada Batista (mais tarde Primeira Igreja Batista do Recife – PIB Recife), em 1886, que se tornou o centro irradiador da luz do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Foi dela que saíram as sementes que germinaram e deram como fruto as igrejas Batistas do Estado de Pernam- buco e do Nordeste.

Complementando estas duas partes, incluímos uma Iconografia, com as figuras dos pastores, de personalidades históricas e do templos da Igreja Batista do Cordeiro

Concluída a tarefa a que nos impusemos, de resgatar a História da Igreja Batista do Cordeiro – IBCOR – a Igreja do Coração, desejamos que o presente texto contribua para preservar a memória desta comunidade Batista, que tem servido e continuará servindo ao Deus Trino: Pai Filho e Espírito Santo, para sempre. Amém!


Capítulo I

A IGREJA BATISTA DO CORDEIRO: a origem.

A Igreja Batista do Cordeiro foi organizada em 15 de novembro de 1905, a partir do da congregação da Primeira Igreja Batista do Recife, iniciada em 1901 por Salomão
Ginsburg, no bairro do Cordeiro, que a dirigiu e orientou até sua organização em Igreja. O culto festivo da sua organização ocorreu na manhã do dia 15 de novembro de 1905, dirigido pelo missionário Salomão Louis Ginsburg, auxiliado pelo Pastor Antonio
Marques da Silva, com a presença de muitos membros da Igreja Batista do Recife, inclusive o Diácono Arthur de Cristo Lindoso e integrantes da Sociedade Auxiliadora de Senhoras: "A Sociedade Auxiliadora de Senhoras da Igreja (1ª do Recife)comemorou o dia 15 de Novembro com passeio à Iputinga para assistir à organização da nova Igreja Baptista, que se realizou às 11 horas da manhã, sendo o serviço dirigido pelo Pastor Salomão Ginsburg, auxiliado pelo Pastor Antonio Marques e irmãos leigos" (OJB de 15/12/1905, p. 7).

Nove dias antes, a Igreja Batista do Recife concedera cartas de transferência a vinte e dois dos seus membros, residentes na Iputinga, para se organizar em Igreja, entre estes quinze recém batizados, conforme noticiado no Jornal Batista: "Na sessão mensal da mesma Igreja (do Recife) realizada em 6 de Nov, foi deliberado conceder cartas demissórias aos irmãos residentes na Iputinga para ali se constituírem em Igreja da mesma fé e ordem. Ela foi de fato organizada a 15 conforme noticia acima mencionada e para assistirmos a organizamos recebemos amável convite da igreja, mas não pudemos dele nos utilizar" (OJB de 15/12/1905).

A nova Agência do Reino de Deus no Recife adotou o nome de “Egreja de Christo denominada Baptista, na Iputinga” e o registro da sua fundação está publicado no Jornal Batista de 15 de dezembro de 1905: "O dia 15 de Nov(embro) foi um dia memorável na historia dos Batistas pernambucanos. Não posso contar de tudo,
mas, sim, dar um ligeiro esboço somente do que se fez naquele dia. Às 11 horas da manha organizou-se a Igreja Batista de Iputinga. O salão estava lindamente ornamentado. Muitos irmãos tinham vindo da cidade para assistir aquele ato. Por uma corrente de circunstancias imprevistas, os quatros Pastores esperados que deviam tomar parte na ocasião não estavam presente, mas, nem por isso se deixou de realizar o trabalho. O irmão Antonio Marques foi eleito Pastor e o irmão Arthur Silva (Lindoso), secretario. A igreja conta com 22 membros"
(OJB, de 15/12/1905, p. 7).

A Egreja de Christo, denominada Batista, na Iputinga, nos primeiros anos, usou outros nomes como registram suas atas: Egreja de Christo no Cordeiro (1906); Egreja Evangélica Baptista na Villa do Cordeiro (março de 1909); Egreja Evangélica Baptista do Cordeiro (novembro de 1912); e Egreja Baptista do Cordeiro (agosto de 1914). Finalmente adotou o nome de Igreja Batista do Cordeiro (1915). Era a segunda igreja batista organizada no Recife e a décima quarta no Estado. O início desse trabalho fora a congregação organizada em 1902, por Salomão Ginsburg e por ele foi dirigida até essa data (15 de novembro de 1905).

Organizada a Igreja pelo Concílio composto pelos pastores Salomão Ginsburg (IB Recife) e Antonio Marques (IB Nazaré da Mata) e do diácono Arthur Lindoso, foi escolhido Antônio Marques da Silva para pastoreá-la. A Igreja Batista do Cordeiro, ao ser formada, era uma comunidade de pessoas de origem humilde, a maioria oriunda do interior do Estado, alguns fugindo da perseguição movida contra as Igrejas em Bom Jardim, em Ilheitas e em Paudalho. Os seus integrantes eram trabalhadores de indús- trias têxteis existentes nos bairros da Torre, do Cordeiro e da Várzea. O Pastor Salomão Ginsburg, seu fundador, foi, durante cinco anos, o seu dirigente, pessoal-mente e, nas ausências, auxiliado por outros missionários e seus auxiliares. Organi zada em Igreja, Salomão escolheu Antônio Marques da Silva para o primeiro pastor e, quando este deixou Pernambuco, outro auxiliar (Manoel da Paz) veio para o mesmo pastorado.

Era a Igreja situada na Vila do Cordeiro, na Iputinga, próxima da estação da linha férrea Recife-Várzea, no local Arthur de Christo Lindoso – seu nome correto, segundo sua sobrinha-neta Mirtô Lindoso Jamil -, foi um dos lideres leigos batista em Pernam buco, esteve presente a inúmeros de eventos da denominação: organização de igrejas, concílios para consagração de Pastores, aula inaugural do Seminário Batista entre outros. Em vários destes atos foi secretário do ato, guardando anotações que serviram de roteiro a Antonio Neves Mesquita, na redação da História dos Batistas em Pernambuco e da História dos Batistas no Brasil, como este declara. Arthur de Cristo Lindoso, era natural de Tatuamunha (Porto Calvo, Alagoas), tio paterno e quem criou Livio Cavalcante Lindoso, mais tarde Pastor (IB de Olinda, IB da Capunga e outras (Nota do Autor).

No período da Congregação estiveram pregando aqui o missionário William Cannada,
o seminarista José Piani e o Diácono Arthur Lindoso (MESQUITA. Antonio N. HISTÓRIA DOS BAPTISTAS EM PERNAMBUCO, 1930, p. 110) no local que veio a se denominar Bomba Grande, porque havia uma bomba d´agua para abastecimento da locomotiva da composição ferroviária. Segundo outros a expressão Bomba Grande decorria da existência de um grande bueiro sobre o riacho do Cavouco, que nasce nas terras do antigo Engenho do Meio, de João Fernandes Vieira.

Organizada a Igreja Batista do Cordeiro (IBCOR) e escolhido seu primeiro Pastor Antônio Marques da Silva, um dos seus auxiliares de Salomão Ginsburg, este logo deixou o Pastorado, face á necessidade dos seus préstimos em outra igreja. Salomão Ginsburg escolheu outro auxiliar seu em 1906, para pastoreá-la, o Pastor Manuel Corinto Ferreira da Paz, que a dirigiu por um breve período, deixando o Pastorado para pastorear a Igreja Batista de Nazareth da Mata.

Cabe aqui abrir um parênteses para explicar a escolha de pastores. Nos primórdios do trabalho Batista em Pernambuco, como noutros estados, havia um missionário respon-sável pelas igrejas existentes e não havia um Pastor para cada uma igreja. Os missio-nários e os auxiliares se revezavam no cuidado e no pastoreio das igrejas do campo, pregando, ministrando a ceia e dirigindo todo o trabalho. Na época, poucas Igrejas remuneravam seus pastores, sendo citadas, a propósito, a IB de Nazaré e a IB da Torre, as primeiras a fazê-lo. Anos mais tarde as igrejas começam a contribuir, de forma incipiente, para o sustento dos seus obreiros.

A Igreja Batista do Cordeiro, ao longo da sua história,foi dirigida pelos pasto-res: (1) Antonio Marques da Silva (15.11.1905-1906); (2) Manoel Corintho Ferreira da Paz (1906-27.01.1907); (3) José Pedro da Silva (27.01.1907-10.05.1908); (4) Robert Edward Pettigrew (10.05.1908-06.10.1908); (5) Manoel Corinto Ferreira da Paz (07.11. 1908 - 30.04.1926); (6) Sebastião Tiago Correa de Araújo (1926 - 1951); (7) David Mein (1951 - 1981); (8) Amauri Munguba Cardoso (1981 a 1989);(9) Roberto Amorim de Menezes (1989 a 1999); (10) Flávio Germano de Sena Teixeira (1999 a 2004); e (11) Miquéias da Paz Barreto (2004 a 2005). Nesta galeria de ilustres servos do Deus Altíssimo, grandes pregadores do Evangelho de Jesus Cristo, queremos incluir e destacar o fundador da Igreja Batista do Cordeiro, o missionário Salomão Ginsburg, que a dirigiu enquanto Congregação da Igreja Batista do Recife (1901 - 1905).


Salomão Ginsburg, o Fundador (dados biograficos).

Salomão Luiz Ginsburg nasceu em lar judeu em Suwalki, na Polônia, em 6 de agosto de 1867. Cresceu alimentando dúvidas sobre alguns textos das Escrituras Sagradas, dos quais pediu esclarecimento ao seu pai, que não as deu. A curiosidade exacerbada pela negativa de resposta a indagação levou-o a buscar resposta às suas dúvidas, encon-trando-as entre os cristãos ingleses, onde encontrou quem explicasse com clareza os textos questionados. Resolvido a aceitar a Cristo como o Messias e seu Salvador, foi renegado pela família. Abrigado pelos congregacionais ingleses, passou a ser motivado a pregar a Cristo a outros. Aspirando vir ao Brasil como missionário,
esteve em Portugal aprendendo a língua.

Chegando ao Recife, enviado pela missionária congregacional, Salomão Ginsburg passou a ter contato com o missionário Batista Zacarias Taylor, que vinha à cidade com regularidade, visando restabelecer o trabalho Batista que existira no Recife (1ª Igreja Batista do Recife). Esses contatos decorriam do fato de Taylor se hospedar na residência do missionário congregacional a quem Salomão Ginsburg substituia. Salomão e Zacarias discutem aspectos doutrinários divergentes entre suas igrejas e a forma bíblica correta do batismo. Examinando com maior aténção os textos bíblicos, Salomão se convenceu de que a forma correta do batismo bíblico era por imersão. Havendo exposto o assunto perante sua congregação e tendo mantido os contatos com os missio-nários Batistas, dirigiu-se a Salvador, onde pediu para ser batizado nessa forma.

O missionário Zachary Clay Taylor o batizou em Salvador (Bahia) e, logo em seguida, foi ele consagrado como Pastor Batista para exercer o Ministério da Palavra em 19 de outubro de 1891. Retornando ao Recife, após ser nomeado missionário da Missão Norte-Americana, passa a trabalhar para dinamizar o trabalho Batista no Estado
(SILVA, Leonice Ferreira da, PRIMEIRA IGREJA BATISTA DO RECIFE: Episódios da sua
História, p. 27-31). Salomão Ginsburg participou da reorganização da Igreja Batista do Recife e, mais tarde, foi seu Pastor por dez anos. Fundou o Seminário Batista de Pernambuco e organizou as Igrejas Batistas em: (1) Jaboatão (1901), (2) Garanhuns(1901); (3) Siriji (1903), (4) Cortez (1903); (5) Palmares (1903); (6) Cordeiro (Recife, 1905); (7) Gameleira (Rua Imperial, 1905);(8) Atalaia (AL, 1907); (10) Torre (1908) e (11) Cabo (1908).

O crescimento do trabalho Batista nos vários campos (baiano, carioca e pernam-bucano), separados por distancias continentais, demandava a existência de uma enti-dade para coordenar os esforços do trabalho nas várias localidades, para atender à finalidade proposta. Os Batistas, historicamente, se organizavam em Convenções. Assim, Salomão Ginsburg sonhou e se articulou com outros dirigentes do trabalho Batista e concretizaram o sonho de organizar a Convenção Batista Brasileira. Reis Pereira, com justiça, chama Salomão Ginsburg de “o Pai da Convenção Batista Brasileira" (REIS PEREIRA, Jose dos. HISTORIA DOS BATISTAS 1881-1982).

Salomão Ginsburg conheceu, em Londres, a enfermeira Amelia Carolina (Carrie) Bishop, que também tinha vocação missionária. Ficaram noivos, combinaram que, quando ele se estabelece no Brasil, mandaria buscá-la para aqui casarem. Chegando à cidade do Rio de Janeiro (então Distrito Federal), ele mandou buscar a noiva. Carrie e Salomão casaram-se em 1891, em Salvador (1892). Infelizmente, ela faleceu quatro meses depois, vitimada pela febre amarela. Salomão se tornou Batista, sendo nomeado missionário da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos (Junta de Richmond) quando conheceu Emma Proctor Morton, missionária solteira que trabalhava no Brasil. Casou-se em 1º de agosto de 1893, na Igreja Batista de Niteroi, em cerimônia oficiada pelo missionario Jamees Jackson Taylor. Emma Proctor Morton nascera em 16 de Janeiro de 1865, em Owensboro, Kentucky (USA), filha de Henry Thomas Morton (1832-1906) e Mary Arvila Proctor (1844). Emma Ginsburg, companheira amorosa e dedicada ao marido e ao trabalho missionário, arregimentou mulheres e moças dos locais onde o casal trabalhou, engajando-as no serviço do Senhor, organizando as primeiras Socie-dades Auxiliadoras de Senhoras (hoje União Feminina Missionaria). Mulher dinâmica, com luz própria, valorosa companheira do maior missionário batista que o Nordeste do Brasil recebeu, realizando, em dez anos, grandes coisas para o Senhor da Seara. O casal Ginsburg teve os filhos Arvilla Henrieta (1894, Brazilia, Claire (1897-1972, Robert (1900-1958, Henrieta (1904-1994, Emily (falecida na infância, em Kansas, Missouri), Estelle Ginsburg e Louis (falecido solteiro). Os filhos casados deram ao casal Ginsburg sete netos e mais de duas dezenas de bisnetos, criados e residentes nos Estados Unidos, para onde os levou Emma Ginsburg ao retornar, depois do falecimento do esposo, indo residir em Kansas, no Missouri, onde faleceu em 1930.
Salomão Ginsburg faleceu na Cidade de São Paulo, em 1º de abril de 1927, com sessenta anos incompletos, depois de uma vida plena de realizações no Reino de Deus, sendo sepultado no Cemitério Protestante.

A Perseguição em Bom Jardim

Em 1897, ocorreu uma das maiores perseguições contra os protestantes em Pernambuco. A chegada de Salomão Ginsburg ao Estado coincidiu com a perseguição movida aos crentes, em particular em Bom Jardim, “onde a Igreja foi
praticamente destruída e seus doze membros caçados como malfeitores10”.
O trabalho Batista em Bom Jardim fora organizado
pelos esforços do missionário Entzminger e do Pastor Antonio
Marques.
Na residência do convertido Primo Feliciano da Fonseca,
foi aberta uma congregação, o que desagradou a Nicolau
Antonio Duarte, proprietário do Engenho Oiteiro, e
a Motta Silveira, chefe político local. Estes, ao saber da visita
do Pastor Antonio Marques à cidade, cada um, de per
si, contrataram um grupo de desordeiros para surrar e matar
os crentes, os quais, sabendo do perigo, fecharam as portas
da casa. O primeiro grupo de inimigos se postou diante da
10 SILVA, Leonice Ferreira da. opus cit., p. 57.
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casa e, chegando o segundo grupo, julgou que se tratava dos
crentes. Começaram a atirar. A troca de tiros resultou na
morte de várias pessoas. Os crentes escaparam pelos fundos
da casa, mas as mortes resultantes do conflito lhes foi atribuída.
Eles foram caçados e quatro deles presos, inclusive o
Pastor Antônio Marques da Silva.
Essa era a situação quando Salomão Ginsburg assumiu
o Pastorado da Igreja Batista do Recife e a direção do trabalho
Batista em Pernambuco. Chegando ao Estado bem
recomendado, inclusive pelo Vice-Presidente da República,
Francisco de Assis Rosa e Silva, chefe político do Estado
e, como ele, filiado à Maçonaria, foi ter com o governador
do Estado, Antonio Gonçalves Ferreira. Este o pôs a par
do clima da região e tentou dissuadi-lo de viajar para ali.
Salomão Ginsburg retrucou que se lhe dessem garantias e
segurança, ele estava disposto a enfrentar a situação.
O governador forneceu segurança necessária, demitiu o
chefe de polícia de Bom Jardim e nomeou o coronel Joaquim
Gonçalves, que se tornou amigo dos crentes. Salomão
Ginsburg se dirigiu para lá com o missionário Jefté
Hamilton, acompanhado de um destacamento de soldados
para lhes dar garantias. Hospedou-se na casa de Joaquim
Gonçalves, o novo chefe de policia. Salomão Ginsburg visitou
as autoridades, inclusive o juiz que presidiria o julgamento
dos crentes. Estes foram julgados e inocentados. Todavia,
a prudência os aconselhou que mudar da localidade.
Alguns desses irmãos, inclusive o Pastor Antônio Marques
da Silva e Primo da Fonseca e sua família, deram origem à
Congregação do Cordeiro em 190111.
11 SILVA, Leonice Ferreira da. opus cit., p. 57-59.
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O Bairro do Cordeiro
O bairro do Cordeiro tem sua origem mais remota nas
terras do engenho de Ambrosio Machado, adquiridas no Século
XVI. O seu proprietário era agricultor e senhor do engenho
Cordeiro, situado na Várzea do Rio Capibaribe, vizinho
do Engenho da Torre, junto do riacho Cavouco, que
nasce nas terras do Engenho do Meio, atravessa a estrada
pública de Caxangá e vai desaguar no Rio Capibaribe. Na
margem deste rio, havia a passagem de Ambrosio Machado
(assim denominada por estar situadas nas terras desse proprietário),
dando acesso ao engenho de Jerônimo Paes, mais
tarde chamado de Engenho da Casa Forte.
Ambrosio Machado, pernambucano de ilustre família, participou
da luta contra os invasores holandeses. Derrotadas as tropas
luso-brasileiras, em 1635 após a queda do forte do Arraial do
Bom Jesus, os integrantes destas se retiram em direção à Bahia,
acompanhados de grande quantidade da população civil. Entre
os que emigraram estava Ambrosio Machado, presumindo-se que
morreu na retirada ou durante as lutas, porque não se tem mais
noticias do mesmo depois dessa época.
Abandonado por seu proprietário o Engenho de Ambrosio Machado,
foi confiscado pelos holandeses e vendido a uma da sua nação.
Ocorrendo a derrota dos holandeses, com a restauração da soberania
do rei de Portugal d. João IV sobre a capitania, em 1654,
as terras do Engenho de Ambrosio Machado foram incorporadas
aos bens da Coroa Portuguesa pela fazenda real12.
O vau (passagem) de Ambrosio Machado serviu de local
para a passagem das tropas luso-brasileiras que, sob o comando
de Francisco Barreto de Menezes e de João Fernan-
12 PEREIRA DA COSTA, Francisco Augusto, Arredores do Recife, Recife: Companhia
Editora de Pernambuco, 2001, edição comemorativa do Sesquicentenário
de nascimento do autor, p. 77.
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des Vieira, vieram atacar os holandeses, aquartelados no outro
lado do rio, no engenho de Ana Paes. Pereira da Costa,
citando um cronista da época, narra o episódio:
Chegamos ao ponto de amanhecer no rio Capibaribe na
Passagem de Ambrosio Machado e, achamos que ia tão
cheio que não se podia vadear sem grande risco e perigo
e não achamos ali batél, canoa nem jangada para passar
para a outra banda. Vendo isto, o governador João Fernandes
Vieira mandou entrar pela água um mulato seu,
grande nadador, para que fosse tomando o vau; e ele entrou
pelo rio em seguimento ao do escravo, montado em
um cavalo brioso e forte, com água pelo arção da sela e
passou para a outra banda. Vendo os nossos soldados que o
governador da liberdade estava da outra banda, começaram
todos a entrar pelo rio, uns despidos e outros vestidos
e calçados, pelas uns aos autos, e com as armas de fogo no
alto, e em breve se puseram todas da outra banda13.
Uma parte destas terras foi ocupada pelo Capitão João
Cordeiro de Medanha, que combatéra na guerra da restauração
desde o seu início, como ajudante de ordens do chefe
João Fernandes Vieira. Nessa parte de terras, ele fundou
uma grande plantação de cana-de-açúcar. O local passou a
ser conhecida como Engenho Cordeiro e a passagem (vau)
no rio como Passagem do Cordeiro.
Arrematada, em hasta publica, pelo Capitão José Camelo
Pessoa, Senhor do Engenho Monteiro, a venda da propriedade
foi registrada por escritura publica, lavrada em 16
de novembro de 1707, ficando as terras incorporadas às do
engenho Monteiro até o final do Século XVIII. As terras,
adquiridas por José Camelo Pessoa, eram constituídas daquelas
onde estava cultivado o partido de cana-de-açúcar e
outros dois sítios que haviam pertencido a D. Isabel Car-
13 PEREIRA DA COSTA, Francisco Augusto, opus cit, p. 77.
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doso e ao Capitão José Nunes da Vitória, outro militar da
guerra contra os holandeses.
Adquiridas do proprietário do Engenho Monteiro, no
final do Século XVIII, as terras do antigo engenho de Ambrosio
Machado, por Sotero de Castro, este fundou um novo
engenho (fábrica de açúcar), a que deu o nome de Engenho
Cordeiro, em memória do antigo proprietário, João
Cordeiro de Medanha, nome pelo qual já era conhecida a
localidade.
O engenho Cordeiro não teve uma existência longa.
Encontramos, em 1831, o registro de sua moagem, quando
propriedade de Joaquim da Silva Pereira. Porém, mais tarde,
deixou de funcionar. Abandonado, restaram apenas a casa
grande dos proprietários, com seu aspecto modificado. A
localidade logo se constituiu em povoado, mantendo o nome
de Cordeiro, do antigo engenho de açúcar. A partir do
século XX, passa a abrigar moradias da massa de operários
das fabricas têxteis e de outras industrias da região.
O bairro do Cordeiro é cortado pela Avenida Caxangá,
construída no início do século XX e alargada no terceiro
quarto desse século. Essa avenida segue o traçado da antiga
estrada que ligava a Madalena à Várzea do Capibaribe, em
linha reta, e onde havia a ferrovia ligando o centro do Recife
à Várzea. O bairro do Cordeiro tem por limites o rio
Capibaribe, ao norte; os bairros do Bongi e do Engenho do
Meio ao sul; os bairros da Torre e Zumbi a leste; e os bairros
da Iputinga e do Engenho do Meio, a oeste.
Neste bairro do Cordeiro, com essa tradição histórica,
nasceu e se desenvolveu a comunidade religiosa denominada
Igreja Batista do Cordeiro, que ora completa o seu
Centenário de existência.
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Capitulo II
Os Primeiros Pastorados
1905-1908
A Igreja Batista do Cordeiro, ao longo do seu centenário,
teve onze Pastorados efetivos, contados a partir de sua
organização em Igreja em 1905, depois de quatro anos (1901
a 1905) em que essa comunidade de fé foi congregação da
Primeira Igreja Batista do Recife, dirigida pelo Pastor Salomão
Ginsburg. Os seus quatro primeiros Pastorados foram
breves, tanto por circunstâncias locais como pela própria
dinâmica do trabalho, quando um obreiro era responsável
por mais de uma Igreja. Esses primeiros Pastorados, embora
de curta duração, exercidos por Antônio Marques da
Silva, Manuel Corinto Ferreira da Paz, José Pedro da Silva
e Robert Edward Pettigrew, foram abençoados e frutíferos
para a Igreja e para a Causa de Cristo, exercidos de forma
dedicada por estes Servos do Senhor para divulgação e do
Evangelho de Cristo nesse bairro do Recife.
O 1º Pastorado: Antonio Marques da Silva.
Esse foi um dos mais breves Pastorados da Igreja Batista
do Cordeiro, com poucos meses de duração, de 15 de novembro
de 1905 até meados de 1906. Essa brevidade causou,
até recentemente, dificuldade para alguns reconhecêlo
como Pastor da Igreja. A respeito disto, Isaque Aragão
(Manuel Alves Barbosa), o decano dos membros da IBCOR,
escreveu:
23
“Apesar de constar em arquivos, haver sido o pregador
Antonio Marques o primeiro ‘Pastor’ da Igreja (Batista
do Cordeiro), já em 1906 contava-se na liderança da
Igreja o Pastor Manoel Corinto da Paz...”14
A manifestação do Diácono Isaque Aragão era a expressão
decorrente da pouca informação que a igreja tinha sobre
a figura singular do pioneiro Pastor Antonio Marques da
Silva que, tal qual cometa, em fugaz passagem pela IBCOR
e por outras igrejas Batistas em Pernambuco.
A dúvida que poderia ser lançada sobre a qualificação
Pastoral de Antônio Marques é afastada pelo registro das
obras do Pastor Pedro Tarsier, Perseguições Religiosas no
Brasil, e de José dos Reis Pereira, História dos Batistas no
Brasil, 1882-198215, além de registros contemporâneos sobre
suas atividades, inclusive sobre sua consagração no Templo
da Igreja Batista da Bahia, feitos no Jornal Batista.
Antonio Marques da Silva foi um dos primeiros Pastores
brasileiros, nascido na Bahia. Foi alcançado pela mensagem
do Evangelho, pregada por Zacarias Taylor, em Minas Gerais.
Lá, segundo Crabtree, foi consagrado ao Ministério da
Palavra, em 1888, por Zacarias Taylor, de cuja classe teológica
fora aluno, conforme registra o pioneiro historiador:
“1888 – [...] Antonio Marques foi consagrado em Minas
e pouco mais tarde voltou à Bahia, seu Estado natal, para
trabalhar na cidade de Valença16.”
Há divergência quanto ao local da consagração porque
um seu contemporâneo, Archiminio Moreira, em artigo publicado
quando ainda vivia, informou que o Pastor Antonio
Marques da Silva foi consagrado ao Ministério da Palavra
14 ARAGÃO, Isaque, Boletim da Igreja Batista do Cordeiro, de 15 de novembro
de 1980
15 PEREIRA, José dos Reis, opus cit, p. 67 e 73
16 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 70.
24
no casarão da ALJUBE, onde funcionou a Primeira Igreja
Batista da Bahia, tendo por teto as estrelas e as copas da figueira:
“[...] Foram ali [no Casarão do ALJUBE] consagrados os
missionários nacionais. O primeiro deles, um verdadeiro
apóstolo e mártir, João Gualberto Batista, que hoje descansa
na mansão dos justos, consagrado ao ministério em
1883, e o velho Antonio Marques, que ainda está entre
nós. [...]”17
Reis Pereira, referindo-se a ele diz:
“Entzminger teve bons auxiliares na pessoa dos Pastores
brasileiros Melo Lins e Antônio Marques, este consagrado
por Zacarias Taylor”.
O Pastor Antônio Marques da Silva ainda Pastoreou as
Igrejas Batistas de Maceió e Penedo, em Alagoas, e de Bom
Jardim (PE), Sirigi (Moganga, S. Vicente Ferrer), em Pernambuco.
Após deixar o Pastorado da IBCOR, em meados
de 1906, vamos encontrá-lo em Salvador (BA):
“O rev. A. Marques veio de Pernambuco em setembro
(1906) e foi empregado pela Missão até o fim do ano18”.
Encontramos mais de uma referência à sua participação
em atividade da denominação no Estado da Bahia, mas sem
indicação do exercício de Pastorado.
A tradição oral insinua que um parente exerceu o Ministério
Pastoral e, embora as pesquisas ainda não tenham
comprovado o fato, há registro de atividade do Pastor Marques
em companhia de um outro Pastor, de mesmo sobrenome:
17 BARRETO, Archiminio, Os Primeiros Baptistas na Bahia, in’O Jornal Batista,
23 de junho de 1921, p. 9.
18 CRABTREE, Asa Routh, opus cit., p. 252.
25
“Organizada a Igreja Batista no bairro de Santo Antonio.
[...] presentes os Pastores Ernest A. Jackson, C. F.
Stapp, João Izidro Miranda, Ernesto Marques e Antonio
Marques.19”.
O 2º Pastorado: Manoel Corinto Ferreira da Paz
O primeiro Pastorado de Manoel Corinto Ferreira da
Paz na Igreja Batista do Cordeiro é o segundo, na ordem
cronológica, e também de breve duração na história da Igreja,
com poucos meses de duração. Iníciou-se em meados de
1906 e encerrou-se em 27 de janeiro de 1907, quando deixou
o Pastorado da IBCOR, para exercer o seu ministério
em Nazaré da Mata20. Adiante, no segundo Pastorado, falaremos
a vida do Pastor Manoel da Paz.
A Igreja, no primeiro Pastorado de Manuel da Paz, em
setembro de 1906, preparou o primeiro Templo, no salão da
casa alugada pela igreja ao irmão Felinto Pereira Freire.
Naquele local a igreja funcionou até a construção do Templo
próprio no segundo Pastorado de Manoel da Paz (em
1912). O Templo da Igreja ficava situado próximo da estação
da ferrovia Recife-Várzea, no local que veio a ser denominado
Bomba Grande, em razão da bomba d´água para
abastecer a locomotiva.
No final desse Pastorado, em 8 de Janeiro de 1907, a
Igreja organizou a sua Escola Bíblica Dominical21 e, logo em
seguida, elegeu o Superintendente e o Tesoureiro (Ata de 9
de abril de 1907).
19 Nova Igreja Batista na Bahia, in’O Jornal Batista, 24 de setembro de 1913, p. 7
20 IBCOR, Ata de 27 de janeiro de 1907.
21 IBCOR. Ata de 8 de Janeiro de 1907.
26
O 3º Pastorado: José Pedro da Silva
Esse Pastorado, com duração de apenas dezesseis meses,
no período de 27 de janeiro de 1907 a 10 de maio de
190822, do Pastor José Pedro da Silva, natural do Recife
(PE), membro da PIB-Recife, aluno do Seminário Batista,
consagrado ao Ministério da Palavra, em 26 de setembro de
1907, em Concílio de que participaram os Pastores Salomão
Ginsburg, David Luke Hamilton, Harold Harvey Muirhead,
Manoel Corinto Ferreira da Paz, Jerônimo de Oliveira e
Isidoro Candido Pereira. Considerado um orador de palavra
agradável, mais tarde ficou cego, mas ainda pregava com
regularidade23. Era casado com Maria Barreto da Silva24. Esse
obreiro trabalhou vários anos como auxiliar de Salomão
Ginsburg, auxiliando-o no Pastorado de varias igrejas, inclusive
na Igreja Batista do Cordeiro.
A IBCOR, nesse Pastorado, elegeu os dois primeiros integrantes
do Ministério Diaconal: Felinto Pereira Freire e Agripino
Ferreira de Barros (12.05.1907), colocando-os em exame, para
posterior consagração, como era o costume naquela época. Mais
tarde, havendo o irmão Agripino retornado à sua terra de origem
(Nazaré da Mata), em 1º de janeiro de 1908, no termino do Culto
do Ano Novo, foi consagrado ao Ministério Diaconal o irmão
Felinto Freire25. Em face da eleição nessa data, a IBCOR escolheu
o segundo domingo de maio para, anualmente, comemorar o Dia
do Diácono Batista do Cordeiro.
Nesse período a IBCOR recebeu dois membros da Igreja
Batista de Carpina, Francisco Fernandes de Oliveira e
Francisca Maria de Oliveira, que havia sido dispersada pela
perseguição religiosa movida pelos católicos da localida-
22 IBCOR, Atas de 27 de janeiro de 1907 e de 10.05.1908
23 MESQUITA, Antonio Neves, opus cit, p. 139.
24 NOTICIÁRIO. In’O Jornal Batista, de 11 de dezembro de 1913, p. 6.
25 IBCOR, Atas de 12 de maio de 1907 e de 5 de novembro de 1907
27
de, insuflados pelos padres. Eram eles dois líderes natos e
que em muito contribuíram para a obra do Senhor, sendo
ele, mais tarde consagrado ao Ministério Diaconal e ela ativa
participante, inclusive professora da Escola Dominical26.
Por essa época as perseguições religiosas diminuíram na Capital,
mas, no interior do Estado, persistiram durante anos,
de forma feroz, com agressões físicas, queima de residências
e até morte de crentes. Em várias ocasiões a IBCOR recebeu
membros de Igrejas Batistas que haviam sido dispersos
por perseguição religiosa católica.
O 4º Pastorado: Robert Edward Pettigrew (1908)
O Pastorado de Robert Pettigrew, na Igreja Batista do
Cordeiro, é o mais breve, com quatro meses de duração,
de 9 de junho a 10 de outubro de 190827. Pettigrew deixou
o Pastorado da IBCOR em face da transferência para Pastorear
a Igreja Batista de Nazareth da Mata e outras daquela
região, ali permanecendo pouco tempo, designado para
Maceió (AL), onde ficou até viajar em gozo de férias, aos
Estados Unidos. Ao retornar, o casal Pettigrew foi enviado
para o Paraná, onde fez excelente trabalho, estando na galeria
dos heróis Batistas do Paraná. As informações sobre
Robert Pettigrew no Brasil ainda são esparsas28. Em Maceió
(AL), o Pastor Robert Pettigrew promoveu a conciliação
entre os grupos Batistas que se hostilizavam em razão
da questão maçônica, que dividira a Igreja Batista de Maceió
em dois grupos, um apoiando os irmãos que eram maçons e
outros tomando posição contra (estimulados por obreiro presbiteriano)
29.
26 IBCOR. Ata de 9 de Julho de 1907.
27 IBCOR. Atas de 10 de maio de 1908 e de 06 de outubro de 1908.
28 A Pettigrew Family History, no site members.aol.com/crooiii/croopa28.htm
29 MESQUITA, Antonio Neves, História dos Batistas no Brasil, p. 62-63
28
Robert Pettigrew graduou-se na Universidade Batista
do Sudoeste, em Jackson, Massachussets (USA) e se preparou
para o ministério no Southern Baptist Theological Seminary,
Louisville, Kentucky (USA). Missionário para o
Brasil da Junta de Richmond (USA), em 190430, serviu na
Bahia (1904-1907), em Pernambuco (1907-1908), em Alagoas
(1909-1910), no Paraná (1911-1917) e no Rio Grande
do Sul (1917-1934)31.
Robert Pettigrew casou com Bertha Mills, em 30 de
abril de 1910, em cerimônia realizada no Templo da IB-Recife,
registrada n’O Jornal Batista:
Casamento. No dia 30 do corrente (abril ou maio?) na
Primeira Igreja Batista do Recife receberam a benção matrimonial
os prezados irmãos Rev. Robert Edward Pettigrew e
D. Bertha Mills. Mil felicidades lhes desejamos”32.
Bertha Mills nasceu em Santa Bárbara (em 1879 ou
1880), filha de Williams D. Mills e Dora Mills, tendo por
avô patérno James Mills e avós maternos Andrew e Elisa Tatcher,
pioneiros de Santa Bárbara (SP). Convertida aos treze
anos, ouvindo pregação do Pastor Michael Dickie, tornou-
se membro da Igreja Metodista. Estudou no Colégio
Progresso (São Paulo), adquirido por Anna Bagby, que mudou
o nome para Colégio Batista Brasileiro. Nessa época,
Bertha se tornou Batista e recebeu o chamado para Missões,
indo estudar nos Estados Unidos. Nomeada missionária em
21 de novembro de 1907, retornou ao Brasil na companhia
Aline e Harold Muirhead, para trabalhar no Colégio Batista,
no Recife (PE)33. Casou com o Pastor Edward Pettigrew,
indo o casal trabalhar em Alagoas. Em 1911, foi para Para-
30 A Pettigrew Family History, no site members.aol.com/crooiii/croopa28.htm, p. 9.
31 OLIVEIRA, Betty Antunes de. Centelha em Restolho Seco, Ed autora, Rio de
Janeiro, p. 153
32 O Jornal Batista, edição de 11 de junho de 1908, ano 8, nº 23, p. 5
33 OLIVEIRA, Betty Antunes de, opus cit., p. 153
29
naguá, Paraná, e, em 1917, para o Rio Grande do Sul, onde
faleceu em Porto Alegre, em 22 de abril de 193134. O culto
memorial foi realizado na Igreja Metodista de Porto Alegre,
quando pregou o Pastor William Buck Bagby35. Foi sepultada
no Cemitério Batista Alemão daquela cidade.
Pettigrew Pastoreou, em Pernambuco, as Igrejas Batistas
do Cordeiro, Gameleira e de Nazaré da Mata36. Em gozo
de férias na pátria em 1910, Robert e Bertha Pettigrew
retornaram ao Brasil, estabeleceram-se em Paranaguá, no
Paraná, em junho de 1910. Desenvolveram o trabalho Batista
no Estado, com auxilio do Pastor Manoel Virginio de
Souza, antigo companheiro de Pettigrew, que o convidou de
Alagoas37. O casal permaneceu seis anos em Paranaguá, onde
ele Pastoreou a Igreja Batista. Lá, dirigiram uma escola,
onde Bertha organizou a primeira sociedade de senhoras do
campo paranaense.
Aposentado em 1934, depois de servir no Brasil por
trinta anos, Robert Pettigrew retornou a Louisville, Kentucky
(USA), sua terra natal, onde Pastoreou a Walnut Street
Baptist Church, a maior igreja Batista a oeste do Rio Mississipi,
de onde se aposentou em 1962. Em 4 de setembro de
1962, Robert Edward Pettigrew faleceu, com mais de cem
anos de idade38.
34 OLIVEIRA, Betty Antunes de, opus cit., p. 153.
35 OLIVEIRA, Betty Antunes de, opus cit., p. 153.
36 IBCOR, Atas de 10 de maio de 1908 e de 6 de outubro de 1908.
37 MESQUITA, Antonio Neves, opus cit., p. 62
38 A Pettigrew Family History, no site members.aol.com/crooiii/ croopa28.htm, p. 9.
30

Capítulo III
O Pastorado de Manoel Corinto
Ferreira da Paz
1908-1926
O segundo Pastorado de Manuel Corinto Ferreira da
Paz é o quinto, na ordem cronologia dos obreiros desta
Igreja Batista do Cordeiro (IBCOR), se estendeu desde 7 de
novembro de 1908 até 30 de abril de 1926, quando Deus o
chamou para Si.
O trabalho do Pastoral do Pastor Manuel da Paz na IBCOR
foi marcante. Não apenas pela pregação do Evangelho,
mas pela mensagem de edificação do rebanho que o
Senhor lhe confiou, ao longo de dezoito anos. Manuel da
Paz era considerado um bom pregador da Palavra, a ponto
do missionário William Carey Taylor, brilhante professor
de teologia do Seminário, sua ovelha durante vários anos,
declarar que sentia prazer em ouvir o Pastor Manuel da Paz
expor a mensagem das Sagradas Escrituras, em sermões dominicais
dedicados à instrução doutrinária da Igreja, pregados
nas manhãs de domingo, onde discorria com simplicidade
e firmeza doutrinária. A Taylor não lhe parecia estar
ouvindo um homem sem formação universitária39.
As atividades ministeriais do Pastor Manuel da Paz, na
IBCOR, transcendiam ao púlpito. Ele era dinâmico na administração
da Casa do Senhor, presidindo mensalmente as
assembléias da Igreja e encaminhando à solução assuntos
39 TAYLOR, William Carey, Jornal O Correio Doutrinal, edição de 7 de maio de 1926
31
urgentes e relevantes. Há alguns aspectos do seu Ministério
que merecem ser lembrados.
A Escola Batista.
No início do Pastorado Manuel da Paz, teve a visão de
fundar uma escola primária (Escola Paroquial Batista), onde
estudariam as crianças filhas dos membros da Igreja e, à noite,
adultos, no curso de alfabetização de adultos, para aqueles
que desejavam. Estas Escolas Anexas, como eram habitualmente
chamadas, foram instituídas pelas igrejas evangélicas
(Batistas, Presbiterianos, Metodistas e Adventistas),
com dupla finalidade: primeiro, possibilitar a educação dos
filhos dos Batistas em ambiente calmo e tranqüilo, e, segundo,
onde fosse ministrada instrução cristã, de acordo com a
fé dos seus pais. As escolas públicas de então tinham, como
professores, pessoas vinculadas à religião católica romana.
Elas tratavam com menosprezo – e até grosseria – os filhos
de crentes, permitindo que fossem alvo do deboche dos outros
alunos. Havia honrosas exceções, mas raríssimas. As
escolas vinculadas às Igrejas Batistas, além de propiciar um
ambiente acolhedor para os alunos, facilitava, aos filhos de
famílias menos aquinhoadas, terem oportunidade de estudar,
como a grande maioria na época. Assim foi até a década
de sessenta, quando as escolas publicas se tornaram abundantes
e de boa qualidade e quando já se respeitavam os cristãos
não católicos. Algumas destas escolas Batistas se tornaram
centros de ensino de renome, influenciando a sociedade
pela educação dos filhos. Exemplos são, entre outros, os
colégios Americano Batista (no Recife), Onze de Setembro
(em Arcoverde), Sete de Setembro (em Caruaru).
A Escola Paroquial, posteriormente, mudou o nome
para Instituto Batista do Cordeiro. Funcionou até 1985,
educando milhares de filhos de membros da IBCOR e de
congregados. Muitos alunos desta escola vieram a se tornar
32
obreiros da Seara, entre os quais Tércio d’Oliveira (STBNB,
1918), Abílio Pereira Gomes (STBNB, 1928) e João
Norberto da Silva (STBNB, 1932). Outros se destacaram
na denominação e na sociedade, chegando à Universidade
para estudar Direito, Medicina, Engenharia, Serviço Social
e muitas outras profissões, contribuindo para a divulgação
do Evangelho de Jesus Cristo.
As Atividades na Denominação.
A IBCOR, desde os seus primórdios, foi uma igreja atuante
no campo da denominação. Ao ser planejada a organização
da Convenção Batista Brasileira (CBB), em 1907, na
Cidade de Salvador (BA), contribuiu financeiramente para
o envio do Pastor João Borges da Rocha àquela Assembléia.
A CBB foi organizada pela inspiração e persistência de Salomão
Ginsburg, para congregar as Igrejas Batistas do Brasil,
seguindo o modelo praticado pelos Batistas desde o Século
XIX, quando, em 1707, organizaram a Primeira Convenção
Batista, na Cidade de Filadélfia (USA). No ano de 1909
– no período de 23 a 27 de Junho de 1909 – a CBB realizou
sua terceira Assembléia, na cidade do Recife, no Templo
da Primeira Igreja Batista do Recife, onde a IBCOR se fez
representar, por seus mensageiros eleitos, o Pastor Manuel
da Paz e o Diácono Felinto Freire40. Fez-se representar na
12ª Assembléia da CBB, realizada em Recife, em 1920, no
Templo da 1ª Igreja Batista do Recife, que contou com representação
de Igrejas de catorze dos vinte e um Estados da
Federação.
A IBCOR, âmbito regional, participou de todas as reuniões
da União Batista Leão do Norte (1900-1913) e da
Convenção Batista Regional (1914-1925), hospedando em
seu Templo as Assembléias em 1915 e 1921. Participou ain-
40 IBCOR. Ata de 19 de Junho de 1909.
33
da de movimentos para auxiliar igrejas menores e menos
aquinhoadas, contribuindo para a edificação de Templos,
como a Igreja Batista de Moganga (hoje IB Sirigi), fazendo
doação em dinheiro41.
A observância dos princípios Batistas.
A IBCOR sempre foi uma igreja zelosa pela doutrina
Batista. Embora os cristãos tenham em comum a fé em Jesus
Cristo, nosso Salvador, nós, os cristãos Batistas, temos
princípios que nos identificam de modo particular. A IBCOR,
desde o seu início, observa e ensina esses princípios
aos que se tornavam seus membros. Uma forma comum era
– e ainda é – a leitura do Pacto das Igrejas Batistas para os
novos membros, na ocasião em que eles davam profissão de
fé. Em 1909, esse costume foi tornado em regra, passando
dali em diante a ser feito sempre para que os novos membros
tivessem a identificação denominacional42.
A Construção do Templo Próprio.
Uma das necessidades básicas de uma igreja cristã é um
local próprio para suas reuniões de Culto a Deus e para suas
reuniões doutrinárias e de caráter comunitário. Na oportunidade
em que assumiu, pela segunda vez (07.11.1908), o
Pastorado da IBCOR, o Pastor Manuel da Paz apresentou o
seu projeto de levar a Igreja à edificar o seu Templo próprio,
posto que até então se reunia em imóvel alugado.
Aprovada a construção do Templo, em 23 de abril de
1911, no lote de terreno arrendado ao irmão Vicente Barbosa
de Lima (secretário), a igreja se mobilizou e escolheu
o irmão Manoel Matheus para administrar a construção, o
qual passou a arrecadar contribuições. O Templo foi pla-
41 IBCOR. Ata de 12 de fevereiro de 1910.
42 IBCOR. Ata de 09 de novembro de 1909.
34
nejado para ser construído em taipa (estrutura de madeira,
com barro), com as seguintes dimensões 26 palmos de frente
(5,46m) e 45 palmos (9m45m) em cada lado, com uma
porta e duas janelas na frente e três janelas em cada lado43.
O Templo foi inaugurado em Culto festivo, realizado
no dia 3 de Maio de 1911, com a presença de irmãos das
Igrejas Batistas do Recife (Primeira), de Nazaré da Mata, da
Gameleira (Imperial) e da Torre. O Templo estava edificado
em terreno foreiro, isto é, o ocupante tinha a posse, mas
não a propriedade, pagando anualmente uma importância a
titulo de foro. Antes mesmo da inauguração, a Igreja votou
adquirir a propriedade do terreno, sendo planejado que cada
membro da igreja contribuísse com 2$000 mensais. O
Templo edificado nessa época serviu à Igreja até o termino
do Pastorado Manuel da Paz. Foi reformado no Pastorado
Sebastião Tiago Correia de Araújo, sendo edificado em alvenaria
de tijolo e coberto com telhas de barro.
Os Cálices Individuais para a Ceia do Senhor.
A IBCOR, em 23 de abril de 1911, resolveu adotar o uso
de cálices individuais na celebração da Ceia do Senhor. As
Igrejas Batistas têm duas ordenanças: a Ceia do Senhor e o
Batismo (as quais, para alguns grupos cristãos, são sacramentos).
A primeira delas é celebrada periodicamente, na época
atual, uma vez por mês e em ocasiões especiais como na Semana
comemorativa do Martírio de Jesus (chamada Semana
Santa), Natal e Ano Novo. A Ceia do Senhor, para os cristãos
dos primeiros séculos, era celebrada sempre que havia
uma reunião da igreja, lembrança (memorial) da morte e do
sacrifício de Jesus Cristo, com os dois elementos – o pão, simbolizando
o corpo de Cristo, partido por nós, pecadores, e o
vinho, o seu sangue, derramado pelos nossos pecados.
43 IBCOR. Ata de 13 de junho de 1910.
35
Historicamente era usado um cálice comum, que era
cheio e passava de mão em mão e do qual cada um membro
da igreja bebia. Essa prática se tornou secular, desde
a sua instituição pelo Senhor Jesus, chegando ao início do
Século XX sem mudança de forma, quando razões de higiene
passaram a recomendar a adoção de cálices individuais,
especialmente quando algumas epidemias grassaram no
nosso país. A igreja, por essa decisão, trocou o cálice único,
comum, por cálices individuais. Os cálices eram de metal
e, posteriormente passaram a ser de vidro. A cada vez que
eram usados, eram lavados e esterilizados. A prática evoluiu
e, a partir dos anos oitenta, a Igreja adotou cálices individuais
descartáveis.
A Visita de Salomão Ginsburg à Igreja.
Em março de 1915 o missionário Salomão Ginsburg retornou
ao Estado, visitando as várias igrejas que haviam sido
organizadas ou dirigidas por ele, chegando ao Recife no dia
6 de março e permanecendo mais de uma semana no Estado,
sendo o fato registrado no Jornal Batista:
De volta do interior, comecei a visitar as diversas igrejas
da capital. Quinta feira, 10 de março, estive com os irmãos
da Igreja do Cordeiro. O dedicado Pastor Manoel da Paz,
apesar de não gozar de perfeita saúde tem feito um excelente
trabalho.
Junto ao Templo, a igreja acaba de construir uma escola
anexa, freqüentada por mais de quarenta alunos. A obra
de Jesus está prosperando e a influencia espiritual da igreja
sente-se por toda aquela zona. A noite tivemos uma reunião
abençoada. Deus quer continuar a derramar ricas bênçãos
sobre o trabalho ali e sobre o dedicado Pastor Manoel da
Paz. (...) 24.03.15. Salomão L. Ginsburg44.
44 O Jornal Batista, de 1º de abril de 1915.
36
A ocasião foi um momento de rever os amigos e os convertidos
muitos dos quais ele batizara e de “alimentar a saudade”
porque, como dizia o nosso querido Pastor David
Mein, “saudade não se mata, se alimenta”.
O Ministério Diaconal.
A IBCOR sempre valorizou o Ministério Diaconal,
cujos componentes têm sido liderança na Igreja e auxiliares
sempre presentes junto a seus Pastores. Nos seus primórdios,
a Igreja elegeu o primeiro Diácono – Felinto Pereira
Freire –, consagrado no Culto de Ano Novo (1907-1908).
No Pastorado Manuel da Paz, o Ministério Diaconal foi estruturado,
sendo eleito e consagrado para esse Ministério o
irmão Francisco Fernandes de Oliveira (1909). Mais tarde
acrescido de Manoel Firmino de Mello (1911), Benedito
Firmino de Mello (1911), José Baptista do Rego e Agripino
Ferreira de Barros (1912), Severino Valdevino (1913),
João Correa e José Pinto (1914), Sebastião Tiago Correa de
Araújo, Pedro Antonio Ferreira e Casemiro Baptista, eleitos
em 1917 e consagrados em 19 de Junho de 1918, Luiz José
da Silva, em 192345.
A pregação da Mensagem do Evangelho.
A IBCOR, desde os seus primeiros dias, teve presente a
Missão de pregar a Mensagem do Evangelho de Nosso Senhor
Jesus Cristo, tanto no local onde tinha sua sede, como
em locais distantes. No Pastorado Manuel da Paz há registros
da existência de Congregações na Iputinga (1915), na
Usina Caxangá, na mata norte do Estado (1915) e em Bar-
45 IBCOR. Atas de 4 de maio de 1909, de 10 de julho de 1911, de 2 de setembro de
1911, de 5 de novembro de 1911, de 5 de outubro de 1914, de 17 de maio de 1917,
19 de junho de 1918, de 8 de Julho de 1923.
37
reiras de Caxangá (1915), na mata sul, todas dirigidas pelo
Seminarista Abílio Gomes Pereira46.
Mais tarde, em 1921, será iniciado o trabalho de evangelização
no bairro da Várzea, que prosperará e se transformará
na Congregação na Várzea47. Esta Congregação vai
florescer e, em 15 de Junho de 1923, com quarenta e um
membros que receberam cartas demissórias da IBCOR, foi
organizada a nova agência do Reino de Deus, com o nome
de Igreja Evangélica Batista da Várzea. Hoje, a IEB da
Várzea se reúne no seu belo Templo, situado na Praça Prefeito
Pinto Damaso, no bucólico bairro da Várzea. Esta é
a primeira igreja-filha da IBCOR, hoje dirigida pelo Pastor
José Deusarte de Souza (interino), na licença do Pastor Pedro
Luiz Serafim, que se encontra fazendo curso de pós graduação
na Espanha.
Nesse período, a IBCOR deu início ao trabalho de pregação
do Evangelho de Cristo em Serinhaem, na residência
do casal Manoel e Noca Batista, membros da Igreja, que se
mudaram para aquela localidade, onde foram trabalhar na
usina de açúcar existente no município. Essa congregação
cresceu e se consolidou, sendo organizada como Igreja Batista
de Serinhaém, em 16 de abril de 1924, hoje Pastoreada
pelo Pastor Walter Amorim. Esta é a segunda igreja-filha
da IBCOR.
O Pastor Manuel da Paz não limitou seu trabalho de divulgação
da mensagem do Evangelho de Cristo ao Recife e à
Pernambuco. Encontramos vários registros de viagens com a
finalidade de pregar o Evangelho em localidades dos Estado
de Alagoas (Penedo) e Paraíba (capital)48. Ele ainda multiplicou
o seu tempo para Pastorear, simultaneamente, as Igrejas
46 IBCOR. Atas de 3 de maio de 1915 e de 6 de Julho de 1915
47 IBCOR. Ata de 6 de Junho de 1921.
48 IBCOR. Atas de 6 de Setembro de 1915 e 7 de Janeiro de 1924
38
Batistas do Poço (hoje IB Nova Sião), em Maceió (AL), de
Gravatá (PE), de Nazaré da Mata (PE), da Rua Imperial, da
Torre, do Feitosa, além da IB do Cordeiro, no Recife (PE).
Os Alunos Ministeriais.
A IBCOR sempre contou com a colaboração dos alunos
ministeriais (Seminaristas) nas suas atividades, que em
muito contribuíram para o desenvolvimento dos trabalhos
internos e externos. Em algumas oportunidades, eles pregaram
e dirigiram a Igreja nas ausências ocasionais do Pastor
Manuel da Paz. O primeiro deles foi José Pereira de Salles,
que foi auxiliar do Pastorado quando Manuel da Paz mudou
sua residência para Gravatá49, em razão de recomendação
medica. Durante o seu período na IBCOR, o Seminarista
Pereira Salles já demonstrava o seu dinamismo, pregando
e dirigindo todo o trabalho, deixando ao Pastor Manuel da
Paz dirigir as assembléias e presidir a Ceia do Senhor, até
se recuperar suas forças. Mais tarde, Pereira Salles, consagrado
ao Ministério, Pastoreou a IB da Torre (Recife) e a
IB Rio Largo (Alagoas), onde exerceu grande influência na
cidade, em especial pela fundação do Colégio Rio Branco,
de grande reputação, que recebia os filhos das famílias abastadas,
os filhos de crentes e candidatos ao ministério. Em
função dessa escola, foi grande o número de obreiros oriundos
de Alagoas que vieram estudar no Seminário Batista, no
Recife. Pereira Salles foi fiel discípulo de Manuel da Paz e o
acompanhou no Movimento Radical, tornando-se mais radical
que o próprio.
Os irmãos Tercio d´Oliveira e Abílio Gomes foram os
primeiros membros da IBCOR recomendados ao Colégio
Americano Batista50 e ao Seminário Batista em 1915. Nes-
49 IBCOR. Ata de 5 de Julho de 1911
50 IBCOR. Ata de 4 de Janeiro de 1915.
39
sa época, os alunos ministeriais estudavam no Colégio as
disciplinas do Curso de Bacharel em Ciências e Letras e no
Seminário as disciplinas do currículo ministerial. Na conclusão
do curso, recebiam o diploma do Colégio Americano
Batista. Somente a partir de 1918 o Seminário passou a
fornecer os diplomas aos seus alunos, na primeira Turma de
Mestre em Teologia (Munguba Sobrinho, Antonio Neves
Mesquita e Tertuliano Cerqueira). Tércio d´Oliveira e Abilio
Gomes Pereira concluíram seus cursos em 1917. O primeiro
foi consagrado ao Ministério da Palavra em 19 de Junho
de 1918, para servir à Igreja Batista do Rio Largo (AL),
e o segundo em 30 de Agosto de 1918, para servir à Igreja do
Pilar em Itamaracá (PE)51.
As Primeiras Igrejas Filhas.
A IBCOR, no Pastorado Manuel Corinto Ferreira da
Paz organizou duas novas Agencias do Reino de Deus, a
Igreja Evangélica Batista da Varzea, no bairro da Várzea,
no Recife (PE), organizada no dia 15 de Junho de 1923, por
um grupo de quarenta e um (41) irmãos da Igreja Batista
do Cordeiro que decidiram organizar mais uma Agência do
Reino de Deus, entre os seus fundadores alguns do membros
fundadores da IBCOR52; Igreja Batista de Serinhaém
(PE), organizada em 16 de abril de 1924 na Cidade de Serinhaem
(PE), na mata sul do Estado. Essa Igreja teve origem
na congregação, iniciada no Pastorado de Manuel da
Paz, naquela localidade na residência do casal de membros
da Igreja: Manoel (e Noca) Batista, que para ali tinham se
transferido para trabalhar na usina de açúcar.
51 IBCOR. Atas de 19 de Junho 1918 e de 14 de Agosto de 1918
52 IBCOR. Ata 208 de 4 de Junho de 1923.
40
O Movimento Radical.
O Pastor Manuel da Paz, a partir de 1921, envolveu a si e
a IBCOR no movimento radical, que ocorreu em Pernambuco
e em outras regiões, quando ocorreu o rompimento da cooperação
com a Missão norte-americana, com as igrejas dividindo-
se em dois grupos: as que aceitaram a cooperação com
os missionários norte-americanos e as que não aceitavam essa
cooperação. Dentre as Igrejas do Recife, nenhuma aceitou
a cooperação com os missionários. Fora da capital, apenas
a 1ª Igreja Batista de Olinda, Pastoreada por Benício Leão;
a Igreja Batista de Vermelho e a Igreja Batista de Limoeiro,
Pastoreadas por Manoel Olimpio de Holanda Cavalcanti; a
Igreja Batista de Ilhetas (Limoeiro) e a Igreja Batista de Lagedo
(Goiana), Pastoreadas por Leslie Leonidas Johnson53. O
envolvimento da IBCOR e do Pastor Manuel da Paz e, mais
tarde, do Pastor Sebastião Tiago de Araújo, será abordado em
capítulo adiante, com maior detalhamento.
O Pastor Manuel da Paz foi um líder influente no movimento
radical, sendo presidente da Convenção Batista Regional
e o principal redator do jornal da Convenção – O Batista
Regional. Nessa época foi eliminado, da IB do Cordeiro,
o missionário William Carey Taylor. Todavia, na ocasião do
falecimento do Pastor Manuel da Paz, Taylor publicou, no
Correio Doutrinal, um longo artigo, onde traçou o perfil de
um homem sincero, leal, corajoso, humilde e independente.
Declarou apreciar seus sermões dominicais, dedicados
à instrução doutrinária da Igreja, pregados nas manhãs de
domingo, onde discorria com simplicidade e firmeza doutrinária,
não lhe parecendo estar ouvindo um homem sem formação
universitária54. Durante o seu Pastorado, em 1913, a
igreja adotou o nome atual - Igreja Batista do Cordeiro.
53 SPACOV, Isabel C.Guerra. Igreja Batista da Capunga, documentando sua formação,
p. 103-6
54 TAYLOR, William Carey, Jornal O Correio Doutrinal, edição de 7 de maio de 1926
41
O Obreiro Manuel da Paz. Dados Biográficos.
O Pastor Manuel da Paz, como era conhecido, um pernambucano
do Recife, nasceu em 25 de outubro de 1880,
filho do casal Mariano Ferreira da Paz e Carlota Liberata
Mangueira.
Convertido na juventude, através do testemunho de suas
duas irmãs mais jovens, foi batizado por Salomão Ginsburg
em 24 de agosto de 1902. Foi por este encaminhado para
estudar no Seminário Batista, sendo consagrado ao Ministério
da Palavra, em 3 de janeiro de 1906, para servir no
Pastorado na Igreja Batista da Gameleira (hoje IB Imperial).
Pouco depois, em 1906, foi convidado para Pastorear também
a Igreja Batista do Cordeiro, na localidade de Bomba
Grande, no Recife, em face da exoneração do Pastor Antonio
Marques da Silva, que retornara à Cidade de Salvador,
no Estado da Bahia. O Pastor Manuel da Paz, além da IB
do Cordeiro, no Recife (PE), Pastoreou, de forma simultânea,
as Igrejas Batistas do Poço, em Maceió (Al), de Gravatá
(Pe), de Nazaré da Mata (Pe) e da Rua Imperial, da Torre,
do Feitosa, as três ultimas no Recife.
Casou-se com Ana Ferreira da Paz, em 22 de maio de
1907. Dessa união, nasceram-lhe sete filhos: Árvila (primeira
esposa do Pastor Gabino Brelaz, falecida em 24 de agosto
de 1943, em Belém, Pará); Abigail (casada com o Diácono
Nicodemos Alves Guedes, da IB Capunga); Corinto Ferreira
da Paz (casado com a Professora Onélia Campelo da
Paz, que Pastoreou as Igrejas Batistas de Rio Largo, Betel e
outras, em Alagoas, por cerca de cinqüenta anos); Auristela
(casada com professor José Rodrigues de Melo), Cláudio
(casado com Mercedes); Juvenal (professor, casado com Luzinete);
e a professora Áurea (membro da IB da Capunga,
professora do SEC e do CAB). Estes filhos lhe deram vinte
e quatro (24) netos e algumas dezenas de bisnetos. O Pastor
42
Manuel da Paz residiu com a família na casa nº 70 da Rua
Nossa Senhora da Saúde, diante do Templo da Igreja.
Autodidata, conseguiu uma rara cultura para a época.
Recebeu sua formação teológica de Salomão Ginsburg, a
partir do ano de 1900, na escola teológica que mantinha na
sua casa. Depois, no Templo da IB do RECIFE, no horário
noturno, onde formou os primeiros Pastores do campo e se
tornou o embrião do Seminário Teológico Batista do Norte
do Brasil55.
O Pastor Manuel da Paz formou uma boa biblioteca,
onde exercitava a mente no preparo de sermões. Adquiriu
livros de medicina naturalista, estudando aplicação de ervas,
com os quais ministrava alívio aos menos afortunado, curando
da febre amarela a filha do irmão Luiz Gonçalves.
O Falecimento do Pastor Manoel da Paz.
O Pastor Manuel da Paz faleceu em 26 de Abril de 1926,
com quarenta e cinco anos de idade, em decorrência de tuberculose.
Seu sepultamento foi um acontecimento marcante,
com o féretro saindo da residência do sogro, no bairro
da Torre. Seguiu um percurso de cerca de seis quilômetros,
percorrido a pé, por familiares, membros das igrejas que Pastoreou,
alunos da escola Batista e outros membros da comunidade
Batista, até o cemitério da Várzea, onde foi sepultado.
Após o sepultamento, uma das primeiras decisões da Igreja
foi prover o sustento e moradia da viúva, dona Anna da Paz
e seus filhos. Assim, na Sessão de 3 de maio de 1926, a assembléia
deliberou conceder-lhe o auxilio mensal de 100$000
(cem mil reis) e colocar à sua disposição, para residência, a
casa em funcionava a Escola da Igreja, até que ela pudesse
encontrar outro imóvel para residir. Na mesma assembléia,
55 CAVALCANTI, Ebenezer Gomes, Um Pastor da Paz, n’O Jornal Batista, de 16
de maio de 1976, p. 5
43
houve deliberação de construir um mausoléu na sepultura do
Pastor Manuel da Paz, no cemitério da Várzea, contribuindo
cada membro da Igreja com 3$000 (três mil reis)56.
O mausoléu ainda existe, embora a municipalidade esteja
opondo obstáculos para sua restauração pela IBCOR, alegando
os administradores que somente a família pode fazêlo,
e mediante apresentação de documentação idônea.
56 IBCOR. Ata 241, de 3 de Maio de 1926.
44
Capítulo IV
A Igreja Batista do Cordeiro e o
movimento radical.
1923 – 1936
O envolvimento da Igreja Batista do Cordeiro (IBCOR),
do seu Pastor Manuel Corinto Ferreira da Paz, do missionário
William Carey Taylor e de outros lideres teve grande
repercussão na vida da Igreja durante mais de uma década.
Somente com o final desse movimento foi que a vida
da Igreja retomou sua normalidade. No curso desse movimento,
as Igrejas do Estado se dividiram em dois grupos antagônicos
e foi eliminado do rol de membros o missionário
William Carey Taylor.
Episódio constrangedor para a nossa História, como
cristãos e como Batistas, por dever de fidelidade não podemos
omiti-lo, embora em certos círculos ainda seja tabu
tratar do assunto. Reis Pereira, em sua História dos Batistas
no Brasil – 1862 – 1982, declara que “a questão radical foi um
recurso que usou o Príncipe das Trevas para deter a marcha de um
movimento que ia ganhando casa vez mais força”. Todavia, nós
encontramos no episódio, apesar de tudo, um fator de crescimento
do cristianismo evangélico e do trabalho Batista em
Pernambuco e noutros Estados. Basta verificarmos as igrejas
organizadas no auge do movimento. Ainda que o crescimento
numérico tenha decaído num primeiro momento,
posteriormente as agencias do Reino de Deus cresceram e
frutificaram.
45
O Sabor Amargo e os Frutos da Querela.
O movimento radical surgiu, inicialmente, em razão de
divergências entre os missionários norte-americanos e os
obreiros nacionais sobre as prioridades do trabalho e sobre
a utilização das verbas enviadas pela Junta de Richmond, entre
educação (prioridade dos missionários) e evangelização
(prioridade dos nacionais), além de quem teria o controle
dos recursos. Os missionários também mantinham em suas
mãos os postos de controle do campo, restando aos nacionais
os secundários.
O problema similar surgira, de início, numa outra denominação,
de modo semelhante à questão maçônica, quando
obreiros nacionais se indispuseram com missionários norteamericanos,
em face de intolerância dos primeiros no tocante
à filiação a Maçonaria. Carlos Eduardo Pereira, presbiteriano,
influenciou alguns Batistas com suas idéias, chegando suas
idéias até Maceió (Igreja Batista de Maceió, AL), onde houve
uma cisão no início do Século XX que foi solucionada com a
intervenção do missionário Robert Edward Pettigrew57.
A questão radical teve pano de fundo inicial com a questão
do sustento próprio, quando os missionários americanos
passaram a defender o principio de que cada igreja devia
sustentar o seu obreiro e o maior volume dos recursos deveria
ser encaminhado para educação e outras finalidades.
Os missionários, por outro lado, entendiam que a gerência
dos recursos financeiros deveria ser deles, em razão da política
adotada pela Convenção Batista do Sul dos Estados
Unidos (Junta de Richmond) em relação aos seus campos
missionários. Os obreiros nacionais, por seu lado, desejavam
administrar esses recursos e aplicá-los no trabalho de
evangelização, inclusive no sustento dos obreiros. Há quem
57 MESQUITA, Antonio Neves, opus cit, p. 62-63
46
diga que houve alguns componentes de orgulho das pessoas
envolvidas no episódio, de ambos os lados. O fato é que os
missionários ainda não consideravam os lideres locais preparados
para administrar os recursos financeiros e estes, por
sua vez, se sentiam diminuídos pelo procedimento adotado.
Os obreiros nacionais julgavam inaceitável esta situação e
lançaram um manifesto dirigido aos missionários e, não sendo
aténdidos, passaram a retaliar, passando o que era mera
divergência administrativa a se tornar divergência pessoal.
A primeira manifestação pública de insatisfação ocorreu
na Convenção Regional, na Igreja Batista em Vila Natan
(Moreno), quando o discurso de um missionário na Bahia,
sobre o sustento próprio do obreiro da Igreja, foi duramente
criticado pelos nacionais. Outras manifestações ocorreram
em lugares e ocasiões diferentes, até a Assembléia Convencional
realizada em 1921, na Igreja Batista do Cordeiro,
quando a matéria estava pronta para explodir. Os dirigentes
convencionais da ocasião, de modo sensato, contornaram o
problema que aflorou adiante.
A crise eclodiu durante a Assembléia Convencional de
1922, realizada na Igreja Batista de Gravatá. Acarretou a
divisão do trabalho Batista no Estado em dois grupos antagônicos:
os radicais e os construtivistas.58 Os radicais tinham
o jornal “O Batista Regional”, dirigido durante algum
tempo por Manuel da Paz, enquanto que os construtivistas
fundaram “O Correio Doutrinal”, dirigido por William Carey
Taylor.
Os alunos do Seminário Batista, com exceção de dois,
abandonaram a Instituição, o que levou a maioria das alunas
da Escola de Trabalhadoras Cristãs (ETC) a acompanhá-los
em solidariedade. Os Pastores nacionais alojaram-nos, de
58 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. e RAMOS ANDRÉ, João Virgilio. Panorama
Batista em Pernambuco, Recife, 1964, p 25-26
47
forma provisória, em residência de crentes e depois alugaram
uma casa, na Rua Visconde de Goiana, onde instalaram
o Colégio e o Seminário Batista Brasileiro para abrigá-los.
Esses alunos do Seminário alegaram para suas Igrejas que
tinham sido expulsos, e também as alunas da ETC
As Igrejas vinculadas ao grupo radical passaram adotar
atitudes estranhas, em retaliação, como não conceder carta
de transferência a quem discordava do posicionamento adotado
e a eliminar do seu rol de membros das Igrejas todos os
que se enquadravam nessa situação, algumas vezes fazendo
acusações absurdas.
O resultado dessas eliminações foi a fundação de várias
novas Igrejas: (1) Igreja Batista do Zumby, organizada em
22 de março de 1923, com vinte e três membros oriundos
da Igreja Batista da Torre59; (2) Igreja Batista da Capunga,
organizada em 19 de abril de 1923, com treze (13) membros
eliminados pela 1ª IB Recife e recebidos pela IB de Olinda60;
(3) Igreja Batista de Afogados, organizada em 23 de maio
de 1923, com treze (13) obreiros oriundos da IB da Rua Imperial;
(4) Igreja Batista da Concórdia, organizada em 8
de novembro de 1923, com membros da Congregação da
Igreja Batista do Zumbi, no bairro de São José e de grande
número de membros da Primeira Igreja Batista do Recife,
inclusive o Pastor Orlando do Rego Falcão, afastados do rol
de membros por esta última. Estas se definiram como cooperantes
com a Missão norte americana, das quais falaremos
adiante com maiores detalhes.
Nesse período, ainda foram organizadas as Igrejas Batistas:
Brasileira (Moreno); 1ª Beberibe (Recife), de Campo
Alegre, de Escada, de Caruaru, do Oiteiro (em Casa Amarela,
Recife), de Casa Amarela (Recife), de Cachoeira (Limo-
59 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira e RAMOS ANDRÉ, João Virgilio, opus cit., p 29.
60 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira e RAMOS ANDRÉ, João Virgilio, opus cit., p 29.
48
eiro), 2ª de Goiana, de Santo Amaro (no Recife), de Timbaúba
(reorganizada), e da Várzea (Recife), filiando-se umas
à Convenção Batista de Pernambuco e outras à Convenção
Batista Regional61.
Cabe uma observação relevante. Alguns autores registrem
que, no primeiro momento, apenas duas Igrejas, a IB
de Olinda e a IB de Lagedo, apoiaram os missionários. As
demais teriam apoiado a Convenção Batista Regional. Entretanto,
Isabel Spacov, ao escrever Igreja Batista da Capunga,
Documentando sua Formação, demonstra, por registro documental
(a ata de fundação) que cinco Igrejas permaneceram
apoiando os missionários no litígio: a Igreja Batista de
Olinda, Pastoreado por Benício Leão; a Igreja Batista de
Vermelho e a Igreja Batista de Limoeiro, Pastoreadas por
Manoel Olimpio de Holanda Cavalcanti; a Igreja Batista de
Ilhetas e a Igreja Batista de Lagedo (Goiana), Pastoreadas
por Leslie Leonidas Johnson. Estas foram as igrejas que se
fizeram representar no Concílio de formação da Igreja Batista
da Capunga62.
O ambiente era de verdadeira guerra, com pouco respeito
ético aos adversários de idéias, alguns dos quais se tornavam
adversários pessoais. Considerando que a Convenção
Batista Regional estava controlada pelos lideres radicais,
cujas igrejas recusaram a cooperação com os missionários
da Junta de Richmond, estes patrocinaram a organização de
nova entidade cooperativa, a Convenção Batista Pernambucana,
para congregar as igrejas, em número de quinze, que
decidiram permanecer cooperando com Missão. A Assembléia
de organização da nova entidade foi realizada na Igreja
Batista da Capunga, em 1º de novembro de 1923, quando
elegeu a seguinte diretoria: Presidente: José Paulino Raposo
61 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira e RAMOS ANDRÉ, João Virgilio, opus cit, p. 30
62 SPACOV, Isabel Cristina Guerra, opus cit., p. 104-5
49
Câmara; Vice-presidente: Leonidas Lee Johnson; 1º Secretário:
Acácio Vieira Cardoso; 2º Secretário: Stella Câmara; e
Tesoureiro: Arnald Edmund Hayes63,64.
O movimento radical arrefeceu em 1925, na ocasião em
que foram estabelecidas as Novas Bases de Cooperação,
tendo a Convenção Batista Brasileira (CBB) tomado uma
posição sobre o assunto. Os recursos obtidos, enviados pela
Junta de Richmond, seriam administrados pelos missionários.
Os levantados pelas Igrejas locais seriam administrados
por estas. Essa decisão foi aceita pela maioria dos obreiros
e das igrejas do grupo radical, mas onze igrejas, lideradas
pela PIB do Recife, inclusive a IBCOR, preferiram se desligar
da Convenção Batista Brasileira (CBB), permanecendo
afastadas até 1938. Estas igrejas, juntamente com outras
dos Estados da Bahia, de Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo,
organizaram a Associação Batista Brasileira (ABB), que
estabeleceu cooperação com a a NABA – North American
Baptist Association, missão norte americana com sede no
Estado do Texas.
Os resquícios do movimento radical desapareceram em
1938, quando as trinta igrejas filiadas à Associação Batista
Brasileira (ABB), se reuniram em Assembléia, no Templo
da 1ª Igreja Batista da Torre, e decidiram pela dissolução da
entidade. Dezenove destas Igrejas retornaram à Convenção
Batista Pernambucana, juntamente com líderes importantes
do movimento: Rosalino da Costa Lima, José de Albuquerque
Lins, José Domingos de Figueiredo, Natanael Medrado
e Adolfo Lira do Rego. Outras não, como a 2ª Igreja Batista
da Torre (organizada em 1937) se fundiu com a 1ª Igreja
Batista da Torre, Pastoreadas pelo Pastor Antonio Marques
Lisboa Dorta, mudando o nome para Primeira Igreja Evan-
63 SPACOV, Isabel Cristina Guerra, opus cit, p. 104-5.
64 O Correio Doutrinal, Ano I, Número 2, de 9 de novembro de 1923.
50
gélica Batista da Torre. Estava encerrado o primeiro grande
cisma entre os Batistas de Pernambuco65.
Em 1940, ocorreu uma nova cisão, em decorrência de
um problema administrativo do Seminário Batista, quando
os membros da Convenção Batista Pernambucana deixaram
de cooperar com a Missão. Os missionários, novamente,
patrocinaram a organização da Convenção Batista Evangelizadora
de Pernambuco, passando a haver no Estado duas
Convenções, embora ambas filiadas à CBB: a Convenção
Batista Evangelizadora de Pernambuco e a Convenção
Batista Pernambucana66. Essa situação diferiu em muito
da anterior porque, embora divergindo quanto às diretrizes
administrativas do trabalho, havia um relacionamento
fratérno entre os dois grupos de igrejas e de crentes. Havia
troca de cartas de transferência de membros, e os obreiros
da igreja de um grupo eram aceitos para Pastorear igrejas do
outro grupo. Finalmente, foi encerrada a cisão numa Convenção
conjunta, onde as duas convenções se fundiram na
Convenção Batista de Pernambuco (1973).
Essa Convenção histórica, realizada no Templo da Igreja
Batista da Capunga, selou de vez a amizade fratérna existente
entre todos os Batistas pernambucanos, que passaram
a trabalhar em conjunto para o progresso do Reino de Deus,
nesta terra do Leão do Norte, reunidos na Convenção Batista
de Pernambuco. Esta, com a herança das antecessoras,
soma 104 anos de trabalho no Estado de Pernambuco.
65 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira e RAMOS ANDRÉ, opus cit, p. 35
66 FEITOSA, José Alves. Breve Historia dos Batistas no Brasil – Memórias, Rio de
Janeiro, Editora Souza Marques, 1978, p 63-64
51
Capitulo V
O Pastorado Sebatião Tiago
Correa de Araújo
O Pastorado de Sebastião Tiago Correia de Araújo na
Igreja Batista do Cordeiro estendeu-se de 18 de julho de
1926, data da sua posse, até 27 de abril de 1951, quando o
Senhor o chamou para a Glória.
Sua eleição do para o Pastorado da IBCOR ocorreu no
dia 22 de Junho de 192667, ocasião em que a Igreja também
elegeu três novos Diáconos: Lourenço Alves Barbosa, José
Lourenço e Amaro Pereira, sendo designado o dia 18 de Julho
de 1926, data festiva, comemorativa do Aniversário da
Sociedade de Senhoras. Tiago Araújo, nos últimos meses
do Pastorado de Manuel da Paz, já havia dirigido a Igreja na
sua ausência, em face da doença. Ao ser cogitado o seu nome
para o Pastorado da Igreja, pediu exoneração do cargo
de moderador, até que a igreja tomasse uma decisão quanto
ao assunto. Empossado o novo Pastor, o Seminarista Vidal
de Freitas pediu exoneração do cargo de auxiliar do Pastor
Manuel da Paz68, indo Pastorear a Igreja Batista de Gravatá,
onde foi consagrado ao Ministério da Palavra.
Uma das primeiras tarefas do Pastor Tiago Araújo, ao
assumir o Pastorado, foi levar a Igreja a fazer uma pequena
reforma no Templo para acomodar melhor a comunidade.
E iniciou uma campanha para reconstruir o Templo, desta
feita em alvenaria de tijolo. Também começou um trabalho
67 IBCOR. Ata 243, de 22 de Junho de 1926.
68 IBCOR. Ata 255, de 19 de novembro de 1926.
52
Pastoral para que a Igreja retomasse ânimo para suas atividades,
depois vários meses de enfermidade do seu antigo
Pastor. Assim foi que, em 15 de novembro de 1927, foi comemorado,
de forma festiva, o seu 22º Aniversário de fundação,
tendo como orador do Culto Comemorativo o veterano
Pastor Pedro Falcão69.
A IBCOR organizou, em 29 de julho de 1929, durante
o Pastorado de Tiago Araújo, a Igreja Batista em Bento
Ribeiro (hoje PIB), na Cidade do Rio de Janeiro, Distrito
Federal. Fora formada por membros oriundos da Igreja
IBCOR e da Igreja Evangélica Batista da Várzea, que haviam
se transferido para esse subúrbio do Rio de Janeiro.
Organizada, a Igreja Batista de Bento Ribeiro elegeu para
o Pastorado Sebastião Tiago Correia de Araújo, que periodicamente
viajava até aquela cidade, de navio, para dar assistência
à comunidade, celebrar a Ceia do Senhor e realizar
batismos70. Entre uma visita e outra, enviava mensagens
escritas, lidas dominicalmente no Templo, a título de sermão,
à semelhança das cartas enviadas pelos apóstolos para
as igrejas cristãs primitivas.
A IBCOR, até 1938, permaneceu vinculada à Convenção
Batista Regional e à Associação Batista Brasileira (ABB),
mantendo alguma beligerância com as igrejas da Convenção
Batista Pernambucana, com as consequencias advindas. Ainda
no ano de 1930, a IBCOR tomou conhecimento de que o
Seminarista João Norberto da Silva71, que dela fora membro e
participara de ato de consagração ao Ministério da Palavra, na
Igreja Batista do Zumby (“chamada de Igreja Batista Americana
do Zumby”). Este ato tivera a presença do Diácono Gabriel
Arcanjo, da IEB da Várzea, fato que gerou protesto da
69 IBCOR. 272, de 6 de junho de 1927
70 IBCOR. Ata 284, de 6 de Janeiro de 1930.
71 IBCOR. Ata 286, de 3 de março de 1930.
53
IBCOR, porque o Pastor Tiago Araújo era o Secretário Executivo
da Convenção Regional e da ABB, cargo exercido em
boa parte desse período, quando atuara na mediação de conflitos,
como o que envolveu o Pastor Pedro Falcão e a Igreja
Batista da Paraíba (João Pessoa) e o obrigou a se deslocar para
aquela cidade, para conciliar os ânimos72.
Ainda no ano de 1931, a IBCOR, através do seu Pastor e
Diáconos, participou da consagração, ao Ministério da Palavra,
de Manoel Batista e de José Domingos de Figueiredo.
Em 1933 participou também da consagração do seminarista
José Lins de Albuquerque73, aluno do Seminário Batista
Brasileiro. As igrejas remanescentes da ABB, em 1938, realizaram
uma Assembléia, na Igreja Batista da Torre, onde
deliberam dissolver a Associação e se filiarem à Convenção
Batista Brasileira e à Convenção Batista Pernambucana, encerrando
o Movimento Radical.
Em 1930, foi concluído e inaugurado o mausoléu do Pastor
Manuel Corinto Ferreira da Paz, no Cemitério da Várzea,
que havia sido iniciada em maio de 192674, logo depois do
seu falecimento75. A inauguração contou com a presença de
membros das várias igrejas em que Manoel da Paz fora Pastor
e de muitos outros que o conheceram e admiravam.
A residência Pastoral da IBCOR teve sua construção iniciada
em 1931, no mesmo terreno em que estava edificado o
Templo76. Mais tarde, com a aquisição dos lotes de terrenos
vizinhos, a casa Pastoral foi reformada.
A comemoração do 26º Aniversário de organização da
IBCOR, em 15 de novembro de 1931, contou com a pre-
72 IBCOR. Ata 299, de 9 de Agosto de 1931
73 IBCOR. Ata 318, de 1º de maio de 1933.
74 IBCOR. Ata 241, de 3 de Maio de 1925.
75 IBCOR. Ata 291, de 6 de outubro de 1930.
76 IBCOR. Ata 298, de 19 de julho de 1931.
54
sença de dois ilustres oradores convidados, os Pastores José
Vidal de Freitas e Natanael Dantas77.
No Pastorado de Tiago Araújo a IBCOR manteve a preocupação
com a formação intelectual dos seus membros, reorganizando
a sua escola anexa, agora sob o nome de Instituto
Batista do Cordeiro. Além disso, passara a encaminhar
alguns dos alunos que concluíam o ensino básico para
o Colégio Batista Brasileiro, onde receberam bolsas de estudo
Iracema Correia, José Ferreira, Maria Aragão, Nehemias
Pereira e Doralice Aragão (tia da homônima)78.
A IBCOR, em fevereiro de 1933, elaborou os primeiros
Estatutos de que encontramos notícia. Depois de aprovados,
eles foram encaminhados para o respectivo registro79.
Todavia, lamentavelmente, a pesquisa efetuada no Cartório
de Registro de Documentos e de Pessoas Jurídicas não logrou
êxito na sua localização.
O irmão Isaque Aragão (Manoel Alves Barbosa) foi eleito,
em 10 de dezembro de 1947, Diretor de Música da IBCOR80,
em substituição ao irmão Nelson Pereira, tendo ele
permanecido nessa função por vários anos, até que suas atividades
profissionais o impediram de continuar.
A eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, modificou
a situação social econômica, criando dificuldades em
todo o mundo. O comércio e a indústria do Nordeste e
do Brasil foram afetados pela retração do mercado e pelo
aumento nos preços da matéria prima, com a conseqüente
redução da atividade econômica e diminuição da oferta de
emprego. A maioria dos membros da IBCOR eram, nessa
época, empregados das fábricas têxteis que abundavam nos
77 IBCOR. Ata 302, de 8 de novembro de 1931.
78 IBCOR. Ata de 31 de Janeiro de 1932.
79 IBCOR. Ata 315, de 12 de fevereiro de 1933.
80 IBCOR. Ata 505, de 10 de dezembro de 1947.
55
bairros da Torre, do Cordeiro e da Várzea, e sofreram as
conseqüências da situação econômica.
Os frutos presentes do pastorado Tiago Araújo.
Entre os frutos do pastorado de Sebastião Correa de
Araújo, ainda hoje presentes na Igreja e recebidos década de
quarenta: (a) por batismo:.(1) Manoel Alves Barbosa (conhecido
como Isaque Aragão), suas irmãs Iraci Alves Aragão e
Abigail e sua esposa Doralice Barbosa e o primo Edgar Alves
Aragão (o primeiro universitário batista pernambucano).
Isaque e Doralice têm dois filhos Liliane e Humberto, ambos
solteiros e membros da Igreja. Edgar, casado com Dulce
Marques do Aragão, tem os filhos Alda, Célia, Suely, Edgar
Júnior, Deyse, Pedro Henrique e Marcelo, são membros da
Igreja, à exceção de Suely que, com seu carisma e simpatia,
que o Senhor tomou para Si, para ornar a mansão celestial,
deixando saudosos os que a conhecemos; (2) Raquel Aragão
Cavalcanti de Albuquerque; Anatilde Lira de Souza, mãe de
Neemias Lira, que com a família são membros da Igreja; e
(4) Maria do Carmo de Souza; (b) por carta de transferência:
Hermengarda Alves Sales, oriunda da Igreja Evangélica Batista
da Várzea. Hermengarda casou com Manoel Rocha e
alterou o nome para Hermengarda Sales Rocha. O casal teve
os filhos Marcos, Marli, Miriam, Manoel Filho, Marta, Marlene,
Márcia, Marisa e Moisés, os quais são, à exceção do primeiro
e do terceiro, membros da Igreja, onde estão integrados
com suas famílias. Há outros membros da Igreja batizados
pelo pastor Tiago Araújo ou recebidos por transferência
durante seu pastorado, mas não conseguimos identificar.
O Novo Templo da Igreja.
O segundo Templo, que seria edificado sobre o primeiro,
com alteração de sua área e arquitetura, teve concluída
sua construção na década de quarenta. Esse Templo foi uma
56
obra de fé, construído numa época de difícil situação econômica,
depois da grande depressão até o início da segunda
guerra mundial. A economia brasileira e nordestina de então
sentiram os efeitos, especialmente as industrias têxteis,
empregadoras da maioria dos membros da Igreja. O Pastor
Tiago Araújo, porém, não era homem de esmorecer e, com a
fé firmada no Senhor, levou o seu rebanho a edificar o maior
e mais belo Templo Batista da capital. Nele, os cordeirenses
cultuaram a Deus até 1970. Nessa época, sofreu uma ampla
reforma, podendo hospedar muitas assembléias e reuniões
da denominação, entre as quais a Assembléia da Convenção
Batista Evangelizadora de Pernambuco, em 1944.
No seu Pastorado, a Igreja participou da Campanha Simultânea
de Evangelização, promovida pela Junta Evangelizadora,
em 1951. Nesse período a IBCOR convidou o Seminarista
Jesimiel Norberto da Silva para auxiliar do Pastor
Tiago Correia de Araujo81, tendo esse irmão servido à Igreja
até depois da posse do Pastor David Mein. Foi inclusive
convidado a assumir o Pastorado efetivo da IBCOR, em
1952, convite que declinou82. Trabalhou como Pastor adjunto
até 1954.
O Pastor Tiago Araújo, durante o Pastorado da Igreja
Batista do Cordeiro, ainda Pastoreou, de forma simultânea,
as Igrejas Batistas do Monteiro (no Recife), da Estância (no
Recife), a Igreja Batista de Moreno (em Moreno) e de Bento
Ribeiro (RJ). Nos últimos anos do seu Pastorado, teve que
reduzir sua atividade, em face da doença que o afligia.
Quando faleceu o Pastor Sebastião Tiago Correa de
Araújo, em 27 de abril de 1951, o Seminarista Jesimiel Norberto
assumiu a direção da Igreja na parte espiritual, até que
esta escolheu e empossou o Pastor David Mein83.
81 IBCOR. Ata 545, de 4 de fevereiro de 1951.
82 IBCOR. Ata 573, de 9 de dezembro de 1952.
83 IBCOR. Atas 547, de 6 de maio de 1951 e 548, de 27 de maio de 1951.
57
Biografia do Pastor Sebastião Tiago
Correia de Araújo.
Alagoano de Rio Largo, nasceu a 26 de agosto de 1894,
filho de Lúcio Correia de Araújo e de Galdina Maria de
Araújo, residentes na vila fabril de Cachoeiras, no município
Santa Luzia (AL), então distrito de Rio Largo. Converteuse
a Cristo ouvindo mensagem pregada pelo Pastor Manoel
Virgínio de Souza. Foi batizado, em 18 de abril de 1914,
pelo Pastor José Pereira Salles, na Igreja Batista do Rio Largo.
No dia 30 de abril de 1915, foi consagrado Diácono
dessa Igreja, passando a servir como auxiliar do Pastor José
Pereira Salles durante dois anos, sendo recomendado ao
Seminário Batista no Recife, onde chegou em 1918, como
afirma José Alves Feitosa, seu colega de turma84.
No Recife, trabalhou como auxiliar do Pastor Manuel
Corinto Ferreira da Paz, na Igreja Batista do Cordeiro. Mais
tarde, na Igreja Batista do Cabo, foi auxiliar do Pastor Pedro
Falcão. Deixando o Pastor Pedro Falcão o Pastorado, em
1920, a Igreja Batista do Cabo o convidou para o seu ministério,
sendo consagrado no Templo da Igreja Batista do Cordeiro,
sendo o Concílio composto pelos obreiros: Pastores
Pedro Falcão (presidente), Antonio de Castro (secretário),
David Luke Hamilton (examinador), Manoel Corinto Ferreira
da Paz, Abílio Pereira Gomes, J. P. de Castro, Cleóbulo
Cardoso, Eloy Correia, João Jorge de Oliveira e Diáconos
Pedro Ferreira, José Batista A. Falcão e Manoel Raimundo.
Casado em primeiras núpcias com Raquel Correia de
Araújo, teve a filha Judith e mais outra, que morreu com a
mãe na ocasião do parto. Casou em segundas núpcias com
Maria Pereira da Cruz, uma jovem viúva, com dois filhos
(Daniel Porfirio da Cruz e Elias Porfírio da Cruz), sendo
84 FEITOSA, José Alves, opus cit., p. 149-150.
58
o casamento celebrado pelo missionário William Carey
Taylor, em 22 de setembro de 1922. Aos três filhos, o casal
juntou outros onze: Silas, Raquel, Paulo, Ligia, Vasty, Edson,
Lutero, Sulamita, Jessé, Isabel e Miriam. Maria, após
o casamento, passou a assinar Maria Pereira de Araújo. O
casal ainda teve vinte e seis netos e muitos bisnetos, alguns
ainda membros da IBCOR: Ester Araújo Oliveira, Misael
Aragão Araújo (casado com Lindinalva) e sua filha Solange e
Moisés Correia (casado com Luciara) e seus filhos.
No seu Pastorado, a Igreja participou da Campanha Simultânea
de Evangelização, promovida pela Junta Evangelizadora,
em 1951, e hospedou várias vezes a Convenção Batista.
Ainda no seu Pastorado, a IBCOR iníciou a construção
do novo Templo, no local do antigo, mas com estrutura,
frontispício e área diferentes. Lá hospedou a Convenção
Batista Evangelizadora de Pernambuco em 1944. O Pastor
Tiago concluiu sua obra em 27 de abril de 1951, quando o
Senhor da Seara o convocou para a sua Glória.
O Pr José Alves Feitosa, seu amigo e colega de turma ao
se referir ao Pastor Tiago Araújo, assim se expressou:
“Faleceu às 19 horas do dia 27 de abril do corrente o Pastor
Tiago de Araújo, como era tratado na irmandade. Já
era esperado desenlace, visto o seu estado de saúde. Aguardava-
se o desfecho porque já havia meses que vinha doente
sem muita possibilidade de melhora e por isso não nos
surpreendeu a sua morte”85.
85 FEITOSA, José Alves, Breve História dos Batistas do Brasil – Memórias,
p. 149-150.
59
Capítulo VI
O Pastorado David Mein
O Pastorado David Mein foi o mais longo e o mais proveitoso
na vida da Igreja Batista do Cordeiro (IBCOR).
Convidado a assumir o Pastorado da Igreja, aceitou-o em
caráter interino, por decisão pessoal, em 3 de junho de
1951. Tornou-se Pastor efetivo em fevereiro de 1953, quando
contava a Igreja com duzentos e cinqüenta membros. Ao
deixá-lo, em 15 de novembro de 1982, eram novecentos e
sessenta membros.
Extremamente preocupado com a necessidade da Igreja
em ter um Pastorado de tempo integral, David Mein assumiu
em caráter interino. Pelo menos em duas ocasiões
propôs deixar o Pastorado, para que a Igreja convidasse um
obreiro para dar tempo integral ao Ministério. A primeira,
quando sugeriu a IBCOR convidar Jesimiel Norberto, em
1952, e este declinou86; e a segunda, em 1954, às vésperas
de viagem de férias nos Estados Unidos, onde deveria passar
um ano. Nessa ocasião, renunciou ao Pastorado e pediu
à Igreja que escolhesse um obreiro que lhe dedicasse mais
tempo87. A IBCOR, como registrou o secretário Edgar Aragão,
“não foi na onda do Dr. David Mein” e rejeitou a proposta.
Davi Mein tinha visão do trabalho na Igreja, mas esta
tinha uma visão que o Senhor lhe mostrava.
Exercendo o Pastorado de forma interina, foi eleito Pastor
efetivo em fevereiro de 195388. O seu Pastorado foi mar-
86 IBCOR. Ata 573,de 09 de dezembro de 1952.
87 IBCOR. Ata 604, de 8 de setembro de 1954.
88 IBCOR. Ata 574, de 6 de fevereiro de 1953.
60
cado pelo crescimento da IBCOR no aspecto numérico, sócio-
econômico, intelectual e espiritual. A igreja era um corpo
fiel às doutrinas cristãs, coesa na participação dos cultos e
em atividades de mordomia cristã. Cuidava da comunidade,
com os membros envolvidos em atividades voluntárias, com
profissionais engajados em assistência médica e odontológica,
e no fornecimento de alimentos e remédios para a parcela
carente. O Instituto Batista do Cordeiro, no Jubileu de
Diamante (1980), chegou a ter 440 alunos.
A consciência missionária do plantador igrejas.
O Pastor David Mein, desde a infância, tinha plena consciência
da missão de pregar a Mensagem do Evangelho de
Cristo. Sua vocação fora despertada ainda na tenra idade,
tendo aprendido tocar órgão e piano aos onze anos. Começou
aí a ajudar o pai, o missionário John Mein, em viagens
evangelísticas no interior do Estado, tocando hinos em um
órgão portátil. A sua figura juvenil chamava a atenção, tocando
música melodiosa e mesmo pregando, desde os oito anos.
A chamada para missões foi confirmada em culto celebrado
na Assembléia Batista do Norte, em 1931, no Recife,
ocasião em que pregava o Pastor Ricardo Inke. Concluída
a formação humanística, antes de iniciar o curso teológico,
entre 1939 e 1940, David Mein passou um ano no Brasil,
decidindo o futuro. Aceitou o desafio do Pastor Albérico
de Souza, que trabalhava no Estado de Sergipe, assistindo
sozinho a nove igrejas, e foi ajudá-lo nesse período, quando
também colaborou na União de Estudantes Batistas, ligada
ao CAB, no Recife. A experiência foi decisiva na sua tomada
de decisão de dedicar-se à obra missionário, e no Brasil89.
89 CASTRO, Jilton Moraes de. O Valor da Brevidade para a Relevancia da Pregação.
Ensaio a partir de uma analise critica do trabalho homiletico de David Mein,
Tese de Doutorado (STBNB), p. 52-53.
61
Regressou aos Estados Unidos em julho de 1940 e, nesse
mesmo semestre, ingressou no Southern Theological Baptista
Seminary, em Louisville, onde concluiu, em maio de 1943,
o Mestrado em Teologia. Desejando melhor se aprimorar,
ingressou no Doutorado em Teologia (Th. D.). Com a tese
As contribuições dos Batistas para a Vida do Brasil, no dia
3 de maio de 1945, recebeu o grau de Doutor em Teologia90.
Nomeado em outubro de 1944, pela Junta de Richmond,
como missionário para o Brasil, casou-se com Lou Demie
Segers no dia 24 de abril de 1945.
Desejoso de ensinar no STBNB, onde o seu pai era diretor,
aceitou o princípio paterno de que todo missionário, antes
de ensinar, necessitava de experiência de evangelização
no campo. Assim, como nem ao próprio filho do diretor foi
aberta exceção, David Mein foi trabalhar no campo sergipano,
onde servira voluntariamente alguns anos antes.
Trabalhou no campo sergipano de 1945 a 1948, morando
em Aracaju, onde Pastoreava a PIB de Aracaju e assistia
às Igrejas de Própria e Maruim, no interior do Estado.
Quando, nessa época, foi organizada a Convenção Batista
Sergipana, a nomeação do cargo de Secretário Executivo recaiu
sobre ele. Na época, sua consciência da necessidade do
preparo intelectual e teológico fez com que ele incentivasse
vários obreiros a virem se preparar no Seminário, como o
evangelista Pastor João Camilo dos Santos91, que depois se
dedicaria ao trabalho no Sertão de Pernambuco.
90 CASTRO, Jilton Moraes de, opus cit, p. 54.
91 O Pastor João Camilo dos Santos, originário de Piaçabuçu (AL), trabalhou como
evangelista nas cidades de Penedo (AL) e Neopolis, na margens alagoana e sergipana
do Rio São Francisco, na década de quarenta. Estimulado pelo Pastor David
Mein veio estudar no STBNB, trabalhando na congregação da IB da Torre, em
São Lourenço da Mata, depois foi trabalhar no Agreste e no Sertão de Pernambuco,
nas cidades de Arcoverde, Belo Jardim, São Caetano, São Bento do Una,
Pesqueira, no Agreste e em Cabrobó, Carreiro de Pedra, Bananeiras, Salgueiro,
62
A consciência da urgência da pregação da Mensagem do
Evangelho e da necessidade do preparo dos obreiros dividiu-
o em dois: o desejo de ensinar e colaborar no preparo
de obreiros, no STBNB, e, ao mesmo tempo, pregar ele
mesmo a Palavra Sagrada e Pastorear igrejas. Conseguiu
desempenhar-se de ambos os ministérios e ainda encontrou
tempo para servir a Deus e a Denominação.
A primeira missão levou-o a Pastorear a IBCOR, estimulando-
a a ser uma Igreja missionária, para levar o Evangelho
onde não havia e, sempre que possível, organizando
uma nova Agencia do Reino de Deus no local. Assim,
durante o seu Pastorado, a IBCOR organizou as seguintes
igrejas filhas: (1) Igreja Batista Betânia, em Gravatá (PE),
em 26 de setembro de 1956; (2) Igreja Batista de Camaragibe,
em Camaragibe (PE), em dezembro de 1959; (3) Igreja
Evangélica Batista, em Casa Amarela, no Recife (PE), em
1964; (4) Igreja Batista da Vila Cohab Rio Doce, em Olinda
(PE), em 1970; e (5) a Igreja Batista do Forte, no Janga,
Paulista (PE), em 1982. Além disso, deixou a Congregação
de São Bento do Una pronta para se tornar Igreja.
A preparação e a consagração de Pastores.
O Pastor David Mein tinha uma preocupação particular
com a formação de obreiros para servir ao Ministério Pastoral.
Incentivou muitas pessoas a assumirem suas vocações
e deu treinamento prático a muitos alunos do STBNB no
Ministério Pastoral da IBCOR. Orientou a IBCOR a promover
a Consagração dos seus Seminaristas e a consagrar
Parnamirim, Exu, Belém do São Francisco, Floresta, Orocó e Vermelhos, isto
sem contar os sítios. Além de Pernambuco, seu trabalho evangelístico alcançou o
Sertão da Bahia (Pedra Branca, Ibó, Chorrochó, Riacho do Mato, Paulo Afonso,
Juazeiro) e as regiões de Penedo (AL) e de Neópolis (SE). Informações de Eliam
Santos Guimarães e Keila Santos Guimarães, filha e neta do Pastor João Camilo
dos Santos, em abril de 2005.
63
obreiros para Igrejas de locais onde era difícil a formação
Concílios.
Durante o seu Pastorado, foram consagrados ao Ministério
da Palavra os alunos do STBNB: (1) Jezimiel Norberto
da Silva (1952), para Pastor Auxiliar da IBCOR92; (2)
Erivan Alves de Araújo (1961), para Pastor Auxiliar da IBCOR93;
(3) Benedito José da Silva (1961), para a IB Bereana,
S. Luiz (MA)94; (4) Natanael Quadros Barreto (1961), para a
PIB Manaus (AM)95; (5) João Virgilio Ramos André (1962),
para a IB Palmares (PE)96; (6) Oseas Barbosa Lima (1964),
para a PIB Natal (RN)97; (7) Hermenegildo Nunes e Silva
(1964), para Pastor Auxiliar da IBCOR98; (8) João Norberto
da Silva Filho (1967) para à IB Bela Vista, Conquista (BA)99;
(9) Nabor Nunes Filho (1969), para a IB Corrente (PI)100;
(10) Miguel Madeira e Silva (1969), para a IB Monte Castelo,
Fortaleza (CE)101; (11) Jilton Moraes de Castro (1971),
a pedido da IB Farol (AL) para a IB Henrique Jorge, Fortaleza
(CE)102; (12) Gerson Alves Amorim (1973), para servir
à IB Palmares (PE)103; (13) Eliezer Rodrigues de Oliveira
(1973) para servir à IB Itamaraju (BA)104; (14) Heraldo Santos
Pereira (1979), para servir à IBCOR; (15) Flavio Marco-
92 IBCOR. Ata 570, de 8 de outubro de 1952.
93 IBCOR. Ata 704, de 18 de janeiro de 1961
94 IBCOR. Ata 704, de 18 de janeiro de 1961
95 IBCOR. Ata 704, de 18 de janeiro de 1961
96 IBCOR. Ata 730, de 17 de outubro de 1962.
97 IBCOR. Ata 758, de 21 de outubro de 1964.
98 IBCOR. Ata 760, de 18 de novembro de 1964.
99 IBCOR. Ata 813, de 1 de dezembro de 1967.
100 IBCOR. Ata 842, de 13 de novembro de 1969.
101 IBCOR. Ata 842, de 13 de novembro de 1969.
102 IBCOR. Ata 861, de 13 de maio de 1971.
103 IBCOR. Ata 899, de 18 de novembro de 1973.
104 IBCOR. Ata 899, de 18 de novembro de 1973.
64
ni Lemos Monteiro (1980)105, para servir à IB Corrente (PI);
(16) Marcos Estelin Alves Pedrosa (1980)106, em 26 de abril
de 1980, para servir à IB Bezerros (PE); (17) Neilson Xavier
de Brito, em 28 de março de 1981, para a SIB São Lourenço
da Mata (PE)107; e (18) Adalberto Candido da Costa, em 9 de
setembro de 1981, para a SIB Bezerros (PE)108.
Os Pastores interinos e auxiliares.
A sua preocupação com o Pastorado da IBCOR era
grande. Cada vez que viajava aos Estados Unidos, de férias
– em média a cada três anos – durante seis meses ou um ano,
levava a Igreja a escolher um obreiro para assisti-la interinamente.
Em algumas oportunidades foram escolhidos mais
de um obreiro com essa finalidade. E, além dos Pastores
interinos, David Mein teve muitos auxiliares, entre Seminaristas
e Pastores, entre os quais citamos:
– Pastor Jezimiel Norberto da Silva (1951), filho de João
Norberto da Silva, converteu-se ao Evangelho na Igreja Batista
da Várzea. Chamado ao Ministério, foi recomendado
ao STBNB e durante o seu curso tornou-se auxiliar do Pastor
Tiago Araújo e membro da IBCOR, tendo recebido o
grau de Bacharel em Teologia em 1953. O Seminarista Jesimiel
Norberto assumiu a direção da Igreja, de forma interina,
a partir do falecimento do Pastor Sebastião Tiago Correa
de Araújo em 27 de abril de 1951, até a posse do Pastor
David Mein em 3 de junho de 1951. Em outubro de 1952
foi consagrado ao Ministério e, durante cerca de dois anos,
exerceu o Pastorado Auxiliar na IBCOR109.
105 IBCOR. Ata de 27 de janeiro de 1980.
106 IBCOR. Ata de 24 de fevereiro de 1980 e O Batista Cordeirense, de 23 de março
de 1980.
107 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 6 de março de 1981.
108 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 13 de setembro de 1981.
109 IBCOR. Ata 570, de 8 de outubro de 1952.
65
– Pastor Francisco de Assis Chaves de Carvalho110 (1954-
1956), primeiro Pastorado interino. Aconteceu durante treze
meses, entre dezembro de 1954 e janeiro de 1956, na
primeira oportunidade em que a IBCOR esteve privada da
presença do Pastor David Mein, nas férias em que ele foi aos
Estados Unidos, descansando, promovendo Missões e ensinando
em Seminários.
– Pastor Livio Cavalcanti Lindoso (1960), segundo Pastorado
interino. A segunda grande ausência do Pastor David
Mein ocorreu entre janeiro e novembro de 1960, quando
a IBCOR foi Pastoreada, interinamente, pelo Pastor Livio
Cavalcanti Lindoso, que era o Vice-Moderador da Igreja111.
Esse cargo de Vice-Moderador da Igreja fora criado quando
da aprovação do novo Estatuto, por sugestão do Corpo
Diaconal112, exatamente para suprir a necessidade da Igreja
nas ausências do seu Pastor. O Pastor Livio Cavalcanti Lindoso
foi a primeira pessoa eleita para ocupar esse cargo113.
Até então a diretoria da Igreja era composta de Moderador
(Presidente), 1º e 2º Secretário e Tesoureiro.
Natural de Alagoas, sobrinho do Diácono Arthur de
Cristo Lindoso, foi por este criado como filho, sendo um
dos pioneiros do trabalho Batista em Pernambuco. Mestre
em Teologia, STBNB, 1935, Livio Lindoso teve vários filhos
do primeiro casamento, entre eles Mirtô Lindoso Jamil.
Viúvo, casou em segundas nupcias com Alaíde da Silva Lindoso,
com quem teve Lívio Filho, Arthur e Suzane. Viúvo
pela segunda vez, casou com Angelita Lindoso, com quem
teve duas filhas. Pastoreou a Igreja Batista de Olinda (1931
a 1954); a Igreja Batista da Capunga (1967 a 1970), em caráter
interino; e a Igreja Batista de Santo Amaro (1970-1972).
110 IBCOR. Ata 607, de 9 de novembro de 1954.
111 IBCOR. Atas 686, de 13 de janeiro de 1960 e 701 de 20 de novembro de 1960.
112 IBCOR. Ata 730, de 17 de outubro de 1962
113 IBCOR. Atas 661, de 17 de setembro de 1958 e 662, de 15 de outubro de 1958.
66
Professor de Língua Grega e de Homilética, no Seminário
Teológico Batista do Norte do Brasil, de 1934 a 1978, foi diretor
interino da instituição em três oportunidades em que
o Pastor David Mein se ausentou em gozo de férias (1954,
1960 e 1965).
– O terceiro Pastorado interino (1964-1965) teve os Pastores
João Virgilio Ramos Andre, Pastor interino, e Hermenegildo
Nunes e Silva, co-Pastor interino. Aconteceu no
terceiro período de ausência do Pastor David Mein, de novembro
de 1964 a novembro de 1965, ocasião em que a IBCOR
foi Pastoreada por João Virgilio Ramos Andre e Hermenegildo
Nunes e Silva nas suas atividades administrativas
e espirituais114.
João Virgilio Ramos André, casado com Maria Adelaide
Costa Silva, eram naturais do Porto, Portugal. Chegaram
ao Brasil em 1961, recomendados ao STBNB pela IB
de Cedofeita, no Porto, Portugal. No STBNB, ele recebeu
o Grau de Bacharel em Teologia (1964) e Mestre em Teologia
(STBNB, 1979) e ela, o Grau de Bacharel em Educação
Religiosa. O casal teve os filhos Isabel Maria, José
Manuel, João Virgilio e Eline Maria. Ramos André Pastoreou
a IB de Queluz, Portugal (1970), a PIB Beberibe, no
Recife (1971 a 1977) e a Igreja Batista de Bonito, também
em Pernambuco (1978 a 1982). B ibliotecário do STBNB e
Professor de História Eclesiástica e de História dos Batistas
(STBNB), de 1965 a 1990, foi responsável pela aquisição de
grande parte do acervo da Biblioteca. Divorciado de Maria
Adelaide e viúvo de Aneide Navais, está casado, em terceiras
núpcias, com Maria Betânia de Araújo Ramos André.
Hermenegildo Nunes da Silva, natural da Bahia, casado
com Hercilia Ferreira Nunes, tem os filhos Hermene-
114 IBCOR. Atas 657, de 14.10.1964, 760, de 20.12.1964 e 784, de 17.11.1965.
67
gildo Filho e Hilquias Nunes. Exerceu o Pastorado adjunto
da Igreja Batista do Cordeiro, em caráter interino, e Pastoreou
a Igreja Batista de Garanhuns (PE), de onde retornou
à Bahia, sua terra natal, exercendo o Ministério Pastoral na
IB dos Mares e o magistério na Universidade Federal da
Bahia (UFBA).
– Pastor Nabor Nunes Filho (1970), quarto Pastorado
interino, trabalhava como auxiliar no Ministério Pastoral da
IBCOR desde 1965, quando foi eleito para substituir o Pastor
David Mein na sua quarta ausência.
Nabor Nunes Filho nasceu em 27 de junho de 1944, em
Itabaiana (PB). Sua mãe, Noemi Marques de Figueiredo,
era crente e criou Nabor na igreja. Fez o curso ginasial e o
cientifico no Colégio Americano Batista, no Recife, quando
ouviu uma palestra do Pastor David Gomes. “Nabor, sentado
ao piano, sentiu que Deus estava tocando em sua vida. Sentiuse
despertado para o ministério”115. Durante os anos de 1965
a 1969, serviu como auxiliar do Pastor David na IBCOR
e, em 1969, recebeu o Grau de Bacharel em Teologia no
STBNB, no Recife, em 1969. Ele havia cursado, também,
a maioria da matérias do Curso de Música Sacra, especialmente
regência e órgão. No mesmo ano, foi consagrado ao
ministério e casou com a médica Dra. Mirian Correia Nunes.
O casal tem três filhos, Adriana e os gêmeos Luciana e
Luciano116. Nabor Pastoreou a IB Corrente (PI), entre 1970
e 1971, quando “viveu com o povo do sertão e começou a se interessar
por suas angústias e seus problemas”. Ouvindo suas músicas,
“sentiu necessidade de interpretar os sentimentos daquele povo
através da música sacra”117.
115 Ichter, Bill H. Onde estão os Compositores Batistas Brasileiros?. O Jornal Batista,
Rio de Janeiro, nº 12, Ano LXXVIII, 16 de agosto de 1985, p. 2
116 Ibidem
117 Ibidem
68
– Pastor Norton Riker Lages (1974), no quinto Pastorado
interino, Pastoreou a Igreja Batista do Cordeiro, em
caráter interino, nas férias de 1974 do Pastor David Mein,
nos Estados Unidos. Havia ele servido como auxiliar do ministério
daquele Pastor de 1964 a 1967118.
Norton nasceu em 18 de agosto, em Santarém (PA), filho
de Hamilton Henrique Virgulino Lages e Nora Magnólia Riker
Lages. Na infância, os pais mudaram para Belém (PA),
onde nasceram os irmãos David e Sheila. A família se tornou
membro da PIB do Pará, onde Norton foi batizado, aos onze
anos, pelo Pastor Harald Schally, o mesmo que também celebrara
o casamento dos pais119. Recomendado ao STBNB,
junto com o irmão David, ali estudou de 1963 a 1967, quando
recebeu o grau de Bacharel em Teologia. Nos últimos
ano do curso, serviu à IBCOR como auxiliar do Pastor David
Mein120. O Pastor Norton Lages Pastoreou as igrejas IB Betania,
João Pessoa (PB), PIB Manaus (AM); IB Memorial de
Brasilia (DF); e, novamente, PIB Manaus (AM).
– Pastor David Miller (1977), sexto Pastorado interino.
David Lee Miller Pastoreou a IBCOR, em caráter interino,
em 1977, durante as férias do Pastor David Mein
nos Estados Unidos. Missionário da Junta de Richmond no
Brasil, serviu no campo pernambucano durante trinta anos,
Pastoreando igrejas no interior, entre as quais a PIB de Garanhuns
e a IB Boa Vista, em Arcoverde, e em frentes missionárias
pioneiras. Nos últimos anos, serviu na Direção do
STBNB. Casado com Glenda Miller, o casal teve os filhos
Paul, Nancy e Marjorie, os quais foram membros da IBCOR.
118 IBCOR. Ata de 1973.
119 COSTA, Adelson Silva e. Pr. Norton Riker Lages completa 60 anos. In O Jornal
Batista. de 17 de agosto de 2003, p. 15.
120 Ibidem
69
– O Pastor James Frederick Spann (1980), sétimo Pastorado
interino, missionário de Richmond, conhecido como
Fred Spann, natural do Arkansas (USA), Pastoreou a Igreja
Batista do Cordeiro, em caráter interino, em 1980, durante
as férias do Pastor David Mein Doutor em Música, Diretor
do Curso de Música Sacra do STBNB, foi durante mais de
trinta anos uma referência na música evangélica brasileira,
dirigindo o Coral Sinfônico, a Orquestra Municipal do Recife
e outros grupos.
Fred Spann tinha formação em Música Sacra e fora consagrado
Ministro de Louvor, nos Estados Unidos, antes de
nomeação como missionário. Em face da necessidade do
campo, foi consagrado ao Ministério da Palavra, para servir
no Pastorado da IEB em Casa Amarela, de 1965 a 1968. A
partir de 1968, transferiu-se com a família para a IBCOR,
para servir como Ministro de Música (1968-1982), dirigindo
a música congregacional, os coros de adolescentes e da
Igreja, apresentando algumas dezenas e peças Musicais para
enlevo desta Igreja e para louvor do Senhor Deus Criador
e de Jesus Cristo, nosso Salvador, e como Pastor interino
deste rebanho. Sua esposa, Betty Spann, e os filhos James,
Grady, Edward e Suzane, estiveram sempre integrados na
IBCOR. A sala Fred Spann homenageia a sua pessoa.
Estes Pastores, nominalmente interinos, porque exerceram
seus ministérios nas ausências do Pastor titular da igreja,
de forma plena contribuíram para o desenvolvimento da
Igreja como Agência do Reino de Deus, cumprindo as missões
que lhes foram confiadas, de modo fiel e dedicado.
A consagração de Diáconos.
O Pastor David Mein valorizou o Ministério Diaconal
na IBCOR e, durante o seu Pastorado, a IBCOR consagrou
o maior números de Servos do Senhor para esse Ministério.
David Mein tinha particular preocupação com a pre70
paração dos Diáconos que auxiliavam o seu Ministério. A
necessidade de obreiros para esse Ministério levou o Pastor
David Mein a recomendar a IBCOR, em 11 de março de
1956121, a inclusão, no Corpo Diaconal, de Francisco Alves
de Souza122, Diácono oriundo da PIEB da Torre e a eleger
os irmãos Henrique Pereira do Aragão123, João Marcolino de
Souza, João Costa, José Ferreira da Silva e Severino Candido
da Costa124.
A necessidade de recompor o Ministério Diaconal para
atender o crescimento da IBCOR levou esta a eleger, em 11 de
março de 1959125, Francisco Rodrigues da Silva e Manuel Alves
Barbosa126, que hoje é o decano dos Diáconos e dos membros
da IBCOR. A IBCOR recebeu, no mesmo período, oriundos
de outras igrejas, os Diáconos John Trumblim Júnior, João
Costa de Souza, Inácio Jordão e João Leão Neto.
121 IBCOR. Ata 625, de 11 de março de 1956. Concílio composto pelos Pastores
David Mein (presidente), Manoel Almeida (secretário), José Munguba Sobrinho,
Antonio Marques Dorta, Graysson Tennyson, Joaquim Cavalcanti, Ismael Ramalho,
José Bezerra de Lima, José Rosendo e Diáconos Francisco Alves de Souza,
Manoel Ferreira da Silva, Severino Ramos Cantalicio de Oliveira e Manuel Bandeira.
122 O Diácono Francisco Alves de Souza, pai de Carmelita Alves Rangel e Creuza
Alves Ferreira, sogro dos Diáconos Antonio Alves Rangel e José Ferreira da Silva
(Zezinho) e avô do Diácono Marcos Antonio Alves Rangel. Nota do Autor
123 O Diácono Henrique Pereira do Aragão, pai do Diácono Edgar Alves Aragão e
sogro da Diaconisa Dulce Marques do Aragão. Nota do Autor.
124 O Diácono Severino Candido da Costa, pai do Diácono Ademir Candido da
Costa e do Pastor Adalberto Candido da Costa. Nota do Autor.
125 IBCOR. Ata de 11 de março de 1959. O Concílio de Consagração composto
dos Pastores David Mein (presidente), Livio Cavalcanti Lindoso, Gideon Andrade
e Joaquim Cavalcanti e dos Diáconos Manoel Ferreira, Henrique Aragão, João
Marcolino de Souza, Severino Candido da Costa, Francisco Alves de Souza, José
Ferreira da Silva, John Trumblim Jr, João Costa de Souza, Inácio Jordão e João
Leão Neto.
126 O Diácono Manuel Alves Barbosa, conhecido como Isaque Aragão, esposo da
Diaconisa Doralice Aragão Barbosa, é Bacharel em Teologia (STBNB) e foi Diretor
de Música da IBCOR.
71
Em 22 de fevereiro de 1961, a IBCOR elegeu o terceiro
grupo de Diáconos no Pastorado David Mein e os consagrou
em 26 de março de 1961127. Eram eles Edgar Alves
Aragão, Antonio Gomes Rangel, Inocêncio Rodrigues
Mouzinho (hoje na IB Iputinga), Haroldo Francisco de
Mendonça128 e Antonio Mariano de Barros129. E consagrou
ao Ministério Diaconal, em 15 de novembro de 1963130, Alipio
Amorim, Jairo Barbosa Pessoa e Fausto Ferreira sa Silva.
Em 15 de abril de 1971, foi a vez de Ademir Candido da
Costa, Naum Santiago, Nelson Xavier de Brito131 e Plácido
dos Santos. Finalmente, em 18 de maio de 1972, consagrou
o irmão Josué Lira132.
O reconhecimento de diaconos (1972).
A IBCOR, em 18 de maio de 1972, reconheceu a consagração
e incorporou, ao Ministério Diaconal, Emidio Cavalcanti,
oriundo da IB Arcoverde; José de Almeida Pessoa,
127 IBCOR. Atas 705, de 22 de fevereiro de 1961 e 708 de 26 de março de 1961.
Concílio composto pelos Pastores David Mein (presidente), José Florêncio Rodrigues
(orador), Livio Cavalcanti Lindoso e pelo Diácono Manuel Alves Barbosa
(leitura bíblica)
128 O Diácono Haroldo Francisco de Mendonça, esposo da Diaconisa Luiza Pereira
de Mendonça, está hoje na Glória com o Senhor. Nota do Autor.
129 O Diácono Antonio Mariano de Barros é pai do Jornalista Joezil dos Anjos
Barros, que durante muitos anos foi membro da IBCOR e hoje é Presidente dos
Diários Associados no Estado de Pernambuco. Nota do Autor.
130 IBCOR. Ata 859, 15 de abril de 1971. Concílio composto dos Pastores David
Mein (presidente), Gamaliel Perucci, Luis Correia de Melo, José Almeida Guimarães,
Joaquim Cavalcanti e João Virgilio Ramos André e dos Diáconos Manuel
Alves Barbosa, Edgar Alves Aragão, José Ferreira da Silva, Antonio Gomes Rangel,
Antonio Mariano de Barros, João Marcolino da Costa e João Silvestre (da IB
Arraial)
131 O Diácono NELSON XAVIER DE BRITO, pai do Pastor Neilson Xavier de
Brito, é neto do pioneiro Hermenegildo César de Brito e de Rita Xavier de Brito,
fundadores da IB da Cachoeira, em 1898, sobrinho-neto de Manoel Olympio de
Holanda Cavalcanti, casado Gemima Xavier de Brito Cavalcanti, um dos primeiros
Pastores pernambucanos, consagrado ao Ministério Pastoral em 20.12.1905.
Nota do Autor.
132 IBCOR. Ata 811, de 18 de Maio de 1972.
72
oriundo da IB Camaragibe; e Luiz Estevam Vieira, oriundo
da IB Pina.
As primeiras diaconisas.
Aumentado para dezoito o número de integrantes do
Ministério Diaconal da IBCOR, em 9 de Janeiro de 1975133,
foram eleitos Ramiro Pimentel, Lou Demie Mein134 e Dulce
Marques do Aragão135, estas as primeiras mulheres consagradas
para esse Ministério na IBCOR. Aumentado para
vinte e um em 14 de abril de 1977, foram consagrados Afranio
Valença, Doralice do Aragão Barbosa e Severino Eulino
Ferreira136. E, na ultima consagração no Pastorado David
Mein, em 15 de Novembro de 1981137, foram consagrados
os irmãos Abzair Bernardes da Silva138, Geraldo Marques da
Silva, Jennecy Sales Cavalcanti, Luiza Pereira de Mendonça,
Marcos Antonio Alves Rangel e Paulo Salles Cavalcanti.
A educação religiosa no Pastorado David Mein.
David Mein se preocupava com o Ministério Pastoral nos
seus vários aspectos. Ao assumir o Pastorado, encontrou, como
Diretor de Música, o maestro Isaque Aragão. Entretanto,
a área de Educação Religiosa carecia de pessoa com formação
adequada. No final de 1953, convidou o professor Jo-
133 IBCOR. Ata 914, de 9 de Janeiro de 1975.
134 A Diaconisa Lou Demie Mein, missionária da Junta de Richmond, professora
do STBNB, esposa do Pastor David Mein, é, até onde temos conhecimento, única
missionária eleita diaconisa em Igreja Batista no Brasil. Nota do Autor.
135 A Diaconisa DULCE MARQUES DO ARAGÃO é esposa do Diácono Edgar
Alves Aragão e sogra do Diácono Marcos Antonio Rangel. Vide nota anterior.
Nota do Autor.
136 IBCOR. Ata 811, de 18 de Maio de 1971.
137 IBCOR. Ata 997, de 18 de outubro de 1981.
138 O Diácono Abzair Bernardes da Silva, hoje membro da IEB do TIMBI, filho
do Pastor Salomão Bernardes da Silva (IB Batalha), é pai dos Pastores Salomão
Bernardes da Silva (Ministro de Evangelismo e Ação Social da IBCOR) e Samuel
Bernardes da Silva (Pastor da IEB do Timbi). Nota do Autor.
73
el de Brito Barros, aluno do Curso de Bacharel em Teologia
(STBNB), para trabalhar na área e, em 1955, recomendou
a IBCOR a elegê-lo Diretor de Educação Religiosa, cargo
que exerceu com dedicação até dezembro de 1960, quando se
exonerou do cargo para trabalhar no Estado do Ceará139.
Na época, o Pastor David Mein levou a IBCOR a construir
o Edifício de Educação Religiosa, usando, de início, os
recursos disponíveis na Igreja e apelando à liberalidade dos
seus membros. Mais tarde, em outubro de 1956, a IBCOR
contratou um empréstimo bancário para concluir a obra140.
Aproximando-se a conclusão da obra e o retorno do Pastor
David Mein ao Brasil, a Igreja deliberou denominá-lo Edificio
David Mein, como forma de homenagem esse obreiro
que exerceu o Pastorado com extrema dedicação141.
A mesma visão levou o Pastor David Mein a recomendar
à IBCOR, em 1962, a compra da casa 97, vizinha do
Templo, para ampliar o espaço das suas instalações, imóvel
adquirido pela importância de um milhão e quinhentos mil
cruzeiros142, onde foi edificado o Edifício Manuel da Paz,
que serve à Administração e ao Ministério de Educação Religiosa.
Joel Brito Barros (1953-1960) foi sucedido por Risoleta
Alves da Silva143 (1961-1965) 144; Margarida Arlete Sales145
(1966); Ester Aragão Araujo (1967-1970)146; e Miriam Sales
139 IBCOR. Ata 702, de 27 de janeiro de 1960.
140 IBCOR. Ata 634, de 14 de outubro de 1956.
141 IBCOR. Ata 784, de 17 de novembro de 1965.
142 IBCOR. Ata 732, de 18 de novembro de 1962.
143 Risoleta Alves da Silva era conhecida como Risoleta Ponciano, estando o seu
nome grafado deste modo em alguns registros da IBCOR. Nota do Autor.
144 IBCOR. Atas 787, de12 de janeiro de 1966
145 IBCOR. Atas 787, de12 de janeiro de 1966
146 IBCOR. Atas 798, de 20 de novembro de 1966. Ester Aragão Araújo, ao casar
com Edvaldo Oliveira, passou a assinar Ester Araujo de Oliveira. Nota do Autor.
74
Rocha (1970-1972)147, que assumiu o cargo implantando algumas
idéias novas na área, e deixando o cargo para dirigir
o Instituto Batista do Cordeiro. Exerceram, ainda, essa
função no Pastorado David Mein: Ester Araujo de Oliveira
(1972-1974; Maria Betania Araujo148 (1974 a julho 1981), e
Aurissina Costa (julho a dezembro de 1981). Todos estes irmãos
eram graduados pelo STBNB, o primeiro e a penúltima,
em Teologia e as demais, em Educação Religiosa.
A música no Pastorado David Mein.
A música na IBCOR sempre foi tratada com muito carinho
e dedicação, como será destacado adiante. Porém, durante
o Pastorado de David Mein, adquiriu um realce extraordinário,
servindo como elemento aglutinador da comunidade
e como forma de evangelização. O próprio David
Mein, enquanto cursava o Bacharelado em Artes, cursou todas
as disciplinas de Música, recebendo também, ao final, o
titulo de Bacharel em Música. Assumindo o Pastorado, encontrou
o maestro Manoel Alves Barbosa, conhecido como
Isaque Aragão, ocupando o cargo de Diretor de Música da
Igreja, que serviria a IBCOR durante muitos anos, salvo nas
pequenas ausências por conta da sua atividade profissional, a
de oficial do Exercito Brasileiro.
A professora Bennie Mae Oliver, missionária de Richmond,
sucedeu ao professor Isaque Aragão como Diretora
de Música da IBCOR, de 1959 a 1962. Nesse período,
serviu no magistério do STBNB, tendo sido a fundadora
do Curso de Música Sacra da Instituição149. Em 12 de setembro
de 1962, despediu-se da Igreja, pedindo sua carta
de transferência para a Columbus Avenue Baptist Church, no
147 IBCOR. Atas 876, de19 de março de 1972
148 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 26 de julho de 1981
149 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Ousadia e Desafios da Educação Teológica. 100
anos do STBNB (1902-2002), p. 90.
75
Texas (USA)150. Na ocasião, recebeu manifestações de carinho
da Igreja. Hoje, a professor Bennie Mae Oliver está na
Glória com o Senhor.
Convidado, o Pastor Fred Spann assumiu a Diretoria de
Música da IBCOR, em 17 de agosto de 1967, e serviu neste
Ministério até 15 de novembro de 1982, dirigindo a música
congregacional, os coros graduados e apresentando dezenas
de peças Musicais para enlevo desta Igreja e para louvor
do Senhor Deus Criador e de Jesus Cristo nosso Salvador.
Exerceu, interinamente, o Pastorado da Igreja Batista
do Cordeiro, em 1980, durante as férias do Dr. David Mein.
A partir da sua chegada e da a reorganização do Ministério
de Música, destacam-se na IBCOR os coros graduados, a
apresentação de inúmeras peças Musicais clássicas e o canto
congregacional da IBCOR, que passou a ser considerado
o de melhor harmonia entre igrejas conhecidas, a partir da
gravação dos cultos, divulgados no programa “Uma Prece,
Uma Esperança”na Rádios Clube e Jornal do Comercio.
O professor Fred Spann também foi professor do STBNB,
diretor do Curso de Música da instituição e contribuiu
de forma ativa no trabalho denominacional. Sua esposa,
Professora Betty Spann, e seus filhos James, Grady, Edward
e Suzane estiveram sempre integrados na IBCOR. A Sala
Fred Spann, do Departamento de Música, homenageia a sua
pessoa.
Em 1º de fevereiro de 1980, a IBCOR convidou o irmão
Nilson Galvão Santos, bacharel em Música Sacra, para o
cargo de Diretor de Música Adjunto151, passando a auxiliar o
Pastor Fred Spann.
150 IBCOR. Ata de 12 de setembro de 1962.
151 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 3 de fevereiro de 1980
76
Os descendentes dos pioneiros na IBCOR.
Pioneiros do trabalho Batista em Pernambuco, em Ilheitas
e Cachoeira, zona rural de Goitá, e Limoeiro, os irmãos
Manuel Olimpio de Holanda Cavalcanti e Hermenegildo
César de Brito deixaram muitos descentes, quase todos integrados
nas igrejas Batistas das cidades de Pernambuco e de
outros Estados. Os irmãos Benjamin Olimpio de Holanda
Cavalcanti, Helena Xavier de Brito Cavalcanti, Nilson Cavalcanti
de Albuquerque e Ailson Cavalcanti de Albuquerque,
filho, nora e netos do Pastor Manoel Olimpio de Holanda
Cavalcanti (o pioneiro do trabalho Batista na Região
de Limoeiro e Goitá) pediram cartas de transferência da IB
Capunga para a IBCOR152. Mais tarde, outros membros vieram
congregar-se conosco, como as famílias de Nelson Xavier
de Brito, de Eliezer de Holanda Cavalcanti, de Josias de
Holanda Cavalcanti e muitas outras.
O próprio Pastor Manoel Olimpio de Holanda Cavalcanti
passou a residir no Recife, depois que, em 1976, o Sítio
Ilheitas, onde havia o Templo e residiam os membros dessa
Igreja, foi desapropriado para a construção da Barragem de
Tapacurá153, situada nos municípios de Limoeiro, Carpina e
São Lourenço da Mata. Mudou-se depois para a Cidade de
Carpina, onde veio a falecer em 16 de dezembro de 1981,
sendo o corpo trazido para o Templo da IBCOR, no Recife.
Lá, às 15:00 horas do dia 17 de dezembro de 1981, foi realizado
o Culto memorial, dirigido pelos Pastores David Mein
152 IBCOR. Ata 632, de 12 de agosto de 1956.
153 A Barragem de Tapacurá,, construída para fazer represamento das águas do Rio
Tapacurá, que banha as cidades de Vitória de Santo Antão e São Lourenço, foi
construida de 1971 a 1976, época em que estudávamos Engenharia Civil na Escola
de Engenharia da UFPE. Concluída a Barragem em 1976, sua maior finalidade era
o controle das cheias desse rio, que assolavam as cidades abaixo dessa região, , além
do abastecimento dagua do Recife, foram desapropriadas as terras situadas nas suas
margens, onde o lago artificial por ela formado iria se formar. Nota do Autor.
77
e Amauri Munguba Cardoso, seguindo depois o cortejo para
o Parque das Flores, onde foi sepultado154. Sua esposa,
Gemima Xavier de Brito, ainda hoje é membro da IBCOR
e reside no Recife.
O perfil da igreja em 1963.
O Pastor David Mein, na abertura da sessão ordinária
de abril, apresentou um levantamento feito pela Diretora de
Educação Religiosa, no tocante ao perfil dos membros da
Igreja, registrando, em janeiro de 1963, a existência de: 454
membros, sendo 149 homens e 309 mulheres155.
O movimento de renovação espiritual.
Esse movimento surgiu no Sudeste do Brasil, na década
de cinqüenta, e começou a atingir as igrejas Batistas no Brasil,
inclusive no Nordeste, juntamente com igrejas de outras
denominações, como a Igreja Presbiteriana e a Igreja Metodista.
A partir do programa radiofônico dirigido pela missionaria
Rosalee Appleby (Junta de Richmond) e depois pelo
Pastor José do Rego Nascimento, o movimento influenciou
lideranças e igrejas Batistas. Infrutíferas as tentativas
no sentido de harmonizar o comportamento dos integrantes
do Movimento Renovação Espiritual com outros membros,
culminnando com o afastamento da Convenção Batista Brasileira
e das Convenções Estaduais das Igrejas que adotaram
a prática da Renovação Espiritual. Uma vez afastadas, estas
se congregaram na Associação Missionária Evangélica e,
mais tarde, na Convenção Batista Nacional.
154 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 20 de dezembro de 1981.
155 IBCOR. Ata 738, de 17 de abril de 1963.
78
A Assembléia da Convenção Batista Brasileira (CBB),
reunida em janeiro de 1962, na cidade de Curitiba (PR), por
deliberação do plenário nomeou uma Comissão para estudar
a doutrina do Espírito Santo à luz do que entendemos
por doutrina Batista, para emitir o seu parecer na próxima
Assembléia Convencional156. O plenário da Assembléia deliberou
que o presidente, Pastor Rubens Lopes, da Igreja
Batista em Vila Mariana (SP), integrasse a comissão. O presidente,
ao nomear a comissão, adotou o seguinte critério:
três membros que defendiam as idéias da Renovação Espiritual:
José do Rego Nascimento, Enéas Tognini e Achilles
Barbosa; três membros contrários a essas idéias: Delcyr
de Souza Lima, Harald Schaly e Reinaldo Purim; e cinco
que não haviam se manifestado sobre o assunto: João Filson
Soren, David Mein, Werner Kaschel, José dos Reis Pereira
e David Gomes. Como Reinaldo Purim renunciasse
a participar da comissão, foi eleito para substituí-lo Thurmon
Bryant. Reinaldo Purim, ante insistência do plenário,
reconsiderou sua decisão e foi mantido eleito pelo plenário,
ficando conhecida como a Comissão dos Treze.
A Comissão se reuniu em catorze oportunidades, em
São Paulo (Vila Mariana), no Rio de Janeiro (STBSB) e em
Vitória (ES) e, finalmente, concordou, de forma unânime,
no parecer, apresentado à Assembléia da Convenção Batista
Brasileira (CBB) em Vitória (ES). No parecer, a Comissão
declarou que deixava de definir o significado de “batismo no
Espírito Santo”, nunca definido em declaração de fé Batista,
mas asseverava que a crença numa “segunda benção”, e a
“existência atual de dons de línguas e curas não eram posições adotadas
pelos Batistas brasileiros através dos anos”; e “que a atuação
do Espírito Santo, na vida do crente, se faz através de um processo
chamado santificação progressiva”. E que “essas manifestações
156 CBB, Atas e Relatórios da 44ª Assembléia Anual, realizada em Curitiba (PR),
em Janeiro de 1964, p. 25.
79
emotivas, por mais sinceras que fossem, não podiam ser apresentadas
como padrão a ser seguido por todos e a ênfase dada à doutrina
do batismo no Espírito Santo tinha causado reuniões barulhentas,
próprias do pentecostalismo, provocando manifestações de orgulho
e proselitismo entre crentes que não adotam tais idéias”. Em decorrência
dessa decisão, as igrejas que não a acolheram foram
afastadas do rol cooperativo da CBB. Posição semelhante
foi adotada pelas Convenções nos Estados, inclusive
a Convenção Batista Evangelizadora, em Janeiro de 1965.
A IBCOR e o Pastor David Mein, na qualidade de Pastor
da Igreja e líder da denominação, foram envolvidos na
discussão sobre o Movimento Renovação Espiritual e foram
chamados a tomar uma posição sobre o problema. Como
líder da denominação, o Pastor David Mein integrou a Comissão
dos Treze no âmbito da Convenção Batista Brasileira,
opinando sobre o posicionamento desta sobre o assunto.
A nível de Igreja e do Estado, membros da 2ª Igreja Batista
de Casa Amarela, discordando da orientação imprimida pelo
Pastor da Igreja, solicitaram carta de transferência para a
IBCOR e onde foram acolhidos.
A IBCOR também participou ativamente, por meio de
mensageiros, da Assembléia da Convenção Batista Evangelizadora
de Pernambuco (1966), convocada posicionar-se
sobre o Movimento de Renovação Espiritual157.
A campanha nacional de evangelização.
A Convenção Batista Brasileira planejou e executou, em
1965, a Campanha Nacional de Evangelização, sob o lema
“Cristo, A Única Esperança”. Ela envolveu os Batistas do
Brasil e suas igrejas, de norte a sul, de leste a oeste, como diz
o seu refrão, com o alvo de 1 + 1, isto é, cada Batista ganhan-
157 IBCOR. Ata 784, de 17 de novembro de 1965 e Atas da Assembléia Extraordinária
da Convenção Evangelizadora. (1966).
80
do mais uma vida para Cristo. No âmbito estadual, houve
muitas atividades, aglutinando as igrejas, de modo articulado,
em campanhas de atividades coletivas, como as clarinadas e
os grande eventos de massa, a concentração no Parque Treze
de Maio, com coral formado por membros de várias igrejas,
regido pelo maestro Isaque Aragão (Manoel Alves Barbosa).
Em todas essas atividades a IBCOR esteve presente com seu
Pastor e seus membros envolvidos na Campanha.
Cabe destacar que, desde a Campanha Nacional de Evangelização
em 1965, a IBCOR ocupava posição de destaque no
cenário Músical Batista, contribuindo com regente, músicos
e coristas nos eventos da denominação. No período, merecem
destaque as atividades do Professor Isaque Aragão, que
dirigiu coros das Igrejas Batistas em atividades denominacionais,
inclusive na Concentração no Parque Treze de Maio.
Mais tarde, outros membros da IBCOR vão dar sua parcela
de contribuição na Música da denominação, como Bennie
May Oliver, Fred Spann e Alcingstone Cunha.
Um efeito dessa Campanha foi a participação conjunta
das Igrejas filiadas às Convenções Batistas Pernambucana e
Evangelizadora, as quais, desde 1940, realizavam suas atividades
de forma separadas. A partir dessa atividade, elas se
aproximaram e resolveram unificar-se (1973)158.
A cruzada de evangelização do Grande Recife.
As igrejas Batistas do Estado organizaram duas grandes
campanhas de evangelização na Região Metropolitana, denominadas
Cruzadas de Evangelização do Grande Recife
(CEGRE), a primeira pouco depois da Campanha Nacional
e a segunda em setembro de 1973.
A II Cruzada de Evangelização do Grande Recife teve
polos de concentração, culminando com as Conferências
158 O Jornal Batista, de 23 dezembro de 1973, p. 9.
81
Evangelisticas no Ginásio de Esportes Geraldão, tendo como
pregador o Pastor Nilson do Amaral Fanini, da PIB Niterói,
no Rio de Janeiro. A II CEGRE teve como tema: “O
Novo Recife Precisa de Jesus Cristo” e o hino oficial “Cristo
Minh’Alma Salvou”, de autoria de Charles Gabriel e Rufus
McDaniel, traduzido por Fred Spann. Durante essa Campanha,
as Igrejas Batistas do Recife preparam inúmeras atividades
nos seus Templos e participaram da grande mobilização
para ocupar o Geraldão com mais de vinte mil pessoas.
O Grande Coral de Mil Vozes, diariamente, apresentou
músicas de enlevo, sendo dirigido pelo Pastor Fred Spann.
Recordo-me do fato de que, salvo engano, na terceira noite
faltou energia durante cerca de quinze minutos. Inspirado,
o maestro Fred Spann, em plena escuridão, começou a cantar
o hino oficial “Cristo Minh’Alma Salvou”, enquanto regia
com o rio de luz de uma pequena lanterna. A multidão de
cristãos e de convidados cantou a plenos pulmões, acompanhando
apenas o movimento da luz na mão do regente,
durante todo o período em que o véu da escuridão cobriu o
ginásio transformado em Templo sagrado. No final do culto,
duas centenas de pessoas, tocadas pelo Espírito Santo,
buscaram os conselheiros.
A IBCOR participou ativamente do evento, fazendo
transportar, a cada noite, cerca de uma centena de pessoas
em ônibus, além dos que se deslocaram em seus automóveis.
O regente, os membros dos coros e da IBCOR, além
de muitas pessoas da vizinhança da Igreja, participaram dessa
atividade de divulgação da mensagem do Evangelho de
Jesus Cristo.
82
O reavivamento entre a juventude: o movimento
Voluntários de Cristo (1975).
Na década de setenta, surgiu um movimento de reavivamento
e despertamento espiritual entre jovens e adolescentes
da IBCOR, denominado pelos próprios integrantes
de Voluntários de Cristo. Este movimento se espalhou, inicialmente,
pelas igrejas Batistas do Recife, do Estado e da
Região Nordeste, resultando em dedicação de vidas e de vocação
para o Ministério. O movimento, que começou sob
a forma de cultos de oração e louvor, continuou mais tarde
em vigílias de oração, alcançando o auge nos anos de 1975
a 1977. Ele influenciou a Juventude da IBCOR, em sua
maioria, e se espalhou pelas igrejas Batistas dos arredores,
na Capital, no Estado e atingiu os estados vizinhos. Jovens
e adolescentes afastados do rebanho do Senhor retornaram
à casa paterna. Muitos foram ganhos para Cristo. Muitas
vidas foram dedicadas ao Ministério da Palavra a partir de
experiências nos seus momentos de culto e consagração. Na
IBCOR, saíram desse grupo os seminaristas, mais tarde Pastores,
Marcos Adoniram Monteiro, Flavio Marconi Monteiro,
Lecio Wanderley, entre outros.
O jubileu de prata do Pastorado David Mein.
A IBCOR celebrou, em 3 de junho de 1976, o Jubileu de
Prata do Pastorado de David Mein na Igreja, com Culto de
Ação de Graças a Deus pela vida do seu Servo. O culto teve
início com processional, onde o Pastor David Mein adentrou
o Templo, acompanhado de Pastores e de Diáconos da
Igreja. No decurso da programação do culto, manifestaram-
se: pela palavra, o seminarista Flávio Marconi Monteiro,
representando os estudantes ministeriais; pela música,
o Coral Sinfônico do STBNB e o Coral da IBCOR; pela
oração, o Pastor Livio Cavalcanti Lindoso; pela mensagem,
o pregador convidado, Pastor Jezimiel Norberto da
83
Silva. Manifestaram-se representantes de departamentos e
organizações da IBCOR. Uma palavra de agradecimento
do Pastor David Mein e a Benção Apostólica proferida pelo
homenageado, encerrou o culto159.
II Campanha Nacional de Evangelização.
A Convenção Batista Brasileira promoveu, em 1980, a II
Campanha Nacional de Evangelização, sob o lema Cristo, A
Única Esperança, tendo como Hino Oficial Só Jesus Cristo
Salva, de autoria de Nabor Nunes Filho160, antigo membro
da IBCOR. Durante o período dessa Campanha, as Igrejas
Batistas do Estado preparam inúmeras atividades de proclamação
do Evangelho, inclusive algumas gigantescas mobilizações
no Ginásio de Esportes Geraldão, onde foram realizadas
concentrações com mais de vinte mil participantes.
Nessa série de conferências no Geraldão, houve diariamente
a apresentação de músicas por Grande Coral Batista, com
duas mil vozes, dirigido pelo Pastor Fred Spann. A IBCOR
participou ativamente desse empreendimento e, a cada noite,
transportou um grande número de pessoas em cinco ônibus
urbanos, sem contar que muitos dos seus membros para
lá se deslocaram nos seus automóveis. Contribuiu, ainda,
com mais de cinqüenta membros para o Grande Coral.
A Igreja e o Seminário.
A Igreja Batista do Cordeiro, durante o Pastorado David
Mein, especialmente pelo fato do Pastor ser o Reitor do Seminário
(STBNB), tornou-se o laboratório para muitos dos
alunos dos vários cursos do Seminário Teológico Batista do
Norte do Brasil. Nela foram criadas e experimentadas no-
159 IBCOR. Boletim. Culto em Ação de Graças. 25 Anos de Pastorado do Dr. David
Mein., de 03.06.1976.
160 Panfleto da II Campanha Nacional de Evangelização.
84
vas técnicas de administração. Mais tarde, com a vinda do
Pastor Fred Spann, diretor do Curso de Música do STBNB,
para servir como Ministro de Música da IBCOR, a área Músical
da Igreja foi privilegiada como laboratório para Músicas,
mais tarde disponibilizado para a denominação.
O Pastor David Mein, durante todo o seu Pastorado,
exerceu de forma continua, a direção do STBNB - Seminário
Teológico Batista do Norte do Brasil, embora fosse instado
pela Junta de Richmond a dedicar-se exclusivamente
ao último.
O plano cooperativo da CBB.
No campo denominacional há mais uma contribuição
do Pastor David Mein a ser registrada, hoje quase esquecida.
Ele foi o autor da proposta de contribuição financeira
das Igrejas para a denominação, hoje conhecida como Plano
Cooperativo e que até hoje é a forma prática e democrática de
sustento do trabalho Batista no Brasil.
Os primeiros frutos presentes.
Entre os primeiros convertidos batizados por David
Mein – e que ainda são membro da IBCOR – está o casal
Jardelina Lima e Silva e Sebastião Gomes da Silva, que deram
profissão de fé em 30 de outubro de 1960161 e foram batizados
em seguida
A reforma do Templo.
O atual Templo da IBCOR, construído no Pastorado de
Manuel Ferreira da Paz (em taipa e telhas), reformado e ampliado
no Pastorado de Sebastião Tiago Correia de Araújo
161 IBCOR. Ata 700, de 16 de novembro de 1960.
85
com paredes em alvenaria, foi novamente reformado durante
o Pastorado de David Mein, a partir de 1966162, tendo a
sua área aumentada e modificada sua fachada, inclusive com
o inclusão da torre. Em 1969, um problema no telhado fez
com que a IBCOR empreendesse uma nova reforma, mais
estrutural, com modificação na plataforma e no telhado.
O crescimento da Igreja.
Durante o Pastorado de David Mein, o crescimento da
Igreja não foi apenas no aspecto numérico da membresia e
no desenvolvimento sócio-econômico e intelectual da comunidade,
mas especialmente no seu aspecto espiritual. A igreja
era um corpo fiel às doutrinas cristãs, coesa na participação
dos cultos e nas atividades de estudo e treinamento cristãos.
Cuidava também da assistência social da comunidade, com os
seus membros envolvidos em assistência médica e odontológica,
através dos seus profissionais engajados voluntariamente
na atividade, além de assistir economicamente, com alimentos
e remédios, parcela da comunidade carente.
No seu Pastorado, a Igreja se desenvolveu nas áreas de
Educação Religiosa e de Música Sacra, servindo a Igreja de
modelo e laboratório para muitos alunos desses cursos do
Seminário (STBNB). Na área de Educação Religiosa o Pastor
David Mein contou com a assessoria de bons colaboradores,
desde sua esposa, Da. Lou Demie Mein, passando
por Joel Brito Barros, Risoleta Alves, Margarida Arlete da
Silva, Miriam Sales Rocha, Ester Aragão Araújo, Maria Betânia
Araújo e Aurissina Costa. Na área de Música, os seus
auxiliares não foram menos dotados. Desde o maestro Isaque
Aragão e Bennie May Oliver e desde da reestruturação
162 IBCOR. Ata 790, de 17 de maio de 1966. A Comissão nomeada para dirigir a
Reforma do Templo foi composta de: Hermenegildo Nunes e Silva, Josué Lira,
Severino Eulino Ferreira, Dooralice Aragão Barbosa, Lou Demie Mein, Inocêncio
Mouzinho Rodrigues e Edgar Alves Aragão
86
do Departamento de Música, a partir de 1968, com a chegada
do Pastor Fred Spann, a Música na Igreja se desenvolveu
com a organização de coros graduados e da apresentação
de inúmeras peças Musicais clássicas. A Igreja, no período,
passou a ser considerada aquela que melhor cantava no Brasil,
fato aferido pela gravação dos seus cultos, divulgados no
programa dominical “uma prece, uma esperança”.
Na última década do seu Pastorado, o Pastor David Mein
teve, como fiel companheiro de ministério, o Pastor James
Frederick Spann, o qual serviu na IB do Cordeiro como Ministro
de Música no período de 1968 a 1982, dirigindo a música
congregacional e os coros de adolescentes e da Igreja,
apresentando algumas dezenas e peças Musicais para enlevo
desta Igreja e para louvor do Senhor Deus Criador e de Jesus
Cristo nosso Salvador e como Pastor interino deste rebanho.
Sua família, sua esposa, a Professora Betty Spann, e seus filhos
James, Grady, Edward e Suzane, se integraram na IB do
Cordeiro, participando de todas as suas atividades.
O Pastor David Mein procurou promover, além da formação
doutrinária e teológica dos membros da IBCOR, o relacionamento
entre a comunidade cordeirense, com atividade
de acampamento. Muitos deles se tornaram históricos, como
o realizado em Viração, na propriedade da família Alexandre.
Visando essa direção, convidou o jovem Pastor Amauri Munguba
Cardoso para auxiliá-lo na área Pastoral familiar.
O Pastor David Mein e o Pastor Fred Spann consideraram
concluídos os seus ministérios na IBCOR, pediram
exoneração e se despediram da Igreja em 15 de novembro
de 1981. Foram fundar a Igreja Batista do Forte, no Janga,
Paulista (PE). O Pastor David Mein preparara para sucedêlo
no Pastorado o jovem Pastor Amauri Munguba Cardoso,
que nos últimos anos do Pastorado fora seu auxiliar e que,
eleito em 15 de novembro de 1981, foi empossado em 8 de
dezembro de 1981.
87
O Pastorado na Igreja Batista de Viração.
O Pastor David Mein, durante grande parte do seu Pastorado,
exerceu simultaneamente o Pastorado da Igreja Batista
de Viração, na zona rural de Bonito, para onde se dirigia
mensalmente com a esposa e cuidava daquele seu segundo
rebanho. Em 1973, a Igreja Batista do Cordeiro realizou
um acampamento, no período do carnaval, naquela propriedade
rural da família Alexandre.
Os dados biográficos do Pastor David Mein.
David Mein nasceu em 21 de novembro de 1919, na cidade
de Grand Rapids, Michigan (USA), a terra natal de sua
mãe, filho dos missionários Elizabeth e John Mein. Neto de
britânicos (lado materno) e de alemães (lado paterno), herdou
dos primeiros (ingleses e escoceses) o respeito à pontualidade
dos compromissos e o uso racional do tempo e dos últimos
(alemães), a lógica e a síntese de pensamento, que o transformaram
num dos pregadores de maior poder de síntese.
A sua forma de pregar e o conteúdo das suas mensagens
foram objeto de tese de doutoramento de Jilton de Moraes
Castro, à época Pastor da Igreja Batista Imperial e professor
do STBNB, com o titulo “O valor da brevidade para a
relevância da pregação. Ensaio a partir de uma análise critica do
trabalho homilético de David Mein”. Esta tese foi apresentada
à Comissão de Doutorado do STBNB em 1993, tendo o autor
obtido o seu Grau de Doutor em Teologia.
A sua disposição racional do tempo lhe permitiu que,
de modo simultâneo, dirigir o STBNB durante trinta e cinco
anos (1950-1985), Pastorear a Igreja Batista do Cordeiro
durante trinta e um anos (1951-1982), dar assistência Pastoral
à Igreja Batista de Viração (em Bonito, no interior do
Estado). E que fosse ainda uma pessoa envolvida com os
trabalhos da denominação, ativo participante dos trabalhos
88
da Convenção Batista Evangelizadora, inclusive seu Presidente
por vários mandatos e Secretário Executivo em duas
oportunidades. Presidente da Convenção Batista Brasileira
(CBB) e seu vice-presidente em quatro mandatos, exerceu
a Secretaria da ASTE – Associação dos Seminários Teológicos
Evangélicos, e cuidou bem da sua família, pudendo
atender a inúmeros compromissos para pregar em igrejas e
instituições espalhadas pelo país e nos Estados Unidos. Nas
suas férias, ainda ensinava em Seminários nos Estados Unidos
e pregava em inúmeras igrejas, divulgando o trabalho
missionário realizado no Brasil pelos integrantes da Junta
de Richmond.
A família e a origem.
Os pais (Elizabeth e John Mein), eram missionários da
Junta de Richmond no Brasil, onde chegaram em 1915, designado
ele para servir na Casa Publicadora Batista da CBB,
no Rio de Janeiro, capital da Republica. Lá trabalhou até
1917, quando foram transferidos para Campos, ainda no
Rio de Janeiro, onde ele assumiu a direção do Colégio Batista
Brasileiro (depois transferido para a Capital). Em 1919,
as notícias das necessidades gritantes do Nordeste, em especial
de Alagoas, fizeram John Mein desejar trabalhar naquele
Estado.
A viagem do casal Mein aos Estados Unidos, para gozo
de férias, em companhia dos filhos John Gordon (7 anos),
Robert (4 anos) e William Carey (1 ano), em um navio de
carreira, foi tumultuada, porque Elizabeth estava no sétimo
mês de gravidez e, na viagem marítima, um incêndio ocorrido
a bordo tornou necessário retirá-la em um cesto163.
163 CASTRO, Jilton Moraes de, Tese de Doutorado: O valor da brevidade para a
relevância da pregação. Ensaio a partir de uma analise critica do trabalho homiletico
de David Mein. STBNB, p. 50.
89
Durante as férias, o casal residiu com a família de Elizabeth,
na cidade de Grand Rapids, no Estado do Michigan
(USA). Lá, em 21 de novembro de 1919, nasceu o filho que
recebeu o nome de David, como o Pastor-rei, e estaria destinado
por Deus a fazer grandes coisas para Ele.
O desejo de trabalhar em Alagoas fora amadurecido por
John Mein, de modo que, ao ser apresentado à Junta de Richmond,
recebeu plena acolhida: o casal foi transferido para
Alagoas. A carência de obreiros no Nordeste, especialmente
em Alagoas, era muito grande, sendo esse Estado, na
maior parte do tempo, assistido pelos missionários sediados
em Recife, com as dificuldades decorrentes da distância e
do transporte. Na época, o trem da ferrovia inglesa gastava
dois dias de Recife para Maceió, pernoitando em União dos
Palmares (AL).
Chegando em Maceió em 26 de agosto de 1920, com a
família mais númerosa do que saíra de Campos, o casal Mein
iníciou o trabalho na cidade onde nasceu sua única filha,
Margareth Elizabeth. O seu ministério no Estado durou
dez anos, de 1920 a 1930, com pequeno intervalo (1926),
quando John Mein mudou com a família para Salvador, para
substituir o missionário residente em Salvador, inclusive
como Secretário Executivo da Convenção Baiana. O casal
Mein fundou uma escola anexa à PIB Maceió e, a partir desta,
o Colégio Batista Alagoano. John Mein ainda promoveu
a organização da Convenção Batista Alagoana, no período
de 24 a 26 de maio de 1921164.
Elizabeth Mein trabalhou ao lado do marido até 1946,
quando faleceu165, sendo sepultada no Cemitério Britânico
do Recife. Em 1982, os seus restos mortais foram trasla-
164 Moreira e Silva. Convenção Batista Alagoana. in O Jornal Batista, de 12 de maio
de 1921, p. 11.
165 CASTRO, Jilton Moraes de. opus cit, p. 50.
90
dados para o campus do STBNB, onde repousam junto do
jazigo da pioneira Anna Luther Bagby, também falecida no
Recife e, igualmente sepultada no Cemitério Britânico, e
depois trasladados (1982) os seus restos mortais para o mesmo
campus.
Viúvo, John Mein, casou uma segunda vez, com Mildred
Cox. Esta missionária solteira servia no Brasil desde 1932,
como professora e depois Diretora da Escola de Trabalhadoras
Cristãs, mais tarde Seminário de Educadoras Cristãs. John
Mein trabalhou no Brasil até 1952, quando se aposentou
e retornou aos Estados Unidos, onde veio a falecer em 1962.
Sua viúva, Mildred Cox Mein, retornou ao Brasil para servir
no seu querido Seminário de Educadoras Cristãs (SEC)166.
A Vida de David Mein.
Nascido em 21 de novembro de 1919, David Mein chegou
ao Brasil em 26 de agosto de 1920, isto é, com oito meses
e cinco dias de idade. Passou a sua infância em Maceió (AL),
onde seu pai foi o missionário do Estado e Secretario Executivo
do campo, e Pastor da Igreja Batista de Maceió, mais
tarde PIB Maceió. Recebeu as primeiras letras no lar, através
da sua mãe, educadora nata, e mais tarde na Escola Anexa da
Igreja Batista e, mais tarde, foi educado no Colégio Batista
Alagoano, fundado por seus pais. A partir de 1930, fez exame
de admissão ao Curso Ginasial, no Colégio Americano Batista,
no Recife, para onde os pais haviam se mudado e onde
estudou até 1934. Nesse período, começou a fazer incursões
pelo interior e tomar gosto pela vida rural, tendo passado alguns
períodos de férias em Ilheitas, no sítio do Pastor Nino
(Manoel Olympio de Holanda Cavalcanti) e de Gemima Xavier
de Brito. Passou a nutrir admiração e amizade pelos ve-
166 COX MEIN, Mildred. Casa Formosa. Jubileu de Ouro do Seminário de Educadoras
Cristãs, p.71.
91
teranos obreiros de Cristo, amizade esta que se perpetuou até
o falecimento de Nino e dele próprio167.
David Mein tinha consciência da sua missão, de escolhido
para o Ministério da Pregação da Palavra Sagrada, do
Evangelho de Cristo. Ainda na infância, declarava para todos
que sua vocação era ser missionário. Em torno dos onze
anos, aprendeu tocar órgão e piano e, nas viagens do pai no
interior de Alagoas, passou a auxiliá-lo, tocando hinos num
órgão portátil.
Desde os oito anos já pregava. Sua chamada para Missões
ocorreu na Assembléia Batista do Norte, em 1931,
quando ouvia o pregador Ricardo Inke, fato declarado por
ele na época.
A formação universitária e teológica.
Em 1935, David Mein foi estudar no Georgetown College
(USA), onde esteve entre 1935 e 1939 e onde concluiu o
curso de Bacharel em Letras. Cabe registrar o fato dele haver
continuado a estudar Música, cursando todas as disciplinas
dessa área, recebendo o grau de Bacharel em Música.
Concluída sua formação humanística, antes de iniciar o
curso teológico, no período de 1939-1940, David Mein voltou
ao Brasil, para um período de férias de um ano, posto
que seus pais o achavam muito jovem para tomar a decisão
– que estava tomada. Nesse período, foi ajudar o Pastor
Albérico Alves de Souza, que até então trabalhava sozinho,
dando assistência a nove igrejas no Estado de Sergipe. David
Mein atendeu ao desafio e passou viajando a auxiliando
o Pastor Alberico Souza. Esse tempo, quando ainda colaborou
com a União de Estudantes Batistas, ligada ao CAB no
Recife, foi decisivo na sua decisão de dedicar-se ao Ministério
da Palavra, especialmente como missionário168.
167 Declaração do Pastor Manoel Olympio de Holanda Cavalcanti, em 1974, em
Ilheitas, na presença do Pastor David Mein e de d. Gemima Xavier de Brito.
92
Regressou aos Estados Unidos em julho de 1940 e, nesse
semestre, ingressou no Southern Theological Seminary, em
Louisville, onde fez o Mestrado em Teologia, concluído em
maio de 1943. Desejando aprimorar-se, ingressou no Doutorado
em Teologia (Th. D.), onde recebeu o grau com a
tese The Contribuitions of Baptists to the Life of Brazil (As contribuições
dos Batistas para a Vida do Brasil), em 3 de Maio
de 1944. Depois de concluído o Mestrado em Teologia,
apresentou-se à Junta de Richmond, sendo nomeado, em
outubro de 1944, missionário para o campo brasileiro169.
O casamento e a vinda para o Brasil.
David Mein casou com Lou Demie Segers em 24 de
abril de 1943. O casal embarcou para o Brasil em 11 de
maio do mesmo ano. Ele desejava ensinar no STBNB, mas
seu pai, que era o diretor, tinha um princípio, segundo o
qual todo missionário, antes de ensinar, necessitava adquirir
experiência de evangelização no campo. Assim, nem ao
próprio filho do diretor foi aberta exceção, que foi trabalhar
no campo sergipano, onde servira voluntariamente alguns
anos antes.
Trabalhou David Mein no campo sergipano por três
anos (1945-1948), residindo em Aracaju, Pastoreando a PIB
de Aracaju, assistindo as às igrejas de Própria e Maruim, no
interior do Estado. E quando, nessa época, foi organizada a
Convenção Batista Sergipana, a nomeação do cargo de Secretário
Executivo recaiu sobre ele. Na época a consciência
da necessidade do preparo intelectual e teológico fez com
que ele incentivasse vários obreiros a virem ao Seminário
168 CASTRO, Jilton Moraes de. opus cit, p. 53-54.
169 CASTRO, Jilton Moraes de. opus cit, p. 53-54.
93
para preparar-se, como o Pastor João Camilo dos Santos170,
que depois se dedicou ao trabalho no Sertão de Pernambuco.
Em Aracaju, David Mein fundou um ambulatório, que
durante muito tempo serviu à população local.
O casal David Mein, já residindo no Recife, foi agraciado
por Deus com três filhos: John Edwin (casado com Lucia
Aragão), Margareth Ruth (casada com David James) e Mildred
Elizabeth (casada com John James), que lhe deram três
netos: Jessica, James e Tom.
O magistério teológico.
David Mein recebeu, em 17 de dezembro de 1948, o
convite da Junta Administrativa, por voto unânime, para
ensinar no STBNB, passando a ministrar aulas de Missões,
área de sua especialidade, História da Igreja Cristã, Historia
dos Batistas e Administração Eclesiástica e, mais tarde, Teologia
Contemporânea, Teologia Sistema, Novo Testamento,
Homilética, Psicologia Pastoral, Evangelismo, Introdução
Bíblica e Religiões Comparadas.
Há uma atividade peculiar que merece destaque, a sua
participação como regente do Coral (conjunto) dos alunos
do STBNB e do SEC, nos seus primeiros anos no Recife,
quando também ensinou ele no SEC.
170 Pastor João Camilo dos Santos, originário de Piaçabuçu (AL), trabalhou como
evangelista em Penedo (AL) e Neopolis (SE), na margens do Rio São Francisco,
no final na década de quarenta. Estimulado pelo Pastor David Mein veio estudar
no STBNB, trabalhando na Congregação da IB da Torre, em São Lourenço da
Mata, depois no Agreste (Arcoverde, Belo Jardim, São Caetano, São Bento do
Una, Pesqueira) e no Sertão de Pernambuco (Cabrobó, Carreiro de Pedra, Bananeiras,
Salgueiro, Parnamirim, Exu, Belém do São Francisco, Floresta, Orocó
e Vermelhos). Além de Pernambuco, alcançou cidades do Sertão da Bahia (Pedra
Branca, Ibó, Chorrochó, Riacho do Mato, Paulo Afonso e Juazeiro). Informações
de Eliam Santos Guimarães e Keila Santos Guimarães, filha e neta de João Camilo
dos Santos (esposa e filha do Pastor Daniel Rocha Guimarães), em abril de 2005.
94
O casal David Mein se transferiu de Aracaju para o Recife,
onde passou a servir, além do STBNB, a Primeira Igreja
Evangélica Batista da Torre, Pastoreada por Antonio Marques
Lisboa Dorta, ocasião em o casal passou a dirigir a Escola
Bíblica Dominical nessa Igreja. Lá dedicou-se por três
anos ao magistério da Bíblia, ensinando na EBD, até que, em
1951, recebeu o convite para Pastorear a IBCOR, que acabara
de perder o Pastor Sebastião Tiago Correia de Araújo.
A direção do Seminário.
David Mein serviu como diretor interino do STBNB,
em 1949, na ausência de John Mein. Em dezembro, foi eleito
para a direção do STBNB, sendo empossado em 31 de
dezembro de 1952, cargo que exerceu com dedicação extrema
até outubro de 1984. Três quartos das instalações físicas
do STBNB foram edificadas na sua administração. O
número de alunos matriculados aumentou de 41, em 1954,
para 810, em 1984 e o número de professores de 7 para 62.
O progresso da instituição, em todas as áreas, foi notável, a
ponto dele dizer Jilton Moraes: “A Casa dos Profetas, na Rua
do Padre Inglês, no Recife, tem dois tempos: antes e depois de David
Mein. Seus 32 anos de reitorado não apenas marcaram história,
mas fizeram uma nova historia171”.
O Pastorado.
David Mein assumiu o Pastorado da IBCOR, em caráter
interino, em 1951. Dois anos depois (1953), aceitou o Pastorado
efetivo da Igreja. Ao longo de trinta anos, David Mein
Pastoreou o rebanho do Senhor que atende pelo nome de
Igreja Batista do Cordeiro (IBCOR). Na última década do
seu Pastorado, que teve como seu companheiro de jornada
o Pastor James Frederick Spann, servindo como Ministro de
171 CASTRO, Jilton Moraes de. opus cit, p. 12
95
Música (1968 – 1982) e como Pastor interino deste rebanho,
David Mein resolveu pedir exoneração do Pastorado para
plantar a última Igreja em Pernambuco, antes da sua aposentadoria.
O Pastor David Mein exerceu, durante grande parte
da sua vida, simultaneamente, o Pastorado da Igreja Batista
de Viração, na zona rural de Bonito. Para lá se dirigia mensalmente
com a esposa e cuidava de seu segundo rebanho.
Na localidade, em 1973, a IBCOR realizou um acampamento
(retiro espiritual) no período de carnaval.
As homenagens recebidas.
O Pastor David Mein, ao longo de sua vida, mas especialmente
nos últimos anos no Brasil, recebeu homenagens
do meio Batista e fora dele. A Câmara Municipal do Recife
agraciou-o com o título de Cidadão Honorário da Cidade
do Recife, honraria entregue em 25 de abril de 1974,
na presença de Pastores, de membros das Igrejas Batistas,
de missionários, do cônsul americano e de pessoas do seu
relacionamento172. A IBCOR outorgou o titulo de Pastor
Emérito na ocasião da sua despedida do Pastorado (1981),
fato registrado no Jornal Batista173. O STBNB, por sua Junta
Administrativa, em 1984, outorgou os títulos de Professor
Emérito e Reitor Emérito, com entrega do diploma, hoje
afixado na Sala David Mein, que abriga sua Biblioteca e Memorial174.
A Junta de Richmond, em 1985, outorgou o titulo
de Missionário Emérito dos Batistas do Sul dos Estados
Unidos175. Finalmente, a Assembléia da Convenção Batista
172IBCOR. Boletim de 27 de Abril de 1974.
173IBCOR. Ata 101 da Sessão de 14 de fevereiro de 1982 e O Jornal Batista de 10
de Janeiro de 1983, p.6.
174CASTRO, Jilton Moraes de. David Mein jamais será esquecido. O Jornal Batista
de 29 de outubro de 1995, p.12 .
175CASTRO, Jilton Moraes de. David Mein jamais será esquecido. O Jornal Batista
de 29 de outubro de 1995, p.12 .
96
Brasileira, em 1994, outorgou-lhe o titulo de Presidente de
Honra da CBB 176.
David Mein partiu para o encontro com o Senhor em
18 de setembro de 1995, na Cidade de Valdosta, na Geórgia
(USA). Sua fiel companheira, Lou Demie, havia partido
antes dele.
176CASTRO, Jilton Moraes de. David Mein jamais será esquecido. O Jornal Batista
de 29 de outubro de 1995, p.12 .
97
Capitulo VII
O Pastorado Amauri Munguba Cardoso
O Pastor Amauri Munguba Cardoso serviu no Pastorado
da IBCOR no período de 15 de novembro de 1981,
quando foi empossado, até 1º de fevereiro de 1987177, quando
pediu exoneração. Na IBCOR, direcionou o seu Ministério
para as áreas de aconselhamento familiar, particularmente
à formação de grupos de casais. Ele estimulou a melhoria
do relacionamento entre as famílias e entre os membros
da IBCOR, com promoção de atividades recreativas no
Acampamento da Igreja, situado na zona rural do município
de São Lourenço da Mata.
Amauri Cardoso deu ênfase à missão da Igreja de proclamadora
da mensagem do Evangelho de Cristo, promovendo
cultos evangelísticos e cuidando das congregações que a
IBCOR já tinha e levando-a a organizar outros. Convidou
Roberto Amorim de Menezes para trabalhar como Ministro
de Evangelismo e Ação Social. Durante seu ministério
(1982), a Congregação em São Bento do Una foi organizada
em Igreja.
Amauri Cardoso assumiu o Pastorado, tendo como auxiliares
a Professora Maria Betânia Araújo, na área de Educação
Religiosa, e Nilson Galvão, na área de Música. Deixando a
Professora Maria Betania este ministério178, o Pastor Amauri
Cardoso convidou, para substituí-la, a professora Evanivalda
Vieira dos Santos, que fez excelente trabalho no Ministério
de Educação Religiosa da IBCOR durante o seu Pastorado.
177 IBCOR. Boletim Dominical, de 25 de janeiro de 1987.
178 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 26 de julho de 1981.
98
No Ministério de Música, o Pastor Amauri Cardoso teve,
de início, a colaboração de Nilson Galvão Santos. Com
sua saída, a IB do Farol, em Maceió (AL), convidou Carlos
Elmir Rocha Cavalcanti para Ministro de Música da IBCOR.
Ele desenvolveu um bom trabalho, cabendo destaque
para as atividades com os jovens e adolescentes, sem
descurar, todavia do Coro da Igreja, composto na sua maioria
por adultos.
A Igreja Batista em São Bento do Una.
A Congregação em São Bento do Una, iniciada no Pastorado
David Mein, com apoio da família do Diácono Afrânio
Valença, sob a responsabilidade de Seminaristas da Igreja
e, mais tarde, (1976) dos Seminaristas Flávio Marconi,
Natan Almeida e Maria Idalina Calado, além de alguns Diáconos,
teve o seu Templo inaugurado em 28 de setembro
de 1980179. O crescimento da Congregação levou a sua organização
em Igreja em 17 de abril de 1982, com o nome de
Igreja Batista do Centenário em São Bento do Una180, em
face do Centenário do Trabalho Batista em Salvador.
A consagração de Pastores.
A IBCOR, durante o Pastorado de Amauri Munguba
Cardoso, consagrou ao Ministério Pastoral os seguintes
obreiros: (1) Valdir Soares da Silva181 (1982), para servir à
IB de Boa Vista, Roraima; (2) Roberto Amorim de Menezes
(1983), para servir como Ministro de Evangelismo; (3)
Paulo Donizeti Siepierski, consagrado em 1 de dezembro de
1986, para servir na IBCOR182, na área de Aconselhamento.
179 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 21 de outubro de 1980.
180 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 4 de abril de 1982.
181 IBCOR. Ata de 14 de agosto de 1982.
182 IBCOR. Ata 1055, de 16 de novembro de 1986.
99
Culto memorial pela vida de Manoel Olimpio
de Holanda Cavalcanti.
A IBCOR realizou, em 17 de dezembro de 1981, no seu
Templo, o culto memorial pela vida do veterano obreiro
Manoel Olimpio de Holanda Cavalcanti, na ocasião do seu
sepultamento, dirigido pelos Pastores David Mein e Amauri
Munguba Cardoso. O Pastor Nino era, na época, membro
da nossa Igreja, tendo falecido em 16 de dezembro de 1981,
aos 103 anos de idade, em pleno gozo de suas faculdades,
depois de setenta e cinco (75) anos de Ministério. O Pastor
Nino, como era conhecido, foi consagrado em 20 de dezembro
de 1905, em Concílio realizado na PIB do Recife,
em 20 de dezembro de 1905, juntamente com Eloy Correia
de Oliveira. O Pastor Nino, durante sua vida ministerial,
Pastoreou as Igrejas Batistas de Ilheitas, de Cachoeira, de
Vermelhos (hoje IB Ladeira Grande), de Limoeiro, entre
outras.
Consagrado ao Ministério em 1905, retornou ao Seminário
para completar sua educação teológica. Pastoreou a
Igreja de Ilheitas até sua extinção, em 1976, quando o seu
terreno foi desapropriado para construção da Barragem de
Tapacurá. O Pastor Manoel Olympio de Hollanda Cavalcanti
teve o ministério de maior duração em uma mesma
igreja no Estado de Pernambuco e talvez no país: setenta e
cinco anos. Teve a fé provada nas perseguições sofridas em
Cachoeira e Ilheitas, próximo de Limoeiro, no início do Século
XX, quando foi ferido numa ocasião. O Pastor Nino faleceu
em 1981, com cento e seis anos de idade e, por muitos
anos, fora o Pastor Batista mais idoso em atividade.
Culto memorial do centenário Batista.
A IBCOR, em 3 de outubro de 1982, realizou o Culto
Comemorativo do Centenário do Trabalho Batista no Bra100
sil (visão a partir da fundação da PIB Bahia). Na oportunidade,
a IBCOR teve como pregador o Pastor Dr. David
Mein, missionário e filho de missionários. No Culto, houve
a apresentação de fatos relacionados com a memória do
Centenário da História dos Batistas no Brasil, elaborada pelo
Diácono Isaque Aragão, Professor do STBNB183.
O centenário Batista no Brasil.
A Assembléia da Convenção Batista Brasileira, comemorativa
do Centenário do trabalho Batista no Brasil, foi
realizada em Salvador (BA), no período de 11 a 16 de outubro
de 1982184, local de organização da PIB da Bahia, em
1882. A IBCOR esteve representada nessa assembléia por
quinze mensageiros185. O convite ao Pastor David Mein para
ser o orador dessa Assembléia do Centenário da Convenção
Batista Brasileira (CBB) foi uma forma de homenagem
à Junta de Richmond e aos seus missionários, na pessoa daquele
ilustre filho de missionários e ele próprio missionário
por mais de trinta e cinco anos no Brasil.
As viagens evangelisticas dos corais da Igreja.
O Ministro de Música da IBCOR, Carlos Elmir Rocha
Cavalcanti, idealizou uma nova forma de evangelizar, através
de concertos e apresentação de músicas coral. Com essa
finalidade, ele planejou e a Igreja autorizou a realização
de duas excursões evangelisticas corais da IBCOR, cantando
em igrejas e procurando divulgar a mensagem do Evangelho
de Cristo.
183 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 3 de outubro de 1982.
184IBCOR. O Batista Cordeirense, de 3 de outubro de 1982.
185IBCOR. O Batista Cordeirense, de 3 de outubro de 1982.
101
A primeira viagem ocorreu no período de 10 a 31 de Janeiro
de 1986186, quando o Coral Jovem da IBCOR cantou
em Igrejas Batistas em diversas cidades. Em Maceió, no
Colégio Batista e IB Farol (AL); na PIB Aracaju (SE); em
Vitória do Espírito Santo (ES); no Rio de Janeiro (RJ); em
Belo Horizonte (MG) e em Salvador (BA).
A segunda ocorreu no ano de 1987, quando componentes
dos Coros Jovem e de Adultos fez uma viagem de evangelização
e despertamento espiritual, cantando nas igrejas
Batistas de Maceió (AL), Aracaju (SE), Vitória da Conquista
(BA), Juiz de Fora (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo
(SP), Paranaguá (PR), Foz do Iguaçu (PR), Vitória (ES) e
Ilhéus (BA).
Dados biograficos.
Amauri Munguba Cardoso nasceu em Campos Belos
(GO), em 10 de dezembro de 1954, filho de Amazonilze
Munguba e Francisco Antonio Cardoso, o quarto filho do casal
e neto materno de Amazonila e José Munguba Sobrinho.
Amauri seguiu os passos do avô materno, ingressando
no STBNB em 1975, recebendo o grau de Bacharel em Teologia
em 1978. Foi consagrado ao Ministério para servir
na Igreja Batista do Engenho do Meio, servindo depois na
Igreja da Capunga como auxiliar do Pastor Manfred Grellert.
Convidado para a IB Cordeiro como auxiliar do Pastor
David Mein, aqui o sucedeu, interinamente e depois em
caráter efetivo. Casado com Layla Soares Cardoso, o casal
tem duas filhas Thais e Alice.
O Pastor Amauri Cardoso Pastoreou esta Igreja até
1987, quando atendeu ao chamado de Deus para servir na
Igreja Batista de Santo Amaro (SP). Posteriormente, passou
186 IBCOR. Boletim Especial da apresentação do Coral Jovem da IBCOR de 10 de
Janeiro de 1986 e Ata 1050, de 6 de março de 1986.
102
a servir no Ministério da IB da Graça, Pastoreada pelo Pastor
Tarsis Lemos, em Salvador (BA), como Pastor Adjunto,
com ênfase na área de aconselhamento familiar. O Pastor
Amauri Cardoso é também psicólogo clinico e tem trabalhado
na área de aconselhamento familiar.
103
Capitulo VIII
O Pastorado Roberto Amorim Menezes
O Pastorado de Roberto Amorim de Menezes na Igreja
Batista do Cordeiro se estendeu, em caráter interino, de 1º de
fevereiro de 1987 a 6 de março de 1988187, quando então foi
eleito, empossado como seu Pastor efetivo e, desta data até 23
de maio de 1999, em caráter efetivo. O Pastor Roberto Menezes
pediu exoneração do Pastorado para servir, com a esposa,
na Igreja Batista do Farol em Maceió (AL). O ministério
de Roberto Amorim de Menezes na IBCOR foi marcado pela
ênfase na pregação do Evangelho na sede e nas congregações
da IBCOR no bairro do Timbi, em Camaragibe (PE) e no
Caiara, no bairro da Iputinga, no Recife (PE).
O Pastor Roberto Amorim de Menezes deu ênfase à formação
doutrinaria da igreja, com retorno desta à participação
nas atividades de denominação, a nível nacional e estadual. O
seu Pastorado também foi caracterizado pela visão para o trabalho
no âmbito das famílias da igrejas, com a continuidade
do trabalho iniciado por seu antecessor. A igreja retornou às
atividades e ao trabalho social inclusive visando à comunidade
situada na sua vizinhança e no Caiara, onde foi instalado um
projeto de ação social. Algumas atividades realizadas pela IBCOR
durante o seu Ministério merecem destaque.
A Igreja Evangélica Batista no Timbi.
A Congregação da IBCOR no Timbi foi iniciada no Pastorado
de Amauri Munguba Cardoso, em 1986, por iniciativa
de membros da IBCOR, liderados pelo Diácono Abzair
187 IBCOR. Boletim de 06 de março de 1988.
104
Bernardes da Silva e seus familiares. Eles tomaram para si
a responsabilidade da maior parte do trabalho e, mais tarde,
passaram a sustentá-lo, como também a irmã Rosa Mendes
Primo e familiares, que cederam um imóvel, onde a Congregação
funcionou durante muitos anos, e contribuíram
financeiramente. A congregação se desenvolveu e, em de
março de 1993, a IBCOR autorizou a aquisição de imóvel
para sua sede188. Adquirido um lote de terreno pela Igreja
e um segundo pela Congregação, com o apoio financeiro e
técnico da Igreja, foi construído o Templo, ocasião em que
a IBCOR examinou a viabilidade da congregação se tornar
Igreja189. A organização, com o nome de Igreja Evangélica
Batista do Timbi, ocorreu às 20:00 horas de 7 de março de
1998, ocasião em que o Pastor José Deusarte de Souza foi
eleito para dirigi-la190.
A congregação do caiara e sua sede.
A primeira visão da IBCOR, com relação ao Caiara, foi
ali estabelecer um projeto de assistência social para aténder
à comunidade carente local. Essa visão existia desde o Pastorado
David Mein, quando se adquiriu um terreno com essa
finalidade, mas se verificou não aténdia às necessidades.
No Pastorado Amauri Munguba Cardoso, sob a direção do
então Ministro de Evangelização e Ação Social, Roberto
Amorim de Menezes, a IBCOR planejou instalar ali uma
unidade de prestação de serviços médicos, odontológicos e
de cursos profissionalizantes, como corte & costura e marcenaria,
em convênio com a Visão Mundial. A IBCOR decidiu,
em 1987, adquirir o imóvel 428 da Rua Santa Lúcia,
para servir como sede do Projeto Social191. As máquinas de
188 IBCOR. Ata 1131, de 14 de março de 1993.
189 IBCOR. Ata 1190, de 15 de junho de 1997.
190 IBCOR. Ata 1200, de 1º de fevereiro de 1998.
191 IBCOR. Ata 1062, de 7 de junho de 1987.
105
costura foram adquiridas, os primeiros cursos ministrados
e instalados os ambulatórios médico e odontológico, tendo
este último funcionado durante dez anos.
A chegada do Pastor Salomão Bernardes, para trabalhar
na área Evangelização e Ação Social, levou a IBCOR ter
uma outra visão do trabalho no local, não mais apenas de
ação social, mas da implantação de uma congregação para
pregar o Evangelho e atender aos moradores da localidade.
Paulatinamente, o trabalho de evangelismo se sobrepôs ao
social, tendo a Congregação crescido, de modo a que seus
integrantes pensaram em se tornar Igreja. Hoje, o número
de membros da Igreja que se congrega no local se aproxima
de uma centena. Eles já manifestaram o desejo de, em breve,
se organizar em Igreja.
O imóvel para acampamento.
A IBCOR sempre esteve envolvida, de forma coletiva,
em atividades de recreação e de confratérnização. O sonho
de um acampamento em praia evoluiu para o projeto de um
acampamento em zona rural. No Pastorado David Mein, a
IBCOR adquiriu o Sítio em São Lourenço da Mata, onde
edificou o seu acampamento. Depois de alguns anos, revelou-
se ele inadequado, em função do acesso ter-se tornado
difícil, especialmente nos meses de chuva. Em 1995, a IBCOR
foi despertada para a necessidade de outro espaço para
lazer e confraternização dos seus membros. Com essa finalidade,
adquiriu uma propriedade rural no Sítio Mumbecas,
próximo do Sítio do Pica-pau Amarelo, onde estão sendo
concluídas as instalações e que já serviu para momentos de
lazer e de treinamento da IBCOR192.
192 IBCOR. Ata 1163, de 29 de janeiro de 1995.
106
A consagração de Diáconos.
A IBCOR, durante o Pastorado Roberto Menezes, promoveu
a consagração de integrantes do Ministério Diaconal:
(1) em 21 de agosto elegeu e em 17 de setembro de 1988
consagrou, para servir neste Ministério, Ana Felix da Hora,
Cyneire Gomes Dantas, Davi Rodrigues da Silva, Edna
Leão de Castro, Francisco Pereira da Silva, João Gentil
Albuquerque, José Genes Sales Cavalcanti, Josélice Cortizo
e Reginaldo Freire Batista193; (2) em 31 de dezembro de
1996, consagrou, para o mesmo serviço, Claudia Nogueira
de Oliveira Menezes, Eliezer de Holanda Cavalcanti, Fernando
Flores de Barros Junior, José Carlos Rodrigues de
Almeida e Severino Porfírio de Souza.
O Pastor Roberto Amorim de Menezes, durante o seu
Pastorado, contou com bons auxiliares no seu Ministério.
Na área de Música, de início, teve como Ministro, Nilson
Galvão Santos, que já servia nessa área do Ministério e permaneceu
até dezembro de 1985; Carlos Elmir Rocha Cavalcanti194
(março de 1986 a dezembro de 1998); e Francisco
José Almeida Alves Filho (de abril de 1999 até sua despedida).
Na área de Educação Religiosa, o Pastor Roberto
Menezes contou com o concurso de Enivalda Vieira Santos
Rezende, que servia desde o Pastorado anterior; Maria Bernadete
da Silva, que teve uma fugaz passagem pela Igreja e
Cláudia Nogueira de Oliveira Menezes.
O Ministério do Pastor Roberto Menezes ainda teve a
colaboração de dois alunos do STBNB, que mais tarde foram
consagrados ao Ministério da Palavra e se tornaram Ministros
da Igreja: Salomão Bernardes (Evangelismo e Ação
Social) e Sandrino de Siqueira Sales (Juventude e Adolescência).
193 IBCOR. Atas 1078, de 21 de agosto de 1988 e 1079, de 17 de setembro 1988.
194 IBCOR Ata 105, de 6 de março de 1986
107
O colégio e o seminário Batista.
O Pastor Roberto Menezes, no início do seu Ministério
na IBCOR, exercia a Capelania do Colégio Americano Batista,
que exerceu até o início de 1988, quando se disvinculou
dessa atividade. Dedicou-se ao ensino ministerial, servindo
no Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil,
que fez desde o final do seu curso, destacando os dois períodos
de maior atividade naquela instituição (1985 a1992 e
1995 de1999).
Dados biográficos.
Roberto Amorim de Menezes nasceu na maternidade do
Hospital São João da Escócia, no Barro, no Recife, em 13 de
julho de 1962, filho de Alfredo Ferreira de Menezes e Ezinete
Amorim de Menezes. Vindo precocemente ao STBNB,
foi aluno laureado, tendo exercido o magistério naquela
Casa de Profetas. Casado em 1986 com Claudia Nogueira
de Oliveira Menezes, o casal tem três filhos: Laila, Íris e
Caio. Em março de 1986, foi consagrado ao Ministério da
Palavra para servir, na Igreja Batista do Cordeiro, na área
de Evangelismo e Assistência Social. Em 1990, assumiu o
Pastorado efetivo da Igreja Batista do Cordeiro. O Pastor
Roberto Menezes e sua esposa serviram a Igreja do Cordeiro
até 1999, quando atenderam ao chamado para servir na
Igreja Batista do Farol, em Maceió (AL), onde ainda servem
ao Senhor.
108
Capitulo IX
O Pastorado Flávio Germano
de Sena Teixeira
O ministério do Pastor Flávio Germano na Igreja Batista
do Cordeiro teve início em 1996, quando, convidado
pelo Pastor Roberto Amorim de Menezes para servir como
Pastor adjunto, foi empossado em 8 de março de 1996. Em
decorrência da exoneração do Pastor Roberto Menezes, que
se transferiu para Maceió (AL), para servir na Igreja Batista
do Farol, assumiu, interinamente o Pastorado titular da
Igreja Batista do Cordeiro.
Eleito Flávio Germano, em votação unânime, para servir
como Pastor Titular, foi empossado em 30 de outubro
de 1999, em solene culto ao Deus Criador e a seu filho Jesus
Cristo, com as presenças do Reitor do STBNB, Pastor
Zaqueu Moreira de Oliveira; do Presidente da CBPE, do
Diácono Lincoln Pereira de Araújo; da OPBPE, do Pastor
Pedro Luiz Serafim; da Diretora Geral do SEC, Professora
Iracy Araújo Leite; e da Missão Batista Norte do Brasil,
missionário Jeff Deasy, tendo como pregador o Pastor Roberto
Amorim de Menezes. O culto foi abrilhantado pelas
músicas congregacionais: “Firme nas Promessas” (Coral e
Orquestra IBCOR), “Canto da Colheita” (Coral e Congregação)
e “Que a Luz de Cristo Brilhe” (Coral da IBCOR)
sob a direçao do ministro de Música Francisco José Almeida
Alves). Ao final, houve o ato formal de posse, dirigido
pelo Vice-Presidente, Diácono Isaac Pessoa, quando lhe foi
entregue uma placa pelo Diácono Francisco Pereira, registrando
o evento.195
195 IBCOR. Programa do Culto Solene de Posse do Pastor Flavio Germano Sena
Teixeira, em 30 de outubro de 1999.
109
O Pastor Flávio Germano desenvolveu um eficiente
trabalho ministerial na Igreja Batista do Cordeiro. Escolheu,
como seus ministros auxiliares, os Pastores Sandrino
Siqueira (Juventude) e Salomão Bernardes (Evangelismo e
Ação Social), Francisco José Alves de Almeida (Música) e
Maria Augusta Torres (Educação Cristã). Em um segundo
momento, com a saída de Francisco José, convidou a Professora
Márcia Alves Rangel para servir como Ministra de
Música interinamente. Ela serviu a Igreja por um ano, ocasião
em que resgatou o canto congregacional e reorganizou
os coros infantil, de adolescentes e de homens, de modo
que, ao concluir a sua interinidade, em dezembro de 2003,
a Igreja do Cordeiro ouviu as apresentações do Coro Infantil,
regido por Priscila Oliveira, o Coro de Adolescentes e
Jovens, dirigido por Keila Guimarães, o Coro Masculino,
dirigido por Márcia Rangel, o Coro Florescer (feminino),
dirigido por Márcia Rangel e o Coro IBCOR (coro principal),
dirigido por Márcia Rangel, cada um deles fazendo a
apresentação de uma peça especial no período natalino.
Escolhidos novos Ministros de Música da Igreja e de
Educação Cristã, foram empossados no culto de Ano Novo,
nos primeiros momentos do dia 1 de Janeiro de 2004: Alcingstone
de Oliveira Cunha, Ministro de Música, Professor do
Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil e diretor do
Curso de Música do STBNB; e Maria Alves Rangel, Ministra
de Música Adjunta, Professora da Universidade Federal
de Pernambuco; e Maria Augusta Torres, Ministra de Educação
Cristã (esta servira em 2003 e pediu exoneração para
cuidar da saúde de pessoa da família e, retornando ao Cordeiro,
foi convidada e reassumiu o ministério da Igreja).
O Pastor Flávio Germano de Sena Teixeira, no último
dia 11 de abril de 2004 surpreendeu a todos, declarando que,
após profunda reflexão, tomara a decisão de deixar o Pastorado
da Igreja Batista do Cordeiro, encaminhando a Assem110
bléia para a escolha de um Pastor interino para cuidar da
Igreja e auxiliar na escolha do obreiro definitivo. E, no dia
27 de Junho de 2004, exonerou-se do Pastorado, no mesmo
Culto e Assembléia em que foi empossado, interinamente,
como novo Pastor da Igreja, Miquéias da Paz Barreto.
A consagração de Pastores.
A IBCOR, durante o Pastorado Flavio Germano, consagrou
ao Ministério Pastoral os seguintes obreiros: (1) Sandrino
de Siqueira Sales196 e (2) Salomão Bernardes da Silva197,
ambos em 2000, para servir à IBCOR nos Ministérios da
Juventude e de Evangelismo e Ação Social; (3) Paulo Santos
Filho (2002), para servir na Congregação do Caiara; (4) Andre
Henrique Ferreira Santos (2003), para servir na IEB da
VARZEA, dirigindo a Congregação Batista de Orobó (PE).
A infraestrutura do acampamento.
O espaço adquirido para utilização como Centro de Lazer
e Convivência da IBCOR no Pastorado Roberto Menezes
começou, durante o Pastorado Flavio Germano, a ser
aparelhado para cumprir a sua finalidade. Murado e cercado,
recebeu as primeiras construções – o galpão, os banheiros
e as piscinas. Está também recebendo outras benfeitorias
que já permitem sua utilização em atividades de curta
duração. Tem sido amplamente utilizado por grupos como
jovens e terceira idade.
Dados biograficos.
Flávio Germano de Sena Teixeira nasceu na cidade de
Gravatá, em 19 de julho de 1965, filho de José Nicolau e
Berenice Pereira de Sena. Convertido aos catorze anos, foi
196 IBCOR. Boletim de 22 de abril de 2000.
197 IBCOR. Boletim de 22 de abril de 2000.
111
batizado em 13 de abril de 1980 e, em 30 de maio desse mesmo
ano, sentiu a chamada para o Ministério da Palavra, ingressando
no STBNB em 1983 e concluindo o Bacharelado
em Teologia, com distinção (suma cum laude). Consagrado
ao Ministério em 27 de outubro de 1984, com 19 anos, para
servir à sua Igreja-mãe (Igreja Batista Betania, em Gravatá),
transferiu-se depois à Igreja Batista em Vitória de Santo Antão,
como auxiliar do Pastor Livingstone de Oliveira Cunha.
Serviu no Pastorado da Igreja Batista de Palmeira dos Índios
(AL) e na Segunda Igreja Batista de Areias (Recife), antes de
servir nesta comunidade. O Pastor Flavio Germano serviu
como professor do Seminário Teológico Batista do Norte
do Brasil, no período de 1987 a 2001, como professor de
disciplinas da área bíblica e eclesiológica. Também serviu
como professor do Seminário de Educação Cristã (SEC).
Casado com a pedagoga Edla de Sena Teixeira, tem dois
filhos Juliana e Flávio Junior, Bacharel e Mestre em Direito
pela Universidade Federal de Pernambuco e Auditor do
Tribunal de Contas do Estado. É também Professor da Associação
de Ensino Superior de Olinda (Olinda).
112
Capitulo X
O Pastorado Miqueas da Paz Barreto
O Pastor Miquéias da Paz Barreto, Pastor efetivo da
Igreja Batista da Concórdia desde 1980, assumiu interinamente,
em 27 de junho de 2004, o Pastorado da Igreja Batista
do Cordeiro, para ajudá-la a caminhar até que o Senhor
da Seara indique aquele que será o seu novo obreiro.
O processo sucessório.
A IBCOR, após a exoneração do Pastor Flavio Germano
e a posse do Pastor Miqueas Barreto, elegeu uma Comissão
de Sucessão Pastoral para conduzir o processo e propor solução
à Igreja. No momento em que estão sendo escritas estas
linhas, houve a sugestão e a triagem desses nomes. A próxima
etapa será a análise de cada nome, pela ordem das indicações.
Havendo aceitação pelo obreiro da inclusão do seu nome no
processo, será examinado e submetido à Igreja.
A comemoração do 99º. aniversario.
A IBCOR, em setembro de 2004, elegeu a Comissão
Coordenadora do seu Centenário para planejar os eventos
comemorativos tanto do 99º Aniversário como do Centenário
com uma bela programação, constante de conferências
evangelísticas e doutrinarias, ministradas pelo Pastor Tercio
Ribeiro de Souza, incluindo cultos cantados, com participação
dos coros infantil, de adolescentes e jovens, masculino,
Florescer (feminino), além do Coral IBCOR.
113
O projeto de construção do Templo
do terceiro milênio.
Neste ano do Centenário, a IBCOR decidiu ampliar as
instalações físicas do Templo, aumentando sua capacidade.
Neste sentido, foi contratado o escritório de arquitetura de
Wamberto Gouveia para apresentar de projetos que atendam
suas necessidades, presentes e do futuro, estando as opções
sendo analisadas pela IBCOR para decisão em breve.
No momento em que escrevemos este texto, as opções apresentadas
pelo arquiteto estão sendo discutidas pela Igreja.
A programação do Centenário.
A IBCOR, em 22 de maio de 2005, aprovou a programação
comemorativa do Centenário, incluindo a elaboração da
logomarca do Centenário e da homepage da Igreja; a promoção
do Encontro de Corais Masculinos; a promoção de
Clínica de Relacionamento Famíliar, com o Pastor Amauri
Munguba Cardoso; a restauração da Galeria dos Pastores e
Ex-Pastores da IBCOR, incluindo as fotografias dos que faltam
(Antonio Marques, José Pedro, Robert Pettigrew, Flavio
Germano e Miquéas Barreto); a realização de cultos de
Vigília e de cultos cantados; a edição de uma Bíblia Comemorativa
do Centenário, personalizada com logotipo, fotografia
e histórico da Igreja; a edição de um Álbum Músical
(CD), com músicas cantadas pelos Coros da Igreja; a edição
de um livro narrando a História dos Cem Anos da IBCOR;
a realização de conferências evangelísticas e doutrinárias, no
período de 6 a 15 de novembro de 2005, com os Pastores
Tércio Ribeiro de Souza (PIB Maceió); Sandrino Siqueira
(ex-Ministro da Juventude), Roberto Amorim de Menezes
(ex-Pastor da Igreja), Amauri Munguba Cardoso (ex-Pastor
da Igreja), Flavio Germano de Sena Teixeira (ex-Pastor da
Igreja), Salomão Bernardes (Ministro de Evangelismo), Miqueas
da Paz Barreto (Pastor titular interino); homenagens
114
ao Pastor titular e aos ex-Pastores, titulares e interinos, ao
ministro de Música e aos ex-ministros (diretores) de música
da Igreja, ao ministro de educação religiosa e aos ex-ministros
(diretores) de música da Igreja e, finalmente, ao ministro
de evangelismo e ação social e ao ex-ministro da juventude
da Igreja. Além destas atividades, foram lançados alvos
desafiadores para os vários Ministérios da IBCOR. Será
realizada exposição de documentos e fotografias e simpósio
sobre História dos Batistas e História da IBCOR.
Dados biograficos. Miqueas da Paz Barreto.
Nasceu em Moreno (PE), filho de Maria da Paz e de
Genaro de França Barreto. Viúvo de Lúcia, com quem teve
dois filhos – Miqueas Filho e Lucio –, casou em segundas
núpcias com Dione Barreto, médica. O casal tem os filhos
Keren Hapuche, Melquisedec, Felipe e Graça, alguns já casados,
que já deixaram o ninho dos pais. Eles continuam arranjando
os filhos do coração, educando-os e encaminhando-
os na vida. Miquéias da Paz Barreto é sobrinho-neto do
Pastor Manuel Corinto Ferreira da Paz.
O Pastor Miquéias da Paz Barreto converteu-se na Primeira
Igreja Batista de Bento Ribeiro (RJ), pela instrumentalidade
do Pastor José Lins de Albuquerque. Atendendo
à chamada para o Ministério, ingressou no Seminário Teológico
Batista do Norte do Brasil, concluindo o curso em
1968. Exerceu o seu Ministério nas Igrejas Batistas de Palmeira
dos Índios (AL), de Cachoeiro do Itapemirim (ES),
Arapiraca (AL) e mais duas dezenas de Agências do Reino de
Deus, nos Estados de Pernambuco e de Alagoas e na África.
Obreiro dedicado ao Evangelismo e Missões, tem sido
orador habitual de conferências em igrejas nos vinte e sete
Estados da Federação. Serviu, durante alguns anos, como
missionário na África. É participante ativo da obra denominacional,
servindo em vários setores da Convenção Batista
115
Brasileira (CBB) e na Convenção Batista de Pernambuco
(CBPE), nas quais ocupa, entre outras funções, uma Vice-
Presidência.
O Pastor Miquéias da Paz Barreto é um herói da fé. As
experiências e provações por que tem passado, inclusive na
sua vida física, quando uma moléstia grave o atinge no fígado.
Nessa ocasião, passou a depender exclusivamente da providência
divina e a Ela se entregou. Hoje, transplantado, renovado
na carne, continua trabalhando na Seara do Senhor, servindo
ao seu semelhante. Homem de grande visão e de maior
coração, criou os filhos que Deus lhe deu e adotou como filhos
os que a vida lhe trouxe. Ainda dirige a Cidade Evangélica
dos Órfãos, instituição de abrigo a menores, fundada
por seu pai e onde ele dá continuidade a essa tarefa, de forma
alegre e prazerosa. Participa, como conselheiro, de órgãos de
assistência a jovens e adolescentes do Governo do Estado, em
face da sua experiência e atividade nessa área. A comunidade
da Igreja Batista do Cordeiro é abençoada por tê-lo como
Pastor neste período de interinidade.
116
Capitulo XI
A Igreja e o Ministério Diaconal
Os servos de Deus que se dedicaram ao seu serviço no
Ministério Diaconal na Igreja Batista do Cordeiro (IBCOR)
exerceram esse ministério desde os seus primórdios até a
presente data. Algumas dezenas já serviram a Deus e à sua
comunidade neste trabalho.
A IBCOR sempre valorizou o seu Ministério Diaconal,
cujos componentes têm sido liderança na Igreja e auxiliares
sempre presentes junto a seus Pastores, especialmente nas
áreas de visitação e serviço social, sem descurar da participação
nas atividades administrativas da Igreja.
A instituição.
O Ministério Diaconal foi instituído na IBCOR quando
esta, em 7 de maio de 1907, no primeiro Pastorado de
Manuel Corinto Ferreira da Paz, deliberou escolher os
seus primeiros integrantes e elegeu Felinto Pereira Freire e
Agripino Ferreira de Barros198, sendo fixado um prazo para
experiência, antes da consagração. Durante esse período da
experiência, o irmão Agripino Ferreira de Barros retornou
para a Igreja de Nazaré da Mata, de modo que a consagração
foi feita apenas do irmão Felinto Pereira Freire no Culto
de Vigília do Ano Novo199 (1907-1908), quando a Igreja
era dirigida pelo Pastor José Pedro da Silva. A data da eleição
desses primeiros Diáconos levou a IBCOR a definir o
terceiro domingo de maio como o Dia do Diácono Batista
198 Ata de Sessão Extraordinária da IB do Cordeiro, de 12 de Maio de 1907.
199 IBCOR, Atas de 12 de maio de 1907 e de 5 de novembro de 1907
117
do Cordeiro, ocasião em que é comemorada a instituição
na Igreja. O Ministério Diaconal da IBCOR, a partir desse
marco inicial, foi recebendo novos integrantes para atender
ao crescimento do rebanho do Senhor nesta localidade, bem
como para substituir os que se mudaram e aqueles que foram
chamados para a Glória.
Pastorado Manoel Corinto da Paz.
Nesse Pastorado o Ministério Diaconal foi estruturado,
sendo eleitos e consagrados os irmãos: Francisco Fernandes
de Oliveira, em 1909; Manoel Firmino de Mello, em 1911;
Benedito Firmino de Mello, em 1911; José Baptista do Rego
e Agripino Ferreira de Barros, em 1912; Severino Valdevino,
em 1913; João Correa da Silva e José de Souza Pinto, em
1914; Domicio de Oliveira, em 1916; Sebastião Tiago Correa
de Araújo, Pedro Antonio Ferreira e Casemiro Baptista,
eleitos em 1917 e consagrados em 19 de Junho de 1918;
Luiz José da Silva, em 1923200.
Pastorado de Tiago Araújo.
O Pastor Tiago Araújo tinha uma atenção especial para
com os Diáconos da Igreja, tendo sido ele próprio consagrado
a esse Ministério em Rio Largo e no Cordeiro. A sua eleição
para o Pastorado da IBCOR também foi conjunta com
a eleição de Diáconos. A eleição do Pastor Sebastião Tiago
Correa de Araújo ocorreu no dia 22 de Junho de 1926201,
ocasião em que a Igreja também elegeu três novos Diáconos:
Lourenço Alves Barbosa, José Lourenço e Amaro Pereira,
sendo designado o dia 18 de Julho de 1926, data festiva, co-
200 IBCOR. Atas de 4 de maio de 1909, de 10 de julho de 1911, de 2 de setembro
de 1911, de 5 de novembro de 1911, de 5 de outubro de 1914, de 17 de maio de
1917, 19 de junho de 1918, de 8 de Julho de 1923.
201 IBCOR. Ata 243, de 22 de Junho de 1926.
118
memorativa do Aniversário da Sociedade de Senhoras. Cabe
destacar que, como já vimos, o Pastor Tiago Araújo, antes da
sua chamada para o Ministério da Palavra, fora consagrado e
servira como Diácono na IBCOR (1918). Posteriormente,
o Pastor Tiago Araújo dirigiu a IBCOR na escolha de novos
Diáconos: Manoel Ferreira da Silva, Manoel Correa da Silva,
Vicente Barbosa de Lima e José Santiago.
Pastorado David Mein.
Durante esse Pastorado, a IBCOR consagrou, para
o Ministério Diaconal, o maior números destes servos de
Deus para servir na Igreja. Nesse período, também recebeu
de outras igrejas e incorporou a esse Ministério o maior número
de Diáconos num único Pastorado:
(1) 1956. A necessidade de mais pessoas para o Ministério
Diaconal fez com que a IBCOR, em 11 de março de
1956, integrasse ao Ministério o Diácono Francisco Alves
de Souza202, oriundo da IB da Torre e, nessa data, elegesse
os irmãos Henrique Pereira do Aragão203, João Marcolino
de Souza, João Costa de Souza, José Ferreira da Silva (Zezinho)
e Severino Candido da Costa204, para o Ministério
Diaconal205, consagrados em Concílio dirigido pelo Pastor
David Mein, secretariado pelo Pastor Manoel Almeida, integrado
pelos Pastores José Munguba Sobrinho, Antonio
Marques Lisboa Dorta, Graysson Tennyson, Joaquim Cavalcanti,
Ismael Ramalho, José Bezerra de Lima e José Ro-
202 O Diácono Francisco Alves de Souza era pai de Carmelita Alves Rangel e de
Creuza Alves Ferreira, casadas com Antonio Gomes Rangel e José Ferreira da
Silva. Nota do Autor.
203 O Diácono Henrique Pereira do Aragão era pai de Edgar Alves Aragão, casado
com Dulce Marques do Aragão. Nota do Autor.
204 O Diácono Severino Candido da Costa é pai do Diácono Ademir Costa e do
Pastor Adalberto Costa. Nota do Autor.
205 IBCOR. Ata 625, de 11 de março de 1956.
119
sendo; e pelos Diáconos Francisco de Souza, Manoel Ferreira
da Silva, Severino Ramos Cantalício de Oliveira, José
Ferreira Pequeno e Manuel Bandeira206;
(2) 1959. A necessidade de recompor o Ministério Diaconal
para atender ao crescimento da IBCOR levou esta a
eleger, em 11 de março de 1959, e a consagrar, em 14 de junho
de 1959, os irmãos Francisco Rodrigues da Silva e Manuel
Alves Barbosa (esposo da Diaconisa Doralice Aragão
Barbosa) para esse Ministério. O Concílio de consagração
foi composto pelo Pastor David Mein (presidente), pelos
Pastores Livio Cavalcanti Lindoso, Gideon Andrade e Joaquim
Cavalcanti e pelos Diáconos Manoel Ferreira, Henrique
Aragão, João Marcolino de Souza, Severino Candido
da Costa, Francisco Alves de Souza, José Ferreira Irmão, John
Trumblim Jr, João Costa de Souza, Inácio Jordão e João
Leão Neto207. Nessa ocasião a IBCOR recebeu, no Ministério
Diaconal, John Trumblim Jr, João Costa de Souza, Inácio
Jordão e João Leão Neto208, vindos de outras Igrejas;
(3) 1961. A IBCOR, em 22 de fevereiro de 1961, elegeu
o terceiro grupo de Diáconos do Pastorado David Mein:
Edgar Alves Aragão (esposa da diaconisa Dulce Marques
do Aragão), Antonio Gomes Rangel, Inocêncio Rodrigues
Mouzinho (hoje a IB da Iputinga), Haroldo Francisco de
Mendonça (esposo da Diaconisa Luiz Pereira de Mendonça)
e Antonio Mariano de Barros (pai do irmão Joesil Barros),
em 26 de março de 1961, consagrando-os em Concílio
composto pelos Pastores David Mein (presidente), José
Florêncio Rodrigues (orador) e Livio Cavalcanti Lindoso e
pelo Diácono Manuel Alves Barbosa (leitura bíblica)209;
206 IBCOR. Ata de 3 de abril de 1956.
207 IBCOR. Ata de 14 de junho de 1959.
208 IBCOR. Ata de 14 de junho de 1959.
209 IBCOR. Atas 705, de 22 de fevereiro de 1961 e 708 de 26.3.61.
120
(4) 1963. A IBCOR, em 15 de novembro de 1963, consagrou
ao Ministério Diaconal Alipio Amorim, Jairo Barbosa
Pessoa e Fausto Ferreira da Silva, em Concílio composto pelos
Pastores David Mein (presidente), Gamaliel Perucci, Luis
Correia de Melo, José Almeida Guimarães, Joaquim Cavalcanti
e João Virgilio Ramos André e pelos Diáconos Manuel
Alves Barbosa, Edgar Alves Aragão, José Ferreira Irmão, Antonio
Alves Rangel, Antonio Mariano de Barros, João Marcolino,
José Ferreira e João Silvestre (IB Arraial)210;
(5) 1971. A IBCOR elegeu, em abril de 1971, e consagrou
ao Ministério Diaconal, em 18 de maio de 1971, Ademir
Candido da Costa, Naum Santiago, Nelson Xavier de
Brito, Plácido dos Santos e Josué Lira211. Nessa ultima data,
reconheceu a consagração e incorporou ao Ministério Diaconal
Emidio Cavalcanti, oriundo da IB Arcoverde, e José
de Almeida Pessoa. Em 1973, acolheu no Ministério Diaconal
o Diácono Luiz Estevam Vieira, oriundo da IB Pina;
(6) 1976, a consagração das primeiras diaconisas. O
Ministério Diaconal da IBCOR, em 1976, teve o número
aumentado para dezoito integrantes, ocasião em que foram
eleitos Ramiro Pimentel, Lou Demie Mein212 (esposa
do Pastor David Mein) e Dulce Aragão (esposa do Diacono
Edgar Alves do Aragão)213, as primeiras mulheres consagradas
para o Ministério Diaconal na IBCOR;
(7) 1977. A IBCOR aumentou o número de Diáconos
para vinte e um, consagrando, em 14 de abril de 1977, os
Diáconos Afranio Valença, Doralice do Aragão Barbosa e
Severino Eulino Ferreira214;
210 IBCOR. Ata 774, de 15 de novembro de 1963.
211 IBCOR. Ata 859, 15 de abril de 1971.
212 A Diaconisa Lou Demie Mein, missionária de Richmond, esposa do Pastor
David Mein.
213 IBCOR. Ata 914, de 9 de Janeiro de 1975.
214 IBCOR. Ata 811, de 18 de Maio de 1971.
121
(8) 1981. A IBCOR, nesse ano, consagrou ao Ministério
Diaconal os irmãos Abzair Bernardes da Silva, Jennecy
Sales Cavalcanti, Paulo Salles Cavalcanti e Luiza Pereira de
Mendonça215.
Pastorado Roberto Menezes.
Nesse Pastorado, a IBCOR consagrou para o Ministério
Diaconal:
(1) 1988. Ana Felix Da Hora, Cyneire Gomes Dantas,
Davi Rodrigues da Silva, Edna Leão De Castro, Francisco
Pereira da Silva, João Gentil Albuquerque, José Genes Sales
Cavalcanti, Josélice Cortizo e Reginaldo Freire Batista,
eleitos em 21 de agosto de 1988 e consagrados em 17 de setembro
de 1988216;
(2) 1996. Claudia Nogueira de Oliveira Menezes, Eliezer
de Holanda Cavalcanti Filho, Fernando Flores de Barros
Junior, José Carlos Rodrigues de Almeida e Severino Porfirio
de Souza, consagrados em 31 de dezembro de 1996.
A Associação dos Diáconos Batistas de Pernambuco.
Os integrantes do Ministério Diaconal da IBCOR sempre
participaram das atividades da denominação, a nível estadual
e nacional e, em 1973, da organização da Associação
dos Diáconos Batistas de Pernambuco, com o Diácono Manoel
Alves Barbosa (Isaque Aragão) eleito presidente.
O ministério diaconal na IBCOR.
Hoje a IBCOR conta, em seu Ministério Diaconal, com
os seguintes integrantes: (1) Manoel Alves Barbosa (1959);
215 IBCOR. Ata 811, de 18 de Maio de 1971.
216 IBCOR. Atas 1078, de 21 de agosto de 1988 e 1079, de 17 de setembro 1988.
122
(2) Antonio Gomes Rangel (1961); (3) Edgar Alves do Aragão
(1961); (4) Plácido dos Santos (1969); (5) Nelson Xavier
de Brito (1969); (6) Luiz Estevão Vieira (1973, oriundo
a IB Pina); (7) Emidio Cavalcanti (1973, oriundo a IB de
Arcoverde); (8) Dulce Marques do Aragão (1978); (9) Doralice
do Aragão Barbosa (1977); (10) Cyneire Gomes Dantas
(1988); (12) Edna Leão de Castro (1988); (13) Francisco
Pereira da Silva (1988); (14) Elvira Lopes da Silva (1988);
(15) José Genes Sales Cavalcanti; (16)Marcos Antonio Alves
Rangel (1988); (17) Reginaldo Freire Batista (1988); (18)
Isaac Pessoa de Freitas (oriundo a IB Imperial, 1988); (19)
José Manuel de Barros (1988, oriundo da IB Alto José do Pinho);
(20) Eliezer de Holanda Cavalcanti (1996); (21) Luiza
Pereira de Mendonça (1996); (22) Severino Porfirio de
Souza (1996); (23) Fernando Flores de Barros Junior (1996);
(24) Marluce Salvino Bezerra (1994, oriunda da IB de Torrões);
(25) Ricardo Campos Tavares (oriundo da IB Central
da Iputinga); (26) Erasmo de Sá Novais (oriundo da IB Central
da Iputinga); (27) Maria José Sobreira da Silva (oriunda
da IB da Camaragibe); (28) Nelson da Silva Santana (2002),
oriundo da IB de Engenho do Meio), (29) Auzírio Rodrigues
dos Santos (2002, oriundo da IB da Torre); (30) Carlos
Alberto de Souza (2005) oriundo da IB Torrões); (31) Maria
das Graças Souza, oriunda da IB Torrões; (32) Alfredisia Xavier
de Brito (2005), oriunda da IB Memorial do Cordeiro.
123
Capitulo XII
A Música na Igreja
A música tem ocupado lugar relevante na IBCOR desde
os seus primórdios. As suas atas, desde as primeiras, registram
que em todas as reuniões eram cantados “hymnos”. A
ata de 22 de março de 1911 registra que o irmão Seminarista
Pereira Salles, auxiliar do Pastor, apresentou a necessidade
da criação de um espaço para ensaio musical, sob a direção
do professor Callazans, sendo escolhidas as terças feiras.
O irmão Seminarista Pereira Salles apresentou a necessidade
de que a Egreja criar um ensaio de hymnos e para o qual foi reservado
o dia de terça feira de cada semana ensaiado pelo professor
Callazans e foi aprovado217.
A música na IBCOR tem mantido vivas suas raízes mais
antigas, como boa cepa de vinícola, sempre produzindo a
rama para o “néctar” musical, o louvor ao Deus Trino, Pai,
Filho e Espírito Santo. Desde esse início até o presente,
quando se completa um século de sua existência, a música
na IB do Cordeiro demonstra que tem se desenvolvido, a
ponto de ser conhecida com a “Igreja que canta”. Este fato
foi demonstrado em pesquisa de opinião realizada na década
de setenta, constatada a excelência do seu canto congregacional,
iniciada no período que os seus cultos eram objeto
de transmissão dominical em programa radiofônico “Uma
prece, uma esperança”.
217 IBCOR. Ata de 22 de março de 1911.
124
Salomão Luis Ginsburg.
A música na IBCOR tem raízes antigas. O seu fundador,
Salomão Ginsburg, homem de muitos talentos e virtudes,
entre os quais a Música, realizava os cultos na pequena
congregação iniciada em 1901, que deu origem da IBCOR
em 1905. Ele cantava músicas de louvor e acompanhava,
no seu “harmônio” (pequeno órgão portátil), os primeiros
hinos do Cantor Cristão, por ele organizado com dezesseis
cânticos. A última edição do Cantor Cristão trouxe, de sua
autoria ou tradução os hinos:
7 - Maravilhas Divinas
21 - Louvor ao Pai e ao Filho
22 - Amor Sublime
24 - Deus é Amor
37 - Amor Glorioso
44 - A Linda História
46 - Jesus me Transformou
47 -Alegria Perene
56 -Reis da Glória
65 - Jesus o Bem Amado
69 - Cristo Exaltado
71 - Amigo Eterno
89 - O Poder no Sangue
106 - O Desejado
107 - Esperando
110 - Quando Cristo Vier
111 - Não Tardará
120 - Louvai a Deus
124 - Cantarei
125 - Redenção
126 - Louvai
129 - Bendita Luz
140 - Domingo
142 - Pão da Vida
147 - Obediencia ao Batismo
161 - Poder Espiritual
163 - Desejos
168 - Chuvas de Bençãos
171 - Avivamento
176 - Tempo de Ser Santo
184 - Há Livre Perdão
189 - Graça Inefável
194 - A Mensagem Celeste
196 - Conta-me
197 - Inabalável
198 - Aleluia
200 - A Vinda de Jesus
212 - Oh Vinde Já
125
215 - Fonte Bendita
217 - Segue-me
218 - Vinde a Mim
223 - Abrigo
226 - Dá Teu Coração
227 - Despertado Coração
233 - Porque Não Já
234 - Cristo Salva
243 - Vida Eterna
255 - Qual é Teu Refúgio
263 - Luz Divina
264 - Das Trevas
269 - Confissão
272 - Só um Passo
287 -Com Jesus
288 - Perto do Senhor
295 - Tudo Entregarei
297 - Suplica
301 - Crer e Observar
303 - Amor a Jesus
310 - Em Teus Braços
322 - Cristo Valerá
325 - Naufrágio
331 - Glória no Pourvir
333 - Deus é Sabedor
337 - Nada de Desânimo
339 - Não Consintas
344 - Deus Cuidará de Ti
345 - Contar a Jesus
354 - Cada Momento
356 - Jesus como Guia
364 - Filhos de Deus
369 - Só Jesus
382 - Vamos à Igreja
389 - Ventura
400 - Júbilo
401 - Eu sou de Jesus
406 - Confiar em Cristo
410 - Felicidade no Serviço
420 - Servir Alegremente
426 - Gratidão na Luta
427 - Conquistar o Mundo
429 - Ceifando
431 - Acode em Tempo
432 - Avante com Deus
434 - Onde os Obreiros
435 - Ainda há Lugar
436 - Dai-nos Luz
437 - As Boas Novas
440 - A Pátria Feliz
445 - Deves Divulgar
446 - Avançai
449 - Ousados Proclamai
457 - Confiança em Deus
462 - Unidos
470 - O Combaté
471 - Vitorioso
474 - Eia, ao Combaté
126
475 - Lutar
480 - Favor
487 - Precioso é Jesus
500 - Glória pra Mim
517 - Querido Lar
529 - Vai Buscar
552 - Mocidade Crente
Salomão Ginsburg, a par de ter sido o gigante no trabalho
de evangelização pátria, é contado, entre os músicos Batistas
do Brasil, por sua contribuição na tradução de mais de
cem hinos do Cantor Cristão e de cerca de trinta no Hinário
Para o Culto Cristão (HCC).
A vida de Salomão Luis Ginsburg esta narrada no livro
“HCC Notas Históricas – Se os Hinos Contassem”, de
Edith Brock Mulholland, nos seguintes termos:
Salomão Luiz Ginsburg, de origem judaica, filho de um
rabino, nasceu próximo de Suwalki, Polônia, em 6 de agosto
de 1867. Dos 6 aos 14 anos, viveu em Koenigsberg, Alemanha,
onde recebeu educação aprimorada. Quando voltou
para casa não concordou com a orientação patérna, pois este
queria que ele se tornasse rabino e se casasse com uma
jovem de 12 anos. Resolveu fugir. Foi para Londres e lá se
converteu a Cristo. Começou a sofrer perseguições. Expulso
da casa de outro tio com quem morava, foi desdenhado e
considerado morto pela família.
Depois de vagar pelas ruas de Londres, Ginsburg foi convidado
para o “Abrigo dos Judeus Convertidos”, permanecendo ali
por três meses. Manifestando o desejo de pregar, estudou mais três
anos na Escola de Treinamento Missionário Regions Beyond, em
Londres. Teve grande alegria em compartilhar sua fé, mesmo em
127
face da perseguição. Numa ocasião foi terrivelmente espancado e
deixado como morto num barril de lixo.
Sentindo-se chamado para a obra missionária Ginsburg foi
convidado por Sarah Kalley para vir ao Brasil. No caminho passou
seis meses em Portugal para estudar a língua: passagem encurtada
pela sua publicação de panfletos apologéticos que causaram
furor em altos círculos católicos dos pais. Como Paulo em Damasco,
seus irmãos tiveram que manda-lo fora do lugar antes que algo
drástico acontecesse com ele.
Chegando ao Rio de Janeiro em 1890, Salomão Ginsburg filiou-
se à Igreja Evangélica Fluminense. Dirigia uma congregação
da igreja e se sustentava vendendo Bíblias. Em novembro de
1891, depois de estudar a fundo o que a Bíblia diz sobre o batismo,
foi batizado por imersão na Primeira Igreja Batista da Bahia, por
Zachary Clay Taylor. Logo depois foi ordenado como Pastor. Em
1892 foi comissionado missionário da Junta de Richmond.
Ginsburg Pastoreou a Primeira Igreja Batista do Recife (PE),
a Primeira da Bahia (BA), a Primeira de Campos (RJ) e a Primeira
de Niterói (RJ), além de trabalhar em Mato Grosso e Goiás,
sempre evangelizando, sempre implantando igrejas. Por amor
de Cristo, sofreu perseguições e prisões, mas nunca desfaleceu.
Ginsburg casou-se com Carrie Bishop, que fora o instru-mento
da sua chamada missionária mas, após 4 meses de casados, ela
faleceu na Bahia, vítima de febre amarela. Em segundas núpcias,
casou-se com Emma Morton, missionária da Junta de Richmond.
Tiveram sete filhos.
Salomão Ginsburg fundou o Seminário Teológico Batista
do Norte do Brasil, foi Secretário-Correspondente-Tesoureiro da
Junta de Missões Nacionais e interessou-se pela evangelização dos
índios. Colaborou com vários jornais evangélicos e escreveu em periódicos
seculares. Foi também colportor vendendo Bíblias em várias
cidades do Brasil.
128
Nos trabalhos de evangelização ao ar livre Ginsburg usava
um harmônio e seu grande talento Músical. Escreveu muitos hinos
belos e espirituais. O primeiro hino que traduziu foi Chuvas
de Bênçãos, enquanto esperava desembarcar pela primeira vez
no Brasil. Depois de mudar-se para o Recife (PE) publicou, em
1891, um hinário com dezesseis hinos, que chamou de O Cantor
Cristão. Nos anos seguintes, continuou a adicionar hinos seus e de
outros hinistas, até que, na 11ª edição, constavam 106 hinos de
sua autoria. O Pastor Manuel Avelino de Souza o chamou de
“O Davi dos Batistas brasileiros” cujos hinos são “verdadeiras
mensagens do evangelho” (...) exprimem santas e belas
experiências cristãs, e (...) estão profundamente arraigados
na alma dos crentes”.
Depois de uma vida de extraordinário ministério, Ginsburg
faleceu em 31 de março de 1927, em São Paulo.
O HCC inclui, entre originais e traduções, 30 contribuições de
Ginsburg, um gigante na obra de Deus no Brasil.218
José Calazans e Antonio Alcantara.
A primeira referência à música na IB do Cordeiro, depois
do período de Congregação, quando Salomão Ginsburg
acompanhava os cânticos com o seu harmônio, é a
contratação do Professor José Calazans, músico, professor
do Seminário Batista e do Colégio Americano (Gilreath) e
membro da PIB Recife, que organizou o coro da nossa Igreja
mãe em 1906219.
A IBCOR aprovou a contratação do músico para ensaiar
o coro da Igreja, como está registrado na ata de 22 de março
de 1911:
218 MULHOLLAND, Edith Brock, HCC Notas Históricas. Se os hinos contassem,
Rio de Janeiro, JUERP, 2001, p. 39.
129
O irmão Seminarista Pereira Salles apresentou a necessidade
de que a Egreja criar um ensaio de hymnos e para
o qual foi reservado o dia de terça feira de cada semana
ensaiado pelo professor Callazans e foi aprovado220.
O professor José Calazans foi o autor da Música do Hino
540 do Canto Cristão – “Criancinha”.
O maestro Antonio Alcântara era regente de uma orquestra
composta de membros de Igrejas Batistas, da qual
foi integrante o professor Isaque Aragão, e que se apresentou
em algumas festividades da IBCOR. Em algumas épocas,
foi dirigente da música na IBCOR.
Hostilio Carvalho.
A IBCOR, em 1921, convidou o maestro Hostilio Carvalho
para ensaiar o seu Coral da IB Cordeiro, quando esta
atividade passou a ser realizada nas segundas feiras221.
Isaque Aragão.
O maestro Isaque Aragão (como é conhecido o professor
Manoel Alves Barbosa) foi Diretor de Música desde o
Pastorado de Tiago Araújo. E exerceu esse ministério até o
Pastorado David Mein, na década de cinqüenta, quando foi
sucedido pela professora Bennie Mae Oliveira. Isaque Aragão,
durante o período em que foi Diretor de Música da IBCOR,
participou de atividades na denominação, na regência
de corais para enlevo musical nas assembléias convencionais
e nas campanhas evangelísticas.
219 SILVA, Leonice Ferreira da. Primeira Igreja Batista do Recife. Episódios de sua
História. Recife: Comunigraf Editora Ltda, 2003, p. 135.
220 IBCOR. Ata de 22 de março de 1911.
130
David Mein.
David Mein, como vimos em sua biografia, era, desde
a infância, um apaixonado por música. Não fosse tão forte
a sua vocação para o Ministério Pastoral e para Missões,
possivelmente teria sido um bom músico. Além de aprender
a tocar órgão e piano, ainda na infância, ao ingressar na
universidad,e em 1935 (Georgetown College, USA), fez o
Bacharelado em Letras e, depois de fazer todas as disciplinas
do Bacharel em Música, recebeu o respectivo Grau.
Na IBCOR, sempre procurou ter um auxiliar capacitado
nessa área. Assumindo o Pastorado da IB do Cordeiro,
encontrou como Diretor de Música o professor Isaque Aragão,
que, durante muitos anos, exerceu esse ministério na
Igreja, até que as atividades profissionais o obrigaram a viajar.
David Mein contou ainda com outros dedicados auxiliares
na área. Depois de Isaque Aragão, vieram Bennie Mae
Oliver, Nabor Nunes e Fred Spann.
Bennie Mae Oliver.
A professora Bennie Mae Oliver sucedeu a Isaque Aragão
como Diretora de Música da IBCOR, servindo no período
de 1959 a 1961. Dinâmica e alegre, dotada de forte
carisma, era amada e admirada por seus alunos e por seus irmãos
na IBCOR. Missionária, filha e irmã de missionários
da Junta de Richmond, foi nomeada por esta para servir no
Recife, onde, em companhia da Professora Cathryn Smith,
fundou o Curso de Música do STBNB222.
No período em que exerceu a função de Diretora de
Música Sacra da IBCOR, deu nova dimensão à música congregacional
na Igreja e na organização dos coros. Em 12
de setembro de 1961, despediu-se da Igreja, transferindo-se
221 IBCOR. Ata 240, de 6 de Junho de 1921.
131
para a Columbus Avenue Baptist Church, no Texas (USA)223.
Nessa ocasião recebeu manifestações de carinho da Igreja.
Hoje a professor Bennie Mae Oliver está na Glória com o
Senhor.
Nabor Nunes Filho.
A música evangélica brasileira recebeu um novo alento
na década de setenta, com o surgimento de um novo talento,
que já se prenunciava, mas que torna-se conhecido pelo
novo estilo de utilizar sons e ritmos sertanejos, como o Pai
Nosso Sertanejo. É o Pastor Nabor Nunes Filho, paraibano
de Itabaiana, Pastor auxiliar de David Mein na IBCOR. Este,
passando a se dedicar à área da música evangélica, abriu
um novo caminho que hoje é percorrido por outros músicos
evangélicos: a música regional.
Nabor Nunes Filho nasceu em Itabaiana (PB), em 27 de
junho de 1944, filho de Nabor Nunes e Noemi Marques de
Figueiredo, sendo sua mãe uma cristã dedicada, que criou
o filho no caminho do Senhor, servindo na Igreja. A ela
Nabor deve o aprendizado das primeiras noções de música,
para a qual ele já demonstrava pendor precoce, a ponto de,
na infância ainda, tornar-se organista da Igreja e, mais tarde
integrante, da banda de música da cidade.
Edith Brock Mulholland, no livro HCC Notas Históricas
– Se os Hinos Contassem, traz a biografia de Nabor
Nunes Filho:
Nabor Nunes Filho nasceu em 27 de junho de 1944, em
Itabaiana (PB). Sua mãe, Noemi Marques de Figueiredo,
era crente e criou Nabor na igreja. Nabor deve a
ela também os primeiros ensinamentos Musicais. Aos no-
222 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira. Ousadia e Desafios da Educação Teológica. 100
anos do STBNB (1902-2002), p. 90.
132
ve anos ele tornou-se o organista da Igreja Batista de Itabaiana.
Tinha um excelente ouvido Músical e “tirava”
melodias dos hinos na hora. Aos treze anos fazia parte da
banda de música da cidade, tocando requinta (uma espécie
de clarinete pequeno). Foi nesse ano que Nabor fez sua
primeira composição.224
Durante seus estudos de ginásio e cientifico no Colégio
Americano Batista, no Recife, Nabor ouviu uma palestra
do pregador David Gomes. “Nabor, sentado ao piano,
sentiu que Deus estava tocando em sua vida. Sentiu-se
despertado para o ministério”.225
Para preparar-se para a obra, de 1965 a 1969, Nabor
fez o curso de teologia no Seminário Teológico Batista do
Norte do Brasil (STBNB) no Recife. Durante estes anos,
serviu à Igreja Batista do Cordeiro. Recebeu o grau de
bacharel em teologia, mas havia cursado algumas matérias
de música, especialmente regência e órgão. No mesmo
ano foi consagrado ao ministério e casou-se com a médica
Dra. Mirian Correia. Hoje o casal tem três filhos: Adriana
e os gêmeos Luciana e Luciano226.
Assumindo o Pastorado da PIB de Corrente (PI), em
1970, Nabor “viveu com o povo do sertão e começou a se
interessar por suas angústias e seus problemas”. Ouvindo
suas músicas, “sentiu necessidade de interpretar os sentimentos
daquele povo através da música sacra”.227
Reconhecendo que, para tal, teria de preparar-se ainda
mais, Nabor voltou ao STBNB em 1971 e, em 1972, re-
223 IBCOR. Ata de 12 de setembro de 1962.
224 ICHTER, Bill H. Onde estão os Compositores Batistas Brasileiros?. O Jornal
Batista, Rio de Janeiro, nº 12, Ano LXXVIII, 16 de agosto de 1985, p. 2
225 Ibidem
226 Ibidem
227 Ibidem
133
cebeu o grau de bacharel em música sacra. Neste período,
serviu como diretor de música e auxiliar do Pr Merval
Rosa na Igreja Evangélica Batista de Casa Amarela. Ao
formar-se, Nabor aceitou o convite do Colégio Batista em
Fortaleza, “onde entre outras atividades formou o Conjunto
Poder Jovem.228 Regeu o coro da PIB de Fortaleza
durante esse ano.
O STBNB chamou Nabor de volta em 1974, para fazer
parte do seu corpo docente. Até 1978, além de lecionar
várias matérias no curso de música sacra e teologia
sistemática no Seminário, ensinou algumas matérias no
Seminário de Educadoras Cristãs (SEC), e canto coral e
harmonia, por algum tempo, na Universidade Federal de
Pernambuco. Regeu o coro da Igreja Batista da Concórdia
de 1974 a 1976 e foi ministro de música na Igreja
Batista da Capunga, de 1976 a 1978. Durante estes
anos a Dra. Mirian foi médica do STBNB.
O maestro Nunes foi palestrante e compositor-regente no
histórico encontro dos músicos Batistas do Brasil em julho
de 1979. No mesmo ano mudou-se para São Paulo, onde
ocupou o cargo de regente do coro e professor de várias matérias
no curso de música da Faculdade Teológica Batista
de São Paulo. Até 1981, foi também ministro de música
da PIB de São Paulo. Em 1981, aceitou o Pastorado da
PIB de Americana, servindo ali até 1984. Além de continuar
como professor da FTBSP, ensinou também na Faculdade
Teológica Batista de Campinas (SP) e regeu o coro
desta instituição durante 1983.
Desde 1983, Nabor Nunes Filho é professor de teologia
e cultura da Universidade Metodista de Piracicaba
(UNIMEP), SP. Fez graduação em Música (modalidade
composição) na Universidade Estadual de Campinas,
228 Ibidem
134
em 1989. Terminou o seu mestrado em educação Músical
(modalidade filosofia da educação) na UNIMEP em
1994.
Desde que o Amém Nunes foi publicado na primeira coletânea
Coral Sinfônico nos anos sessenta, os evangélicos de
todo o Brasil cantam as lindas músicas deste dotado compositor,
diversas delas no inimitável estilo sertanejo. Além
das excelentes músicas para coro, publicadas pela JUERP
e outras publicadoras evangélicas, há cantatas (como Glória
a Deus nas Alturas, 1974, Povo de Deus e Ele Está
Vivo, ambas em 1979) e as coletâneas como O Esperado.
As coletâneas Vinde, Cantai e Celebrar... Cantando! incluíram
hinos e seleções corais de Nunes. Edições UNIMEP,
Série Músicando, publicou diversas músicas para
coro e instrumentos,de Nabor, em 1989.
Em agosto de 1981 o ensaísta Rolando de Nassau entrevistou
o Pastor Nabor em sua coluna em O Jornal Batista
e registrou as seguintes palavras do entrevistado:
Não é “a música que o povo gosta” que deve ser produzida,
porém aquela que é capaz de elevar o nível do povo
a um louvor cada vez mais escolhido. Cantar ao Senhor
um cântico novo significa cantar cada vez melhor, músicas
sempre melhores. Não é a simples novidade, mas novidade
com qualidade que deve ser oferecida ao povo de Deus”.229
Nabor Nunes Filho tem conseguido tem conseguido oferecer
música desta qualidade ao povo de Deus. Exímio organista,
ao longo dos anos Nabor tem dado recitais de peso,
como tem regido corais e orquestras, em concerto por todo
o Brasil e no exterior, executando suas próprias obras e as
de grandes compositores internacionais.
229 NUNES FILHO, Nabor, in Nassau, Rolando de, O Que Tem Sido Feito é
Pouco – II. Rio de Janeiro, O Jornal Batista nº 33, Ano LXXXV, 16 de agosto de
1985, p. 2.
135
Escritor reconhecido, Nabor Nunes, além de escrever as suas
próprias letras para suas composições, publicou um livro
de poemas e reflexões em 1986 e é colaborador assíduo de
jornais da sua região. Em 1989 foi empossado como membro
efetivo da Academia de Letras e Estudos Lingüísticos de
Anápolis, Goiás, ocupando a cadeira do Patrono Catulo da
Paixão Cearense. Desde janeiro de 1994 ocupa a mesma
cadeira na Academia de Letras em Piracicaba (SP).
Nabor Nunes Filho musicou a oração dominical (Matéus
6:9-13), com o nome de PAI NOSSO SERTANEJO,
na década de setenta, quando Pastoreava a PIB de Corrente,
no Piauí, onde o sertanejo vive sob um sol inclemente. Sobre
o autor e a peça músical, escreve Edite Mulholland:
“Nabor [...] fez esta adaptação pensando especialmente
nos seus irmãos nordestinos. Tanto a letra como a música
tem um sabor verdadeiro desta região, tão rica na sua
música. Este hino, “talvez a composição mais conhecida
do Prof. Nabor, foi escrito originalmente para solo com
acompanhamento de violão”230. Mais tarde ele fez o arranjo
para coro, cantado pela primeira vez numa clinica
de música em Maceió, em 1972. O Dr Fred Spann
incluiu o arranjo coral do Salmo 23 Sertanejo de Nabor
na Coletânea o Novo Som da Nova Vida, Volume II. O
HCC apresenta um arranjo cogregacional deste hino, com
o nome da melodia Pai Nosso Sertanejo, refletindo o titulo
original da música.231
A contribuição Músical de Nabor Nunes na IBCOR talvez
tenha sido maior depois que ele deixou o Ministério,
através das músicas que compôs e que se tornaram parte do
repertório dos coros e da Igreja.
230 ICHTER, Bill H, opus cit, p. 2.
231 MULHOLLAND, Edith Brock, opus cit, p. 299.
136
James Frederick Spann.
James Frederick Spann, educador, escritor, compositor,
regente de renome, tradutor, e compilador de coletâneas de
Músicas de coros, nasceu em 19 de julho de 1933, na Cidade
de North Little Rock, no Estado do Arkansas (USA), filho
de um ministro de Música leigo. Casou-se com Bettye Clay
Brawner e dessa união nasceram James Frederick Spann Junior
(Jim), Edward Clay, Grady Brawner e Suzane Davis.
Convertido em 1940, Fred foi batizado pelo Pastor
Taylor Stanfield na Igreja Batista Baring Cross, North Little
Rock, Arkansas (USA). Cursou o Bacharelado na Universidade
Batista de Ouachita e cursou o Seminário Teológico
Batista do Sudoeste, Estado do Texas (USA), recebendo os
títulos de Mestre em Música Sacra e Mestre em Educação
Religiosa. Também fez o Doutorado em Educação Músical
na Universidade da Florida. Os primeiros campos de atividade
do Dr Fred Spann foram igrejas Batistas nos Estados
do Missouri e do Texas (USA) e no México.
Fred Spann chegou ao Brasil em 1962, iniciando suas
atividades no Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil
e passando a promover Clinicas de Música nas igrejas Batistas
do Estado, em cooperação com a Convenção Batista
Evangelizadora de Pernambuco.
Durante mais de três décadas Fred Spann “tem exercido
um brilhante ministério no Seminário Teológico Batista do Norte
do Brasil, na capital pernambucana [...] e tem colocado o Departamento
de Música de seu Seminário numa posição de destaque
nos círculos Musicais do nordeste”.232 Alem de dirigir o departamento,
o Pastor Fred Spann, como é mais conhecido, dirige
o Coral Sinfônico do STBNB, cuja influência se espalha
não apenas no Brasil – e de forma particular no Nordeste –
232 MEIN, David, O que Deus tem Feito, Rio de Janeiro, JUERP, 1982, Capitulo
9, p. 342-343.
137
mas também nos Estados Unidos e em outros paises, através
das apresentações feitas nas Assembléias da Aliança Batista
Mundial, no Canadá e na Coréia do Sul.
A produção Músical de Fred Spann inclui várias composições
e compilações de músicas para coro e de hinos, entre
as quais merecem destaque as duas coletâneas de O Novo
Som e seis coletâneas do Coral Sinfônico “grandemente usadas
por corais em todo o Brasil.”233 Estas músicas, compostas
por professores do STBNB, são prediletas dentre as das coletâneas.
Muitos hinos das coletâneas Vinde, Cantai, compilada
por ele para a II Campanha Nacional de Evangelização,
passaram a ser difundidas pelo país e estão incluídos no
HCC. Este notável talento musical tem exercido influencia
sobre a música executada nas igrejas Batistas, não somente
através da sua produção musical, mas através da formação
de seus alunos, do Curso de Bacharelado em Música Sacra,
e em matérias curriculares dos Cursos de Teologia e de
Educação Religiosa. Articulista apreciado, tem deixado sua
colaboração em revistas especializadas, em particular na revista
de Música Louvor, demonstrando objetividade e senso
profissional234.
O Pastor Fred Spann, na qualidade de ministro de música,
em diversas ocasiões dirigiu a música nas assembléias da
Convenção Batista Brasileira (CBB) e da Convenção Batista
em Pernambuco. Professor e maestro de renome, em muitas
ocasiões participou de atividades de ensino e na regência
de diversos congressos da Associação de Músicos Batistas do
Brasil (AMBB), recebendo desta o Premio “Arthur Lakschetivz”,
em 1989, como reconhecimento da sua contribuição
para a Música sacra brasileira.235 No Recife, ainda, teve opor-
233 Ibidem, p. 343
234 NASSAU, Rolando de. Premio “Arthur Lakschevitz, in O Jornal Batista, nº 16,
Ano LXXXIX 1989, Rio de Janeiro, p. 2
235 MULHOLLAND, Edith Brock, opus cit, p. 118.
138
tunidade de dirigir, como maestro convidado, a Orquestra
Sinfônica Municipal do Recife, no Teatro Santa Isabel.
Nomeado pela Junta de Richmond para trabalhar no
Brasil como professor de música, em 1965, foi consagrado
ao Ministério da Palavra para servir no Pastorado da IEB
em Casa Amarela, exercido por ele no período de 1965 a
1968. Convidado para servir como Ministro de Música da
IBCOR, dedicou-se a este ministério no período de 1968 a
15 de novembro de 1982, dirigindo a música congregacional
e os coros de adolescentes e de adultos (Coro IBCOR),
apresentando algumas dezenas de peças musicais, para enlevo
desta Igreja e para louvor do Senhor Deus Criador e de
Jesus Cristo nosso Salvador entre as quais “As Sete Ultimas
Palavras da Cruz”, de Dubois; “A Crucificação”, de Steiner
(1974); e “O Messias”, de Haendel. Fred Spann contou
com bons assistentes. Inicialmente a professora Dorothy
Hickey, pianista, e Osíris de Farias Macedo, organista, autor
do arranjo da música “Amigo não saias sem Cristo”. Mais
tarde as professoras Natércia Câmara e Célia Câmara Reis,
mãe e filha, exímias pianistas.
Nilson Galvão Santos.
Nascido na Bahia, Nilson Galvão, em 1974, veio para o
STBNB fazer o Curso de Bacharel em Música Sacra. Casado
com Elizeth Amaral Galvão Santos, o casal teve três filhos:
Nilson, Nilzeth e Erickson. Em 198, Nilson veio trabalhar
na IBCOR como auxiliar do Pastor Fred Spann, a quem sucedeu
como Ministro de Música. Assumiu o Ministério de Música
da Igreja Batista do Farol, em Maceió (AL), de onde saiu
ir trabalhar em Igreja nos Estados Unidos, onde faleceu.
A esposa e os filhos vivem a música, a primeira como
professora e cantora (soprano) e os filhos como instrumentistas,
os mais velhos fazendo pos-graduação nos Estados
Unidos e Elizete se encaminhando para isto.
139
Carlos Elmir Rocha Cavalcanti.
Nascido 4 de julho de 1949, na Cidade do Recife (PE),
Carlos Elmir, filho de Enedina e Euclides Cavalcanti, aprendeu
as primeiras notas no lar, com o seu genitor. Depois de
estudar com professores particulares, ingressou no Conservatorio
Pernambucano de Música para aperfeiçoar-se em
piano. Começou a servir na IBCOR em 1985, como pianista
e regente do coro de jovens, e, a partir de março de 1986,
assumiu o cargo de Diretor de Música da IBCOR. Ingressou
no Curso de Bacharel em Música Sacra no STBNB em
1987. Casado com Janeide de Melo Cavalcanti, o casal tem
um filho, Carlos Elmir Filho.
Francisco José Alves de Almeida Filho.
Franzé, como era conhecido, nasceu em Quixadá, no
Sertão do Ceará. Converteu-se pela palavra de missionária
de Missões Nacionais, que trabalha na sua cidade e o incentivou
a estudar e a aprender música. Ingressou no STBNB
no curso de Música Sacra em 1988, concluindo o seu curso
na Turma do Centenário do STBNB (2002). Serviu, de início,
na IB de Campo Grande, dirigida pelo Pastor Francisco
Dias e, em 2001, veio para a.IBCOR, assumindo o Ministério
de Música. Casado com Eliana Almeida. Professor do
STBNB, serviu à IBCOR até janeiro de 2004, quando o casal
aceitou convite da IB do Calhau, em São Luis (MA).
Marcia Alves Rangel.
Márcia Alves Rangel nasceu na cidade do Recife, em um
lar cristão, filha de Carmelita e Antonio Rangel. Ainda na
infância demonstrou pendores muúsicais, levando os seus
pais a encaminhá-la para aprendizado com professores particulares.
Ingressou no Conservatório Pernambucano de
Música, onde recebeu graduação em piano. Aluna do curso
140
de Medicina da UFPE, recebeu graduação em 1984, depois
especializando-se em musicoterapia. Ingressou, por concurso,
na UFPE como professora adjunta, na área de canto
e piano, estando lotada no Centro de Artes.
Marcia Rangel tem servido à IBCOR como pianista desde
a adolescência, com momentos de maior ou menor dedicação,
sem nunca se afastar definitivamente, exceto nos
períodos em estudou no Rio de Janeiro (1986) e residiu em
Portugal (1990).
Serviu dois períodos como Ministro de Música da IBCOR:
(a) no Pastorado de Roberto Menezes, após a saída de
Carlos Elmir, quando serviu por um ano; (b) no Pastorado
de Flávio Germano, após a saída de Francisco José, assumiu
novamente o cargo, servindo durante treze meses, até dezembro
de 2004, trabalhando nas duas oportunidades com
grande dedicação e demonstrando o seu potencial na área e
dando prevalência na Música congregacional às Músicas do
repertorio do Cantor Cristão. Nesse periodo reestruturou
o coral Florescer e organizou o coral masculino. Sob sua
supervisão, Keila Guimarães organizou o coral da juventude
e Priscila Almeida o coro infantil. Nesse período, o Departamento
de Música da IBCOR, sob sua direção, organizou o
I Congresso de Música (2004). A partir de janeiro de 2005,
passou a exercer a função de Ministro de Música Adjunta
de Alcingstone Cunha, como integrantes do Ministério do
Pastor Flavio Germano de Sena Teixeira e, posteriormente,
do Pastor Miquéas de Paz Barreto.
Alcingstone Cunha.
Alcingstone de Oliveira Cunha nasceu na cidade do Recife,
em um lar cristão, filho de Alcineia de Oliveira e Silva
(professora STBNB) e Livingstone de Oliveira Cunha (Pastor).
Desde a infância demonstrou pendores musicais, influenciado
por sua mãe e tias, professoras na área Músical.
141
Concluindo o segundo grau, na área de edificações (Escola
Técnica Federal de Pernambuco) sentiu-se dividido entre ingressar
no curso de Engenharia da UFPE e o curso de Música
Sacra do STBNB, optando por este último. Aluno de destaque
no Curso de Bacharel em Música Sacra, concluiu o curso,
indo servir na Igreja Batista do Farol, em Maceió (AL).
Professor do STBNB, foi por este encaminhado para fazer
Mestrado e Doutorado em Música nos Estados Unidos,
retornando para servir no corpo discente do Departamento
de Música do STBNB. Mais tarde, assumiu a sua direção.
Serviu como Ministro de Música da Igreja Batista da Capunga
e, atualmente, serve a IBCOR na mesma função.
O Dr. Alcingstone de Oliveira Cunha, na função de Ministro
de Música da IBCOR, tem como suas auxiliares diretas
Márcia Alves Rangel, ministra de Música adjunta e Keila
Guimarães (Mestranda de Música Sacra), pianista e regente
de coros, além de Priscila Oliveira (aluna do STBNB), que
dirige o coro infantil.
Os coros graduados da IBCOR.
Os coros graduados existem na IBCOR há mais de três
décadas, com pequenas suspensões das suas atividades. Estas
atividades tem sido objeto de projetos dos Pastores e dos
ministros de música, tornando concreto o sonho da Igreja
de coros para todas as faixas etárias. Esse sonho foi concretizado
em alguns momentos da vida da Igreja, para felicidade
geral da comunidade.
Desde os primórdios da IBCOR, houve um grupo que
cantava. Inicialmente, algumas pessoas mais afeitas a cantar,
dirigidas pelo professor Calazans, que ensaiava os hinos
do Cantor Cristão e outros avulsos, para canto da congregação.
Sucedeu ao professor Calazans o maestro Alcantara,
membro da PIB Recife e depois da IB Capunga, que ensaiava
o chamado “Coral da Igreja”, que era o coral de adul142
tos, contando com a participação de algumas senhoritas. O
chamado Coral da Igreja, hoje denominado Coral IBCOR,
reune adultos, jovens e alguns adolescentes. Este é o coral
que tem atravessado todos os momentos da vida da Igreja,
sem sofrer solução de continuidade. O nosso contato com
o Coral da Igreja ocorreu em 1971, quando chegamos de
Arcoverde, eu, Paulo, Genes e Jenecy Sales236 e, como lá,
desejamos cantar no Coral que, aliás, estava recrutando integrantes,
em face do pequeno número. Depois de um pequeno
teste e de participar de um ensaio, recebemos uma
ducha fria: “Para participar do Coral é necessário ser membro da
Igreja”, disse a nós Coral Gerson Amorim. O Pastor Fred
Spann, ouvindo a frase, disse que podíamos pedir carta de
transferência e continuar cantando e que os dois podiam se
batizar, o que fizemos ainda em 1971. Hoje somos, depois
de Nivan Almeida, os mais antigos (não podemos dizer velhos!)
integrantes do Coral da Igreja (IBCOR).
Na última década do Pastorado David Mein, quando a
igreja já contava com a participação do maestro Fred Spann,
em alguns momentos estiveram organizados e louvando
a Deus, além do Coral da Igreja (hoje chamado Coro IBCOR),
o Coro de Adolescentes, depois denominado Coro
Novo Som (1972-1976). Nesse periodo, a seminarista Ana
Maria Prado, aluna do Curso de Música do STBNB, organizou
e dirigiu o coro infantil e de juniores, havendo em atividade
quatro corais na Igreja.
236 Oriundos da Igreja Batista de Arcoverde, à época Pastoreada por Israel Dourado
Guerra, viemos estudar no Recife, o autor destas linhas (na Escola de Engenharia
da UFPE), Paulo Salles Cavalcanti (na Escola de Economia da UFPE), José Genes
Cavalcanti (na Faculdade de Medicina da UFPE) e Jennecy Cavalcanti, para fazer
o cursinho preparatório para o vestibular de Medicina, para a UFPE. Após visitar
a PIB do Recife e a IB do Zumbi, nos aclimatamos na IBCOR, onde fomos recebidos
como na nossa igreja-mãe, para onde pedimos nossas cartas (eu e Genes) e
foram batizados Paulo e Jennecy, onde casamos (os quatro) e onde estamos ainda
hoje (exceto Jennecy que há cerca de oito anos transferiu-se para a IB Emanuel em
Boa Viagem). Nota do Autor.
143
Na década de oitenta, Carlos Elmir reorganizou o coro
de jovens e adolescentes e com eles espalhou a Palavra cantada
no Nordeste. Assumindo Elmir o Ministério de Música
na IBCOR, o coral jovem serviu de suporte para o Coro IBCOR,
que estava quase desestruturado, deixando de existir
o coro jovem como grupo identificado. Carlos Elmir, além
das atividades da Igreja, organizou duas excursões evangelísticas,
onde o Coral Jovem e o Coral da Igreja (adultos e
jovens) percorreram o Nordeste, na primeira delas, e o Brasil,
indo até a região Sul, na segunda, cantando a Palavra de
Deus e estimulando as igrejas a organizarem os seus coros.
No segundo semestre de 1997, Jacira Almeida, empolgada
com os cursos de férias na área de música, quando estudou
regência e, estimulada por outras senhoras da Igreja, resolveu
reunir um grupo destas, organizando o Coral Florescer, que
se apresentou, pela primeira vez, em novembro de 1997, passando
essa apresentação a marcar a data da sua organização.
No ministério de Franzé, enquanto este dava sua atenção
ao Coral da Igreja (adultos), a sua esposa Eliana Almeida
reorganizou o coro jovem. Durante algum tempo, teve
participação ativa, até que problemas de saúde da regente
impediram o prosseguimento do trabalho. Nesse ministério,
o Coral da IBCOR, com integrantes adultos e jovens,
fez três viagens às cidades de Garanhuns (PE), apresentando
musicas nas Igrejas Batista e na Presbiteriana de Garanhuns;
Maceio (AL), cantando nas IB do Farol, IB Betel e IB Nova
Sião e PIB Maceio; e Aracaju (SE), cantando na Primeira e
na Segunda Igrejas Batistas de Aracaju, além de uma apresentação
no Teatro, participando de um Festival de Corais.
Na segunda ocasião em que Márcia Rangel assumiu o
Ministério de Música da IBCOR (2003) as atividades musicais
da Igreja e dos coros tiveram um grande impulso: (1) a
Igreja passou a contar com a participação de Keila Guimarães,
eximia pianista; (2) o Coral IBCOR, estimulado pela
144
mudança de estilo da regente, cresceu e melhorou o nivel
musical das apresentações; (3) o Coral de Jovens e Adolescentes
foi reorganizado por Keila Guimarães; (4) o Coral
Infantil foi reorganizado pela aluna do STBNB Priscila Almeida
(Música); (5) foi organizado o Coral Masculino; (6)
o I Congresso de Música e Louvor da IBCOR foi organizado
com a participação da maioria absoluta dos membros
da Igreja; e, para fechar o ano, (7) no mês de dezembro de
2003, cada um dos corais apresentou uma peça musical no
período do natal do filho de Deus.
Hoje, a IBCOR conta com os grupos musicais permanentes:
(a) o Coral Infantil; (b) o Coral de Adolescentes; (c)
o Coral Jovem; (d) o Coral Florescer (adulto feminino); (e)
o Coral Masculino (adulto); (f) o Coral IBCOR (masculino
misto); (g) o Quinteto Feminino Canção de Vida e (h) o
Quarteto Masculino.
145
Capitulo XIII
A Educaçao Religiosa na Ibcor
A Igreja Batista do Cordeiro (IBCOR) foi organizada
em 1905, numa época em que a única atividade na área de
educação religiosa nas igrejas Batistas era a Escola Bíblica
Dominical, dirigida e orientada, na maioria das vezes pelo
Pastor ou por seminaristas. Naquela época, algumas missionárias
já planejavam organizar atividades para mulheres
das igrejas, as Sociedades Auxiliadoras de Senhoras.
A escola dominical.
Assim, a primeira atividade organizada na IBCOR foi a
Escola Dominical, em 8 de Janeiro de 1907, com duas classes,
destinadas ao estudo da Biblia: uma classe para adultos,
dirigida por Francisco Fernandes de Oliveira, e outra classe
para crianças, dirigida por Antonia Freire237. No mês de
abril desse mesmo ano, foram eleitos para a Escola Dominical
dois novos oficiais: o Superintendente, Felinto Pereira
Freire, e uma tesoureira, Ana Baptista da Luz.238 No mês de
maio, foi eleito um Vice-Superintendente, José Mariano do
Couto239. Esses professores e oficiais foram reeleitos para o
ano de 1908 e 1909, com exceção da classe de crianças, para
a qual foi eleita Maria Augusta240
A Escola Dominical permaneceu com a mesma estrutura
até 1910. Em 1991, foram criadas três classes para adul-
237 IBCOR. Atas de 8 de Janeiro de 1907 e de 6 de Janeiro de 1909.
238 IBCOR. Ata de 9 de Abril de 1907.
239 IBCOR. Ata de 7 de maio de 1907.
240 IBCOR. Ata 36, de 9 de fevereiro de 1909.
146
tos, passando a haver duas classes para homens e duas classes
para senhoras, permanecendo uma classe para crianças241.
Nesse ano, foram eleitos professores auxiliares para ajudar
aos titulares. No segundo semestre, em face do crescimento
da Escola, foram criadas mais duas para adultos, totalizando
seis classes de adultos. Essas últimas modificações foram
propostas pelo Seminarista José Pereira Salles, que passou a
trabalhar na IBCOR como auxiliar do Pastor Manuel da Paz
e foi eleito Vice-Superintendente da Escola Dominical e, no
ano seguinte, seu Superintendente. Vale destacar que, pelo
menos até 1912, as Revistas da Escola Dominical eram privilégio
apenas dos professores, embora o fato fosse decorrente
da pouca habilidade dos membros da Igreja em ler.
O berçário da Escola Dominical foi organizado no Julho
de 1914, para atender às mães que traziam seus filhinhos,
quando vinham para a escola dominical e para os cultos da
Igreja.
A primeira referência encontrada, nas atas da IBCOR,
sobre a Sociedade Auxiliadora de Senhoras está na Ata de 19
de Junho de 1918, na qual diz que era o dia de aniversário
da aludida sociedade:
“No dia 19 do mez (Junho) já mencionado, ás 19 horas
e 30 minutos mais ou menos, depois de termos assistido à
execução de um bem confeccionado programa da Sociedade
Auxiliadora da Senhoras da Egreja, pois era o dia do aniversário
da mesma...”
A organização dessa sociedade provavelmente ocorreu
em 19 de junho de 1916, por influência e orientação da missionária
Grace Sisco Taylor, que chegara com seu esposo,
William Carey Taylor, à Igreja Batista do Cordeiro no final
do ano de 1915 e se tornaram membros da IBCOR em
241 IBCOR. Atas de 10 de abril de 1911 e de 12 de junho de 1911.
147
1916242. Dona Grace Taylor, ao chegar na IBCOR, encontrou
um bom número de senhoras participando das atividades
da Igreja e, como era do seu feitio, deve ter tratado de
organizá-las em uma Sociedade Auxiliadora Feminina.
A educação religiosa no Pastorado David Mein.
David Mein se preocupava com o Ministério Pastoral
nos seus vários aspectos. Ao assumir o Pastorado, encontrou
como Diretor de Música, o maestro Isaque Aragão, mas
a área de Educação Religiosa carecia de pessoa com formação
adequada. No final de 1953, convidou o professor Joel
de Brito Barros, aluno do Curso de Bacharel em Teologia
(STBNB), para trabalhar na área. Em 1955, recomendou
a IBCOR a elegê-lo Diretor de Educação Religiosa, cargo
que exerceu com dedicação até dezembro de 1960, quando
se exonerou do cargo para trabalhar no Estado do Ceará243.
Na época, o Pastor David Mein levou a IBCOR a construir
o Edifício de Educação Religiosa usando, de início, os
recursos disponíveis na Igreja e apelando à liberalidade dos
seus membros. A IBCOR, em outubro de 1956, contratou
empréstimo bancário para conclusão da obra244. Estando
próxima a conclusão da obra e o retorno de David Mein ao
Brasil, a Igreja deliberou denominá-lo Edificio David Mein,
como homenagem à extrema dedicação com que esse obreiro
exerceu o Pastorado245.
A mesma visão levou o Pastor David Mein a recomendar
à IBCOR, em 1962, a compra da casa 97, vizinha do Templo,
para ampliar o espaço das suas instalações, imóvel adquirido
pela importância de um milhão e quinhentos mil cruzeiros.246
242 MESQUITA, Antonio Neves, História dos Batistas no Brasil, p. 165.
243 IBCOR. Ata 702, de 27 de janeiro de 1960.
244 IBCOR. Ata 634, de 14 de outubro de 1956.
245 IBCOR. Ata 784, de 17 de novembro de 1965.
246 IBCOR. Ata 732, de 18 de novembro de 1962.
148
Ali foi edificado o Edifício Manuel da Paz, que serve à Administração
e ao Ministério de Educação Religiosa.
Joel Brito Barros (1953-1960), Risoleta Alves da Silva247
(1961-1965) 248, Margarida Arlete Sales249 (1966), Ester
Aragão Araujo (1967-1970)250 e Miriam Sales Rocha (1970-
1972) 251 serviram nessa área, tendo a última assumido o cargo,
implantando idéias novas na área e, mais tarde, deixando
o cargo para dirigir o Instituto Batista. Exerceram, ainda,
essa função no Pastorado David Mein: Ester Araujo de
Oliveira (1972-1974); Euna Alexandre de Oliveira252 (1974-
1975); Aurissina Costa (1º de dezembro de 1975 a 1976);
Maria Betania Araujo253 (1976 a julho de 1981), e Aurissina
Costa (julho a dezembro de 1981). Todos estes irmãos foram
graduados pelo STBNB, o primeiro e a penúltima em
Teologia e as demais em Educação Religiosa.
Pastorado Amauri Munguba Cardoso.
O Pastor Amauri Cardoso convidou para substituí-la a
professora Evanivalda Vieira dos Santos, que fez excelente
trabalho no Ministério de Educação Religiosa da IBCOR
durante o seu Pastorado.
Pastorado Roberto de Menezes.
Roberto Amorim de Menezes recebeu o Pastorado com
a professora Evanivalda Vieira Rezende ocupando o cargo
247 RIOLETA ALVES DA SILVA era conhecida como Risoleta Ponciano, constando
o seu nome em alguns registros da IBCOR. Nota do Autor.
248 IBCOR. Atas 787, de12 de janeiro de 1966
249 IBCOR. Atas 787, de12 de janeiro de 1966
250 IBCOR. Atas 798, de 20 de novembro de 1966. Ester Aragão Araújo, ao casar
com Edvaldo Oliveira, passou a assinar Ester Araujo de Oliveira. Nota do Autor.
251 IBCOR. Atas 876, de19 de março de 1972
252 IBCOR. Boletim Dominical, de 7 de dezembro de 1975.
253 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 26 de julho de 1981
149
de Ministro de Educação Religiosa. Mais tarde, quando
esta deixou o ministério, o cargo ficou algum tempo vago,
sendo ocupado, de forma meteórica, por Maria Bernadete
da Silva. Claudia Nogueira de Oliveira Menezes assumiu o
cargo, exercendo-o até a saída do casal para a IB Farol em
1999. Nesse Pastorado, foi construído o Edifício de Educação
Religosa para Departamento Infantil, que recebeu o nome
do Diácono Severino Eulino Ferreira, falecido na época
da construção. Esse edifício, concluído, passou a acolher as
classes do Berçário, dos Principantes, dos Escolares I e II, e
a Sala do Culto Infantil.
Pastorado Flavio Germano.
O Pastor Flavio Germano convidou a professora Maria
Augusta Torres para o Ministério, que passou a ser denominado
de Ministério de Educação Cristã e Família. Nele,
ainda hoje, ela permanece fazendo um bom trabalho, no
Pastorado Miqueas Barreto.
150
Capitulo XIV
As Novas Agências do Reino de Deus
A Igreja Batista do Cordeiro, desde sua fundação, procurou
espalhar a Mensagem do Evangelho, ao seu redor e
noutros locais. Neste sentido, ao longo do seu centenário,
organizou novas agências do Reino de Deus, das quais destacamos
as seguintes:
1. Igreja Evangélica Batista da Várzea.
Essa Igreja teve sua origem na Congregação que a IBCOR
iníciou em Junho de 1921254, no bairro da Várzea, no
Recife (PE), sendo organizada em Igreja em 15 de Junho de
1923, a pedido de um grupo de quarenta e um membros da
Igreja Batista do Cordeiro.255 Os seus membros fundadores
foram Cypriano de Melo, Rodolpho Alves, Lindolpho
Correa de Araújo, Paulo José da Costa, Antonio Norberto,
Severino Valdevino, Armando Gomes, Manoel Norberto,
Manoel Franco de Oliveira, João Francisco da Silva, José
Francisco da Silva, Manoel Rodrigues, Severino Francisco
da Silva, João Emigdio da Silva, João Norberto da Silva, Antonio
Manoel de Mello, Alexandrina Maria de Jesus, Maria
Alexandrina dos Santos, Maria Norberto, Vicentina Norberto
de Oliveira, Maria Norberto dos Santos, Maria Alves,
Maria Barbosa, Eudocia de Lima, Francisca da Silva,
Sebastiana da Silva, Rosa Cavalcanti, Lydia de Souza Costa,
Maria Francisca da Silva, Nympha Martins da Silva, Joséhpa
Norberto, Maria Ferreira da Silva, Francisco Valdevino,
Severino Antonio da Silva, José de Carvalho, Joaquim
254 IBCOR. Ata 184 de 6 de Junho de 1921.
255 IBCOR. Ata 208 de 4 de Junho de 1923.
151
José da Costa, Máxima de Mello, Triphena Cavalcanti, Maria
da Silva Mello e Luiza de Araújo256. Alguns destes eram
membros fundadores da Igreja Batista do Cordeiro (1905).
O grupo tinha a liderança do irmão Cipriano de Melo, que
foi eleito primeiro moderador da Igreja. A IEB da Várzea,
nos seus oitenta anos, teve, entre seus Pastores, Antonio
do Nascimento Filho (1940-1947), Paulo Wailler da Silva
(1970-1983), Pedro Luiz Gonçalves Serafim da Silva (1983-
2003) e José Deusarte de Souza (2003-2004, interino).
2. Igreja Batista em Serinhaém (PE)
Organizada a Igreja na Cidade de Serinhaem (PE), em
16 de abril de 1924, na mata sul do Estado. No Pastorado
de Manuel Corinto Ferreira da Paz, fora iniciada uma
congregação na localidade, na residência do casal Manoel (e
Noca) Batista, membros da IBCOR, que para ali se transferira
para trabalhar na usina de açúcar. A congregação foi
organizada com o nome Igreja Batista de Serinhaem, tendo
sido Pastoreada por Joaquim Cavalcanti. Atualmente, é
Pastoreada pelo Pastor Severino Valter de Amorim.
3. Primeira Igreja Batista em Bento Ribeiro
Localizada na Cidade do Rio de Janeiro (RJ), esta Igreja
foi organizada, em 29 de julho de 1929, por um grupo de
membros da IBCOR e da IEB Várzea, que se transferiu para
o Rio de Janeiro. O Pastor Sebastião Tiago Correia de Araújo,
durante alguns anos, pastoreou essa Igreja, viajando periodicamente
de navio, ao Rio de Janeiro, para pregar, celebrar
batismos e a ceia do Senhor.257 Entre uma visita e outra, enviava
mensagens escritas, que eram lidas dominicalmente no
256 IBCOR. Ata 208, de 4 de Julho de 1923.
257 IBCOR. Ata 284, de 6 de Janeiro de 1930.
152
Templo, a título de sermão, à semelhança das cartas enviadas
pelos apóstolos para as igrejas cristãs primitivas.
A Igreja edificou o seu Templo na Rua Pacheco da Rocha,
nº 104, em Bento Ribeiro, na Cidade do Rio de Janeiro, onde
até hoje está proclamando o Evangelho de Jesus Cristo. Na
década de quarenta, a Igreja escolheu como seu Pastor o pernambucano
José Lins de Albuquerque ,que a serviu até o final
da sua vida. Ultimamente, até completar o seu Jubileu de
Diamante, a Igreja foi pastoreada por José Mauricio Cunha
do Amaral, que recentemente se exonerou do cargo.
4. Igreja Batista Betania em Gravatá (1956)
Um grupo de treze irmãos da Igreja Batista de Gravatá,
que divergiram da orientação administrativa do Pastor
Rosalino Costa Lima, desejaram organizar uma nova igreja,
inclusive como forma de expandir a pregação do Evangelho
na Cidade. Pediram cartas de transferência e organizaram
a Congregação da IBCOR em Gravatá258. A congregação
cresceu e frutificou. Em 26 de setembro de 1956, foi organizada
em Igreja, com o nome de Igreja Batista Betania
em Gravatá. Hoje, essa Igreja, grande e próspera, influi
positivamente em Gravatá, pregando o Evangelho de Cristo
e mantendo uma escola onde os alunos recebem a orientação
cristã. Oriundo dessa Igreja, Flavio Germano Teixeira,
se tornou Pastor da IBCOR.
5. Igreja Batista de Camaragibe (1959)
A IBCOR, em 1958, iníciou uma congregação, em Camaragibe,
então Distrito de São Lourenço da Mata. Essa
Congregação, dirigida pelo Pastor Gideon de Andrade, auxiliado
por sua esposa Nilta Maciel de Andrade, se desenvolveu.
Em 23 de dezembro de 1959, um Concílio a orga-
258 IBCOR. Ata 631, de 8 de julho de 1956.
153
nizou em Igreja, com o nome de Igreja Batista de Camaragibe259,
ocasião em que foi eleito o Pastor Gideon Andrade
para dirigí-la. Essa Agência do Reino de Deus, organizada
com vinte e dois membros, mais tarde tomou o nome de
Primeira Igreja Batista em Camaragibe.
6. Igreja Evangélica Batista em Casa Amarela
(Recife, 1964)
Os problemas decorrentes do Movimento Renovação Espiritual,
no âmbito da Convenção Batista Evangelizadora de
Pernambuco, começaram a ser examinados em decorrência
de duas situações que envolveram igrejas a elas filiadas. O
primeiro ocorreu quando a 2ª IB de Casa Amarela, dirigida
pelo Pastor Rosivaldo Araújo, em 1964, adotou as práticas
do Movimento de Renovação Espiritual, gerando insatisfação
em grande número de membros. Um grupo de membros,
composto por mais de sessenta pessoas, não concordou com a
posição do Pastor e da Igreja, e dela se retirou, pedindo carta
de transferência para a IBCOR. Recebidos em 22 de março
de 1964260, formaram a Congregação de Casa Amarela, organizada
em igreja, em 26 de junho de 1964, com o nome de
Igreja Evangélica Batista de Casa Amarela261, pastoreada
pelo próprio David Mein, tendo como adjunto o Pastor José
Rosendo. A IEB Casa Amarela ainda foi Pastoreada por Fred
Spann, Merval Rosa e, atualmente, Ademar Paegle.
7. Primeira Igreja Batista da Vila Cohab
em Rio Doce (Olinda, PE, 1969)
A IBCOR, em trabalho conjunto com a Igreja Batista
de Areias, pastoreada por João Virgilio Ramos André, em 6
259 IBCOR. Ata 685, de 23 de dezembro de 1959.
260 IBCOR. Ata nº 751, de 22.03.1964.
261 IBCOR. Ata nº 754, de 26.06.1964.
154
de abril de 1964, iniciou uma congregação na residência do
irmão José Sebastião de Melo, na Vila Cohab, no bairro de
Rio Doce, município de Olinda.
O programa habitacional do Governo Federal projetou
a criação de grandes conjuntos na periferia das grandes cidades,
para diminuir o déficit habitacional e atender à população
que imigrava para esses centros. Nesses conjuntos habitacionais,
construídos por sociedades de economias mistas –
Companhia de Habitação Popular (COHAB) – eram reservados
espaços de lazer, para edificação de templos, comércio
e outros estabelecimentos, para tornar auto-suficiente o
conjunto. As igrejas fizeram a gestão e adquiriram o terreno
onde foi edificado o Templo.
A Congregação, dirigida pelo Seminarista Elias Teodoro
da Silva, se desenvolveu e, em 23 de setembro de 1969,
foi organizada em Igreja com o nome de Primeira Igreja
Batista da Vila Cohab em Rio Doce, com catorze membros.
O Concílio de organização dessa Igreja teve o maior
número de participante em um evento desta natureza, trinta
e um Pastores: David Mein (IBCOR), João Virgilio Ramos
André (PIB Areias), Alcides Pereira Machado, Antonio
Marques Dorta (PIEB Torre), Bento Teodoro da Silva (IB
Serra Talhada), Charles W. Dickson, David Lee Miller (IB
Boa Vista, Arcoverde), Gideon Andrade (IB Camaragibe),
Flordenizio de Almeida Sampaio, Glen Hickey (PIB Ibura),
H. Barry Mitchel, Hermes da Cunha e Silva (IB Rua Imperial),
James Lankford Bice, José Almeida Guimarães (IB
CONCÓRDIA), José Florêncio Rodrigues Junior, Leonie
“Bill” Ross Brock, Luiz José de Siqueira, Merval de Souza
Rosa (IEB Casa Amarela), Manoel Nazario da Silva, Manoel
Simeão da Silva, Miguel Madeira e Silva (IB São Luiz, MA),
Miguel Pereira Lima, Raimundo Alves de Moraes, Sebastião
Rolim Siqueira, Severino Arantes Teixeira, Uirassu Tu155
pinambá Mendes Câmara (IB Palmares), Valdemir Mutti e
Zacarias Pereira Lima,
A Primeira Igreja Batista da Vila Cohab em Rio Doce
permaneceu sob a liderança do Pastor Elias Teodoro até
1972, quando este pediu exoneração. Nesse ano, a Igreja elegeu
o Pastor Severino Valter de Amorim, que a dirigiu por
dois anos. Em 1974, a Igreja consagrou ao Ministério o seminarista
Raimundo Nonato Aragão, que a pastoreou o final
de 1975, quando esta convidou o Pastor Nilson dos Santos,
natural da Bahia, que a está pastoreando até a presente data.
8. Igreja Batista em São Bento do Una (PE)
O Pastor David Mein, em 1973, atendendo ao desejo
dos familiares do irmão Afrânio Valença, estabeleceu uma
Congregação Batista em São Bento do Una, iniciando a pregação
do Evangelho de Cristo nessa cidade agrestina, responsabilizando
os seminaristas Flavio Marconi Monteiro,
Francisco Pereira e José Bonfim pela pregação do Evangelho
no local. O trabalho sofreu as dificuldades decorrentes
da população conservadora e da religiosidade tradicional,
onde poucos querem ouvir à mensagem do Evangelho.
Mas o trabalho prosperou. Em 1975, já havia um bom número
de batizados e, em 1977, outros seminaristas e Diáconos
passaram a cuidar da Congregação, que inaugurou o
Templo em 28 de outubro de 1980262, na expectativa da organização
em Igreja, em 17 de abril de 1982, com o nome
de Igreja Batista do Centenário em São Bento do Una263,
em face da comemoração do Centenário do Trabalho Batista
em Salvador.
262 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 21 de outubro de 1980.
156
9. Igreja Batista do Forte, em Pau Amarelo,
Paulista (1982)
O Pastor David Mein, considerando cumprida a sua
missão no Cordeiro, pediu exoneração do Pastorado, em 15
de novembro de 1982, e tomou outro desafio, juntamente
com o Pastor Fred Spann: organizar em Igreja a Congregação
que a IBCOR mantinha na Praia do Janga, em Paulista
(PE). Neste ultimo ministério, foi acompanhado do seu fiel
companheiro, Pastor Fred Spann, que o sucedeu como Pastor
daquela comunidade.
10. Igreja Evangélica Batista no Timbi
A Congregação da IBCOR no Timbi foi iniciada no
Pastorado de Amauri Munguba Cardoso, em 1986, por
iniciativa de membros da IBCOR, liderados pelo Diácono
Abzair Bernardes da Silva e seus familiares. Eles tomaram
responsabilidade da maior parte do trabalho e, mais tarde,
passaram a sustentá-lo, com a irmã Rosa Mendes Primo e
familiares, que cederam um imóvel onde funcionou durante
muitos anos, além de contribuir financeiramente. A congregação
se desenvolveu e, em de março de 1993, a IBCOR
autorizou a aquisição de imóvel para sua sede264. Adquirido
um lote de terreno pela Igreja e um segundo pela própria
Congregação, neles, com o apoio financeiro e técnico
da Igreja, foi construído o Templo, quando a IBCOR decidiu,
a pedido dos integrantes da congregação, organizá-la
em Igreja265, o que ocorreu às 20:00 horas de 7 de março de
1998, com o nome de Igreja Evangélica Batista do Tim-
263 IBCOR. O Batista Cordeirense, de 4 de abril de 1982.
264 IBCOR. Ata 1131, de 14 de março de 1993.
265 IBCOR. Ata 1190, de 15 de junho de 1997.
157
bi. Na ocasião, o Pastor José Deusarte de Souza foi eleito
para dirigi-la266.
Há mais uma igreja organizada pela IBCOR, em 1952,
com membros oriundos da Igreja Batista de Ponto de Parada,
que se tornaram membros da IBCOR. Todavia, não temos
elementos para identificá-la por omissão da ata.
266 IBCOR. Ata 1200, de 1º de fevereiro de 1998.
158
Capitulo XV
A Igreja e o Templo
O primeiro Templo da Igreja Batista do Cordeiro (IBCOR)
era o salão de uma casa residencial, pertencente ao irmão
Felinto Pereira Freire, alugada à igreja por 7$000 (sete
mil reais), como registrado na Ata nº 8:
Sendo o salão onde funcionava esta Egreja de uma casa
particular a qual pertencente ao irmão Felinto P(ereira)
Freire o irmão João Baptista lhe perguntou quanto exigia
de aluguel do salão e o irmão Felinto lhe informou que
alugava por sete mil reis por ser a quantia que paga também,
posta em votação foi aceita por maioria de votos267.
O Pastor Manoel Corinto Ferreira da Paz ao assumir o
Pastorado da IBCOR, pela segunda vez em 7 de novembro
de 1908, apresentou o projeto de trabalho, incluindo a construção
do Templo próprio:
O Pastor Manoel da Paz agradeceu a boa vontade da
Egreja e expôs o Plano de Trabalho e a impossibilidade
que há. Tratou-se sobre a construção de um Templo para
as reuniões de Egreja268.
Objetivando viabilizar esse projeto, a Igreja elegeu um
tesoureiro para a construção do Templo, que já apresentou
o seu relatório na sessão seguinte, em dezembro de 1908. A
construção desse primeiro Templo próprio foi objeto de deliberação
na sessão regular de 23 de abril de 1910, onde se
resolveu que ele seria construído no lote de terreno de propriedade
do Pastor Manoel Corinto Ferreira da Paz:
267 IBCOR., Ata nº 8 da Sessão Regular de 4 de setembro de 1906.
268 IBCOR., Ata nº 34 da Sessão Regular de 7 de novembro de 1908.
159
Em seguida foi proposto e approvado que seja construído
o Templo da Egreja no meu lote, que por hora está sendo
occupado por Senhor Antero, para administrar os trabalhos
do mesmo, a Egreja escolheu o irmão Manoel Matheus
[...].269
O administrador da construção, Manoel Matheus, em
5 de janeiro de 1910, registrou que estava doando duas mil
telhas para a construção. Em 1º de junho de 1910, a igreja
autorizou o Pastor Manoel da Paz a tomar um empréstimo
do valor de 100$000 (cem mil reis), com juros de 2%, para
a construção do Templo270. Em 13 de junho desse mesmo
ano, a IBCOR resolveu iniciar a construção, demarcando
a área a ser construída – que teria 26 palmos de frente e
45 palmos de frente a fundos (lateral), com duas janelas de
frente e três em cada oitão. As suas medidas, pelo sistema
métrico, representam, aproximadamente 5,46m de frente e
9,45m de lado271.
A construção estava em fase de conclusão, em fevereiro
de 1911, quando foi eleita uma comissão para organizar a
festa da inauguração do Templo, composta de Manoel Firmino
de Melo, Benedito Firmino de Melo, José Raymundo
Filho, José Rodrigues de Almeida, Antonia Pereira Freire,
Aguida Aurélio, Nemesia Pereira de Sousa e Maria Leopoldina
de Lima.272 Eles se desincumbiram da tarefa, organizando
o culto solene.
Concluída a construção do Templo, a IBCOR se voltou
para a tarefa de obter recursos para adquirir o terreno
onde ele estava edificado, terreno foreiro (isto é, alugado).
No mês de abril, foi votado organizar uma campanha para
a compra do lote de terreno, sendo deliberado que cada
269 IBCOR., Ata nº 51 da Sessão Regular de 23 de abril de 1910.
270 IBCOR, Ata nº 52 da Sessão Regular de 16 de maio de 1910
271 IBCOR, Ata nº 53 da Sessão Regular de 13 de junho de 1910
272 IBCOR, Ata nº 61, de 19 de fevereiro de 1911 e; IBCOR. Ata nº 53 da Sessão
Regular de 13 de junho de 1910.
160
membro contribuiria com $500 por semana ou 2$000 por
mês (24$000 por ano).273 Nesse mês, o irmão Felinto Freire,
empolgado com a construção, fez a doação de um lampião
de carbureto para iluminar o Templo.
O imóvel foi adquirido, mas a escritura e o registro somente
foram efetuados cerca de trinta anos depois, em dezembro
de 1946, quando o Templo já estava reformado, embora
a descrição ali seja a do primeiro Templo:
CASA 95 da Avenida Nossa Senhora da Saúde, em Bomba
Grande, na freguesia da Várzea, RECIFE (PE), com
as seguintes características: casa de taipa, tipo chalet, com
duas janelas na frente, situada na Avenida Nossa Senhora
da Saúde, nº 95, em Bomba Grande, edificada em terreno
próprio que mede 12,00m de frente por 30,00m de profundidade,
cujo terreno foi parte do lote nº 14 da quadra
N duas linhas, de Lourival Cavalcanti de Albuquerque,
adquirido pela Igreja Batista do Cordeiro, representada
por seu Pastor Sebastião Tiago Correa de Araújo, em 3 de
dezembro de 1946 através de escritura pública de compra
e venda lavrada no tabelionato J. Campelo, pelo valor de
R$ 11.000,00 (onze mil cruzeiros). Registrado no 1º ofício
do Registro Geral de Imóveis (Salviano Machado) em
10 de dezembro de 1946, sob número de ordem 29.208,
livro 3-AQ, fls. 175.
Este é o primeiro Templo, aquele registrado na fotografia
em 1926, conhecida da Igreja.
O segundo Templo vai ser edificado sobre o primeiro,
com alteração de sua área e arquitetura. Sua construção foi
concluída na década de quarenta. Esse Templo foi uma obra
de fé, construído numa época de difícil situação econômica,
depois da grande depressão até o início da segunda guerra
mundial, quando a economia, nordestina e brasileira, sentiu
273 IBCOR. Ata nº 63 da Sessão Regular de 13 de março de 1911.
161
os efeitos, especialmente as industrias têxteis, onde trabalhavam
a maioria dos membros da Igreja. O Pastor Tiago
Araújo, porém, não era homem de esmorecer e com a fé
firmada no Senhor, levou o seu rebanho a edificar o maior
e mais belo Templo Batista da capital. Neste Templo, os
cordeirenses cultuaram a Deus e hospedaram muitas assembléias
e reuniões da denominação até 1970, quando sofreu
uma ampla reforma.
O terceiro Templo, finalmente, é o segundo reformado,
com a ampliação para a lateral esquerda e para os fundos,
com a inclusão da área da plataforma e do batistério. Essa
reforma – aqui não se pode dizer novo Templo – foi inaugurada
no início em 1971, com a estrutura e área atuais. Depois
de ameaça de desabamento, recebeu reforma da estrutura
do teto, em concreto armado.
Hoje, o Templo da Igreja Batista do Cordeiro está edificado
na Rua Nossa Senhora da Saúde, nº 83, ladeado pelos
Edifícios de Educação Religiosa Manuel da Paz (lado esquerdo),
David Mein (lado direito) e Diácono Severino Eulino
Ferreira (lado direito, parte posterior), nº 77 e 98 da mesma
Avenida.
Os imóveis e terrenos onde estão edificados o Templo e
os edifícios de educação religiosa da Igreja Batista do Cordeiro
foram adquiridos nos anos de 1946, 1952 e de 1959,
da empresa Mendes Lima S. A. Indústria e Comércio e de
outros proprietários:
(2) CASA 95 da Avenida Nossa Senhora da Saúde, em
Bomba Grande, na freguesia da Várzea, RECIFE (PE), com as
seguintes características: casa com salas, quartos, e outras dependências,
situada na Avenida Nossa Senhora da Saúde, nº 95, em
Bomba Grande, edificada em terreno próprio que mede 12,00m
de frente por 30,00m de profundidade, cujo terreno foi parte do
lote nº 14 da quadra N duas linhas, adquirido de Lourival Cavalcanti
de Albuquerque e sua mulher Raquel Aragão Cavalcanti
162
de Albuquerque, adquirido pela Igreja Batista do Cordeiro, representada
por seu Pastor David Mein, em 6 de dezembro de 1959
através de escritura pública de promessa de compra e venda lavrada
no tabelionato Pragana, 1º Ofício de Notas, pelo valor de R$
300.000,00 (trezentos mil cruzeiros). Registrado no 1º ofício do
Registro Geral de Imóveis (Salviano Machado) em 8 de junho de
1962, sob número de ordem 16.689, livro 4-S, fls. 143v.
(3) LOTES DE TERRENOS PRÓPRIOS Nº 1 E 12
DA QUADRA N” (N duas linhas) da Avenida Nossa Senhora
da Saúde, em Bomba Grande, na freguesia da Várzea, RECIFE
(PE), com as seguintes características: Lotes de terrenos próprios
nºs 1 e 12 da Quadra N” medindo 16,00m de largura de frente
e de fundos por 30,00m de comprimento, o primeiro com a frente
para a Rua Projetada e o segunda para a Rua Nossa Senhora
da Saúde, onde se acha edificada a casa 65 da rua Nossa Senhora
da Saúde, no lugar Bomba Grande, constante da plante de loteamento
devidamente aprovada pela Prefeitura do Recife em data
de 18 de julho de 1944, de parte do terreno da chamada Vila
Cordeiro, situada entre a Bomba Grande e a Iputinga, adquirido
de Judith Correia de Araújo Notaro e seu marido José Notaro
Neto pela Igreja Batista do Cordeiro, representada por seu Pastor
David Mein, em 23 de dezembro de 1963 através de escritura
pública de compra e venda lavrada no tabelionato Costa Lima, 4º
Ofício de Notas, pelo valor de R$ 700.000,00 (setecentos mil cruzeiros).
Registrado no 1º ofício do Registro Geral de Imóveis (Salviano
Machado) em 14 de janeiro de 1971, sob número de ordem
93.413, livro 3-CV, fls. 5v.
(4) CASA 95 DA AVENIDA NOSSA SENHORA
DA SAUDE E LOTE DE TERRENO PRÓPRIO Nº 3
DA QUADRA N” (N duas linhas) da Avenida Nossa Senhora
da Saúde, em Bomba Grande, na freguesia da Várzea, RECIFE
(PE), com as seguintes características: Casa 95 da Avenida Nossa
Senhora da Saúde, dividida em salas, quartos e demais dependencias,
edificada em Lote de terreno próprio medindo 12,00m
163
de largura de frente e de fundos por 30,00m de comprimento e o
Lote de terreno próprio nº 2da Quadra N”, constante da plante de
loteamento devidamente aprovada pela Prefeitura do Recife em
data de 18 de julho de 1944, de parte do terreno da chamada Vila
Cordeiro, situada entre a Bomba Grande e a Iputinga, adquirido
de Lourivaldo Cavalcanti de Albuquerque e sua mulher Raquel
Aragão Cavalcanti de Albuquerque e de Mendes de Lima S. A.
Industria e Comercio pela Igreja Batista do Cordeiro, representada
por seu Pastor David Mein, em 26 de maio de 1962 através de
escritura pública de compra e venda lavrada no tabelionato Costa
Lima, 4º Ofício de Notas, pelo valor de R$ 300.000,00 (trezentos
mil cruzeiros). Registrado no 1º ofício do Registro Geral de Imóveis
(Salviano Machado) em 8 de junho de 1962, sob número de
ordem 69.220, livro 3-BZ, fls. 280v.
Em resumo, a Igreja Batista do Cordeiro, em 1946 havia
adquirido o imóvel original – a casa 95 da Avenida Nossa
Senhora da Saúde – onde estava edificado o seu Templo. Na
década de cinqüenta, adquiriu os lotes de terrenos 1, 2 e 3 e
12, 13 e 14 da quadra N”, do Loteamento Mendes de Lima
S. A., formando um terreno em forma de quadrilátero, com
43 m de frente para a Avenida Nossa Senhora da Saúde, 43
m para a Rua Valdemar Reis do Rego e 30 m de cada lado.
Hoje, os imóveis estão assim distribuídos:
– lotes de terrenos próprios nº 1 e 12, onde está edificado
o Edifício David Mein, de Educação Religiosa, com
dois andares. O térreo tem seis (6) salas, 3 WC e escada
de acesso ao 1º andar; o primeiro andar tem cinco salas e
circulação, com área construída de 728 m2. O imóvel confronta-
se, pela frente, com a Rua Nossa Senhora da Saúde;
pelo lado direito, com a casa 53 da mesma rua; pelo lado esquerdo,
com a casa 83 da mesma rua; e, pelos fundos, com
a rua Valdemar Reis do Rego. O imóvel está registrado no
1º RGI sob número 93.413, em 14 de janeiro de 1971, livro
3-CV, folhas 5v;
164
– lotes de terrenos próprios nº 2 e 13, onde está edificado
o Templo, casa paroquial e uma sala de visitas, com área
construída de 418 m2. O imóvel confronta-se, pela frente,
com a Rua Nossa Senhora da Saúde; pelo lado direito, com
a casa 77 da mesma rua; pelo lado esquerdo, com a casa 97
da mesma rua; e, pelos fundos, com a Rua Valdemar Reis
do Rego. O imóvel está registrado no 1º RGI sob números
29.166 e 44.984, em 5 de dezembro de 1946 e 10 de março
de 1952, livros 3-AQ e 3-BE, folhas 164v e 228v.
– lotes de terrenos próprios nº 3 e 14, onde está edificado
o Edifício Manuel da Paz, de Educação Religiosa II,
com dois andares. O térreo tem seis salas, 2 WC, escada de
acesso ao 1º andar; o primeiro andar tem quatro salas e uma
circulação, com área construída de 250 m2. O imóvel confronta-
se, pela frente, com a Rua Nossa Senhora da Saúde;,
pelo lado direito, com a casa 83 da mesma rua; pelo lado esquerdo,
com a casa 125 da mesma rua; e, pelos fundos, com
a rua Valdemar Reis do Rego. O imóvel está registrado no
1º RGI sob número 69.220 e 29.166, em 8 de junho de 1962
e 5 de dezembro de 1946, livros 3-BZ e 3-AQ, folhas 290b
e 164v.
Como se observa das transcrições dos documentos, os
primeiros imóveis foram adquiridos no ano de 1946, no
Pastorado de Sebastião Tiago Correia de Araújo, um onde
estava edificado o Templo e o outro uma casa que servia de
residência Pastoral. Nos anos de 1952, foram adquiridos e
regularizados os demais imóveis. Onde era a residência Pastoral
foi erguido o Edifício Manoel da Paz e, nos lotes 1 e
12, o Edifício David Mein. Na década de cinqüenta, houve
a primeira reforma do Templo, que abrigou a Assembléia da
Convenção Batista Evangelizadora de 1950. Na década de
sessenta, o Templo sofreu nova reforma, mudando a fachada
para a situação atual. Em 1970, o teto caiu. A Igreja passou
o ano de 1971 se reunindo no galpão construído na parte
165
posterior, enquanto o teto era reconstruído. Esse galpão
provisório tornou-se o salão de recepções da Igreja e parte
dele a sala Fred Spann, do Departamento de Música.
O Templo, desde 1981, último ano do Pastorado David
Mein, já não aténdia à necessidade da Igreja. Éramos quase
mil membros e o Templo comportava apenas, confortavelmente
sentados, setecentas pessoas. A necessidade de uma
construção mais ampla se fazia sentir, mas o desafio foi sendo
postergado. Enquanto isso, eram procuradas soluções
paliativas, como a realização de dois cultos vespertinos, que
solucionou o problemas temporariamente. Mas a necessidade
persistia até que nosso atual Pastor Miqueas da Paz
Barreto, num lampejo visionário, desafiou a Igreja a pensar
grande e construir um novo Templo, que aténdesse as necessidades
da comunidade.
O Projeto do Templo do Terceiro Milênio
Enquanto escrevemos estas linhas, um arquiteto contratado
pela Igreja procura dar forma às idéias expressas pela
liderança da Igreja, reunidas no Conselho Administrativo,
para o novo Templo, com capacidade para 2.500 pessoas,
além de um edifício de cinco pavimentos, para as atividades
dos vários grupos etários da Igreja. Um Templo amplo, moderno
e confortável para abrigar a Igreja de Cristo no Cordeiro
neste novo Século.
166
Capitulo XVI
A Igreja e os Vocacionados
A IBCOR, ao longo da sua existência, tem mantido viva
a consciência da necessidade prover obreiros para a Seara
Divina e, neste sentido, tem procurado despertar vocações
e estimular aquelas despertas, de modo a prover alunos para
o Ministério. Os seminários da denominação têm recebido,
periodicamente, os alunos por ela recomendados. Entre os
que concluiram os seus cursos, listamos os seguintes:
Na área Teológica, os Bacharéis:
Tercio d´Oliveira (Ciências e Letras, 1918)
Abilio Pereira Gomes (Teologia, STBNB, 1932)
João Norberto da Silva (Mt. em Teologia, STBNB, 1932)
Jezimiel Norberto da Silva (Teologia, STBNB, 1953)
Joel Brito Barros (Teologia, STBNB, 1955)
Erivan Alves Araújo (Teologia, STBNB, 1964)
João Virgilio Ramos André (Teologia, STBNB, 1964)
Eliab Barbosa Gomes (Teologia, STBNB, 1966)
Hermenegildo Nunes da Silva (Teologia, STBNB, 1967)
Norton Riker Lages (Teologia, STBNB, 1967)
Nabor Nunes Filho (Teologia, STBNB, 1969)
Gerson Alves Amorim (Teologia, STBNB, 1973)
Francisco Pereira da Silva (Teologia, STBNB, 1976)
Evangelina Alves Trindade (Teologia, STBNB, 1977)
Flávio Marconi L. Monteiro (Teologia, STBNB,1978)
Lecio HomeroWanderley (Min. Cristão, STBNB, 1979)
Neilson Xavier de Brito (Teologia, STBNB, 1980)
Manoel Alves Barbosa (Teologia, STBNB, 1981)
Valdir Soares da Silva (Teologia, STBNB, 1982)
167
Misael Barbalho de Andrade (Teologia, STBNB, 1988)
Sandrino de Siqueira Sales (Teologia, STBNB, 2000)
André Henriq. Ferreira Santos (Teologia, STBNB, 2001)
Salomão Bernardes da Silva (Teologia, STBNB, 2001)
Paulo Santos Filho (Teologia, STBNB, 2002)
Na área de Educação Religiosa, os Bacharéis:
Risoleta Alves Silva (Edu. Religiosa, STBNB, 1967)
Éster Aragão Araújo (Edu. Religiosa, STBNB, 1967)
Miriam Sales Rocha (Edu. Religiosa, STBNB, 1967)
Aurissina Ferreira Costa (Edu. Religiosa, STBNB, 1971)
Na área de Música Sacra, os Bacharéis:
Jussy Pessoa Barbosa (Música Sacra, STBNB, 1963)
Abigail Alves Aragão (Música Sacra, STBNB, 1969)
Osires Farias Macedo (Música Sacra, STBNB, 1973)
Berenice Lima Messias (Música Sacra, STBNB, 1981)
Alexandre de C. Borba (Música Sacra, STBNB, 1982)
Hoffman Urquisa A. Pereira (Música Sacra, STBNB, 1990)
Francisco J. Alves Almeida F. (Música Sacra, STBNB, 2000)
Não se encontram listados, à falta de elementos para
pesquisa, os alunos recomendados por outras igrejas e que,
posteriormente, se tornaram membros da IBCOR. Dentre
esses, muitos já estão na Glória com o Senhor, enquanto outros
O servem e ao Seu Reino na Igreja, no Estado de Pernambuco
e em vários Estados do pais e fora dele.
168
Capitulo XVII
A Missão da Igreja e sua Visão
para o Futuro
Hoje, no limiar do Centenário de organização, sob a direção
do Pastor Miquéias da Paz Barreto, a IBCOR prossegue
com a Visão de ser uma Igreja Viva para o Deus
Vivo, consciente da Missão de Servir e viver em pleno
compromisso com Cristo e na comunhão dos irmãos,
fazendo Discipulos para a Glória do Deus Vivo. Amém,
Amém e Amém.
169
Parte II
A História do Povo de
Deus chamado Batista
170
Capítulo XVIII
O Povo de Deus chamado Batista
A origem do grupo cristão Batista, ou como nos identificamos,
o povo de Deus chamado Batista, tem a sua origem
histórica na Inglaterra e na Holanda, no século XVII.
Imigrando parte do grupo inglês para a América do Norte,
ali se desenvolveram, chegando a ser uma das maiores denominações
cristãs do Novo Mundo. Desafiados a vir para
o Brasil, os primeiros missionários aqui chegaram no final
do século XIX, fundando a primeira Igreja Batista em solo
brasileiro em 1881 e 1882 em Salvador, na Bahia. Encontraram
apoio nas duas primeiras Igrejas Batistas existentes,
de Santa Barbara (1871) e da Estação (1876), onde já havia
um brasileiro, consagrado ao Ministério Pastoral. As primeiras
igrejas Batistas no Brasil são, pela ordem cronológica
de organização: (1) Igreja Batista de Santa Bárbara, em Santa
Bárbara (SP) (1871)274; (2) Igreja Batista da Estação, em
Santa Bárbara (SP) (1876) 275; (3) Igreja Batista da Bahia, em
Salvador (BA) (1882); (4) Igreja Batista do Rio de Janeiro,
no Rio de Janeiro (DF) (1884); (5) Igreja Batista de Maceió,
em Maceió (AL) (1885); (6) Igreja Batista do Recife, no Recife
(PE) (1886).
A história dos Batistas no mundo pode ser contada tendo
por partida dois enfoques principais: (a) das suas doutrinas;
(b) do surgimento no cenário mundial com o nome Batista.
Considerando suas raízes doutrinárias, os Batistas saem
diretamente das páginas do Novo Testamento, dos ensinos
274 OLIVEIRA, Betty Antunes de. Centelha em Restolho Seco, Edição da Autora,
1982, p.
275 OLIVEIRA, Betty Antunes de. opus cit, 1982, p.
171
de Jesus Cristo e dos seus Apóstolos. Tem sua trajetória
marcada pela oposição a toda corrupção da doutrina cristã
claramente exposta no Novo Testamento.
Ao consultar a Declaração Doutrinaria da Convenção
Batista Brasileira, você verá que as nossas doutrinas saem,
com clareza límpida, das Sagradas Escrituras.
A corrupção de algumas doutrinas e práticas do cristianismo
começou a surgir muito cedo em sua história, como
pode ser constatado nos escritos dos apóstolos. Esta corrupção
foi-se ampliando após a “conversão” do Imperador
Constantino (306 a 337) ao cristianismo, ocorrida a partir
de 312, quando incorporou a cruz ao seu estandarte e passou
a favorecer os cristãos.
Muitos destes resistentes rejeitavam as inovações doutrinárias
e as práticas e, por isso, foram perseguidos, exilados
e mortos. Eles mantiveram acesas as doutrinas cristãs
genuínas e possibilitaram que, através dos tempos, outros
se levantassem na Idade Média, como Cláudio de Turim,
Pedro de Bruys, Henrique de Lausanne, Pedro Valdo João
Wycliffe, João Huss e muitos outros.
Com o surgimento da Reforma Protestante, liderada
por Martinho Lutero, e deflagrada em 31 de outubro de
1517, quando da publicação das suas famosas 95 teses na
porta do Castelo de Wittenberg, criou-se a oportunidade
de que muitos grupos dissidentes intensificassem suas pregações.
Entre eles estavam os chamados anabatistas, que
sustentavam muitas doutrinas que os Batistas esposam e representavam
o grupo mais ativo e poderoso daquele momento.
O nome que lhes foi dado, Anabatistas, significa
“rebatizadores”276.
Nós, Batistas, somos historicamente considerados como
fruto do movimento puritano-separatista da reforma ingle-
276 CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA, Livro do Mensageiro 2002.
172
sa277. Os Batistas gerais, arminianos em sua teologia, muito
devemos a John Smith (?-1612), um separatista que levou
sua congregação de Gainsborough, na Inglaterra, a Amsterdam,
na Holanda. Lá, entre os anos de 1608 e 1609, por
influência menonita (adeptos de Menno Simons), batizou a
si próprio e, em seguida, os outros membros da sua congregação.
Essa congregação dividiu-se e uma parte retornou à
Inglaterra, onde fundou, entre os anos de 1611 e 1612, na
Rua Newgate, em Londres, a primeira congregação Batista
em solo inglês.
Cerca de vinte anos depois, um grupo se separou da
Igreja Congregacional de Southwark, Inglaterra, em 1633,
em decorrência das suas convicções Batistas, fundando a primeira
congregação Batista particular, de teologia calvinista.
Essa congregação, em 1641, adotou o batismo por imersão,
prática logo aceita por todos os Batistas ingleses.
As convicções religiosas que levaram puritanos e separatistas
à Holanda, levaram outros, com semelhantes idéias,
a emigrarem para o Novo Mundo, para as colônias inglesas
da América. Dentre esses grupos, se destaca uma parte da
congregação de Leide, Holanda, que estabeleceu a colônia
da Baia de Plymouth, em Massachussets, em 1620, dando
origem à Igreja Congregacional da Nova Inglatérra.
Um grupo de integrantes da colônia da Baia de Plymouth,
por divergirem da maioria da congregação no tocante algumas
doutrinas, especialmente no tocante ao batismo, foram
banidos dessa colônia. Liderados por Roger Williams
dirigiram-se para Providence, na Colônia de Rhode Island,
onde fundaram, em 1639, a primeira igreja Batista na América
do Norte278.
277 Reiley, Ducan A. História documental do protestantismo no Brasil, p. 122.
278 Reiley, Ducan A. opus cit, p. 122.
173
Ducan A. Reiley, ao comentar uma referência de Winthrop
Hudson, na obra “Religion in América”, declara que
há um parentesco doutrinário entre presbiterianos, congregacionais
e Batistas279. De fato, as doutrinas básicas das nossas
confissões de fé são as mesmas. Essa posição é esposada
por Jeronymo Gueiros, na conclusão do seu trabalho sobre
os primeiros grupos evangélicos em Pernambuco280 (Religiões
Acatólicas de Pernambuco”, Revista do Instituto Arqueológico,
Histórico e Geográfico Pernambucano (Volume XXIV,
páginas 434-476).
Segundo Reiley, a expansão dos Batistas nas colônias inglesas
da América se deve especialmente aos chamados farmer-
preachers (pregadores rurais), pessoas que se sentiam
vocacionadas para proclamar a palavra de Deus, mas não
tinham preparo intelectual nem sentiam necessidade dele.
Ganhavam seu sustento trabalhando na agricultura e pregando,
quando lhes surgia oportunidade. Não havia muita
preocupação com o preparo teológico nesses tempos coloniais,
embora em 1764 tenha sido fundado o Rhode Island
College, a atual Brown University.
Os Batistas se multiplicaram, de modo que, em 1707, organizaram
a primeira convenção na Cidade de Filadélfia, no
mesmo local onde os presbiterianos haviam, no ano anterior,
organizado o primeiro presbitério. Os Batistas, nessa Convenção,
adotaram a chamada Confissão de Filadélfia, uma
versão modificada da Confissão de Fé de Westminster. “Essa
Confissão de Fé da Filadélfia era uma versão ligeiramente emendada
da “Confissão de Fé de Westminster”. Segundo as mudanças
introduzidas pela declaração de Savoy (1658) dos congrecionalistas
ingleses, com uma modificação adicional sobre o batismo”281.
279 Reiley, Ducan A. opus cit, p. 122 e 155
280 GUEIROS, Jeronymo, Religiões Acatólicas de Pernambuco, in Revista do Instituto
Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco Volume XXIV, p.
434-476.
281 Reiley, Ducan A. opus cit, p. 122
174
A partir da visão de William Carey, um jovem pregador
inglês, teve início um movimento missionário para a divulgação
do Evangelho Cristão na Índia, tendo sido criada a
Sociedade de Missões no Estrangeiro, que teve uma participação
muito grande na expansão da obra Batista na Ásia e
África além de outros continentes e inclusive no Brasil.
Os Batistas, a partir da Inglatérra, passaram a enviar pregadores,
no século XIX, para vários países da Ásia, África e
América do Sul, inclusive o Brasil, onde chegaram primeiros
missionários em meados do Século XIX. Os Batistas
norte-americanos, por sua vez, foram motivados a divulgar
o cristianismo no mundo a partir da experiência de uma jovem
casal de pregadores, Ana e Adoniram Judson. Estes haviam
sido enviados em 1812, pela Igreja Congregacional, a
Calcutá, para evangelizar a Índia. Examinando a Bíblia, especialmente
o Novo Testamento, no tocante à doutrino do
batismo, já que iriam se encontrar com o missionário Batista
William Carey e seu grupo de Pastores, acabaram por concluir
que os Batistas estavam certos e aderiram a eles, sendo
batizados pelo por William Ward, companheiro de Carey.
O mesmo aconteceu com Luther Rice, outro missionário
congregacional enviado a Índia, que se tornou Batista.
Eles decidiram que Adoniram Judson permaneceria no
Oriente e Luther Raice voltaria aos Estados Unidos para
mobilizar os Batistas para a obra missionaria. Seu trabalho
vingou e, em maio de 1814, foi fundada uma Convenção em
Filadélfia com o nome de Convenção Geral da Denominação
Batista nos Estados Unidos para Missões no Estrangeiro. A partir
daí, a obra missionária dos Batistas iníciou um grande crescimento
chegando, inclusive, através dos Batistas do Sul dos
Estados Unidos, ao Brasil, onde foi organizada, no dia 15
outubro de 1882, a Primeira Igreja Batista para Brasileiros
em nossa terra e, deste trabalho, é que surgiu a Convenção
Batista Brasileira.
175
Hoje os Batistas estão presentes, em cerca de 200 países
e representam uma população de perto de quarenta milhões
de membros, atingindo cerca de cem milhões de pessoas no
mundo inteiro, a grande maioria congregados na Aliança
Batista Mundial.
176
Capítulo XIX
Os Pioneiros Evangélicos em Pernambuco
A mensagem do Evangelho de Cristo em terras brasileiras
é muito anterior à chegada dos cristãos Batistas. Os
primeiros colonizadores portugueses já trouxeram em seus
navios os primeiros padres, que aqui celebraram os cultos
segundo a litúrgia católico-romana, em latim. Todavia a
mensagem do Evangelho, transmitida na língua do povo e
da forma que os cristãos evangélicos concebemos e compreendemos,
somente veio a ser pregada no período da colonização
holandesa do Nordeste, entre 1630 e 1654, pelos
cristãos da Igreja Reformada Holandesa, que se estabeleceu
em Pernambuco, na sombra do empreendimento políticomilitar
da ocupação holandesa.
Os Calvinistas Holandeses
O movimento da Reforma Protestante sacudiu a Europa
a partir do início do século XVI. A partir das idéias do monge
agostiniano Martinho Lutero, pretendendo a reforma da
Igreja Católica Romana para retornar aos seus princípios.
Quando teve rejeitadas suas idéias, gerou o movimento que
veio a ser denominado de Reforma Protestante.
Ao pensamento de Lutero somaram-se os de João Calvino,
Ulrico Zuinglio e outros reformadores menos conhecidos.
As idéias destes pensadores cristãos geraram uma nova
igreja cristã, separada da Católica Romana, buscando o retorno
ao cristianismo primitivo.
O movimento, que pretendia apenas reformar a Igreja
Católica Romana, quando rejeitado, tornou-se a fonte da
177
reforma do cristianismo, agora não mais dentro da igreja
católica (universal). Entretanto, culminou com o estabelecimento
de novas igrejas cristãs, independentes e desvinculadas
da Igreja de Roma, denominadas Igrejas Protestantes,
entre as quais a Igreja Luterana, na Alemanha; a Igreja Reformada,
na Suíça, Paises Baixos e na França e vizinhanças;
a Igreja Anglicana, na Inglaterra e nas colônias inglesas; a
Igreja Presbiteriana, na Escócia, para citar algumas.
O movimento da Reforma Protestante, embora de caráter
religioso, em razão da Igreja Católica ser, de direito ou de fato,
a Igreja oficial nos países europeus, estava umbilicalmente
ligado à questão política. Os príncipes e reis eram sagrados
e coroados pelo dirigente da Igreja Católica, o Papa, ou por
seus representantes (os bispos), dentro do princípio do direito
divino, segundo o qual o direito a reinar sobre o povo vinha
de Deus – e o representante de Deus na terra era a Igreja Católica
Romana, na pessoa do Papa e dos seus bispos282.
O rompimento religioso com a Igreja Católica Romana
implicava, também, num rompimento político com aqueles
que continuavam aliados, diríamos melhor, subservientes a
esta. O movimento da Reforma Protestante não somente
abalou todas as relações religiosas e políticas entre as nações
européias, mas também alterou o equilíbrio comercial
existente. Os habitantes dos Paises Baixos (correspondentes
hoje à Bélgica e à Holanda) eram territórios submetidos ao
domínio político da Espanha e tinham um comercio muito
desenvolvido com Portugal, financiado nos dois lados por
ricos financistas judeus.
A União Ibérica, isto é, a união dos Reinos de Portugal
e da Espanha, sob o mesmo monarca, Felipe II, em 1580,
pôs fim ao lucrativo comercio entre Portugal e as Províncias
282 PEREIRA DA SILVA, Francisco Bonato. Protestantismo de Conquista: As experiências
calvinistas no Brasil. Monografia apresentada na disciplina Expressões Teológicas
no Brasil do Curso de Mestrado em Teologia do STBNB. Recife: 2005.
178
Unidas (Paises Baixos), tendo por base principal o comércio
do açúcar produzido no Brasil, porque estavam em guerra
contra o soberano da Espanha, que agora ditava as regras
em Portugal.
Os comerciantes das Províncias Unidas, sob a liderança
dos holandeses, partiram então para planejar a ocupação
da fonte da produção do produto cobiçado – o açúcar. A
primeira tentativa, em 1624, na Bahia, não logrou sucesso
e, na retirada, em 1625, planejam investir na ocupação do
Nordeste do Brasil. Assim, em 1630, os holandeses, com
um grande contingente militar, invadem e ocupam a Capitania
de Pernambuco, estabelecendo-se aqui no Nordeste
até 1654, ocupando o litoral desde Sergipe até o Ceará, tendo
por capital administrativa o Recife.
O período de apogeu da colonização holandesa no Brasil
ocorreu entre 1637 e 1644, quando a colônia esteve sob a
administração do Conde João Mauricio de Nassau-Siegen,
príncipe protestante alemão, que desenvolveu a colônia, financiando
os produtores de açúcar e de outros produtos,
concedendo a liberdade religiosa, de modo indistinto, inclusive
a católicos e judeus, podendo todos praticar a sua
religião, ou até não praticá-la. Basta verificar que, entre os
cerca de dois mil integrantes do empreendimento políticocomercial
holandês, apenas quatrocentos eram membros da
Igreja Reformada Holandesa.
O mérito da Igreja Reformada Holandesa, no nordeste
do Brasil, foi trazer a mensagem do Evangelho na língua
do povo. Até então, o Evangelho era pregado em latim, incompreensível
para o homem comum. Passou a haver pregadores
da Palavra Sagrada falando na língua holandesa, na
língua inglesa e na língua francesa. Havia também os da língua
portuguesa e da língua nativa (indígena). Entre estes últimos,
os princípios do Evangelho na concepção reformada
179
permaneceu mesmo depois da retirada dos holandeses até o
extermínio dos indígenas pelos jesuítas.
O culto protestante reformado disseminou-se por toda
a Capitania de Pernambuco e pelas vizinhas. Foram instaladas
igrejas reformadas desde Penedo, na margem do Rio
São Francisco, até o Forte Ceulen (forte Reis Magos), no
Rio Grande do Norte e, por breve tempo, em Sergipe e no
Ceará. Algumas Igrejas da Capitania foram utilizadas como
Templo para o culto da Igreja Reformada Holandesa, como
a Igreja da Sé, em Olinda, antes da destruição da Cidade. A
Igreja do Corpo Santo, no bairro do Recife (demolida em
1914) abrigou, de início, a comunidade reformada e, com
o crescimento da colônia, esta ficou restrita aos da língua
holandesa.
Com a posse da praça do Recife, após a de Olinda, e estabelecida
logo a Igreja Reformada, foi a capela de S. Fr. Pedro Gonçalves,
ou do Corpo Santo, convertida em Templo da seita luterana,
e ao mesmo tempo servindo de jazigo a pessoas distintas, em que
figura um irmão de Nassau, o príncipe Ernesto. 283
Também a Igreja e Convento de Santo Antonio, hoje
na Avenida Dantas Barreto, que serviu de Templo para a
comunidade de lingua inglesa e a Igreja do Divino Espirito
Santo, hoje na Praça 1817 (Praça Dezessete). Esta última
foi projetada pelo arquiteto Pieter Jansz Post (1608-1669)
como “uma réplica em ponto pequeno da Catédral de Haarlem”,
em local hoje ocupado pela igreja do Divino Espírito Santo.
284 Foi a única construída durante o domínio holandês
para abrigar a comunidade de língua francesa. Mais tarde,
foi reformada, sendo alterada nas suas caracteristicas originais.
No Cabo de Santo Agostinho, a secular Igreja de Na-
283 PEREIRA DA COSTA, Francisco Augusto, Anais Pernambucanos. Recife:
Companhia Editora de Pernambuco, 1982, p. 591.
284 DANTAS DA SILVA, Leonardo, Os Holandeses em Pernambuco: Uma Historia
de 24 anos. in Jornal do Commercio (RECIFE), Edição de 13 de Outubro de
2003, Segunda-Feira.
180
zaré serviu de Templo para a comunidade reformada que ali
vivia e trabalhava. Estas foram as igrejas que identificamos,
visitando-as os locais das suas edificações.
A Igreja Reformada, no auge da ocupação holandesa no
Nordeste, teve vinte e duas igrejas. Destas, onze eram igrejas
organizadas, formalmente, com Conselho e Junta diaconal:
(1) Rio São Francisco no Forte Maurício (hoje Penedo,
AL); (2) Porto Calvo (AL); (3) Sirinhaém (PE); (4) Cabo
Santo Agostinho (Porto de Suape, PE); (5) Santo Antonio
do Cabo (hoje Cabo de Santo Agostinho, PE); (6) Recife
(PE); (7) Itamaracá (PE); (8) Goiana (PE); (9) Paraíba (Filipéia
da Paraíba); (10) Forte Margarita, em Cabedelo (PB); e
(11) Forte Ceulen, Natal, Rio Grande do Norte.
Três congregações reformadas eram compostas de índios,
situadas entre Itamaracá e Paraíba: (1) Itapecerica, dirigida
pelo Reverendo Johannes Eduardus; (2) Ilha de Maurícia,
dirigida pelo Reverendo David à Doreslaer; (3) Massurepe,
aldeia do índio convertido Pedro Poti, onde ministrou
o Reverendo Thomas Kemp. Havia, ainda, uma pequena
congregação reformada na ilha de Fernando de Noronha.
Assim, durante este período, havia uma igreja reformada
nos lugares mais importantes do Nordeste daqueles dias.
O Dr. Richard Sturz, no prefacio do livro “A Igreja e Estado
no Brasil Holandês”, de Franz L. Schalkwijk, diz: “Puritanos
em seu comportamento e exemplares em suas atividades,
aqueles calvinistas deixaram sua marca no nordeste, a qual permaneceu
muito depois de terem sido expulsos dali”. E, conforme
designação da época, a principal tarefa dos Pastores era ser
“Verbi Divini Minister” (“Servos da Palavra de Deus”), expondo
de forma constante os ensinos bíblicos, inclusive na
parte referente aos temas sociais e econômicos. Como registra
o Rev. Francisco Leonardo, em livro já citado, falando
sobre aqueles Pastores:
181
Em sua maioria eram alunos do reformador João Calvino
e seu sucessor, o francês Theodorus Beza. Conheciam o
pensamento econômico e social de Calvino, exposto nos seus
inúmeros comentários sobre os livros bíblicos, em sermões
e outras publicações285”
A educação do povo, segundo os princípios da Igreja Reformada,
era tarefa árdua, mas a diretriz de ensino era clara,
porque a Reforma Protestante havia trazido uma revolução
na avaliação do trabalho e da educação. A educação, por sua
vez, era direito de todos. O conhecimento enobrece o homem
e impede a proliferação de heresias.
Segundo o pensamento teológico reformado, o trabalho
dignificava o homem, não o escravizava, ao contrário
do pensamento preponderante na Idade Média. Lutero e
Calvino haviam enfatizado que todo cristão era um sacerdote,
cada um na sua profissão honesta, e que trabalhar era
bom, era uma bênção de Deus. Mendigos profissionais não
tinham lugar na sociedade cristã reformada e, por outro lado,
fazia-se um alerta constante contra o trabalho excessivo.
Era roubar a si próprio o querer enriquecer privando-se do
repouso (para descanso pessoal e serviço ao Senhor) e dos
divertimentos permitidos e dignos (para a satisfação pessoal
e a boa comunhão familiar). Portanto, eles eram contra a
secularização do trabalho, e igualmente contra o seu endeusamento.
Essa posição era frontalmente contrária à doutrina
católica romana, segundo a qual, o trabalho era uma
punição pelo pecado do homem. A adoção dessa doutrina
gerou a riqueza na sociedade protestante, em contraposição
com a pobreza gritante da sociedade católico-romana.
A Igreja Reformada Holandesa se espalhou pelo Nordeste,
no rastro da ocupação holandesa, espalhando a mensagem
do evangelho. A partir de Sergipe até o Maranhão,
285 SCHALKWIJK, Franz Leonard. A Igreja e o Estado no Brasil Holandês, p. 44.
182
foram plantadas comunidades reformadas, tanto para aténder
aos cristãos reformados, participantes do empreendimento
econômico-militar, como a população em geral, inclusive
os indígenas, com pregadores para este ministério
especifico, que traduziram para a lingua nativa trechos das
Escrituras e do Catécismo reformado.
A história da Igreja Reformada no Brasil holandês inclui
entre seus integrantes pelo menos quatro lideres nativos: (1)
Domingos Fernandes Calabar, mameluco; (2) Pedro Poty,
indigena; (3) Antonio Parahupaba, indígena; (4) João Nhandui
(João Pregador), indígena; (5) Carapeba. Estes tiveram
importantes papéis no cenário do Brasil Holandês.
A denominada Guerra da Restauração Pernambucana,
oriunda de mobilização de Senhores de Engenho portugueses,
grandes devedores dos holandeses, reuniu tropas particulares
e algumas do reino. Conseguiram vencer os holandeses
nas históricas batalhas das Tabocas (Vitória de Santo
Antão e dos Guararapes), reunindo contingentes de portugueses,
brasileiros, negros e indígenas no que é considerado
o núcleo originário da nação brasileiro e seu Exército.
Vencidos os holandeses, negociada a rendição, com a saída das
tropas holandesas e o perdão para os que desejassem ficar na colônia,
posto que muitos oficiais holandeses haviam se casado com
mulheres da terra. Os índios dos contingentes “brasilianos”, considerados
“rebeldes à Coroa de Portugal” foram incluídos no perdão
geral da capitulação da Campina da Taborda, de 26 de fevereiro
de 1654. Esses indígenas, em sua maioria absoluta, porém
não acreditaram nas promessas portuguesas, porque bem vivas na
memória as traições cometidas anteriormente noutras situações
quando, prometido o perdão, depois de entregarem as armas e se
renderem foram mortos de forma covarde, sob o argumento de
que, palavra dada a herege não tinha valor.
Os indígenas remanescentes, sob o comando de Antônio Parahuba,
percorreram cerca de oitocentos quilômetros, desde o Re183
cife e Itamaracá, dirigindo-se para o norte e depois para o oeste,
reunindo as familias e chegando ao sertão cearense, no vale do Jaguaribe,
onde organizaram o enclave da Serra da Ibiapaba, que
denominaram de Cambressive, onde se juntaram aos tabajaras
e permaneceram anos mantendo contatos com os holandeses. A
população indígena dessa localidade deve ter chegado a quatro mil
pessoas, constituindo-se numa verdadeira Palmares dos índios.
Os navios corsários holandeses mantiveram contato com eles e, em
um desses navios, viajou Paraupaba para a Holanda, na companhia
dos dois filhos menores, como representante da nação indígena
do nordeste.
Em agosto de 1654, Antonio Paraupaba apresentou na Holanda
uma “Remonstrância” (pedido) ao governo central dos Estados
Gerais dos Países Baixos, em nome da “nação índia inteira”.
O pedido era de que os Estados Gerais dos Países Baixos, como
“senhores alimentadores da igreja verdadeira de Deus”, mandassem
socorro o quanto antes, caso contrário, seus brasilianos seriam
extirpados. O governo apoiou o pedido, mas, aparentemente, não
fez muito, porque cerca de vinte meses depois (1656) Antonio Paraupaba
entregou uma segunda “Remonstrância” com súplica pelo
seu povo, onde pedia, em especial, a presença de pregadores para o
seu povo: “Ajudem agora! A luz da Palavra de Deus será apagada
por falta de Pastores.” Não há registro de providência tomada,
mas tecidos e armas devem ter chegado ao Nordeste na barra
do rios Camocim, Jaguaribe e Açu, fomentando o que veio a ser
conhecida como “Guerra dos Bárbaros” que envolveu a população
indígena da região, no último quartel do Século XVII. Parahupaba
permaneceu na Holanda, onde faleceu, possivelmente, no inverno
de 1657, de vez que na capa da publicação que contém as
duas “Remonstrâncias” registra que ele “durante sua vida foi Regedor
dos Brasilianos na capitania do Rio Grande286”
286 SOUTO MAIOR, Pedro. A Missão de Antonio Parahupaba Perante o Governo
Holandes.
184
Os Jesuítas visitaram a região da Serra da Ibiapaba, entre
eles o padre Antônio Vieira, Geral no Brasil (1654), conforme
sua afirmação “a região tinha se tornado uma verdadeira
Genebra de todos os sertões do Brasil” como registra Barros em
seu artigo:
Essa mescla de barbarismos, gentilidades e heresias fazia
da Ibiapaba, segundo Vieira, um refúgio de malfeitores.
A vinda de índios de Pernambuco para a serra, cujo contato
com os holandeses tinha sido intenso, transformava
aquele ambiente na “Genebra de todos os sertões do Brasil”,
pois muitos daqueles índios haviam nascido e se criado
com os holandeses. Nessa Babel de idéias protestantes,
judias e gentílicas, os pernambucanos eram tratados pelos
naturais da serra como homens letrados e sábios, por saberem
ler e trazerem consigo livros, sendo, portanto, formadores
de opiniões. Horrorizado, Vieira definia aquela sociedade
como “infernal ou mistura abominável de todas as
seitas e todos os vícios, formada de rebeldes, traidores, ladrões,
homicidas, adúlteros, judeus, hereges, gentios, atéus
e tudo isso debaixo do nome de cristão.287
A influência religiosa reformada havia sido mais profunda
do que se podia imaginar e os padres católicos romanos
ficaram atônitos diante dos trajes fino dos indígenas, da arte
de ler e de escrever e da firmeza religiosa, porque “muitos
deles eram tão calvinistas e luteranos como se houvessem nascido
na Inglatérra ou Alemanha”, e consideravam a igreja católica
romana uma “igreja de moanga”, isto é, uma igreja falsa.
Esta situação fez com que Antonio Vieira, no retorno
a Portugal deixasse aos jesuítas o encargo da instrução dos
índios, com expressa recomendação para a “reformação” da
influência holandesa. Cabe lembrar que os jesuítas haviam
287 BARROS, Paulo Sergio. Idolatrias, Heresias, Alianças: a resistência indígena no
ceará colonial. In ETNHOS. Revista Brasileira de Etnohistória, Ano II, Número
II, Jan-Junho 1998.
185
sido, desde a criação da ordem, comissionados para evangelizar
os povos indígenas e para enfrentar a Reforma Protestante.
Natural que fossem encarregados da recatolização
dos índios catéquizados pelos protestantes holandeses.
A missão jesuíta da Serra da Ibiapaba, com obstinação,
conseguiu arrebanhar os remanescentes indígenas para a
obediência católico romana, mas somente foi possível quando,
no fim do século XVII, a maioria dos guerreiros havia
morrido em luta e os remanescentes eram mulheres e crianças.
Era o fim da influência da mensagem Evangélica pregado
pela Igreja Reformada, durante a colonização holandesa
no Brasil.
Os Episcopais Ingleses
Os primeiros episcopais ingleses chegaram ao Brasil com
a esquadra britânica que, em 1808, escoltou a Corte Portuguesa
e entre os diplomatas, comerciantes e técnicos ingleses
que vieram em decorrência do tratado celebrado com o
Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarve. Sendo grande
o número de súditos britânicos, as negociações envolveram
a permissão para o exercício da sua religião, com a construção
de casas de culto (sem aparência externa de Templo) e
de cemitérios (estes eram administrados pela Igreja Católica).
A Constituição de 1824 trouxe uma pequena abertura
em matéria de liberdade religiosa, para possibilitar a vinda
de imigrantes para povoar e cultivar as grandes extensões de
terras do país288.
A Questão das Biblias Falsas
Em 1870, dois séculos depois da expulsão dos holandeses,
o General Abreu e Lima retornou da Colômbia e Vene-
288 MUIRHEAD, Harold H. “Evangélical Christianity in Brazil”, Tese de doutoramento.
186
zuela, onde tinha tomado parte, ao lado de Bolívar, na luta
pela independência daquelas colônias espanholas. Imbuído
do espírito de liberdade e tolerância religiosa, e conhecedor
das doutrinas da Bíblia, ainda que não se houvesse filiado a
qualquer organização evangélica, começou a distribuir tratados
e Novos Testamentos entre seus amigos e conhecidos.
Como era de esperar, esta ousadia foi incontinente repelida
pelo cônego Pinto de Campos, legado papal, que, no Diário
de Pernambuco, pretendeu fulminar o inovador.
A resposta não se fez esperar. Abreu e Lima replicou
pelo Jornal do Recife, abordando o mesmo assunto: a questão
das Bíblias falsas. Em Janeiro de 1867, o general publicou
um livro volumoso que tinha como título: “Bíblias Falsas, ou
duas respostas ao cônego Pinto de Campos, pelo Cristão Velho”.
Pela clareza e concisão dos argumentos, todo mundo podia
ver que as acusações clericais contra as Bíblias editadas em
Londres eram destituídas de fundamento.
O povo deu o seu veredito à verdade ensinada pelo velho
soldado que, em 1869 entregou sua alma ao Criador. Como
o adversário conseguisse do bispo Cardoso Ayres a proibição
de enterrar o herege no cemitério de Santo Amaro foi, pela
colônia inglesa, oferecida morada aos restos mortais do grande
batalhador. Sete dias depois, uma grande massa de povo
dentre o melhor elemento da sociedade, conforme nos diz o
Dr. Sebastião Galvão no seu trabalho “Diccionario Chorografico,
Histórico e Estatístico de Pernambuco”, rumou em direcção
do cemitério inglês para prestar solene homenagem ao falecido
general Abreu e Lima, como uma afronta ou desrespeito
às ordens da maior autoridade catolica em Pernambuco289.
Morto Abreu e Lima, o assunto não morreu com ele. A
questão de Bíblias falsas e verdadeiras nunca mais deixou de
289 Vicente Themudo Lessa, citado por Jeronymo Gueiros, em Religiões Acatholicas
em Pernambuco.
187
ser assunto de controvérsia forçada e o povo, levado pela
curiosidade natural a pesquisar a questão, despertou muitas
consciências pela simples leitura da Bíblia, ficando aguardando
a chegada de quem lhes ministrasse mais esclarecimentos
sobre a verdade.
Os Congregacionais
Os congregacionais chegaram ao Brasil em 1855, quando
o médico escocês Roberto Reid Kalley e outros dois casais
chegaram ao Rio de Janeiro. Era Kalley um homem
notável, poeta, músico e filólogo, que vinha da vinha da Ilha
da Madeira, de onde mais tarde chegaram mais dois casais
portugueses. Estes pioneiros começaram a pregação do
Evangelho e, em breve tempo, tinham um grupo de adeptos,
com os quais foi organizada a Igreja Fluminense. No
ano seguinte (1856), Manoel da Silva Vianna, Diácono da
igreja, mudou-se para a cidade do Recife, onde teve êxito
na pregação. Com um pequeno grupo de crentes, foi organizada
a Igreja Evangélica Pernambucana, em 19 de Outubro
de 1875. Era o início do trabalho evangélico no Recife
e no Estado de Pernambuco. A facilidade com que se estabeleceram
foi notável, quase um milagre, numa situação
de intolerância religiosa por parte da Igreja oficial. O Dr.
Kalley, na ocasião da organização da Igreja, fez uma série de
conferências no Teatro Santa Isabel, na presença de pessoas
distintas, quando houve muitas conversões. Estavam, ainda,
bem presentes no espírito do povo, as idéias geradas pela
controvérsia sobre a veracidade das bíblias, ocorrida oito
anos antes. A semente lançada naquela oportunidade estava
pronta a frutificar.
Os congregacionais enviaram para o Recife, em 1878,
o missionário Reverendo William Bowers, que pouco tempo
permaneceu, falecendo em decorrência da epidemia de
febre amarela, que dizimou grande parte da população, es188
pecialmente os estrangeiros, entre eles muitos dos ingleses
que trabalhavam na Estrada de Ferro. Em agosto de 1879,
um novo missionário congregacional chegou ao Recife, o
Dr. James Phanstone, que esteve à frente da Igreja Pernambucana
e do trabalho no Estado até 1890, quando foi substituído
por Salomão Ginsburg, enviado por Sara Poulton
Kalley, viúva de Robert Kalley. Foi nessa época que Mello
Lins chegou ao conhecimento do Evangelho e passou a freqüentar
Igreja Pernambucana que era dirigida pelo Pastor
Vianna e, mais tarde, pelo missionário James Phanstone.
As idéias libertárias da maçonaria, em seus vários aspectos,
inclusive religioso, contribuíram para o despertamento
da liberdade de consciência. Aquela ordem foi um forte
baluarte na propagação da liberdade religiosa. E ainda
que não tenha credo religioso, esteve sempre ao lado dos
evangélicos, quando estiveram oprimidos na sua liberdade
de consciência. “O Estado de Pernambuco tinha na época, como
em muitas outras, uma pleiade de homens de valor que não dobravam
sua cerviz ao despotismo do clero romano, e, sem que fossem
evangélicos, estavam a seu lado por questão de justiça. A própria
imprensa pernambucana em sua maioria talvez era liberal”290.
Tudo concorria, pois, para a propagação do Evangelho
em Pernambuco e no Brasil. Isto sentiram as diversas denominações
evangélicas, que a este tempo estavam prestando
séria aténção ao trabalho missionário. Deus sempre tem tido
na mão o destino dos povos e faz com que, a seu tempo, todas
as coisas contribuam para efetivar seus eternos desígnios.
Outros fatores contribuíram para a abertura religiosa,
quando os filósofos franceses semearam pela Europa as
idéias de liberdade, igualdade e fratérnidade entre os povos,
repercutindo estas no Novo Mundo. As várias denomina-
290 MESQUITA. Antonio Neves. História dos Baptistas em Pernambuco. p. 8
189
ções evangélicas despertaram para a missão de proclamar o
Evangelho da Graça de Cristo aos povos.
Os Presbiterianos
O primeiro missionário presbiteriano, Ashbel Green Simonton,
chegou ao Rio de Janeiro em 1859. Ele teve uma
impressão decepcionante da religiosidade do povo. Se, por
um lado, os brasileiros tinham sido tocados pelas idéias de
liberdade, o seu pensamento estava distante da religião. E,
conhecendo unicamente a religião católica, ao se ver livre das
amarras desta, não tendo nenhum outro ponto de vista religioso
a adotar, abandonou por completo a religião, tornando-
se ateu ou, no mínimo irreligioso. Assim, Ashbel Green
Simonton, ao contemplar a situação religiosa brasileira,
concluiu que se podia haver um povo sem religião, este era o
brasileiro. Essa impressão transmitiu ele à sua Junta, mas não
desistiu da sua missão. Juntou-se a outro missionário presbiteriano,
Alexander Latimer Blackford, que chegara ao Rio de
Janeiro mesmo ano. Em 1860, alugaram uma sala, onde passaram
a pregar e, em 12 de Janeiro de 1862, era organizada a
Primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.
O missionário presbiteriano John Rockwell Smith chegou
a Pernambuco em 15 de janeiro de 1873, estabelecendo
sua residência no Recife, de onde partiu para visitar as principais
cidades da região. Publicou Salvação de Graça (1875-
76). Organizou a Igreja Presbiteriana do Recife em 11 de
agosto de 1878 e preparou os primeiros ministros nacionais
do norte, entre eles João Batista de Lima, José F. Primênio
da Silva e Belmiro de Araújo César (1860-1930), ordenados
em 1887. Também estudou com ele o presbítero William
Calvin Porter, seu cunhado, criado no Brasil. Smith também
organizou a Igreja da Paraíba (1884) e Pão de Açúcar
(AL) e Maceió(AL) (1887).
190
Na época da chegada de John Rockwell Smith, estava o
bispo católico romano, Dom Vital, procurando reforçar a
bula papal contra as sociedades secretas, principalmente a
maçonaria, e, como era natural, os maçons puseram-se em
campo. As escaramuças não foram inferiores às do tempo
de Abreu e Lima. Não somente a questão da liberdade religiosa
era cada vez mais agitada, mas o número dos dissidentes
ia aumentando e, com eles, o número de simpatizantes
do Evangelho291. Em abril de 1873, chegou a Recife outro
missionário, o Rev. Doyle, passando os dois a desenvolver o
trabalho no Estado e se estendendo pelos demais estados ao
norte, até o Maranhão, onde foram fundadas igrejas. Em 11
de agosto de 1878, foi organizada, como vimos, a Primeira
Igreja Presbiteriana do Recife, com 13 membros, entre os
quais os missionários e esposas. Em 1887, foi organizado o
primeiro presbitério no Nordeste.
Os Batistas
Os Batistas são, pela ordem cronológica, o ultimo grupo
evangélico a chegar ao Estado de Pernambuco no século
XIX. Apesar disso, vão se desenvolver em maior velocidade
do que os demais grupos que o antecederam, embora nos
primórdios os presbiterianos tenham um desenvolvimento
similar. O primeiro missionário Batista, Thomas Jefferson
Bowen, chegou ao Brasil em 21 de maio de 1860, acompanhado
da esposa Lurenna Henrieta Davis Bowen e da filha
Lula, que tinha dois anos de idade292. Bowen havia sido comissionado
missionário para o Brasil pela Convenção Batista
do Sul dos Estados Unidos e saira do porto de Norfolk,
Virginia (USA) em 30 de março de 1860.
291 MESQUITA. Antonio Neves. História dos Baptistas em Pernambuco. p. 8
292 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 70-71.
191
A missão de Bowen não foi bem sucedida por vários motivos.
Inclusive pela saúde debilitada no período em que esteve
na África e pelo contexto repressor da religião oficial,
a Igreja Católica Romana. Nesse período, manteve contato
com os missionários presbiterianos Simonton e Blackford,
de quem se tornou amigo. Retornou aos Estados Unidos
em 1861, com uma visão pessimista do campo, que transmitiu
aos Batistas americanos que, durante vinte anos não se
dispuseram a enviar novos missionários, apesar dos apelos
das Igrejas de Santa Bárbara.
Os primeiros Batistas vieram para o Brasil com os grupos
de imigrantes que chegaram depois da Guerra da Secessão
(1861-1864). Entre os grupos que se estabeleceram na região
de Santa Bárbara haviam muitos Batistas, presbiterianos
e metodistas, que organizaram suas igrejas. Os Batistas fundaram
a primeira em 1871 (Santa Bárbara) e a segunda na
Estação (1876). Estas duas igrejas, depois de algum tempo,
tiveram despertada a visão missionária e passaram a pedir a
remessa de missionários para evangelizar os naturais do país.
Na Igreja Batista de Santa Bárbara vai ser batizado e
consagrado o primeiro Pastor Batista brasileiro – Antonio
Teixeira de Albuquerque – aquele que vai servir de interprete
e de professor da língua nacional para os primeiros casais
de missionários – Anna Luther e William Buck Bagby, Katharin
e Zachary Clay Taylor – e, junto com eles, parte para
explorar a terra e escolher o primeiro local de semeadura
(Salvador, Bahia), onde fundam a primeira Igreja Batista na
Bahia, em 15 de outubro de 1882, e de onde o Evangelho de
Cristo vai iluminar a pátria brasileira.
O casal Bagby parte para a cidade do Rio de Janeiro, capital
do Império, onde vão fundar a primeira Igreja Batista
do Rio de Janeiro (1884). O Pastor Antonio Teixeira de Albuquerque,
natural de Alagoas, sente desejo de levar mensagem
do Evangelho de Cristo aos seus familiares e ami192
gos residentes em Rio Largo e Maceió, naquela província.
Envia, previamente, textos de sua autoria, um a respeito do
Evangelho e outro em que dava as razões pelas quais deixara
o sacerdócio católico romano. Ambos causam grande impressão
naqueles que os lêem.
193
Capítulo XX
Os Batistas no Brasil
O início do trabalho Batista no Brasil tem dois momentos
históricos relevantes, cada um dos quais tem sua importância
para a compreensão da História deste Povo de Deus
chamado Batista no Brasil, não podendo um ser citado sem
a devida referência ao outro, sob pena de injustiça e falha na
compreensão da cronologia histórica.
Antes, porém, de abordarmos estes fatos, não podemos
deixar de citar o primeiro missionário Batista enviado para
o Brasil pela Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos
(Southern Baptist Convention), Thomas Jefferson Bowen, comissionado
em 1860.
O primeiro destes momentos históricos está relacionado
com a vinda de imigrantes norte-americanos e com a fundação
da colônia de Santa Bárbara, onde foram organizadas
as duas primeiras igrejas Batistas em solo brasileiro: a Igreja
Batista de Santa Bárbara, no ano de 1871, e depois, em
1876, a Igreja Batista da Estação. Os fatos que cercam esse
evento estão descritos, de forma minuciosa, no livro Centelha
em Restolho Seco. Uma Contribuição para a História
dos Primórdios do Trabalho Batista no Brasil, da professora
Betty Antunes de Oliveira293, uma jovem senhora de oitenta
e quatro anos, missionária que, junto com seu esposo,
gastaram a vida no trabalho Batista no Estado do Amazonas.
Hoje, gasta sua aposentadoria fazendo pesquisa e escrevendo
para resgatar fatos históricos de interesse da denomina-
293 Betty Antunes de Oliveira, Centelha Em Restolho Seco: Uma Contribuição
para a História dos Primórdios do Trabalho Batista no Brasil, Edição da Autora,
Rio de Janeiro, 1985, 470 páginas.
194
ção. A leitura desta obra é recomendada a todo Batista preocupado
com sua identidade e história denominacional294.
Uma segunda obra, recém lançada, derivada de uma tese de
mestrado, é O marco inicial do trabalho Batista, do Pastor
Marcelo Santos, da IB de Perdizes, São Paulo, tratando
da mesma matéria, cuja leitura também é importante para a
compreensão de vários aspectos relacionados com a origem
do trabalho Batista no Brasil.
O segundo fato é a organização da Igreja Batista da
Bahia, hoje 1ª Igreja Batista do Brasil, pelos missionários
norte-americanos Zachary Clay Taylor e sua esposa Catharin
Taylor, William Bagby e sua esposa Anna Luther Bagby
e o Pastor brasileiro Antônio Teixeira de Albuquerque.
Naquele local foi fundada a primeira agencia do Reino de
Deus que tinha por missão especifica evangelizar a Pátria do
Cruzeiro do Sul, na feliz expressão cara a muitos missionários
norte-americanos. E é de onde vai irradiar a luz do Evangelho
para iluminar a pátria brasileira, imersa nas trevas da
ignorância, das Boas Novas da Salvação.
A missão de Thomas Bowen no Brasil.
O primeiro Batista a vir para o território brasileiro com
a missão especifica de pregar o Evangelho de Nosso Senhor
Jesus Cristo foi o missionário norte-americano Thomas Jefferson
Bowen
Thomas Jefferson Bowen sentiu a chamada para o trabalho
de missões no estrangeiro e, apresentando-se à Convenção
Batista do Sul dos Estados Unidos (Southern Baptist
Convention.- Foreign Mission Board), foi comissionado para a
África, terra dos seus sonhos. Ele foi o primeiro missionário
enviado para a Africa Central, atual Nigéria, onde chegou
em 17 de dezembro de 1849, tendo retornando aos Estados
294 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 17-19.
195
Unidos em 1853, para uma breve visita, quando se casa com
Lurenna Henrieta Davis em 31 de maio de 1853. Retornando
ao seu campo missionário entre a tribo ioruba, em agosto
desse mesmo ano, quando o flagelo da malária o atinge, prejudicando
sua saúde e seu trabalho, registrando o diário de
sua esposa setenta e sete ataques da doença num período de
três meses295. Todavia, mesmo doente, conseguiu realizar o
seu trabalho, inclusive elaborando uma gramática da língua
ioruba para facilitar a comunicação com esse povo. Alquebrado
e vencido pela doença, retornou aos Estados Unidos
em 15 de julho de 1856. Havia trabalhado na África durante
cinco anos e sete meses296. Bowen nunca ficou totalmente
curado da malária, tendo várias recaídas, vindo a falecer em
conseqüência da moléstia. Esta se característica por momento
de aparente sanidade, intercalados com surtos da doença,
marcados por ciclos de febres e de sudorese. Esta moléstia
ainda hoje é relativamente grave, se não for tratada de
modo conveniente e a tempo. Na época em que Bowen foi
por ela atingido, ainda não tinha cura e poderia vir a causar
a morte, especialmente daqueles oriundos de regiões onde
não existia, como os Estados Unidos. Por isso, eram muito
suscetíveis à moléstia quando em regiões tropicais como
África e Brasil.
Após repousar e recuperar as energias, Bowen passou a
pregar nas cidades, procurando incentivar as igrejas a promoverem
a obra missionária no estrangeiro e estimular jovens
para o trabalho de missões no estrangeiro, para aténder
ao ide de Jesus. Um destes jovens que se converteram pela
pregação de Bowen foi o jovem Richard Ratcliff, de Quincy,
Flórida. A forte influência de Bowen na vida deste jovem
vai levá-lo a descobrir a vocação missionária e se preparar
295 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 66-69.
296 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 69
196
para missões, visando trabalhar na África como o seu pai espiritual,
com quem mantém correspondência, inspirando-se
nas suas experiências.
Não tendo sucesso em retornar para a África e tendo conhecimento
de que no Brasil havia nativos da tribo ioruba,
levados como escravos, desejou ser enviado para pregar a
estes africanos e seus descendentes no Brasil. Essa decisão
teria sido também motivada pela leitura dos textos de Daniel
Parish Kidder e James Coopley Fletcher.
Comissionado, como missionário para o Brasil, pela
Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos, Thomas Jefferson
Bowen, saiu do porto de Norfolk, Virginia (USA)
em 30 de março de 1860, na barcaça Abigail e chegou ao
Brasil em 21 de maio de 1860, acompanhado da esposa Lurenna
Henrieta Davis Bowen e da filha Lula, que tinha dois
anos de idade297.
Desembarcam no dia 21 de maio de 1860, no porto do
Rio de Janeiro, à época capital do Império do Brasil e sede
da corte do Imperador D. Pedro II, sendo hospedados no
Hotel Tijuca, de propriedade do inglês Robert Bennet, onde
permaneceriam durante toda a estadia no Rio de Janeiro.
Sua chegada foi anunciada no Diário do Rio de Janeiro do dia
26, nos seguintes termos:
Dizem-nos que um Pastor norte americano, ultimamente
chegado de Richmond, traz intenções de converter almas
desgarradas às doutrinas da seita dos anaBatistas,
que professa.
Começou já a exercer a sua missão pregando aos pretosminas,
cuja língua fala perfeitamente, aos que nos informam.
Espíritos supersticiosos e timoratos, esses pobres
pretos começam a tributar uma profunda veneração pelo
297 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 70-71.
197
missionário. Tal pregação pode criar deveres prosélitos entre
as inteligências broncas e incultas, e estabelecer no País
uma seita cuja manifestação é inconvenientissima. À autoridade
compete a verificação deste fato.298
Esse mesmo jornal, na sua edição do dia 29, atende a um
pedido de Bowen, no sentido de fazer uma retificação, onde a
emenda sai pior que o soneto, posto que ali declara que a sua
missão é trabalhar na lavoura os escravos que possuía na Geórgia
(USA) e não converter almas desses nem fundar seita299
Nessa época, 1860, estávamos em pleno II Reinado, onde
havia união da Igreja com o Estado, sendo a religião oficial
a Católica Romana. Padres e bispos eram servidores do
Estado, por este remunerados. Paróquias, seminários e outras
organizações religiosas eram subsidiados pelo Estado.
E não era permitido o exercício de outra religião senão em
local de portas fechadas e em edifícios, sem aparência externa
de Templo.
O fato é que Bowen foi chamado a dar explicações às autoridades
e somente liberado depois da intervenção de um
oficial graduado da Marinha norte-americana que se encontrava
no Rio de Janeiro. Esse fato é registrado em carta dirigida
à Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos (Southern
Baptist Convention.- Foreign Mission Board), escrita em
19 de dezembro de 1860.
Esse fato, aliado à queixa de Bowen, que o jornal Diário
do Rio de Janeiro o atacava violentamente e o desagrado do
dono do Hotel Tijuca, onde estava hospedado, em razão das
reuniões realizadas dentro deste, levaram-no a repensar sua
estratégia de trabalho. Passa a imaginar outra forma de divulgação
do evangelho: (a) conversas e contatos com os ma-
298 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 71.
299 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 71.
198
rinheiros, no porto; (2) vendas de bíblias e porções bíblicas,
na região do porto300.
Nessa época, depois de contato com o missionário presbiteriano
Ashbel Green Simonton, chega a conclusão de que
a população nativa do pais, por ser católica, era inacessível
e, a não ser por conversa particular ou por distribuição de
literatura, esta não seria alcançável. Nessa época, envia um
relatório à Missão, onde reafirma a convicção da sua missão
e apresenta oito pontos propondo a forma de trabalho no
Brasil301. Esses pontos vão ser adotados pelos missionários
que virão posteriormente para o Brasil.
As dificuldades financeiras levam-no a pensar em adquirir
uma propriedade, de onde pudesse tirar parte do sustento.
Esses fatos, somados à falta de recebimento de numerário
para sua manutenção e hospedagem, as parcas comunicações
com a Junta de Richmond e os seus problemas de saúde
levam-no a regressar aos Estados Unidos em 9 de fevereiro
de 1861, recebendo um empréstimo de um norte americano
de Baltimore, Sr. Wright, com quem fizera amizade durante
a sua viagem no navio para o Brasil, bem como do Rev. Alexander
Latimer Blackford. As passagens são fornecidas em
confiança para pagamento posterior. Em Baltimore, o casal
é recebido pelo Sr. Crane, um irmão na fé, que os aguarda e
os ajuda a desembarcar, posto que o porto está fechado, na
iminência de declaração de guerra entre os Estados do Sul
(Confederados) e os Estados do Norte (União). A bagagem,
doze malas, fica no navio, posteriormente guardada no armazém
da firma Maxwell e Wright, somente chegando às
suas mãos quatro anos depois, no termino da guerra302.
A permanência de Thomas Jefferson Bowen no Brasil
foi de oito meses e dezenove dias, isto é, de 21 de maio de
300 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 74.
301 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 78-79.
199
1860 a 9 de fevereiro de 1861, como concluiu Betty Antunes
de Oliveira, em sua obra, corrigindo o erro histórico, que
declarava que ele permanecera dois anos no Brasil303. Saindo
de Baltimore, vai a uma estação de repouso para recuperar
sua saúde abalada.
Thomas Bowen passou o resto dos seus dias pregando
na sua terra, nas igrejas da Associação ou ensinando, quando
a saúde lhe permitia. A moléstia retornava a intervalos
periódicos, forçando a ir para o hospital, onde aproveitava
para cuidar do jardim, o que lhe servia de lazer. Thomas
Jefferson Bowen veio a falecer 24 de novembro de 1875,
sendo sepultado no próprio Asilo onde estivera internado304.
As igrejas da sua Associação denominaram esta de Bowen
Baptist Association305.
As igrejas Batistas de Santa Bárbara
e a visão missionária.
A segunda missão Batista no Brasil teve início de um
modo insólito. A mesma decorreu da imigração de norteamericanos
para o Brasil, dentro do programa de incentivo
à imigração, adotado pelo Governo Imperial, trouxe grupos
evangélicos luteranos, presbiterianos, congregacionais e
Batistas. Cabe lembrar que essa política do Governo estava
incentivando a imigração de colonos para ocuparem as vastas
extensões de terras devolutas e para substituir a mão de
obra escrava que começava a diminuir pela adoção de leis
como as que protegiam os sexagenários (maiores de sessenta
anos eram declarados livres) e a lei do ventre livre (os filhos
de escravos eram também declarados livres). Essa foi a épo-
302 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 80-82.
303 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 82.
304 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 84.
305 Betty Antunes de Oliveira, opus cit, p. 65.
200
ca das grandes imigrações européias, notadamente da Itália
e da Alemanha, quando grandes contingentes vieram mesclar
ainda mais a população do Brasil, um cadinho que veio
a produzir a população brasileira como hoje a conhecemos,
uma fusão de raças e culturas díspares, gerando um povo
com cultura e traços próprios, alegre, fraterno e hospitaleiro,
como é universalmente reconhecido o brasileiro.
Os luteranos alemães se estabeleceram nas províncias do
Espírito Santo e do Rio Grande do Sul, enquanto os demais,
entre eles os Batistas americanos, se estabeleceram na
província de São Paulo, mais precisamente na localidade de
Santa Bárbara do Oeste. Estes últimos eram, em sua maioria
absoluta, proprietários rurais de Estados do Sul dos Estados
Unidos, veteranos da Guerra da Secessão. Com o termino
desta, tratados como cidadãos de segunda classe, perdendo
os seus bens, resolveram imigrar para o Brasil.
Os naturais dos Estados sulistas dos Estados Unidos da
América que, na Guerra da Secessão (1861 a 1865) haviam
integrado os Estados Confederados da América, tinham sido
vencidos. Derrotados e espezinhados em sua própria terra,
resolveram emigrar para o México e para o Brasil. Um dos
grupos que emigrou para o Brasil resolveu estabelecer na
Província de São Paulo, onde fundaram a colônia de Santa
Bárbara, em cujo território foram organizadas as duas primeiras
igrejas Batistas em solo brasileiro: a Igreja Batista de
Santa Bárbara, no ano de 1871, e depois em 1876, a Igreja
Batista da Estação.
A primeira igreja Batista fundada em solo brasileiro, como
já vimos, foi a Santa Bárbara d´Oeste, em 10 de setembro
de 1871, com membros de várias igrejas norte-americanas,
que pediram suas cartas de transferência com essa finalidade.
Em janeiro de 1873, essa igreja já possuía vinte
e três membros. Inclusive dispunha de um Pastor e outros
dois pregadores. A segunda igreja Batista naquela região foi
201
fundada no local denominado Estação, recebendo a igreja o
nome de Station Baptist Church (Igreja Batista da Estação).
Este fato é de alta relevância para o estudo da origem
do trabalho Batista no Brasil, porque foi dessas igrejas Batistas
(de Santa Bárbara) que saíram o clamor e os pedidos
de envio de missionários para evangelizar o Brasil durante
quase vinte anos, até que foram aténdidos. Ali foi batizado e
consagrado Pastor o primeiro Batista brasileiro (nascido no
Brasil), Antonio Teixeira de Albuquerque. O primeiro missionário
nomeado pela Convenção Batista do Sul dos Estados
Unidos (Southern Baptist Convention.- Foreign Mission
Board) foi o Pastor Hotton Quilin, Pastor da IB de Santa
Bárbara. Os missionários norte-americanos foram acolhidos
naquela localidade e receberam hospedagem, carinho e
apoio para aprender a língua pátria antes de sair para evangelizar
a pátria brasileira. Preparados com o conhecimento
da língua e de fatos do pais, saíram os missionários norteamericanos
Anna Luther e William Buck Bagby, Catharina
e Zachary Clay Taylor e o Pastor brasileiro Antônio Teixeira
de Albuquerque (com suas cartas demissórias) emitidas pela
IB de Santa Bárbara, para fundar, 15 de outubro de 1882, a
primeira Igreja Batista da Bahia.
Essa igreja dirigiu um dramático apelo à Junta de Missões
Estrangeiras da Convenção Batista do Sul do Estados
Unidos (Richmond), pedindo o envio de missionários para o
Brasil, nos seguintes termos:
Província de São Paulo, Santa Bárbara,
Brasil, 11 de janeiro de 1873.
Ao Secretário Correspondente da Junta de Missões Estrangeiras:
Permita-nos declarar-lhe que, desde 1865, diversos cidadãos
do sul dos Estados Unidos mudaram-se para o império do
Brasil e estão localizados nesta província – em São Paulo e no dis202
trito de Santa Bárbara – a maioria dos quais se dedica à lavoura
(donos de terras, etc) e está radicada aqui. Que, no dia dez de setembro
de 1871 alguns deles com cartas de várias igrejas Batistas
dos Estados acima-mencionados, uniram-se e organizaram uma
igreja sob o nome de Primeira Igreja Batista Norte-Americana do
Brasil, que a esta altura possui vinte e três (23) membros, com um
Pastor e os oficiais adicionais que as igrejas geralmente possuem.
Que no dia 12 de outubro de 1872, a igreja, em assembléia, adotou
a seguinte resolução:
Resolve-se que os irmãos R(obert) Meriwether,
R(obert) Brondax e D(avid) Davis, sejam nomeados para se
comunicarem com a Junta de Missões Estrangeiras, da Igreja
Batista, em Richmond, Virginia, no tocante ao envio de
missionários para este país.
Dados em assembléia da igreja, 12 de outubro de 1872.
(a) R(ichard) Ratcliff, Pastor
(a) W. E. Heriwether, Sec.306
A comissão nomeada se desincumbiu da sua missão redigindo
uma correspondência dirigida à Junta de Missões Estrangeiras,
enumerando as oportunidades do trabalho missionário
Batista no país, de cujo texto, traduzido do inglês
para a língua portuguesa, que se extraiu o seguinte trecho:
...Agora, enquanto igreja, não solicitamos auxilio financeiro
para construir uma casa de adoração ou para pagar
o nosso pregador; somos capazes, sob as benção da providência,
de manter a nossa própria casa. Mas não temos a
possibilidade de enviar homens para pregar aos outros; não
dispomos nem de homens e nem de meios para esse propósito.
Como o varão da Macedônia, nós “rogamos que passe
à Macedônia, e ajude-nos.” Se vier, sua recepção não será
semelhante à do grande apóstolo, mas nossos lares estarão
306 Raily, Duncan A., opus cit, p. 128-9.
203
abertos, nosso progresso, nossa influência e nossos labores
estarão com o Sr. e a seu favor. Esperamos que uma grande
comunidade Batista neste país será somada à grande família
Batista mundial, ensinando, pregando e praticando a fé que
uma vez foi dada aos santos. O Pastor da igreja, (Rev. Richard
Ratcliff) vindo da Louisiana, já está neste país há cinco
anos ou mais, tendo sido aluno do falecido Rev. Martwell.
Ele é bem qualificado para a posição, e mui aceitável aos
membros; prega uma vez por mês, e recebe o salário anual
de cento e cinqüenta dólares. Outro pregador Batista, Rev.
R(obert Porter) Thomas, de Arkansas, que está aqui há mais
de um ano, prega gratuitamente. Estes, com o Sr. Piles, da
Florida (que reside) a uma distância de 75 milhas, cercado
inteiramente de brasileiros, cremos serem os únicos pregadores
Batistas do país. Devemos acrescentar que muitos sacerdotes
aqui são homens de grande capacidade e erudição.
Respeitosa e verdadeiramente, em amor cristão
(a) Robert Meriwether
(a) Robert Brondax
(a) David Davies307 (grifo nosso)
O atendimento do apelo não pode ser feito de imediato,
em face de dificuldades financeiras. Nomeada uma comissão
da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos para
estudar a criação de novos campos missionários. Esta, na
Assembléia Anual de 1873, concluiu o seu extenso parecer
com a seguinte conclusão: A vossa comissão recomenda e
pede que a Junta envie, logo que for possível, um ou mais
missionários ao Brasil, dando preferência a nosso ver, ao
pedido dos irmãos do Brasil.
307 Raily, Duncan A., opus cit, p. 129.
204
A Igreja Batista em Santa Bárbara persistiu no pleito durante
seis longos anos. Em 1879, o próprio Pastor Ratcliff,
que retornara a Munden, na Lousiana, compareceu à Assembléia
da Convenção, em Atlanta, e defendeu o pedido
da Igreja, no sentido de reconhecer a Igreja Batista Norte-
Americana no Brasil como sua missão. Aprovado o pedido
na Assembléia, a Junta de Missões reconheceu a Igreja de
Santa Bárbara como missão e o Pastor E. H. Quillin como
seu missionário, na condição da igreja sustentá-lo308.
Embora a igreja de Santa Bárbara estivesse consciente
da sua missão e imbuída do espírito evangelizador, desejando
trabalhar para a divulgação do evangelho no Brasil, o seu
Pastor, aparentemente, não possuía capacidade que inspirasse
confiança da Junta de Missões de Richmond. Assim, havendo
ele apresentado dois planos para o trabalho entre os
brasileiros, não foram aprovados pela Junta de Richmond.
A fundação da segunda igreja Batista em território brasileiro
ocorreu na localidade denominada Station, com doze
membros oriundos da Igreja de Santa Bárbara, no primeiro
domingo, dia 4 de janeiro de 1879. Essa igreja, à semelhança
da igreja de Santa Bárbara, se empenhou para que a Junta
de Richmond enviasse missionários ao Brasil. A primeira
correspondência traz o trecho seguinte: “Cremos que a nossa
igreja ocupará dentro em breve um lugar importante na vossa
missão brasileira”309.
Apesar de todo esse entusiasmo demonstrado, nenhuma
das igrejas iníciou trabalho missionário entre os brasileiros.
Todavia o seu insistente clamor fez com que as igrejas Batistas
do sul se motivassem a enviar alguns dos seus melhores
filhos para o trabalho na terra do Cruzeiro do Sul. Abrigaram
e ajudaram os nossos primeiros missionários, inclusive
308 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 40.
309 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p 40.
205
no aprendizado da língua pátria e por longos anos foram
cooperadores dos missionários no trabalho Batista missionário
no Brasil. Crabtree, se referindo a essas duas igrejas
diz: “Deus recompensou a fé genuína desses forasteiros que se esforçaram
pela glória divina e pela extensão do reino de Cristo na
querida pátria adotiva”.310
Uma figura carismática, o General Alexandre Travis
Hawthorn, vai ter importância fundamental no envio de
missionários ao Brasil. Era ele um proprietário rural, antigo
oficial do exército confederado, com um largo circulo
de amizades. Tendo conhecimento da história da colônia
norte-americana em Santa Bárbara, desejou também imigrar
para o Brasil e fundar uma colônia nos mesmos moldes
daquela. Com esse propósito visitou o Brasil, tendo uma
entrevista pessoal com o Imperador D. Pedro II, do qual
recebeu autorização para viajar para qualquer parte do Império
às custas do Erário, sendo recebido em alguns lugares
como hospede oficial. Na capital da província da Bahia, foi
recebido com honras militares, em atenção ao seu antigo
posto. Era a já referida política de incentivo à imigração.
Finalmente, escolheu como a terra prometida para a sua colônia
uma região do Vale do Jequitinhonha, distante cerca
de duzentos quilômetros ao sul da capital da Bahia311, próximo
da divisa com a província de Minas Gerais.
Ao regressar aos Estados Unidos, todavia, os seus planos
foram frustrados. Sua esposa estava com problemas de
saúde, sem condições de enfrentar uma viagem de quarenta
dias em navio e depois ir morar numa região quase inóspita,
distante de centros civilizados. Enquanto esperava a melhora
das condições de saúde da esposa, a situação econômica
do seu país começou a mudar, culminando com a desistência
do projeto de imigração.
310 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 41.
311 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 41.
206
Na época em que esteve em visita ao país o General Hawthorn
não era um cristão converso. Todavia, enquanto esperava
que a situação de tornasse propícia para a viagem, sua
filha única faleceu. Esse fato o deixou desarvorado. Buscando
conforto na Palavra Sagrada, nessa situação, converteuse
ao evangelho em 1880. Este fato provocou uma reviravolta
na sua vida312.
Recordando-se da hospitalidade e gentileza recebidas
no Brasil, pensou em retornar para pregar àquele povo
que aprendera a amar. Entretanto, a idade, cinqüenta anos,
avançada para a época, não lhe permitia mais se desincumbir
dessa tarefa. Tendo uma visão do trabalho missionário,
entendeu ser mais útil a esse projeto permanecendo no seu
país e passando a trabalhar para que a Junta de Missões da
Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos pusesse em
prática a recomendação feita em 1873.
No mesmo ano da sua conversão, apresentou, como relator
de uma comissão especial à Assembléia Anual da Convenção,
reunida em Lexington, Kentucky, a recomendação
que concretizou o envio dos primeiros casais de missionários
para o Brasil313. Esse relatório, sincero e honesto, não
procurou esconder as dificuldades que se apresentavam para
a implantação do trabalho, mas demonstrou as grandes
expectativas e a larga visão do seu autor, que havia visitado
in loco vastas extensões do território brasileiro, sendo o nosso
Josué, o espia que trouxe as boas informações da terra e,
sem esconder as dificuldades, demonstrou que podiam ser
vencidas:
A vossa comissão pede vênia para submeter o seguinte
relatório: É, por certo, motivo de jubilo que, finalmente,
prendam a aténção do nosso povo os grandes paises da
312 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 41.
313 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 41.
207
América do Sul e especialmente o Brasil, aquela linda terra
do Cruzeiro do Sul. A evangelização desse maravilhoso
país é obra de vasta magnitude. O império do Brasil
é tão grande como os Estados Unidos e todos os seus territórios,
excluindo o Alaska, e tem uma população de cerca
de dez milhões. Vasta como pareça a obra, é ainda possível
de realizá-la, e oferece tantas oportunidades e facilidades
que a vossa comissão está plenamente persuadida de que a
obra, embora de grande porte, pode ser feita e é encantadora.
Segundo nossa opinião, não há outro país ao alcance
dos labores missionários que seja mais convidativo, ou que
ofereça resultados maiores e mais expeditos com igual dispêndio
de dinheiro e trabalho.
São númerosas e facilmente indicadas as vantagens que
este campo oferece, e também as razões que devem estimular
o nosso coração e abrir o nosso bolso para esse serviço.
Primeiro, o governo é justo e estável, sabiamente administrado,
oferecendo ampla segurança de vida, liberdade
e propriedade; o governo que reconhece o mérito e pune
prontamente os criminosos. São recebidos com corações
abertos imigrantes industriosos de todos os países estrangeiros
e especialmente os dos Estados Unidos da América
do Norte, oferecendo-lhes toda a facilidade para o seu progresso
e prosperidade.
Segundo, o povo é cortês, liberal e hospitaleiro. Mostra
muito boa vontade para com o povo norte-americano e
acha-se em condições favoráveis para receber das nossas
mãos o cristianismo evangélico que contribuirá para o
progresso do seu país.
Terceiro, o clima é ameno, a terra elevada e saubre, o sol
fértil, produzindo todos os produtos variados de diversos
climas. Estudando todos os campos, é evidente para nós
que Deus na sua providencia tem preparado de uma maneira
especial àquela pátria e àquele povo generoso para os
208
exércitos evangelizadores da nossa denominação. Crente
de que tudo é propício e que chegou o tempo de fazermos
nós neste sentido alguma coisa digna da nossa capacidade
financeira, a vossa comissão faz a seguinte recomendação:
“Que seja autorizada a Junta de Missões Estrangeiras
a nomear outros missionários para o trabalho
no Brasil314”.
A impressão deixada por Hawthorn na Assembléia Convencional
foi tão grande que foi ele nomeado agente da Junta
de Missões Estrangeiras no Estado do Texas, tendo por missão
visitar igrejas e escolas teológicas, procurando estimular
candidatos à missão de evangelização no estrangeiro. Esta
não era uma missão fácil, porque estavam no final do século
XIX, com os países situados a distâncias que demandavam
meses de viagem de navios. As comunicações eram poucas e
ineficientes. Apenas a viagem para o Brasil demandava entre
quarenta e cinqüenta dias, dependendo do tempo.
O irmão Hawthorn foi o responsável pelo encaminhamento
do casal Anna Luther e William Buck Bagby ao Brasil.
Havendo encontrado a jovem Anna em uma de suas viagens,
quando esta disse que desejava trabalhar na Birmânia
(Ásia), mas foi convencida a mudar seu projeto para trabalhar
no Brasil. William Bagby já pretendia vir trabalhar no
Brasil e o testemunho e a influência de Hawthorn confirmou
o seu propósito315.
Os Taylor também vieram ao Brasil como resultado do
trabalho de despertamento de vocação missionária empreendido
por esse “apóstolo de missões do Texas”. Crabtree,
falando sobre Hawthorn, diz “A este homem de Deus devem
muito os baptistas do Texas, os missionários baptistas do no Brasil e
os baptistas brasileiros. Interessava-se na evangelização do mundo
314 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 43
315 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 43.
209
mas levada o amado Brasil no coração. Nunca esqueceu da generosidade
dos brasileiros para com elle, e trabalhou abnegadamente
para ministrar-lhes os dons espirituaes. Os brasileiros abundantemente
justificaram a confiança que elle tinha na sua acceitação
do Evangelho, pois antes de morrer em 1899 deu graças ao Deus
pelos quinze missionários baptistas no Brasil e pelos 1500 baptistas
brasileiros”316.
A decisão da Assembléia Convencional de nomear missionários
para o Brasil coincide com a do casal, de se dedicarem a
missões. William Buck Bagby nascera no Estado do Kentucky,
entre os pioneiros da povoação do Oeste americano, com
escaramuças e lutas entre brancos e indígenas. Convertido
aos dez anos de idade, concluiu os estudos básicos e ingressou
na Universidade de Baylor, onde recebeu os títulos de Bacharel
e de Mestre em Artes. Indo depois cursar teologia, passou
a exercer o cargo de professor público, enquanto pastoreava
uma pequena igreja em Corsicana (Texas). Em 21 de outubro
de 1821, casou-se com a jovem Anna Luther, filha de John
Hill Luther e sua esposa Anne Hasseltine, missionários na
comunidade negra, descendentes de huguenotes (protestantes
franceses), que imigraram da França, fugindo da perseguição
religiosa no reinado dos Medicis e que recebera o nome
em homenagem a esposa de Adoniram Judson: “Anna Luther
era de um espírito profundamente religioso, companheira corajosa,
missionária de vocação, idônea e digna de acompanhar e ajudar o
seu marido na venturosa carreira de deitar os alicerces do trabalho
Batista neste vasto país317.
A fundação da Igreja Batista na Bahia.
O trabalho Batista no Brasil teve início com a missão
pioneira de Bowen, no Rio de Janeiro, e depois com a fun-
316 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 43.
317 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, p. 45.
210
dação das Igrejas Batistas de Santa Bárbara do Oeste, com
sua visão missionária. O trabalho que visou de forma especifica
a evangelização dos nacionais teve início na província da
Bahia, quando, em 1882, chegaram à sua capital, Salvador,
os casais missionários Zachary Clay Taylor, William Bagby,
as esposas e o Pastor Antônio Teixeira de Albuquerque.
,Alugaram um prédio pela quantia de US$ 650,00 (seiscentos
e cinqüenta dólares americanos) por ano. Esse era
um grande edifício, situado na parte alta da Cidade de Salvador,
com condição de servir-lhes de residência e de local
para os cultos, conhecido como Aljube (antiga prisão religiosa).
O salão que destinado à congregação acomodava
duzentas pessoas.
A 1ª Igreja Batista da Bahia, hoje denominada 1ª Igreja
Batista do Brasil, foi organizada na Cidade do Salvador,
Província da Bahia, em 15 de outubro de 1882, no lugar
denominado Canela, tendo como membros os missionários
norte-americanos Zachary Clay Taylor, Catharina Taylor,
William Buck Bagby, Anna Luther Bagby e o brasileiro Antônio
Teixeira de Albuquerque. A ata deste evento, lavrada
pela mão de Teixeira, descreve esse acontecimento histórico
nos seguintes termos:
No dia 15 de outubro de 1882 da era cristã, estando nesta
cidade da Bahia, no lugar denominado Canela, às 10:00
horas de manhã, os abaixo assinados, membros da Igreja
Batista de Santa Bárbara, na província de São Paulo,
tendo-se retirado daquela província para esta, uniram à
igreja Batista, fazendo a sua instalação legalmente. São
os seguintes: Sr. Antônio Teixeira de Albuquerque, Sr.
Zachary Clay Taylor, Da. Catharina Taylor, Sr. William
Buck Bagby, Da. Anna L. Bagby. (…) Depois de instalada
a igreja, com os cinco membros supra mencionados,
adotamos uanimemente a Confissão de fé, chama-se “The
New Hampshire”, confisssão de fé como praticada geral211
mente pelas igrejas Batistas missionárias. Adotamos o seguinte
pacto: o Sr. Bagby foi eleito por unanimidade de
votos – moderador – o Sr. Antônio Teixeira de Albuquerque
– idem – secretário. O nome foi intitulado; 1ª Igreja
Batista na Bahia. Por unanimidade de votos foi designado
o 2º domingo de cada mês para Ceia do Senhor, depois da
pregação às 11:00 horas da manhã. Foi designado que
haveria reunião da igreja para oração e negócios da igreja.
Encerrada a sessão, tem em seguida: o culto, pregação
do evangelho e celebração da Ceia do Senhor. Eu secretário
a escrevi e assino-me. Antônio Teixeira de Albuquerque.
Bahia, 10 de maio de 1883318.
Em 15 de novembro de 1882, Anna Bagby relata o acontecimento,
escrevendo:
“Estamos prestes a iniciar a obra verdadeira. O Sr. Bagby
está pronto para pregar, tendo já pregado (algumas
vezes) e o Sr. Taylor já leu diversos sermões em português,
de sua própria autoria. Naturalmente a Sra Taylor e eu
nos alegramos desde já com a formação de classes bíblicas
para senhoras, visitas aos lares nativos, e a realização da
legitima obra da igreja. Estou quase desanimada pela
demora, porém, esforço-me por trabalhar enquanto espero”.
No dia 13 de dezembro, é a oportunidade de Bagby escrever:
“Durante o trimestre próximo passado preguei doze sermões
em português, seis na capela presbiteriana e seis em
nossa própria casa. Já traduzi O Catécismo Batista para
crianças e agora estou trabalhando numa História dos
Batistas” 319.
318 Reiley, Ducan A. opus cit, p. 131-132.
319 Reiley, Ducan A. opus cit, p. 131-132.
212
Em 15 de Janeiro de 1863, é a vez Zachary Taylor registrar:
“Estamos no começo do nosso trabalho há tanto esperado.
Temos três cultos públicos por semana. Na noite passada
tivemos 20 ouvinte. Ainda não temos feito muito trabalho
de “caminhos e atalhos” pois estamos pondo em ordem
a nossa casa e acompanhando a publicação de nossos livros
A Bíblia sobre o Batismo e usos da Igreja e Regras da Ordem.
Temos em mãos o valor de $ 500,00 US em Bíblias
e folhetos. Usamos a versão de Figueiredo da Bíblia, publicada
pela Sociedade Britânica e Estrangeira em Lisboa,
que tem a aprovação do arcebispo da Bahia. Segue-se
uma comparação com a versão King James. Figueiredo
tem, em lugar de com (with, em inglês) a preposição
em...” 320
Finalmente, Bagby, no seu ultimo relatório trimestral,
Bagby escreve:
“No segundo dia do Senhor, em janeiro, iniciamos cultos
públicos em nosso salão de pregação. Desde então, tenho
pregado em todo domingo, menos um. Estou adquirindo
algum desembaraço no falar e no pregar em português,
mas pode ser que eu demore alguns anos até que possa usa
a língua com perfeita fluência. Espero logo poder falar totalmente
sem manuscrito. Domingo à noite tivemos cerca
de setenta pessoas presentes. Nossa influência parece estar
sempre aumentando. Muitos estão lendo os tratados e folhetos
que distribuímos. Os sacerdotes nos denunciaram
publicamente, e advertiram o povo contra a assistência aos
nossos cultos, apesar disso ele vêm”321.
Organizada a base do trabalho na Bahia, inclusive com
penetração no interior do Estado, os missionários volvem
320 Reiley, Ducan A. opus cit, p. 131-132.
321 Reiley, Ducan A. opus cit, p. 131-132.
213
os olhos para outros pontos da pátria brasileira. Dois grandes
centros lhes chamam a aténção. O Rio de Janeiro, sede
do Governo Imperial, com sua grande massa populacional
e Pernambuco, que com sua capital Recife, sempre foi um
grande centro comercial e cultural por excelência. E a partir
dessa base estabelecida na Bahia, o trabalho dos Batistas,
na divulgação do cristianismo evangélico, se expande para
o Rio de Janeiro, para Alagoas e para Pernambuco. Nesta
Igreja Batista da Bahia será consagrado aquele que será o
primeiro Pastor da Igreja Batista do Cordeiro: o pioneiro
Antonio Marques da Silva:
“[...] Foram ali [no Casarão do ALJUBE] consagrados os
missionários nacionais. O primeiro deles, um verdadeiro
apóstolo e mártir, João Gualberto Batista, que hoje descansa
na mansão dos justos, consagrado ao ministério em
1883, e o velho Antonio Marques, que ainda está entre
nós. [...]”322
Iniciado o trabalho Batista na Cidade do Recife, Capital
da Província de Pernambuco, no ano de 1885 foi organizada
a primeira congregação Batista, a qual vem a ser organizada
em Igreja em 1886 e reorganizada mais tarde. É de onde
vão ter origem as igrejas Batistas de Pernambuco, da Paraiba
e do Rio Grande do Norte.
A Igreja Batista de Maceió.
O trabalho missionário Batista no Brasil se expandiu a
partir do seu novo núcleo, em Salvador, primeiro para o Rio
de Janeiro, onde foi fundada a quarta igreja Batista no Brasil,
a Igreja Batista do Rio de Janeiro, o núcleo da expansão do
Evangelho pelos Batistas no Centro Sul e parte do Sudeste.
Em seguida, os Batistas se dirigiram para o norte, onde fun-
322 BARRETO, Archiminio, Os Primeiros Baptistas na Bahia, in’O Jornal Batista,
23 de junho de 1921, p. 9.
214
daram a quinta igreja Batista no Brasil, em Maceió, núcleo de
expansão do Evangelho no Norte e Nordeste do Brasil.
A partir de contatos de amigos e familiares do Pastor
Antonio Teixeira de Albuquerque, a noticia da sua conversão
ao Evangelho, segundo criam os Batistas, e da sua consagração
ao Ministério e, especialmente, da publicação do
libelo “Três Razões porque deixei a Igreja de Roma”, o campo
alagoano estava preparado para o impacto da mensagem do
Evangelho de Cristo, que foi recebida com avidez e logo
encontrou ouvidos, corações e mentes abertos à sua aceitação,
possibilitando a organização da Igreja Batista de Maceió,
que será o núcleo irradiador do Evangelho em Alagoas,
Pernambuco e de todo o Nordeste do Brasil e até do
Norte. Mais tarde o será também de Sergipe.
A Primeira Igreja Batista de Maceió foi organizada em
17 de maio de 1885, com dez membros, sob a direção do
Pastor Antonio Teixeira de Albuquerque. Zachary Taylor,
em comunicação à Junta de Richmond, narra o fato nos seguintes
termos:
Depois de ter estado dez dias em Pernambuco, fui para
Maceió de navio, em companhia do irmão Melo Lins.
Encontramos o Senhor Teixeira cercado de um pequeno
grupo de fiéis, batalhando contra as dificuldades. Um deles
foi batizado antes da minha chegada, e outros três durante
a minha estada ali, perfazendo um total de seis batizados
em Maceió.
A 17 de maio, depois de oração, organizamos a Primeira
Igreja Batista de Maceió com dez membros. O senhor
Teixeira, a esposa e o filho, com suas cartas da Bahia e o
irmão Lins entraram na organização. No domingo seguinte
celebramos a Ceia do Senhor323.
323 TAYLOR, Z. C. Relatório. Foreign Mission Journal, Richmond, Virginia, v. 17,
nº 5/209, dezembro de 1985, p. 2 e fevereiro de 1886, p. 2, c. 4. textos traduzidos
215
Nas duas semanas seguintes à organização da Igreja, foram
realizados cultos de pregação em todas as noites. Ao cabo
destas, havia mais de uma dúzia de interessados. Taylor,
no relatório de 20 de julho de 1885, informa que o Pastor
Teixeira de Albuquerque havia pregado 15 sermões, realizado
22 visitas a famílias, em quase todos os dias e efetuara
oito batismos, entre novembro de 1884 e junho de1886324,
trazendo ainda uma observação:
[...] Sr. Teixeira batizou mais uma pessoa depois que enviou
o relatório, conforme se lê acima. Assim, a igreja lá
(a de Maceió) tem agora 13 membros [...] 325
A pesquisa da Professora Betty Antunes de Oliveira,
que resultou na obra Centelha em Restolho Seco: Uma Contribuição
para a História dos Primórdios do Trabalho Batista no
Brasil, permite identificar alguns dos fundadores da PIB de
Maceió: (1) Antonio Teixeira de Albuquerque (Pastor), (2)
Senhorinha Francisca Teixeira de Albuquerque (sua esposa),
(3) Antonio Teixeira de Albuquerque Filho (filho do casal),
(4) Wandrejasello de Mello Lins e, dentre os seis recém batizados
em Maceió, o primeiro deles (5) João Batista Gualberto,
totalizando dez membros.
A PIB de Maceió, como dissemos antes, era a quinta
Igreja Batista organizada em solo brasileiro. A sua organização
fora antecedida pelas Igrejas Batistas: (1ª) de Santa
Bárbara (SP), organizada em 10 de setembro de 1871, por
imigrantes Batistas norte-americanos e onde foi batizado
e consagrado o primeiro Pastor Batista no Brasil, Antonio
pela Professora Betty Antunes de Oliveira, e transcrito in OLIVEIRA, Betty Antunes,
Centelha em Restolho Seco: Uma Contribuição para a História dos Primordios
do Trabalho Batista no Brasil, Nova Vida: 2005, São Paulo, p. 266-267.
324 TAYLOR, Z. C. Relatório. Foreign Mission Journal, Richmond, Virginia, outubro
de 1985, p. 2 cc. 3, 4, traduzido pela Professora Betty Antunes de Oliveira, e
transcrito in OLIVEIRA, Betty Antunes, opus cit, p. 302-303.
325 Idem.
216
Teixeira de Albuquerque; (2ª) da Estação, em Santa Bárbara
(SP), organizada em 2 de novembro de 1879, por membros
da anterior; (3ª) da Bahia, em Salvador (BA), organizada em
15 de outubro de 1882, com cinco membros (os casais Anne
Luther e William Bagby e Katharin e Zachary Taylor, com
cartas de transferência da IB de Santa Bárbara e Antonio
Teixeira de Albuquerque com carta da IB Estação); (4ª) do
Rio de Janeiro (RJ), fundada em 24 de agosto de 1884, com
quatro membros (Anne Luther e William Bagby e Mary
O´Rouke, preceptora dos seus filhos e um quarta pessoa não
identifidada), com cartas de transferência da PIB da Bahia.
Um manuscrito, sem data, existente no arquivo da Junta
de Richmond, de autoria atribuída a Taylor, traz algumas
informações sobre a PIB de Maceio, entre as quais:
“...passado algum tempo, ele (o pai de Teixeira) fora batizado.
Também foram batizadas sua esposa e uma tia,
cujos nomes não foram mencionados.”
“... um incidente provocara a morte de Teixeira, depois de
um trabalho que levara a Igreja a alcançar o número de
oitenta membros.”
“...João Batista, de 24 anos, o primeiro homem batizado
em Maceió e que se tornara pregador exemplar, fora
designado para assumir a responsabilidade da igreja de
Maceió.”326
Os pais de Teixeira de Albuquerque se converteram ao
Evangelho, sendo batizados pouco tempo depois da organização
da Igreja, sendo o pai, Felipe Ney de Albuquerque,
batisado em 12 de janeiro de 1886327 e a mãe, Helena Ma-
326 Manuscrito do Arquivo da Junta de Richmond (SBC – Southern Baptist Convention),
em Virginia, traduzido pela Professora Betty Antunes de Oliveira, transcrito
in OLIVEIRA, Betty Antunes, opus cit, p. 267-268.
327 TAYLOR, Z. C. Carta para Junta de Richmond, em 12.01.1886, in OLIVEIRA,
Betty Antunes, opus cit, p. 267.
217
ria da Conceição, em 11 de fevereiro de 1886328. Na última
data, possívelmente, foi também batizada uma tia do Pastor
Teixeira Albuquerque, aumentando para treze os membros
da Igreja.
Pastor Antonio Teixeira de Albuquerque.
Dados Biográficos: Antônio Teixeira de Albuquerque
nasceu em Maceió (AL), em 15 de abril de 1840, filho único
do casal Felipe Ney de Albuquerque e Helena Maria da
Conceição. Iníciou sua formação escolar no Liceu Alagoano,
educandário ainda hoje existente, onde ingressou em 1856,
com dezesseis anos e dali saiu cinco anos depois. Atendendo
à vontade dos pais, em 1868 ingressou no Seminário Diocesano
de Olinda, dirigido pelo bispo Cardoso Ayres, onde
concluiu o curso de formação sacerdotal e dirigiu-se à cidade
de Fortaleza onde, em 1871, foi ordenado sacerdote católico
romano, no Seminário Diocesano de Fortaleza329.
Em 1873 estava Teixeira de Albuquerque em Alagoas
(Limoeiro de Anadia), como sacerdote (coadjutor) do Padre
Jacintho Francisco de Oliveira330. Examinando as Escrituras
Sagradas, recebeu a luz do Evangelho, percebendo
que a salvação humana é conferida por Deus, não através
de obras, penitência, ou a intervenção de nenhum homem
pecador e sim pela graça regeneradora de Deus, através exclusivamente
do sangue de Jesus Cristo. O padre Antônio
Teixeira de Albuquerque, convencido dos erros da prática
católico-romana, abandonou a batina e prosseguiu em seus
estudos, verificando que as doutrinas bíblicas pregadas pelos
evangelicos eram as mais fiéis ao Novo Testamento. Casou
com Senhorinha Francisca de Jesus em 7 de abril de 1878,
328 TAYLOR, Z. C. Carta para Junta de Richmond, em 11.02.1886, in OLIVEIRA,
Betty Antunes, opus cit, p. 267.
329 Girão, Raimundo, in OLIVEIRA, Betty Antunes de. opus cit, p. 228.
330 Oliveira, Betty Antunes de, opus cit, p. 228.
218
na Igreja Presbiteriana do Recife, no prédio 71 da Rua do
Imperador Pedro II, perante o Pastor John Rockwell Smith,
adotando a esposa o nome de Senhorinha Francisca Teixeira
de Albuquerque.
Viajando para São Paulo encontrou os missionários
americanos que tinham chegado naquele ano para iniciar o
trabalho Batista em nosso país: William Bagby, Ann Luther,
Zachary Taylor e Katé Taylor. Depois de se conhecerem,
pedir a Deus orientação, resolveram iniciar a pregação do
Evangelho de Cristo em Salvador, Bahia – a cidade mais católica
do Brasil na época. Fundaram ali, em 1882, a Primeira
Igreja Batista da Bahia. Em pouco tempo pessoas se converteram
e o casal Bagby se transferiu para o Rio de Janeiro
onde abriu novo campo de trabalho e organizou em 1884 a
Igreja Batista do Rio de Janeiro.
A Primeira Igreja Evangélica Batista de Maceió, que
comemorou o 120º Aniversário de organização em 17 de
maio de 2005, tem aberto as portas do seu Templo e recebido
os membros e visitantes para o louvor ao Deus Eterno
e, com isso, vidas têm sido salvas e acrescidas ao Reino de
Deus. A PIB de Maceió, nesse período, foi conduzida por
dezenove Pastores e dois Diáconos: 1. Antônio Teixeira de
Albuquerque (1885-1888); 2. João Gualberto Batista (1887-
1894); 3. Joséph Aden (1894-1895); A. Manoel Lins (diacono,
1896-1898); 4. Wandregésilo Melo Lins (1898-1900); 5.
Jefté Erastus Hamilton (1900-1902); 6. Pedro Falcão (1902-
1905); 7. Manoel Virgínio de Souza (1906-1911); 8. Euthiquio
Ramos de Vasconcelos (1911-1916); 9. José Carlos Barbosa
(1916-1922); 10. Apolônio Falcão (1922-1928); 11. John
Mein (1928-1930); 12. Leslie Leonidas Johnson (1930-
1936); 13. José Tavares de Souza (1936-1985); 14. Marcos
Chagas Villa-Flor (1985-1987); 15. Boyd Allen O´Neal
(1987-1988); 16. José Nazareno de Cerqueira (1988-1993);
B. Moelze Lins de Souza (Diácono, 1993-1994); 17. Rogé219
rio Scheddeger Maia (1994-2004); 18. Roberto Amorim de
Menezes (2004-2005) e 19. Tércio Ribeiro de Souza (empossado
em 06 de maio de 2005).
220
Capítulo XXI
Os Batistas em Pernambuco
Iniciado o trabalho Batista no Brasil na Cidade de Salvador,
então um grande centro, logo os missionários volveram
sua aténção para os outros quadrantes do país, fixando seus
olhos em dois centros importantes: Recife, capital do Estado
de Pernambuco e o Rio de Janeiro, a capital do Império.
O pernambucano Wandrejasello de Melo Lins, amigo
de Antonio Teixeira de Albuquerque, foi recomendado ao
missionário Zachary Clay Taylor como aquele que poderia
ser as primícias do trabalho Batista em Pernambuco. Mello
Lins tinha se convertido ao Evangelho e congregava com a
Igreja Presbiteriana por quase uma década, mas não se decidira
a ser batizado naquela comunidade porque ter convicção
diferente a respeito da forma do batismo bíblico (por
imersão)331. Teixeira de Albuquerque sugeriu a Taylor que
fizesse uma visita ao Recife e conversasse com Mello Lins.
Acatada a sugestão, Zachary Clay Taylor viajou de Maceió a
Recife, onde se hospedou na casa do missionário congregacional
James Faustone, de quem ouviu informações abonadoras
da conduta de Mello Lins.
O missionário Taylor teve uma longa entrevista com
Mello Lins sobre arrependimento, regeneração, batismo e
outras doutrinas bíblicas, ficando satisfeito com o resultado.
E havendo Mello Lins pedido para ser batizado, esse fato
ocorreu no dia 6 de maio de 1885, na margem do Rio Morno,
um afluente do Rio Beberibe, na localidade de Beberibe,
próximo do sítio histórico onde foi celebrada a Convenção
331 CRABTREE, Asa Routh, História dos Baptistas no Brasil, pagina 64.
221
de Beberibe332 que tornou a Província de Pernambuco independente
de Portugal em 1821.
Naquele sítio histórico foi batizado o primeiro Batista de
Pernambuco. No mesmo local, durante as comemorações
do Centenário dos Batistas de Pernambuco, foram batizados
cem novos convertidos. Retornando a Maceió (AL), Zachary
Clay Taylor levou o seu novo discípulo, ali participando da
organização da Primeira Igreja Batista de Maceió, em 17 de
maio de 1885, com dez (10) membros333 e que iria ser dirigida
por seu amigo Antônio Teixeira de Albuquerque.
Mello Lins veio a ser consagrado ao Ministério no início
do ano de 1886, na Cidade de Maceió, retornando em
seguida para o Recife para o trabalho de proclamação do
Evangelho. A primeira congregação Batista do Recife e de
Pernambuco foi organizada na Rua Direita, nº 120, no bairro
de São José, em fins do ano de 1895, pelo Pastor Wandrejasello
de Melo Lins, com quatro pessoas, ele próprio,
a sua esposa e dois novos convertidos334. Esses dois novos
convertidos foram batizados pelo missionário Charles David
Daniel quando chegou ao Recife, vindo eles a compor a
nova igreja.
A 1ª Igreja Batista do Recife foi organizada em 4 de abril
de 1886, pelo missionário Charles David Daniel, tendo como
secretário Mello Lins, com o nome de Igreja de Cristo
no Recife denominada Baptista, como expresso em sua ata
de fundação, lavrada por Mello Lins. Eram seus integrantes
os seguintes membros: Pastor Wandrejasello de Mello Lins,
332 A Praça da Convenção, no centro do bairro de Beberibe, ornado com uma escultura
de Abelardo da Hora, é o local onde foi celebrado a Convenção de Beberibe,
por meio da qual, em 1821, foi encerrada a revolução onde os pernambucanos
derrotaram os portugueses e tornaram a Província de Pernambuco independente
de Portugal antes do Grito do Ipiranga. Nota do Autor.
333 CRABTREE, Asa Routh, Opus cit, paginas 64-66.
334 SILVA, Leonice Ferreira da, Primeira Igreja Batista do Recife, Episódios de Sua
História, pagina 21
222
sua esposa Luiza do Nascimento Mello Lins, Pastor Charles
David Daniel, sua esposa, a missionária Lena Kirk Daniel,
João Francisco de Souza e João da Cruz Lima, num sobrado
da na Rua Direita, 120, São José, Recife (PE)335. Durante o
ano de 1886, foram acrescentados ao rebanho treze novos
crentes, batizados por Mello Lins336.
Esse casal de missionários norte-americanos, Charles David
Daniel e Lena Kirk Daniel, havia chegado à Cidade do Recife,
Pernambuco, enviados pela Junta de Richmond (USA) em
30 de março de 1886337 e, empolgados pelas perspectivas do trabalho,
resolveram imediatamente organizar a Igreja, embora
ainda sem a formação doutrinária dos membros.
Havendo o casal Daniel sido transferido para a Bahia, o
Pastor Wandrejasello Mello Lins assumiu a direção da nova
Igreja, que cresceu, chegando a ter mais de duas dezenas de
membros. Todavia a ocorrência de uma divergência de opinião
entre o Pastor Wandrejasello Mello Lins e o membro
da Igreja de nome Martiniano, a respeito do comportamento
deste último e a atitude dos missionários apoiando aquele
membro, causou o afastamento do primeiro, por iniciativa
dos missionários. O fato foi o seguinte: o irmão Martiniano
era casado (na época perante o padre da Igreja Católica Romana,
que exercia esse mister, de acordo com a Constituição do Império, os
registros de nascimento e de casamento eram feitos pela Igreja Católica
Romana) com Severina Maria de Jesus (membro da Igreja,
batizada em 30 de julho de 1886), com quem tinha uma filha.
Separando-se de Severina Maria de Jesus, comunicou à
Igreja que se obrigava a alugar uma casa para ela e a filha do
casal e a pagar as despesas da manutenção. Posteriormente,
pretendeu Martiniano contrair novas núpcias, sob o argu-
335 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, paginas 22 e 210
336 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, pagina 26.
337 CRABTREE, Asa Routh, Opus cit, pagina 66.
223
mento de que o casamento eclesiástico não tinha validade
porque não era católico. O Pastor Mello Lins manifestouse
contrário, argumentando que, sendo Martiniano casado,
não poderia contrair novas núpcias, por ser vedado pela legislação
do país.
Os missionários apoiaram a posição de Martiniano, suspenderam
o Pastor Mello Lins do trabalho e deixaram de
pagar a remuneração mensal para ele estipulada de cem mil
reis. Este episódio dividiu a Igreja e dispersou os seus membros.
O missionário Zachary Clay Taylor, que residia em
Salvador (Bahia), passou a vir ao Recife com a finalidade de
reorganizar o trabalho Batista neste Estado338.
O Batismo de Salomão Luiz Ginsburg.
O missionário Zachary Clay Taylor, depois do episódio
anterior, passou a vir a com regularidade à Recife, visando
restabelecer o trabalho de divulgação do cristianismo evangélico.
Nesta cidade manteve contatos constantes com Salomão
Luiz Ginsburg, que, nessa época, era missionário da
Igreja Congregacional. Passando esses dois missionários a
analisar aspectos doutrinários divergentes entre os seus grupos
religiosos, começaram a discutir a forma bíblica correta
do batismo. Examinando com mais cuidado os textos bíblicos,
Salomão se convenceu de que a forma correta do batismo
bíblico era por imersão.
Havendo exposto esse assunto perante sua congregação
e, tendo mantido os contatos com os missionários Batistas,
dirigiu-se a Salvador, onde pediu para ser batizado
nessa forma. O missionário Zachary Clay Taylor o batizou
em Salvador, Bahia, e logo em seguida foi ele consagrado
Pastor Batista para exercer o Ministério da Palavra em 19
de outubro de 1891. Retornando ao Recife, Salomão Luiz
338 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, paginas 27-31.
224
Ginsburg, depois de nomeado missionário da Missão Norte-
Americana, passou a trabalhar com a finalidade de dinamizar
o trabalho Batista no Estado339.
A reorganização da Igreja Batista do Recife
Depois do episódio de 1888, a Igreja se dissolveu, deixando
de se reunir e desaparecendo os seus membros. O
trabalho persistente de Zachary Clay Taylor, de buscar as
ovelhas desgarradas, trouxe de volta ao rebanho cerca de
vinte antigos membros. E o dinamismo de Salomão Ginsburg
na divulgação do evangelho cristão acresceu ao grupo
cerca de cinco novos convertidos.
Reunido o rebanho, surgiram condições para a reorganização
da Igreja em 25 de julho de 1892, com vinte e nove
(29) membros. Na reunião, foi eleita a seguinte diretoria:
William Edwin Entzminger (Pastor), Antonio Pacheco (Secretário),
Manuel Henrique da Silva (Tesoureiro) e João Batista
de Oliveira (Diácono)340.
Salomão Ginsburg participou da reorganização da Igreja.
O missionário William Edwin Entzminger, relatando a
reorganização dessa primeira comunidade Batista em Pernambuco,
ainda como parte do campo missionário baiano,
assim expôs:
“Por muito tempo estamos perplexos e tristes pelas condições
da igreja em Pernambuco. O Sr Ginsburg e eu achamos
necessário visitar a igreja no mês passado e apresentar-
lhe um plano de serviço.
Depois de nos informar melhor das condições julgamos
por bem reorganizar completamente o trabalho.
339 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, paginas 27-31.
340 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, paginas 35.
225
Cerca de 20 dos provados e verdadeiros entraram na organização
com uns cinco novos. Tem agora um padrão mais alto de
pureza cristã e alvo mais nove para a igreja de Cristo. É rebanho
pequeno, todavia, no meio de lobos ululantes e leões rugidores, não
podem existir sem Pastor.341”.
O trabalho de divulgação do Evangelho era feito durante
os sete dias da semana, bastando conferir a narrativa de
Crabtree: “Pregava-se o Evangelho na sede da Missão 4 vezes
por semana, e 2 vezes em casas de crentes na cidade e uma vez
fora desta”342
Reorganizada a Igreja, funcionou inicialmente na residência
do cidadão escocês de nome Gillespie, no Cais do
Ramos, hoje parte final da Rua do Imperador. Logo se mudou
para a Rua das Hortas, nº 18, no bairro de São José, hoje
parte da Avenida Dantas Barreto, e posteriormente para
o sobrado da Rua da Aurora, 43, 1º, no bairro da Boa Vista.
Finalmente, para a Rua Formosa343, atual Avenida Conde da
Boa Vista.
A Primeira Igreja Batista do Recife, até o ano de 1926,
foi dirigida pelos seguintes Pastores: Charles David Daniel
(1886), Wandrejasello de Mello Lins (1886-1889), Zachary
Clay Taylor (1889-1892), William Edwin Entzminger
(1892-1900), Salomão Luiz Ginsburg (1900-1909), David
Luke Hamilton (1909-1911), João Borges da Fonseca (1913-
1917), Harvey Harold Muirhead (1917-1918), William Carey
Taylor (1918), José Munguba Sobrinho (1918-1919),
Orlando do Rego Falcão (1919-1923) e Adrião Onésimo
Bernardes (1923-1926).
A Primeira Igreja Batista do Recife, de pequena célula do
trabalho Batista no Estado de Pernambuco, transformou-se
341 CRABTREE, Asa Routh, Opus cit, pagina 97.
342 CRABTREE, Asa Routh, Opus cit, pagina 97.
343 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, paginas 33-37.
226
em matriz viva que iria gerar outras agências do Reino de
Deus no campo Batista pernambucano. O campo pernambucano,
ou Missão de Pernambuco, na linguagem dos missionários,
até 1921, englobava os Estados de Pernambuco (sede),
da Alagoas, Paraíba do Norte e do Rio Grande do Norte.
Em 16 de janeiro de 1896, foi organizada a Igreja Batista
de Nazaré da Mata, com dezesseis membros, sendo seu
Pastor William E Entzminger. O trabalho evangélico nessa
localidade, que começou e prosseguiu em meio a perseguições,
floresceu. A Igreja se organizou e se autoadministrou,
edificou e construiu seu Templo, com as mãos dos seus
obreiros. Foi a primeira Igreja a sustentar seus obreiros344.
Essa Igreja fora fruto da congregação organizada em Nazaré
da Mata no ano anterior. O trabalho evangélico nessa
localidade fora iniciado pelos irmãos presbiterianos, arrefecendo
por falta de obreiro para dirigi-lo. Dois integrantes
dessa congregação, Jeronymo Machado e Alexandre da Gama,
com outros remanescentes, solicitaram da Igreja Batista
do Recife o envio de alguém para dar assistência espiritual,
sendo enviado Mello Lins em companhia do Diácono João
Batista, em 15 de março de 1895. Retornaram duas semanas
depois com o Pastor Entzminger, que fez conferências
durante quatro dias. Passaram a visitar regularmente o local
a cada quinze dias. Em 21 de julho foram realizados os primeiros
batismos: Manoel Cypriano da Silva, João Borges da
Rocha, Maria Pereira da Rocha, Francisca Maria Baptista,
Eliza Maria Evangelista e Manuel Paulino foram batizados
nas margens do rio que banha Nazaré da Mata345. Um dos
frutos desse trabalho para a causa vem a ser João Borges da
Rocha, logo encaminhado para o Seminário.
344 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, paginas 41-44.
345 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, paginas 41-44.
227
Em 1900 foi organizada a Convenção denominada União
Batista Leão do Norte, na 1ª Igreja Batista do Recife, reunindo-
se nos dias 30 e 31 de dezembro de 1900 e 1 de janeiro
de 1901. Na oportunidade, foi eleita a sua primeira diretoria:
Presidente: Salomão Ginsburg; Vice-presidente: João Borges
da Rocha; Tesoureiro: J. Marinho Falcão; 1º Secretário: Emilio
Warwick Kerr; 2º Secretário: Arthur Lindoso. A segunda
assembléia convencional foi realizada na Igreja Batista de Nazaré
da Mata, nos dias 4, 5 e 6 de abril de 1901.
Em 1902 Salomão Ginsburg, a partir da classe de ensino
teológico que ministrava em sua residência, organizou o
Seminário Teológico Batista, no dia 1º de abril, em sua
residência no Caminho Novo, atual Avenida Conde da Boa
Vista, com a presença dos Pastores Jefté Hamilton e João
Borges da Rocha, e dos Diáconos Arthur Lindoso, Antônio
Aristônico e João Coelho da Silveira, além de diversos
membros da 1ª Igreja Batista do Recife. Os primeiros matriculados
foram Emilio Kerr, Alfredo de Lima, Benvenuto
Chaves, João dos Santos, Alcino Coelho e Nicodemos Carvalho.
Do primeiro currículo constava o ensino da Bíblia,
de Teologia, de Línguas, de Matémática e de Gramática.346
Posteriormente foi dirigida por W. E. Entzminger, sendo
seus alunos Antonio Borges da Rocha, Eloi Correia, Pedro
Falcão, Manoel da Paz, Manoel Olimpio de Holanda Cavalcanti
(Nino)347. Logo depois, vai se instalar numa casa do
Parque Amorim, esquina da Rua Dom Bosco348, adquirida
pela Missão.
Ainda em 1902, surgiu em Recife a Liga Contra Os
Protestantes, organizada pelo celebre Frei Celestino di
Pedavolli, frade católico romano, nascido na Itália. Surge
346 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, paginas 66.
347 FEITOSA, José Alves, Opus cit, página 222.
348 FEITOSA, José Alves, Opus cit, página 222
228
em cena como grande incentivador de perseguições349, ainda
saudoso da Inquisição e da exclusividade da religião católica,
que existiu, até o período do Império, quando os cultos
públicos de outras religiões eram proibidos. Além de dirigir
ofensas e calúnias aos evangélicos, perseguia estes nos
seus locais de trabalho, estimulando os patrões a demitirem
os empregados evangélicos. Até o comandante militar do
Estado foi abordado para dispensar os soldados evangélicos
por serem “hereges”. Não teve sucesso nessas últimas empreitadas
porque, zelosos, os empregados e soldados eram
servidores irrepreensíveis, sendo elogiados por seus chefes350.
O assunto se encaminha para a questão da “Falsidade
das Bíblias dos Crentes” e chega aos jornais da Cidade,
fazendo que toda a sociedade tome posição em favor de um
ou de outro grupo. O resultado é venda de quantidade sem
precedentes da Bíblia Sagrada e a conversão ao Evangelho
de alguns religiosos, entre os quais o professor salesiano (ordem
religiosa católica) José Piani (1903)351. Este ingressou
no Seminário Batista, sendo depois encaminhado aos Estados
Unidos para cursos superiores, tornando-se Pastor entre
seus patrícios italianos, na Lousiana (USA).
Apesar da perseguição – e talvez por causa dela – o trabalho
Batista se desenvolveu. Duas novas igrejas foram organizadas
no interior do Estado. Em 1902 foi organizada a
Igreja Batista de Jaboatão, no distrito de Colônia (na Usina
Bulhões)352 e, em 1903, foi organizada, no dia 8 de maio, a
Igreja Batista de Palmares353, na região da mata sul do Estado.
Enquanto isso, na Capital, as congregações iam crescendo.
Com o progresso, foram organizadas novas igrejas.
349 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, pagina47-53.
350 SILVA, Leonice Ferreira da, Opus cit, paginas 67-68.
351 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira e RAMOS ANDRÉ, Opus cit, página 19.
352 FEITOSA, José Alves, Opus cit, página 222.
353 JORNAL BATISTA de 02 de junho de 1927.
229
A Igreja Batista do Cordeiro foi a segunda Igreja Batista
organizada na capital, em 15 de novembro de 1905. A congregação
fora organizada em 1902, por Salomão Ginsburg, e
por ele dirigida até essa data. A Igreja Batista do Cordeiro,
fundada com o nome de “Egreja de Christo em Iputinga,
denominada Baptista”, como era costume nessa época. Na
oportunidade da organização, não existindo entre seus membros
quem pudesse secretariar a reunião e redigir a ata, foi
escolhido como secretário o Diácono Arthur da Silva Lindoso,
que se tornou membro da mesma. A Igreja foi organizada
com vinte e dois membros, incluindo o irmão Primo Feliciano
da Fonseca e sua família, além de outros cristãos evangélicos,
que vieram de Bom Jardim para o Recife, fugindo da
perseguição movida pelos sacerdotes católicos daquela localidade.
Organizada como Igreja, foi escolhido, por Salomão
Ginsburg, o primeiro dirigente o Pastor Antônio Marques da
Silva, um dos seus auxiliares. Era situada no bairro da Iputinga,
habitado em sua maioria, por operários das fábricas existentes
nas proximidades. A sua sede ficava próxima da estação
da linha férrea Recife-Várzea, no local que veio a denominarse
Bomba Grande, porque passou a haver uma bomba d´água
para abastecimento da locomotiva da composição ferroviária.
Retornando o Pastor Marques para a sua terra natal (Bahia),
Salomão Ginsburg escolheu um outro auxiliar seu em 1906,
para pastoreá-la, o Pastor Manuel Corinto da Paz, que a dirigiu,
em dois períodos, até 30 de abril de 1926, quando foi
chamado para a Glória. Em 1913 a igreja adotou o nome de
Igreja Batista do Cordeiro354.
No mesmo ano, a Igreja Batista da Gameleira foi organizada
vinte e três dias depois da Igreja do Cordeiro, no
local denominado Gameleira, na zona sul da Cidade, próximo
do bairro de Afogados. Essa igreja foi fundada com o
354 CRABTREE, Asa Routh,Opus cit, paginas 232
230
nome de Egreja de Christo em Gameleira, denominada Baptista
no dia 8 de dezembro de 1905, elegendo Pastor Manoel
Corinto Ferreira da Paz. Era a terceira igreja Batista
no Recife. O trabalho que era dirigido por Salomão Ginsburg
desde 1902. Participaram do culto de sua fundação os
Pastores William Canadá, João Borges da Rocha, Sandes, e
os seminaristas Sebastião Tiago Correia de Araújo, Manuel
Corinto Ferreira da Paz e José Piani. O seu primeiro Pastor
foi Pastor Manuel Corinto Ferreira da Paz, que foi sucedido
por José Carlos Barbosa, consagrado em 1911 (1912 a
1914)355, o qual, por sua vez, foi sucedido por Antonio Neves
Mesquita356. Em 1908, a igreja mudou o nome para Igreja
Batista da Rua Imperial, que conserva até hoje.
O crescimento numérico dos cristãos evangélicos demandava
a existência de instituições de ensino para os seus
filhos. Com essa perspectiva, o sonho de uma escola Batista
foi realizado com a fundação do Colégio Batista, em 1906,
com o nome de Colégio Americano Gilreath, para educar
filhos de evangélicos e os candidatos ao Seminário Batista.
Sua primeira sede foi o prédio situado na esquina da
Rua Visconde da Goiana com o Parque Amorim, próximo
do atual edifício do curso primário. O Dr William Henry
Cannada foi seu primeiro diretor, sendo sucedido, sucessivamente,
por Harold Harvey Muirhead357 e por John Mein.
Posteriormente passou a ser denominado Colégio Americano
Batista, nome que conservou para a posteridade.
355 OLIVEIRA, Zaqueu Moreira e Ramos André, opus cit, página 21
356 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, paginas 232.
357 CRABTREE, Asa Routh, opus cit, paginas 233
231
Referências Bibliográficas
Livros
ALBUQUERUQUE, Adelaide, Primeira Igreja Batista da Torre. Resumo
de 90 anos de lutas e vitórias. Recife: Edição da Autora, Comunigraf Editora,
1999.
ANDRADE, Misael Barbalho de. História das Igrejas Batistas de Olinda.
Olinda: Edição do Autor, 2003.
BERRY, William H. Álbum do Brasil Batista. Rio de Janeiro: Casa Publicadora
Batista, 1954.
CASTRO, Jilton Moraes de. O Valor da Brevidade para a Relevancia da Pregação:
Ensaio a Partir de Uma Analise Critica do Trabalho Homiletico de
Davi Mein Tese de Doutoramento. STBNB, Recife: texto digitado, 1993.
CHARLES, Ralph Boxer. Os Holandeses no Brasil, Recife: Compa-nhia Editora
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